domingo, 30 de setembro de 2012

O Mundo divide-se entre...# 84

... as pessoas que em criança se deslumbraram com "O Jogo do Sabichão" e os outros.

Quadripolarize a sua praia- Praia da Comporta



[Chegada de férias, é hora de mandar a fótinha à Polo Norte.] 
 "Olá Pólo Norte, 
 Já andava para Quadripolarizar uma terra perto de mim à algum tempo, mas ainda não surgiu o momento. Como saiu o desafio de Quadripolarizar uma Praia, então eu e a minha amiga Patrícia, resolvemos Quadripolarizar a Comporta. Não sabendo ou não se já o tinham feito, arrisquei. 
O Senhor que aparece ali no meio daquelas ondas, não o conheço e ficou automaticamente Quadripolarizado também. 
Ele fez questão de aparecer em todas as fotos que tirei. 
Um beijinho, Ana e Patrícia"

Um beijinho às meninas e nham nham ao maduro surfista,

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Ser optimista: Pólo Norte explica em post dirigido a Mámen

Respondendo a isto, aqui vão as vantagens de termos sido assaltados (ah, pois é, eu consigo ver vantagens!):

Forças de contenção (diz ele)

1. Entraram-nos em casa e violaram a nossa intimidade
2. Levaram-nos os dois computadores (o meu com um CD com um jogo de estratégia no qual eu era viciado) e o Ipad
3. Levaram-nos o frigorífico
4. Levaram as jóias da Pólo Norte
5. Levaram uma fotografia da Pólo Norte numa moldura da Vista Alegre
6. Levaram-nos o plasma
7. Levaram-nos a Wii, o respectivo tapete e as respectivas raquetes
8. Não voltámos a dormir naquela casa porque Pólo Norte sente-se insegura
9. Tivemos que encontrar uma nova casa e esta é ligeiramente mais pequena
10. Tivemos que mudar de casa e gastei a última semana das minhas férias a arrumar tralha e a acartar caixotes
11. Entre limpezas, pinturas na casa nova e arrumações, a Ana teve que ficar mais tempo com a avó e a tia em vez de estar sempre connosco
12. Partimos a cama da casa antiga nas mudanças
13. Andamos estafados


Forças de propulsão (digo eu) 

 1. Ainda bem que a casa estava desarrumada. Como já não voltámos a viver na casa assaltada foi menos uma tarde de arrumações que gastámos. 
 2. Há lá melhor desculpas para comprarmos um Ipad? E, já se sabe, que com um bebé pequeno não dá para passar tempo em jogos de computador. Assim, ao menos, não te ficas a lamentar que nunca mais pegaste no jogo porque... não há jogo! E lemos mais antes de dormir à noite, reparaste?
 3. Não precisamos de inscrever a miúda na seita nos escuteiros quando crescer porque, com um mês, já aprendeu connosco regras de sobrevivência. Reparaste que não comemos gelados? Nem comida congelada pré-feita? Queres lá melhor método de dieta pós-parto? 
 4. Ficaste tu para me repores o stock. Já não te podes queixar que não tens ideias do que me oferecer em ocasiões especiais! Repões todos os anéis, pulseiras, colares, contas, medalhas e afins que foram roubados com a garantia que vais acertar em cheio no meu gosto. Só vantagens! 
 5. A moldura era feia. Tinha sido prenda de casamento da minha madrinha e tinha valor sentimental mas era feia. Molduras de vidro são feias. E a fotografia é uma boa desculpa para se aparecerem fotos minhas descascada em sites duvidosos (que uma pessoa teve uma vida sexual passada animada!), alego logo que é montagem feita pelos bandidos. 
6. Li o livro do clube de leitura quadripolar de Agosto e de Setembro de uma assentada só. Perdemos a Casa dos Segredos mas, pelo que vi, não perdemos nada de especial. Ficámos sem saber que aumentaram a Segurança Social, a TSU e vivemos felizes e ignorantes uns dias. Ficámos sem ouvir notícias do Governo e do Pedro Passos Coelho e foi uma paz de espírito, feitas as contas. 
 7. Já não temos que levar com os filhos dos amigos a quererm jogar wii durante horas e a obrigarem os pais a fazerem noitadas em nossa casa quando já nos apetece despachá-los e ir dormir. Os miúdos sem entretenimento ficam aborrecidos e pressionam os pais a irem para casa assim que começam a ficar rabugentos e chatos a horas decentes. A balança do tapete da wii tinha o registo do meu peso nos últimos meses e isso deprimia-me. As raquetes não serviam para grande coisa. Raquetes por raquetes prefiro aquelas electrificadas que servem para matar moscas, sabes? 
 8. Estava farta daquela casa. Já não aguentava as putas das flores de vinil que colámos na parede e que não conseguíamos retirar sem o estuque vir todo atrás. O chão era feio e tinha pouca luz. Tomar banho de banheira gasta muita água e é mau para o planeta Terra e nesta, como só temos cabine de duche, não caímos na tentação e aumentamos a nossa pegada ecológica.
 9. Casa mais pequena = menos porcaria acumulada, menos para limpar. Menos espaço implica que teremos que arrumar O CANDEEIRO na arrecadação, porque nesta nova casa não poderá ter o destaque que merece. Casa mais pequena implica que vamos deixar de ser cocós e acelerarmos a construção da casa nova, não nos prendendo com tantos detalhes. 
 10. Qual Holmes Place e Personal Trainer e o camandro! Reparaste no exercício que fizemos? Nas calorias perdidas? Viva a ginástica pós-parto a preço zero! 
11. Pudemos comprovar a qualidade pedagógica e de mimo da minha família. Pudemos comprovar que a Ana nos prefere (mais a mim que a ti, bem sei...) e que já nos reconhece. Tivemos tempo a dois (ok, a acartar porras mas ainda assim a recomeçar a dois e somos bons em recomeços!).
 12. Vamos arranjar umas espectaculares paletes e construir o sommier ecoklógico que queríamos construir há séculos. Agora temos desculpa porque estamos depenados! 
 13. Somos felizes, pá!.

Quadripolarize a sua praia- Praia da Morena


Beijinho bom à Ana Horatio e à Margarida tremoceira.

O Mundo divide-se entre...# 83

... as pessoas que fazem refeições na mesa da sala e as pessoas que almoçam/jantam na mesa da cozinha.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Querido, todllerizei a baby bear!

'

Divirtam-se aqui! Quem é amiga, quem é?

A enfermeira e a maminha

Embora tenhamos uma pediatra fixe que só ela não dispensamos a ida ao Centro de Saúde. Invariavelmente somos atendidos por uma enfermeira demoníaca que faz a proeza de, cada vez que mede a Ana, lhe retirar 2 centímetros à pála do seu rigor profissional. Acaba sempre por acertar a altura dela tendo em conta as medidas que constam no boletim de saúde da miúda registadas, anteriormente, pela pediatra. Um must. 
Das 5 ou 6 vezes que já nos atendeu pergunta-me sempre " E maminha, mãe? Ela está satisfeita?". Como, geralmente, sou educada, respondo sempre que não dou mama à minha filha mas sim leite artificial. 
Ontem, depois de ter medido a Ana e de ter constatado que a miúda, passados quase dois meses, media o mesmo que quando nasceu, depois de eu lhe ter explicado que os bebés até podem emagrecer mas não mingam, olha para mim e faz a pergunta sacramental: "E maminha, mãe? Ela está satisfeita?". 
Não resisti: "Ela não sei mas o pai não se tem queixado". 

Toma, embrulha e leva para casa. 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A casa

A casa albergava-me há sete anos. Quando sai de casa dos meus avós foi directamente para lá. Lembro-me de subir as escadas naquele 31 de Outubro, meter as chaves à porta e dizer como no anuncio do banco "Aqui vou ser feliz". E fui.
Foi naquela casa que me tornei adulta. Mulher. Que passei a pagar contas, a ir ao supermercado, que aprendi a cozinhar. Que ofereci o primeiro pão por Deus a um bando de miúdos. Que organizei o primeiro Natal fora de casa dos meus avós para toda a família. E, a partir dai, todos os seguintes. Foi nesta casa que organizei os preparativos do casamento. E foi a esta casa que regressei de lua de mel, que assisti ao filme da cerimónia vezes sem conta. Que comemorei o primeiro aniversário de casada. Que discuti muito. E foi nesta casa que chorei quando me separei.
Foi aqui que fiz as pazes. Que me reconciliei. Que tocaram a campainha em duas noites distintas para me avisarem da morte de cada um dos meus avós. Foi aqui que chorei de uma dor sem fim debaixo do chuveiro.
Foi nesta casa que tomei decisões importantes. Que queimei bolos no forno. Que recebi animais de estimação. E acolhi amigas vindas de longe. Que fiz jantaradas regadas a muita gargalhadas. Que fiz malas para partir em viagens e desfiz malas no regresso cheia de experiências novas nos ossos.
Foi nesta casa que fui tia. Que recebi facadas no ego directamente da caixa do correio. Que repensei na minha vida. Que me tornei mais humilde.
Foi nesta casa que contei aventuras de novos desafios profissionais. Que criei o meu blog. Que recebi chouriças da Manelinha. Broa de Avintes da Isabelinha. Um saco para o pão da Inês. E prendas mais de leitoras do blog. Postais de Natal foram centenas, envelopes abertos e sorrisos rasgados sentada neste sofá.
Foi nesta casa que soube que estava gravida. Que pulei de alegria no hall. Que esvaziei um escritório e o transformamos em quarto de bebé. Que fiquei horas a fio a vegetar, gravida até ao pescoço. Que escrevi cartas à minha filha ainda aninhada no meu útero.
Foi desta casa que parti para a maternidade. E a ela que regressei com uma Ana pelos braços. Que aconteceu a primeira noite a três, o primeiro banho da minha filha.
E é, hoje, a porta desta casa que fecho para sempre, como um passado que se tranca e se transforma apenas em memórias.
O essencial trago comigo para a nova casa: as pessoas que farão de quaisquer paredes a nossa casa, seja ela como e onde for.
Afinal... home is where my people are.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O Mundo divide-se entre... # 82

... as pessoas que não eram nascidas no tempo da "Gabriela" original e as outras.

Quadripolar do dia: Marta Luísa


Já não me ria tanto desde a Vanda Lisa. 

Quadlipolalização de pôr qualquer um de olhos em bico


"Olá!
Antes de mais parabéns pela nova "aquisição" familiar! ;) Muitas felicidades para todos e rápida recuperação para a recém-mamã :)
E agora para o que é realmente importante ;) estive na China nas últimas semanas e tentei quadripolarizar a muralha da China... a foto não ficou nada de especial (pelo que peço as minhas sinceras desculpas) mas foi boa a intenção :)

Bjs
Cláudia"

Cláudia chao mins de beijos para ti, milheri!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O Mundo divide-se entre... # 81

... as pessoas que acreditam na veracidade dos acontecimentos do 11 de Setembro e as que acreditam em teorias da conspiração.

domingo, 9 de setembro de 2012

À Ana, porque hoje é dia 9



It's a little bit funny, this feeling inside
I'm not one of those who can easily hide
I don't have much money, but boy if I did
I'd buy a big house where we both could live

If I was a sculptor, but then again, no
Or a man who makes potions in a traveling show
I know it's not much, but it's the best I can do
My gift is my song, and this one's for you

And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple, but now that it's done
I hope you don't mind, I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is while you're in the world

I sat on the roof and kicked off the moss
Well, a few of the verses, well, they've got me quite cross
But the sun's been quite kind while I wrote this song
It's for people like you that keep it turned on

So excuse me forgetting, but these things I do
You see I've forgotten if they're green or they're blue
Anyway the thing is what I really mean
Yours are the sweetest eyes I've ever seen

And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple, but now that it's done
I hope you don't mind, I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is while you're in the world

I hope you don't mind, I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is while you're in the world!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Cascais, Toy, AlphaVille e ... oh céus!

Hoje, em Alcabideche, canta o Toy nas festas da Nossa Senhora do Cabo. Ouvi-o assim que fui à janela,  pegámos no carro e na miúda e viemos até Cascais. 
Em Cascais, já instalados na esplanada do Jardim da Cerveja, ouvem-se agora os cantores dos anos 70 do Remember Cascais com "Forever young" e "I'm feeling like a fool, bye bye daddy cool". 
Temo ir até ao Estoril. Dentro do espírito burlesco que assolou a linha nesta sexta-feira, será que o Boy George ainda é vivo?

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Looks por menos de €10 # 1

Eu acho que a blogosfera fashion não é democrática. Ora se faz publicidade ao Freeport, ora à Bimba e à Lola, ora à Inditex. Ninguém- repito: ninguém!- se lembrou dessa fasquia que tanto faz pela confecção de roupa nacional, esses que acordam cedo, se montam em carrinhas brancas, palmilham o país de banca em banca, toldo em toldo, megafone em punho, voz bem colocada: os ciganos.
Pois bem, cá está Pólo Norte para repor a justiça social e lutar pelos direitos de quem gosta da marca Lello. E, porque hoje me deu para isto, e porque "é quinta-feira, yeahhhh", foi manhã de calçar sabrinas fechadas (levar sandálias para lá é sinónimo de trazer os pés pretos de surro que doem!) e palmilhar... a FIC (Feira Internacional de Carcavelos).
Assim, Pólo Norte lança o primeiro post de looks por menos de 10 € (Mónica Lice, cuida-te!).
Vamos lá ver as peças:
Camisola azul bebé

Apeteceu-me usar o Instagram porque é mais fashion, mas vocês acreditam que a camisolinha é azul bebé, não m'acreditam?
É da Petit Patapon (original, contrabando do bom, ok?) e pode-se conjugar com tudo: calças, saias, fofos (adoro chamar fofos aos macacões), vestidos com decote, saias de peitilho, fatos de macaco e afins. Se estiver calor até com a fralda do bebé e pernas ao léu combina. O preço? 2,5 €. 
Não sendo barato, no contexto Lello, é da Petit Patapon e a cagança até na feira se paga, ok?


Body branco

 Se "com um vestido preto, nunca me comprometo", a minha filha "com um básico branco vai aprender a procurar roupa na Primark e na Blanco". 
Também é da Petit Patapon (ainda mais original, atentos à etiqueta!) e pode-se conjugar com tudo o referido na peça anterior. Com a vantagem desta peça ser um 2 em 1: pode servir de body interior. Também a 2,5 €. Um must have no closet de bebés de mães pelintras como eu. 



Macaquinho branco

É uma peça mais masculina que feminina mas "a macaquinho quase dado, não se olha a paneleirices".  Pode-se conjugar com qualquer parte de cima das anteriores. Como tem pezinhos, dispensa meias e sapatos, logo é uma mega pechincha. Quanto, fregueses? Quanto? 1 €. Ah, poizé!



Vestido cor-de-rosa às florinhas

Se não apetecer vestir e despir coordenados de outras peças, conjuntinhos e afins, aqui está a solução: enfia-se um vestido. Não há que pensar no que é que combina, basta enfiar pela cabecita da cria e já está. Vestido com forro, ar chique e caro e que- garanto-vos!-vai sacar elogios! E olhares de "esta gaja gasta um balúrdio em roupa para a miúda, devem ganhar bem e sair cedo, os cabrões! A miúda estreia roupa quase todos os dias, viva o luxo! Em calhando,o parvo do marido sustenta aquela vaidade toda, dela e da filha, e ela à conta. Soberba é o que ela é.. E puta, claro! "
Mais 1 €. Vão buscar!



Quadripolarize a sua praia- Lagoa de Albufeira




"Olá Pólo,
aqui vai uma foto, o prometido é devido, lagoa de Albufeira.
Carmen"

sábado, 1 de setembro de 2012

O tio que morreu sem nunca ter vivido em mim

Parecendo que não, sou uma pessoa de família. As minhas raízes minhotas e uma cultura matriarcal criaram-me assim: próxima, parte de um clã, preocupada, presente, familiar como se pertencesse a uma família cigana. 
Na minha família metemos o bedelho na vida uns dos outros. Damos palpites. Cagamos sentenças e postas de pescada. Criticamos. Temos chaves de casa suplentes uns dos outros. Toques especiais de campainha para nos anunciarmos.  A nossa família somos todos, cada um dos nove (agora dez, que a Ana é a bebé comunitária) e a identidade de cada um transporta este sentimento de pertença à família. 
Talvez por isso, durante anos, me fez confusão o total distanciamento ao outro lado da minha família, a do meu pai. Os meus avós paternos morreram antes de eu ser gente. Os dois meio-irmãos do meu pai, mais velhos 25 anos que ele, completos desconhecidos. O meu pai ausente durante décadas. 
Durante anos foi como se eu vivesse neste universo da família materna, desconhecendo que se pertence a dois lados, a duas genealogias, a duas histórias. 
Há tempos conheci um primo direito. O mais próximo de mim em termos etários. Reconheci-lhe (reconheci-me?) expressões, feições, trejeitos. A genética é uma coisa lixada. 
Hoje soube que o seu pai, meu tio, morreu. Não senti nada, para além de um enorme lamento por não ter sentido nada. Fui acreditando, durante anos, que um dia haveríamos de nos conhecer. De retomar a história. De ouvir, da boca dos intervenientes, episódios da vida da minha avó, essa louca que desistiu da universidade para casar, que desistiu do casamento para viver um amor proibido, que desistiu de ser dondoca no Algarve, de um primeiro casamento, de filhos criados, para vir para a capital viver com um marialva, que veio a ser meu avô. 
Fui acreditando que o futuro me traria a oportunidade de encontrar estes tios, de lhes reconhecer também expressões faciais, gostos, parecenças. Que iriam haver mais dias pela frente, dias em que seria possível dar voz, dar tempo passado, rugas aquelas pessoas que jazem,imóveis, em fotografias a preto e branco. 
Mas o meu tio morreu sem nunca ter vivido em mim. E acabaram-se os dias pela frente. Já não há mais oportunidades. Mais tempo. Mais dias. 
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