segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Vivo na casa dos segredos # o casal

No primeiro dia encontramos a Daniela Ruah no Cascaishopping.

Depois a Maria do céu Guerra na estação dos correios.

Com o Paulo Bento, ontem, até uma fotografia tirararam.

Eles verbalizaram: "vocês vivem em Hollywood de Portugal ou quê?"

domingo, 23 de dezembro de 2012

Luto

[Passou ontem um ano desde que a campainha tocou no final da madrugada. Tinha jantado e saído com uns amigos na véspera e dado gargalhadas e risos enquanto a minha avó adormecia, a uns 30 km de mim, num sono do qual nunca chegou a acordar. 
Recordo hoje a maldita campainha, num tocar desesperado, por duas vezes em madrugadas distintas, na casa que deixei em Setembro. A campainha e a memória das duas noites mais tristes da minha vida continuam a ser as principais razões pelas quais não sinto saudades da casa onde vivi os últimos sete anos. 
Sou má a fazer lutos. Sou muito má. 
Não sei perder as minhas pessoas. Não as deixo ir. Não lhes encaro o rosto nos caixões, não lhes dou um último beijo, não lhes concretizo os rostos imóveis e as faces frias. Não lhes fixo os olhos cerrados. 
Não sei perder as minhas pessoas. Não as deixo enterrar. Não fito os caixões a serem engolidos pela terra. Não aviso os amigos para me virem dar os pêsames. Não atendo telefones e envio para spam as mensagens de condolências. Não decoro caras presentes nos velórios e não partilho com ninguém a minha dor. Não partilho com ninguém as minhas pessoas mesmo que tenham acabado de deixar de ser pessoas e passem a ser ar, fumo, cinzas, terra, pó. Alma, que seja. 
Não sei perder as minhas pessoas. Não lhes faço companhia nos rituais, não choro tudo o que devia chorar, não lhes visito os túmulos, não lhes ofereço flores frescas porque não acredito que se deva presentear a dor.  Não lhes conto as memórias, não limpo os vidros das molduras onde não exponho as suas fotografias, não verbalizo mais que a saudade, a falta agonizante.
Ontem, de manhã, 365 dias passados, a mesma reacção de há um ano atrás: o olhar no vazio, o caminhar sonâmbulo para o duche, as lágrimas a misturarem-se com a água quente a escaldar num choro em uníssono com o chuveiro, o evitamento da palavra "morte", a fuga ao pensamento da concretização do desaparecimento inequívoco da minha avó, a negação. Sempre a negação. 
Às vezes penso que a minha avó ainda me espera ao pé do poste da electricidade na esquina que dobra a nossa rua, que me chama com aquele cantar na voz, que me sorri quando lhe chego à beira, que me alivia o peso das costas tirando-me a mochila carregada de livros e transportando-a ela até casa. 
Depois? Depois imagino que hoje não a consegui ir visitar, tanto trabalho que tive, e ontem também não, já cheguei tarde e assim deixo os dias passarem, enganando-me e tentando acreditar que ela está lá, que continua sentada em frente à porta, à espera que eu entre para me dedicar um sorrir. Assim deixo os dias passarem carregando a culpa da minha falta de tempo para não ter passado lá por casa hoje, o ainda não a ter actualizado do número de telemóvel novo e por isso não ver no écran o número dela a ligar-me, e adormeço, com um nó na garganta, ouvindo, não sei como, ela dizer-me que me ama e que outros podem amar-me igualmente, mas ninguém mais do que ela. 
Sou má a fazer lutos e acho que ela foi, finalmente, de férias à terra, ver as minhas tias Carminda e Maria, visitar a quinta da Torre, comer uma rosquilha com chouriça de cebola. Foi com o meu avô e com eles foram a minha madrinha Ana e o meu padrinho Fortunato. Devem lá estar a jogar uma sueca agora, o meu avô colérico com a batota que ela e a minha madrinha fazem sempre, a minha madrinha e ela a troçarem, o meu padrinho a esboçar um riso tímido e divertido. Vinho em cima da mesa, assim espero.
Ontem não consegui escrever sobre a minha avó da mesma forma que não falo dela, senão em palavras escritas aqui, há um ano. A minha avó ainda é presente e eu não a deixo partir, sou má de lutos, já disse. 
Pelo menos até que, para mim, a palavra luto deixe de ser um verbo e passe a ser, finalmente, o substantivo que terá, um dia, que ser. Quando eu deixar a minha avó, enfim, partir. 
Hoje ainda não.]

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Hoje celebra-se a missa por alma da minha avó

A alma é uma coisa estranha. Foi, precisamente, a minha avó que me explicou o que era a alma num dia em que, juntas, assistíamos a mais um episódio de "Um anjo na terra". "A alma é algo invisível"- dizia ela- "tu não lhe tocas, não a cheiras mas sentes. Sentes de uma forma muito, muito forte. É como uma força que paira no ar, uma força que representa as pessoas que morreram fisicamente. Uma presença, um sentir difícil de explicar". Depois perguntei-lhe porque sentia um nó na garganta quando assistia a alguns episódios da série e ela explicou-me que isso era "emoção". Tapámos-nos no sofá, quentinhas, o calor do corpo da minha avó a servir-me de cobertor, e vimos o episódio até ao fim. 
Não sei se a alma era isto que a minha avó dizia mas sei que sinto a minha avó presente, todos os dias, todos sem excepção. E sempre que penso nela volta o tal nó na garganta, tal como agora em que escrevo estas palavras.
Sinto-lhe o cheiro a refogado no ar, a papo-seco com manteiga aquecido nos bicos do fogão, sinto-lhe o toque da pele das faces enrugadas em cada beijo que dou à minha bebé, por vezes, quase que juro ouvir-lhe o tom de voz, a pronúncia minhota que teimava em preservar, um vislumbre do cabelo cor de corvo brilhante a contrastar com o verde azeitona dos seus olhos. Sinto-lhe o sabor do colo, dos abraços generosos, do aconchego farto, o balanço do seu embalar quando, já crescida, me deitava junto a ela em noites de insónias.
Sinto-lhe o bafo quente e maternal, o apertar da sua mão na minha para se agarrar quando a velhice lhe roubou o andar direitinho, a postura erecta, as mangas arregaçadas e a firmeza de estar. Como se, naquele agarrar de mãos, ela se sentisse mais que amparada, segura, tal como a minha filha me faz, hoje, quando lhe estendo as minhas mãos. 
A minha avó Ana morreu e com ela morreu a neta da minha avó. A minha avó Ana morreu tal como num episódio do "Anjo na Terra" e deixou-me a alma por explicar à bebé Ana. E um nó na garganta permanente.
Hoje, não mais que em nenhum dos 360 dias que passaram após a sua morte, rezarei pela sua alma. Não serão precisas orações decoradas para me sentir mais próxima dela, falo com ela todos os dias, em silêncio, para não deixar de a sentir aqui, mais perto. 
Mas hoje lá vou à igreja, porque um dia, quando a questionei, como poderia ela acreditar em todos os dogmas de uma religião, nas crenças que podem ser questionadas pela ciência, na rigidez judaico-cristã ela me respondeu "Não se trata de religião. filha. Trata-se de fé. De precisar de acreditar que as pessoas não têm fim. Que continuam. E, sabes, filha  a fé é que nos salva!"
Hoje, rezarei as orações que me ensinaste, avó. E embora a alma seja uma coisa estranha, vou mostrar-te que aprendi certinho o que me ensinaste e levo esta Ana que a vida me trouxe para, desde cedo, lhe ensinar o teu legado: a acreditar. Porque a fé é que nos salva. 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que bebem sumos de xaropes como groselha ou capilé e as outras.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Mundo divide-se ...

...entre aqueles que acreditaram no Pai Natal até depois de ingressarem na escola primária e os outros.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

sábado, 24 de novembro de 2012

Segurança Social a caminho!

Pólo Norte a acabar de ministrar formação parental (ironia das ironias).
Dentro do carro do carro duas formandas a quem deu boleia. Liga Mámen e atendo o telefone em alta voz...

Pólo Norte- Então e a Ana portou-se bem?

Mámen- Uma santa! Esta ali entretida há imenso tempo...

(sorrisos embevecidos no banco de trás)

Pólo Norte- Ohhh! Manda-me uma fotografia! Está entretida com o quê?

Mámen- Está entretida a brincar com a ratinha...

(Agora imaginem os olhos arregalados reflectidos no espelho retrovisor)

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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

No ortopedista...

Médico- Diagnostico aqui, pela análise da TAC, duas hérnias discais que terão que ser operadas. Para começar não vai poder carregar com pesos superiores a 5 Kg, ok? 

Pólo Norte (com ar preocupado)- Huuuum, está bem. 

Médico- Então? Já foi operada tantas vezes, que semblante é esse?

Pólo Norte- Ah, com a operação posso eu bem. Agora não carregar pesos superiores a 5 Kg é que me deixa preocupada. É que a miúda já pesa 5,5 Kg e ou a ponho à dieta ou lhe amputo as duas pernas para me livrar do meio quilo, deixe-me lá analisar bem a situação.

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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O problema não é meu. É delas...

Está-me a cair mais cabelo que a uma vassoura comprada nos Chineses. Ontem decidi ir ao cabeleireiro dar um corte no dito cujo.
Eu não sou fiel a cabeleireiros (já a mámen sabe Deus o que custa, quanto mais...) e quanto mais desconhecidos melhor, menos conversa da treta. Sim, eu tenho um problema com cabeleireiras.
Esta cabeleireira tinha um sotaque esquisito, não sei bem explicar, era um bocadinho fanhosa, não se percebia bem o que dizia e eu tentei empatizar com ela. Juro que tentei.

Cabeleireira (a partir de agora tratada por "a fanhosa")- Então o que é que vai ser?

Pólo Norte- Era para cortar o cabelo. Uns 5 dedos, por favor.

A fanhosa- Ah, o cabelo está um bocadinho oleoso. Quer shampoo para cabelos oleosos?

Pólo Norte (em pensamento: "tomei banho esta manhã, mas ela pensa que eu sou a Isabel Jonet ou quê'"): Não, por favor. Quero um shampoo normal.

A fanhosa- E uma máscara, vai querer? Sabe, o seu cabelo precisava mesmo de uma máscara.

Pólo Norte (com sorriso amarelo)- Não, quero lavar o cabelo com shapoo normal, cortá-lo e secá-lo com volume. Só isso.

(A fanhosa aguenta três minutos em silêncio amuada enquanto me lava a guedelha)

A fanhosa (numa nova investida)- E enquanto está à espera, quer fazer manicure ou pedicure?

Pólo Norte (já a ficar séria)- Não. Quero só mesmo cortar o cabelo.

A fanhosa- Podia aproveitar e pintar o cabelo. Agora está muito na moda as madeixas californianas, não quer experimentar?

Pólo Norte- O quê? Raízes escuras e pontas queimadas? Ó senhora, para isso basta deixar de pintar o cabelo que faz o mesmo efeito...

A fanhosa (já ressabiada)- Agora que estou a penteá-la reparo que o seu cabelo está muito seco: não quer pôr uns pingos?

Pólo Norte- Mas então decida-se: na lavagem estava oleoso agora está seco? Em que ficamos?

(A fanhosa amua enquanto me corta o cabelo e aguenta mais 5 minutos calada)

A fanhosa: Quer cortar à franja?

Pólo Norte- Cortar a franja? Cortei-a no Natal e ando a rezar todos os meses para ela me crescer e agora que já passei a fase tenho-uma-palmeira-espetada-na-testa você quer-me voltar a cortar a franja? Nem pensar!

A fanhosa- Não quer fazer mais nada?

Pólo Norte (tentando a estratégia monossilábica e antipática)- Não.

A fanhosa- De certeza?

Pólo Norte (já sem empatia nenhuma): Senhora, corte-me o cabelo a direito, sem escadear e sem invenções, por favor! E seque-me com secador normal! E no fim apresente-me a conta que eu pago. Pode ser?

(Mais 5 minutos de silêncio e com um ambiente de cortar à faca)

A fanhosa (tentando quebrar o gelo)- O seu bebé é muito lindo. Vê-se que está tratado que é um mimo.

(Pólo Norte sorrindo o mais amarelamente possível)


A fanhosa: Amamenta?

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(Eu mereço?)



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Pólo Norte, literalmente, com suores frios a pensar no Carnaval de 2013


Mãe- "A menina" está com uma auréola de cabelo ralo na cabeça e caiu-lhe cabelinho aqui numa zona ao longo de todo o perímetro cefálico.

Pólo Norte- Sim, é nas zonas de pressão, no sítio onde ela pousa mais a cabeça quando está deitada. 

Mãe (a olhar para a cabeça da miúda com ar pensativo)- Huuuum, achas que isto não cresce até ao Carnaval?

Pólo Norte- Ahn? Porquê?

Mãe- Podiamos mascará-la de Santo Antó...

Pólo Norte (interrompendo com ar de terror)- Nem penses! Passa para cá a miúda JÁ!

(5 minutos depois, aproximando-se de mansinho e acariciando a cabeça da baby bear)

Mãe (com olhos de gato das botas)- Santo Antoninho, vá...

Mãe de Pólo Norte- o regresso

(Troca de sms's com a minha mãe)

Mãe da Pólo Norte: "Olha o fatinho que acabei de comprar para a Ana!"


Pólo Norte- Credo! Esse fatinho é muito esquisito. Compraste onde?

Mãe- Qual esquisito qual quê?! Comprei aqui no Supercor, no supermercado do El Corte Ingês

Pólo Norte- Mãe, o Supercor não tem secção de vestuário infantil...

Mãe- Ai tem, tem! Estava num repositor com mais fatinhos. Estás-me agora tu a dizer que não tem, queres lá ver, lá vens tu com a mania que sabes tudo...

Pólo Norte- Mãe, NÃO tem! Volta atrás e vê lá em que secção compraste isso...

(5 minutos depois e o telemóvel não volta a tocar)

Pólo Norte (a insistir e com curiosidade genuína)- Então?

Mãe- OK, voltei para trás e percebi que era a parte da roupinha dos cães. MAS isto com um arranjo vai assentar que nem um brinco à menina...


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(Eu mereço?)



domingo, 18 de novembro de 2012

Uma mulher sabe que controla as emoções... (as saudades que eu tinha de um despique com o meu Pipoco)

...quando, depois de sair do consultório da pediatra, já depois de desembolsar 75 euros sabendo que ainda vai ter que comprar uma dose de 150 € de vacinas, debaixo de um ar condicionado insuportável mas sem poder despir o casaco porque a miúda bolçou a camisa, chega ao wc do consultório e a miúda está (muito injustamente) borrada até ao pescoço e na atrapalhação quando levanta as pernas da bebé para a limpar com as toalhitas escapa-lhe o pé da miúda e uma mulher, neste contexo adverso, com cocó por todo o lado (e a camisa bolçada e o calor dentro do casaco) consegue respirar como lhe teria ensinado a professora na preparação pré-parto e consegue não mandar tudo para o real caralho. 

(Beijinho, engenheiro!)

sábado, 17 de novembro de 2012

Ana contacta, pela primeira vez, com o movimento gay


Ou sabes que és uma mãe quadripolar quando te esqueces de anotar no álbum da miúda o dia exacto da sua primeira gargalhada mas anotas o dia do seu primeiro arco-íris. 

A pupila suplanta a mestre

Pólo Norte chega ao local de recolha de medula óssea admoestando voluntariando Mámen.
Assim que entro no edifício, e alunas põem os olhos em mim a empurrar o carrinho de bebé, soltam muitos gritinhos e guinchinhos.

Mámen para Pólo Norte- "Pooorrra! Será que são leitoras do teu blog?"

Pólo Norte- "Não, humpft! Esquecemos-nos de retirar os óculos de sol à Ana e está irresistível..."

Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 15


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Como tornar um bebé quadripolar? Pólo Norte explica.

Comprei umas meias com guizos giríssimas na Primark. Hoje decidi enfiá-las nas mãos da Ana, uma vez que, aos 3 meses, ela começa a descobrir que tem extremidades.

Neste momento estou divertida a vê-la esbracejar. Está irritada por não saber de onde vem o barulho e olha para todo o lado. E quando está irritada, esbraceja...
E quanto mais esbraceja e mais barulho os chocalhos fazem mais irritada fica.

Eu não sou má, estou só a treinar uma filha perspicaz, minha gente!

O carteiro toca uma vez...

As tias blogosféricas da Ana são o máximo. Desta feita, a tia (também) Ana da Madeira conseguiu fazer-nos suster a respiração. 
Ora digam lá se não temos razão para tal:


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Aos 9 de Novembro de 2012: carta à Ana que aqui chegou

Ana, 

Faz hoje três meses que te materializaste neste Mundo para me ensinares a amar melhor. 
Ensinaste-me que se pode amar cegamente, sem grandes conceptualizações. Amar por instinto como um animal, amar com os olhos, com o cheiro, com o paladar. Amar com o pensamento e durante o sono, outrora pesado. Amar em silêncio e no meio da confusão.
Amar numa maternidade em pânico pela primeira vez sozinha com o meu bebé, num primeiro passeio de carro, na primeira noite em branco a ver-te dormir e a contar cada segundo do teu respirar. Ensinaste-me a amar melhor num primeiro banho desajeitado, no aprimorar da ciência de dar colo, no conhecimento gradual do que vão sendo as tuas preferências.  A amar sorrisos involuntários e voluntários, gemidos, sons, guinchinhos e gritinhos, ecos de aprender a comunicar. Ensinaste-me a amar no receio, no medo, nas tentativas e nos erros, nas frustrações e na persistência. 
Ensinaste-me a amar a nova identidade, o papel social, a natureza de ser mãe. A amar o tempo esquizofrénico, tão lento e tão rápido, tão tempo de ti.
Ensinaste-me a amar o choro tão teu, a capacidade de te acalmar tão minha, o cordão umbilical invisível e eterno, tão nosso. A amar a gargalhada experimental, os olhos cada vez mais vigilantes, estrelas azuis, o sorriso grande, de lua cheia.
A amar o novo conceito de família, de casa, de lar. O sol que representas na minha vida, fonte de luz e calor. 
Ensinaste-me a amar o amor que te dedico e que é inesgotável. A amar o verbo em que te tornaste e que conjuga este amor tão singular na primeira pessoa do plural. 
És o universo em mim e ensinaste-me, filha, mais que tudo, a "anar". 

Um beijo da tua mãe

O Mundo divide-se entre... #88

... as pessoas que vivem em terras em que ao meio-dia toca a sirene dos bombeiros e as outras.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Pais ecológicos

Aos 3 meses está a nascer o primeiro dente da cria (sim, é uma subdotada precoce, que querem que faça?!) e o choro intensifica-se no meio de muita baba e mãos em gestos bulímicos por parte da miúda.

Mámen vê-me cansada e decide aligeirar o ambiente. Agarra na Ana e vai em direcção ao caixote de lixo da cozinha, ameaçando:

Mámen- Pronto, vai já para o lixo! É que é já!

Pólo Norte- Pára!!! Que irresponsável...

Mámen- Ahahahah! Estás a ficar uma mãe mariquinhas...

Pólo Norte- Pára: vais pôr no caixote azul, no verde ou no amarelo?

domingo, 4 de novembro de 2012

Ana apresenta o novo elemento da familia

Era para se chamar Chicco, Laranjinha, Pré-Natal, Cenoura e, por fim, Early Days by Primark. Nao chegávamomos a um consenso. Finalmente, apresentamos-vos:

Lello- o cão quadripolar.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Mámen o espirituoso # 2

Mámen é pedopsicólogo e chegou de um dia de trabalho cheio de festas de Halloween. Ainda contagiado pelo ambiente, foi fazer o jantar e levou a Ana na sua espreguiçadeira para lhe fazer companhia enquanto eu descansava na sala.

De repente oiço, em tom de Conde de Contarrr:

- E agorrrra vamos comerrrrr um magnífico prrrrrato de lombrrrrrigas com cérrrrebro de macaco e sumo de sangue!

Abeiro-me da porta, com ar de quem odeia o Halloween e ele defende-se logo:

- Ana, é só esparguete à bolonhesa, ok? 

O Mundo divide-se... # 87

... entre as pessoas que em pequenas iam ao "Pão por Deus" e as outras.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

É hoje! É hoje!

O Mundo divide-se entre quem sabe que PPC nesta altura do ano não significa Pedro Passos Coelho e os outros.

domingo, 28 de outubro de 2012

Podes tirar um home dos Açores mas nunca tiras os Açores do homem

Numa esplanada dondoca a beber café, ouvimos:

"Batata, venha à mãe! Bataaaata!"

Incrédulos por alguém dar por petit nom a uma filha a palavra "batata", não queremos acreditar no que vem a seguir:

"Batata, chame a sua irmã! Vá! Chame lá! Cereeeeeja!"

Mámen olha para o outro filho da senhora e diz-me em sussurro;

- Diz-me, por favor, que ela não vai chamar o puto de "Ínhame"!

Em franciú é mais trés chic, mon Dieu que finésse!





"Querida Ursa,

Desculpe falar-lhe desta forma quase íntima, mas já faz parte do meu dia-a-dia há mais de um ano ler o quadripolaridades! :) Assim sendo, e apesar de ter sido  sempre uma leitora silenciosa até ao momento (preguiça,timidez, admiração quadripolar, não sei explicar ao certo...), decidi quebrar esta ligação unilateral e retribuir os momentos de diversão e calma que sinto ao lê-la!

Quadripolarizei a Suiça, como já tinha prometido pela Facebook esta semana! Só estava há espera pelo fim de semana para conseguir as paisagens mais bonitas da região! As fotos foram tiradas onde vivo há uns meses, no cantão do Valais e mais precisamente na cidade de Sion, capital do cantão.

Espero que toda a família quadripolar goste! Aproveitei e anexei também uma foto recente com duas gatas de nome proibido, em estado maquiavélico, julgo que assim não há problema! :)

Desejo-lhes muitas felicidades a todos: Pólo Norte, SeuMen e Ana BabyBear! Adoro sinceramente o blog pela genuinidade e todas as facetas que deixa transparecer nele, está cada vez melhor! Fora de série mesmo!

Um grande Beijinhos dos Alpes, e que se sigam muitas postagens para os leitores fiéis pf!

Inês Figueiredo"

Ici bisous, mon cher!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Sai um Frappuccino para o Álvaro de Campos!

Estava aqui a pensar que se Fernando Pessoa vivesse actualmente não tinha que se maçar em criar não sei quantos heterónimos.

Bastava-lhe ir ao Starbucks e podia ser quem quisesse...





(O Mundo divide-se entre quem vai ao Starbucks e inventa um nome diferente do seu e que vai ao Starbucks e diz o nome verdadeiro)

A sabedoria milenar dos "Norte" a passar de geração em geração

Pólo Norte a mudar a baby-bear e a conversar com ela. A dada altura pega nas toalhitas e...

Pólo Norte- E sabes, Ana, escuta bem o que a tua velha mãe te diz: os homens? Os homens são como os toalhetes de limpar o rabo, entendes? Assim que sacas um, logo outro está à espreita a seguir. E assim que sacas um, vêm aos magotes...

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A Ana já teve alta e já está em alta

E a ursa deu uma entrevista para a autora do "Mum's the boss".

Podem lê-la aqui.




Beijinhos, Magda!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

It's a little bit funny this feeling inside

A Ana está constipada. Não é uma bronquiolite nem uma pneumonia mas é uma constipação chata que lhe deu cabo do apetite. Por essa razão está internada sob observação e estou, neste momento, a escrever num cadeirão desconfortável de hospital enquanto ela, finalmente, dorme a respirar de forma mais aliviada. 
Ser mãe é giro. Mesmo nas adversidades. E bom. Incrivelmente bom. 
Somos uma equipa e nunca perdemos isso de vista. Ensino, desde já, à Ana que não há papões: o hospital é um sítio bom. E é um sítio bom porque se entra doente e o objectivo é sair-se bem, ou melhor. Transmito essa segurança à Ana enquanto lhe falo com uma voz calma e terna, doce e maternal. E repito que o hospital  é um sítio bom e as enfermeiras pessoas amigas. 
Faço questão de pegar na Ana ao colo e a entregar a cada um dos profissionais de saúde que aqui têm vindo fazer-lhe procedimentos clínicos. A passagem segura do meu colo para o deles, este acto de entrega pretende transmitir-lhe a segurança do "se a minha mãe me entrega não há perigo, estou em boas mãos". E depois afasto-me.
 Não acredito que a minha presença, enquanto ela chora com uma aspiração nasal ou uma picada para recolha de sangue, a vá acalmar. Acredito que estar em cima, literalmente, do acto atrapalha as enfermeiras e que essa pressão é transmitida à minha filha. Acredito que a Ana já com dores, não precise ainda de olhar para mim e ver o ar aflito com que, inevitavelmente, fico. Acho que só pioraria. É por isso que me afasto aqueles minutos, curtos minutos, que me parecem horas marcadas pela cadência do choro da minha filha. 
Mas volto. A Ana sabe que volto sempre. E volto para lhe oferecer o que melhor lhe posso dar nesta circunstância, para colocar ao seu serviço a competência em que bato qualquer enfermeira a mil e em que sou mesmo insubstituível: volto para a acolher em mim num colo nosso, de mãe e de filha, de mãe porque a sei precisada de mim, do conforto do corpo onde morou , e de filha porque também eu preciso de colo, de lhe dar colo, de a sentir respirar junto a mim. Do colo dela para me confortar, também. 
E é nestes dias, para além de todos os outros mais felizes, menos ranhosos, mais desentupidos do nariz que vamos construindo a nossa relação. E, ainda que só amanhã tenhamos alta, isto de ser mãe, ainda assim, mesmo assim, especialmente assim, é a cada dia que passa, todos os dias, cada vez melhor e mais especial. 


domingo, 21 de outubro de 2012

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Baby blog's rorschach


Isto é uma chucha com ... (completem)



(Já vos desvendo a minha interpretação e de mámen)

(Não me perguntem como é que a chucha ficou assim, ok?)

Pólo Mac Norte Gyver

A miúda está constipada e tapadíssima. Eu não tenho máquina de fazer vapores.

Hum... Well, mas tenho um esterilizador de biberões, né?


(Quando a miúda crescer ainda me vai servir para fazer limpeza à pele, vão ver!)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O Damo e a Vagabunda (Ironias da vida conjugal)

Quando nos conhecemos eu era a menina da cidade. A primeira vez que visitei a ilha de onde ele é natural decidi descer à Caldeira de Santo Cristo de babuchas (lembrem-me para um dia escrever sobre esse episódio!) e fiquei chocada quando o vi montar a tenda no meio do nada. Estreava-me no campismo selvagem num lugar tão belo quanto ermo, tão paradisíaco como incrivelmente despojado.
Ele era campónio. Convidou-me para o acompanhar a um casamento na ilha que durou 2 horas, com missa incluída. Fiquei chocada mas após a comanzaina no salão paroquial os convidados desertaram com pressa: tinham que ir tratar das vacas. Eu fiquei chocada (a música? o bailarico? as fotografias?). Ele encolheu os ombros e achou normal.
Hoje, muitos anos depois, juntos e com uma filha em comum estamos a planear o baptizado na ilha. 
Hoje, ele quer uma cerimónia numa quinta com capela, guardanapos de pano, mesas com toalhas a combinar, músicos. Eu? Eu quero sopas do espírito do santo, alcatra e massa sovada em mesas corridas com bancos improvisados com tábuas em cima de tijolos e banda filarmónica a tocar numa rua das Velas. 
A vida é irónica. 

Gravidez: o fecho do ciclo

A Dra. Guilhermina não me conhecia de parte alguma. 
Depois de ter sido mal atendida na CUF Descobertas fui ao Centro de Saúde, de onde me reencaminharam para a consulta de alto risco do Hospital de Cascais.
Gostei da Dra. Guilhermina desde o primeiro olhar, ainda que não seja do tipo de médica fofinha e kiducha, que se desfaz em risos e simpática até mais não. A Dra. Guilhermina é, num primeiro contacto, um pouco seca, até. Hoje, dez meses depois, sei que é tímida.
Sem muitas conversas fomos-nos vendo semana após semana. Conhecendo melhor. Adivinhei-lhe cada pausa no discurso, cada silêncio, cada olhar perscrutador. Ela tranquilizou cada expressão ansiosa no meu olhar, cada nó na garganta, lágrima de desconforto e dor. A Dra. Guilhermina revelou-me o ser mulher da minha filha, as boas notícias após cada rastreio genético e ecografia morfológica. Sorriu quando me viu comovida a ouvir, pela primeira vez, o coração da Ana e quando me mostrou a primeira imagem mais humana da bebé.
A Dra. Guilhermina apaziguou-me as angústias, os medos, as preocupações. Recusou-se a acompanhar-me, em paralelo, no consultório privado onde também dá consultas, acolheu-me com disponibilidade em cada banco de urgência, escreveu no meu livro verde o seu número de telemóvel e insistiu que estava à minha disposição. A Dra. Guilhermina trabalha num hospital público e é o exemplo perfeito de que a humanidade com que se trata um doente, a defesa do seu bem-estar e conforto não é exclusiva dos hospitais particulares.
A Dra. Guilhermina chamou a Dra. Cecília de cada vez que fui internada, para substitui-la quando estava ausente. E a Dra. Cecília deu continuidade ao trabalho da colega, sempre atenta e sensível, profissional e humana.
No dia 9 de Agosto a Dra. Guilhermina interrompeu as suas férias para comandar a cesariana que trouxe a Ana ao mundo. Calada e discreta abriu-me a barriga, olhar doce e meigo, e puxou a minha filha das minhas entranhas, assistiu ao seu primeiro fôlego, ao som novo do seu respirar. E sorriu de uma forma diferente da que me tinha habituado ao longo dos últimos sete meses e meio. Um sorriso feliz, genuinamente feliz pela vitória acabada de acontecer. 
Pegou na Ana ao colo e deu-lhe o primeiro colo, abraço, mimo. 
Por isso e, por tudo o mais, quando hoje fui consultada pela última vez por ela para fechar o ciclo da gravidez e pós-parto deu-me uma nostalgia, uma saudade dela já. E precisei de agradecer. 

Dra. Guilhermina a pegar a mão da Ana pela primeira vez.
 Quadro com inputs meus e fabricado pela querida Maria Mariquitas do "Amor ao Quadrado"

Dra. Cecília com o seu coração ligado ao da Ana através do cordão umbilical.
Quadro com inputs meus e fabricado pela querida Maria Mariquitas do "Amor ao Quadrado"

A Joana fez acompanhar a minha encomenda por este quadro maravilhoso, oferta para a Ana.
Nele consto eu, a bebé e, claro... a ursa Pólo Norte, só para contextualizar. 

(Para conhecerem o trabalho da Maria Mariquitas espreitem o blog e o facebook.
 Garanto que não há como resistir...)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Status da evangelização quadripolar

Em três anos de blog: 28 países quadripolarizados e 12,4% do Mundo é quadripolar!

Alguém irá visitar países "virgens"? Alguém vive em países não quadripolares?

Do que estão à espera, caramba?

sábado, 13 de outubro de 2012

Botswana? Onde é que isso fica? Who cares? Está quadripolarizado!






"Querida Ursa,

bem sei que estou em falta porque ainda não quadripolarizei o país onde estou a viver, a África do Sul, mas só me lembro disto quando atravesso fronteiras!

da última vez foi a Namíbia, desta feita temos o Botsuana! 

infelizmente não encontrei ninguém junto à entrada da Univ. (era domingo!!) e tive que ser eu mesma a declarar, uma vez mais, o carinho quadripolar que por ti nutro!!! 

um beijinho,

D"


Beijinhos para a D. mais linda!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Quadripolarize a sua praia: Meco


"Ursa, como não sei se a praia do Meco já foi quadripolarizada, aqui vai a minha humilde contribuição.

Não deixes a baby-bear ver a imagem, é só para maiores de 18 ;)

Cumprimentos quadripolares,

Sílvia"

Beijinhos descascados para a Sílvia Tavares

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Singularidades de uma rapariga loira

A miúda tem uns grandes olhos azuis, é um facto.

Mas sinto-me desconfortável que sempre que alguém a veja diga "C'olhões!"...

Como fazer com que uma bebé não chore desalmadamente após levar três vacinas? Pólo Norte explica.

Hoje era dia da baby bear levar  4 vacinas. Uma era bebível mas as restantes eram injectáveis.
Quando foi o teste do pezinho a Ana transformou-se numa vuvuzela, pelo que, hoje estava preparada para o pior. 
De manhã, antes de ir para o centro de saúde, tirei o meu café da Nespresso e decidi que precisava de álcóol para aguentar o berreiro que se adivinhava. 
Bebi um cálice de licor de mel do Ezequiel que trouxe de S. Miguel, benzi-me e lá fomos nós. 
Assim que lhe foram dadas as três picas, a Ana chorou como era previsto. No entanto,  no segundo em que lhe peguei ao colo, calou-se milagrosamente. 
Mámen e a enfermeira comentaram, embevecidos, as maravilhas da vinculação dos bebés às mães. 



Eu aposto mais na teoria de que miúda ficou anestesiada com o meu hálito. 

República Checa? Quadripolarizada!



Um grande beijinho para a Ana Luisa Gonçalves que quadripolarizou Jicin na República Checa

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Ana, a maior


Como saber que uma criança tem pais psicólogos?

Diz mámen para a Ana: "Porque é que estás a fazer birra? Que comportamento tão feio! Não gostamos desse comportamento!"





(Sim, aqui não se diz: "Ai que feia! Que menina tão feia a chorar! Assim não gostamos de ti!". Referimos-nos sempre ao comportamento não à Ana pessoa. Manias de psicólogos...)

Quadripolarize a sua praia: Praia de Santa Eulália





"Viva!!
Sendo eu leitora assídua do teu blog, aqui fica a minha contribuição para a quadripolarizacao das praia (e nao só!)
Aproveito naturalmente para desejar as maiores felicidades a família polar, agora com um novo membro!
Um grande beijinho 
Carla Freitas"


Um beijo e um queijo à Carlinha.

Aos 9 de Outubro de 2012: carta à Ana que aqui chegou

Há dois meses atrás eu acreditava que os melhores cheiros do Mundo eram o da canela, o da erva acabada de cortar, chá verde com menta, o do pão acabado de cozer em forno de lenha, o da maresia em dias de maré alta, o cheiro da terra molhada após as primeiras chuvas depois do Verão, mexidos acabados de fazer na véspera de Natal, o cheiro das páginas dos livros novinhos em folha prontos a serem estreados no início de um ano lectivo, colónia fresca na pele barbeada do meu avô.
Há dois meses atrás eu acreditava que os melhores sabores eram o de água fresca, fruta quente roubada directamente da árvores do quintal dos vizinhos, amoras acabadas de colher, salada de pimentos assada a acompanhar peixe regado com molho à espanhola, uma bola de Berlim comida no areal, pão com manteiga aquecido no bico do fogão,o do sal que fica na pele após um mergulho no mar, uma colher de leite condensado num assalto ao frigorífico durante uma insónia.
Há dois meses atrás eu acreditava que não havia som mais bonito que a da chuva a bater nas vidraças, o do piano do Jorge Palma, o da trovoada enquanto estamos deitados na cama, o da gaita de beiços do amolador de facas, o das gargalhadas em coro com amigos da nossa vida, o da pronúncia minhota, o da madeira a crepitar na lareira e o do mar a bater com força nas rochas. 
Há dois meses atrás não havia, para mim, toque mais prazenteiro que o de uma camisa de seda no peito desnudado, o da água do chuveiro a bater-me com força na pele após um dia cansativo, o da língua de quem se ama a mordiscar-nos a parte de trás da orelha, cafuné bem feito numa noite de Inverno, o da pele das pernas depiladas a tocar nos lençóis lavados e esticados numa cama onde nos acabámos de deitar. 
Há dois meses atrás as imagens mais bonitas eram a luz de Lisboa quando se chega de cacilheiro, os olhos verde azeitona da minha avó, as fotografias do passado nos álbuns, o do céu numa noite de lua cheia, o de o relógio de corda da casa dos meus avós, as pestanas de mámen, um gato a dormitar em cima do telhado, a baía de Cascais quando se desce a pé da Cidadela, o horizonte no Cabo da Roca, o musgo nos muros de Sintra. 
Há dois meses atrás tu vieste mudar tudo isto. Há dois meses atrás percebi que não há melhor cheiro que o da tua pele acabada de tomar banho. Não há sabor melhor que o da tua bochecha acabada de beijar de mansinho. Não há som mais harmonioso que o do teu respirar fundo e tranquilo quando me adormeces ao colo. Não há sensação táctil mais prazenteira que o toque do teu cabelo, fino e suave, cor de mel. Nem imagem mais bonita que a do teu rosto, desde o dia em que o teu Mundo começou em mim. 
Há dois meses atrás descobriste as melhores sinestesias da minha vida. E o ponto g do meu amor. 

Uma quadripolarização das Arábias




"Olá estou na Arábia Saudita e não podia perder a oportunidade de "quadripolarizar".
Como é proibido fotografar em praticamente todo o lado o que de melhor se conseguiu ( e bem à socapa) foi esta foto na praia (já reparaste no que está lá ao fundo? Isso mesmo que estás a pensar. Baterias anti-aéreas).
Muitas felicidades para os três (Ursa, Mámen e pequena Ana) e que tudo corra bem na nova casa!"


Um grande beijinho à Dorothy Parker!

domingo, 7 de outubro de 2012

A minha médica dá consultas ao domingo

Hoje tenho a consulta de revisão do parto. Wtf? Muda-me o óleo do cérebro (esteve desoleado, sim!)? As pastilhas dos travões do superego (andava a patinar)? Ter-se-ão queimado fusíveis? Será que preciso de uma embraiagem nova?

O cúmulo da quadripolaridade



"Olá Polo Norte!

Já ando para te enviar este e-mail há tanto tempo, mas foi passando. Em primeiro lugar, espero que esteja tudo bem com vocês (um beijinho especial para a Ana!).

Tal como para ti, este foi um ano especial para mim. No dia 26 de Julho, casámos em Veneza. Foi o concretizar de um sonho, um dia muito bonito e especial. E como forma de te mostrar que também tu és especial e fazes parte da minha vida (tu e agora a Ana!), venho provar que nesse dia lembrei-me de ti! hehe Aqui vai uma foto, tirada no nosso dia, na Praça de S. Marcos! (Sim, eu, com o meu vestido, e já de aliança no dedo! - desculpa a má qualidade da foto e a ausência do acento em "Pólo" hehe)

Entretanto, em lua-de-mel aproveitei para quadripolarizar Verona. (O papelinho usado é um bilhete de vaporeto!)

Beijinho grande,

Há maior quadripolaridade que quadripolarizar vestida de noiva? I ♥ Mónica!

sábado, 6 de outubro de 2012

A SIC comemora 20 anos (excepto nos Açores)

Pólo Norte- Lembras-te do "Muita Lôco?". 

Mámen- Nop. 

Pólo Norte- Bolas, com o José Figueiras e que tinha uma gordinha, a Paulina, a precursora desta coisa de ser fixe as gordas darem aos espectadores o direito a serem enxovalhadas como agora no "Toca a mexer".

Mámen- Não.

Pólo Norte- E o Big Show Sic, também não te lembras queres lá ver? Com o João Baião e as Baionetes? 

Mámen (muito sério)- Também não. Já chega, pá!

Pólo Norte (chocada)- Mas tu na adolescência não vias televisão, queres lá ver?

Mámen olha-me com um ar de desprezo e vira-me as costas a pensar que estou a picá-lo. Oiço-o a rosnar "sabes bem que não havia antena da SIC em S. Jorge"...

...


Um abraço de solidariedade aos açorianos que não cresceram traumatizados com o macaco Adriano e o "Ó Leonilde is love" da Fátima Lopes Assim se explica porque são tão lúcidos e fixes. 
E parabéns à SIC.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Foi há um mês...




Se Pólo Norte (este ano) não foi à Festa do Avante...

... a camarada quadripolar Sibila trouxe a Festa do Avante à Pólo Norte!

Obrigada miúda gira e fresca! (Pffff, falece!)

Quadripolarize a sua praia: praia de Porto Santo


"Olá Pólo!
Mesmo mesmo no finzinho das minhas férias, aqui vai mais uma maravilha de Portugal quadripolarizada: Porto Santo! E com direito a figurantes internacionais e tudo, eh eh.
(envio este mail agora já de noitinha para não azarar... A primeira mensagem que te enviei foi a 13 de setembro... Uiii)
Beijinhos da madeirense que trocou (temporariamente) de ilha,
Tomásia"
Beijinho com sabor a poncha para a Tomásia

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Suspeito que hoje me bate à porta a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco

A minha amiga Xana ofereceu à baby bear uma espreguiçadeira com um mobil e cujo assento emite vibrações (atenção à expressão "emitir vibrações"!). 

Hoje estava a dar biberão à Ana e batem-me à porta. Era uma vizinha desta casa nova a falar-me sobre uma questão nas arrecadações e a pedir a minha assinatura. Como tinha a Ana ao colo  e não me apetecia mandá-la entrar saiu-me um:

-"Dê-me só um minutinho para pôr a bebé no vibrador e já venho assinar, ok?"

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Quadripolarize a sua praia- praia de Labruge



"Olá Ursa,
 
Em anexo umas fotos na praia de Labruge, pertinho de Vila do Conde.
Minutinhos mais bem passados, onde a praia "parou" para ver o que aquela "miúda" estava a fazer...
E lá tive de divulgar o teu blog.

Felicidades :)

Andreia Monteiro"

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ana, a erudita. Ou talvez não.

Mámen põe a tocar música clássica para bebés e congratula-se que descobriu a fórmula para a miúda adormecer.

Hoje depois dele ir para o trabalho a Ana foi cobaia do Youtube.

Estou mortinha para que ele chegue: a miúda sorri automaticamente assim que ouve cantar o Toy.

domingo, 30 de setembro de 2012

O Mundo divide-se entre...# 84

... as pessoas que em criança se deslumbraram com "O Jogo do Sabichão" e os outros.

Quadripolarize a sua praia- Praia da Comporta



[Chegada de férias, é hora de mandar a fótinha à Polo Norte.] 
 "Olá Pólo Norte, 
 Já andava para Quadripolarizar uma terra perto de mim à algum tempo, mas ainda não surgiu o momento. Como saiu o desafio de Quadripolarizar uma Praia, então eu e a minha amiga Patrícia, resolvemos Quadripolarizar a Comporta. Não sabendo ou não se já o tinham feito, arrisquei. 
O Senhor que aparece ali no meio daquelas ondas, não o conheço e ficou automaticamente Quadripolarizado também. 
Ele fez questão de aparecer em todas as fotos que tirei. 
Um beijinho, Ana e Patrícia"

Um beijinho às meninas e nham nham ao maduro surfista,

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Ser optimista: Pólo Norte explica em post dirigido a Mámen

Respondendo a isto, aqui vão as vantagens de termos sido assaltados (ah, pois é, eu consigo ver vantagens!):

Forças de contenção (diz ele)

1. Entraram-nos em casa e violaram a nossa intimidade
2. Levaram-nos os dois computadores (o meu com um CD com um jogo de estratégia no qual eu era viciado) e o Ipad
3. Levaram-nos o frigorífico
4. Levaram as jóias da Pólo Norte
5. Levaram uma fotografia da Pólo Norte numa moldura da Vista Alegre
6. Levaram-nos o plasma
7. Levaram-nos a Wii, o respectivo tapete e as respectivas raquetes
8. Não voltámos a dormir naquela casa porque Pólo Norte sente-se insegura
9. Tivemos que encontrar uma nova casa e esta é ligeiramente mais pequena
10. Tivemos que mudar de casa e gastei a última semana das minhas férias a arrumar tralha e a acartar caixotes
11. Entre limpezas, pinturas na casa nova e arrumações, a Ana teve que ficar mais tempo com a avó e a tia em vez de estar sempre connosco
12. Partimos a cama da casa antiga nas mudanças
13. Andamos estafados


Forças de propulsão (digo eu) 

 1. Ainda bem que a casa estava desarrumada. Como já não voltámos a viver na casa assaltada foi menos uma tarde de arrumações que gastámos. 
 2. Há lá melhor desculpas para comprarmos um Ipad? E, já se sabe, que com um bebé pequeno não dá para passar tempo em jogos de computador. Assim, ao menos, não te ficas a lamentar que nunca mais pegaste no jogo porque... não há jogo! E lemos mais antes de dormir à noite, reparaste?
 3. Não precisamos de inscrever a miúda na seita nos escuteiros quando crescer porque, com um mês, já aprendeu connosco regras de sobrevivência. Reparaste que não comemos gelados? Nem comida congelada pré-feita? Queres lá melhor método de dieta pós-parto? 
 4. Ficaste tu para me repores o stock. Já não te podes queixar que não tens ideias do que me oferecer em ocasiões especiais! Repões todos os anéis, pulseiras, colares, contas, medalhas e afins que foram roubados com a garantia que vais acertar em cheio no meu gosto. Só vantagens! 
 5. A moldura era feia. Tinha sido prenda de casamento da minha madrinha e tinha valor sentimental mas era feia. Molduras de vidro são feias. E a fotografia é uma boa desculpa para se aparecerem fotos minhas descascada em sites duvidosos (que uma pessoa teve uma vida sexual passada animada!), alego logo que é montagem feita pelos bandidos. 
6. Li o livro do clube de leitura quadripolar de Agosto e de Setembro de uma assentada só. Perdemos a Casa dos Segredos mas, pelo que vi, não perdemos nada de especial. Ficámos sem saber que aumentaram a Segurança Social, a TSU e vivemos felizes e ignorantes uns dias. Ficámos sem ouvir notícias do Governo e do Pedro Passos Coelho e foi uma paz de espírito, feitas as contas. 
 7. Já não temos que levar com os filhos dos amigos a quererm jogar wii durante horas e a obrigarem os pais a fazerem noitadas em nossa casa quando já nos apetece despachá-los e ir dormir. Os miúdos sem entretenimento ficam aborrecidos e pressionam os pais a irem para casa assim que começam a ficar rabugentos e chatos a horas decentes. A balança do tapete da wii tinha o registo do meu peso nos últimos meses e isso deprimia-me. As raquetes não serviam para grande coisa. Raquetes por raquetes prefiro aquelas electrificadas que servem para matar moscas, sabes? 
 8. Estava farta daquela casa. Já não aguentava as putas das flores de vinil que colámos na parede e que não conseguíamos retirar sem o estuque vir todo atrás. O chão era feio e tinha pouca luz. Tomar banho de banheira gasta muita água e é mau para o planeta Terra e nesta, como só temos cabine de duche, não caímos na tentação e aumentamos a nossa pegada ecológica.
 9. Casa mais pequena = menos porcaria acumulada, menos para limpar. Menos espaço implica que teremos que arrumar O CANDEEIRO na arrecadação, porque nesta nova casa não poderá ter o destaque que merece. Casa mais pequena implica que vamos deixar de ser cocós e acelerarmos a construção da casa nova, não nos prendendo com tantos detalhes. 
 10. Qual Holmes Place e Personal Trainer e o camandro! Reparaste no exercício que fizemos? Nas calorias perdidas? Viva a ginástica pós-parto a preço zero! 
11. Pudemos comprovar a qualidade pedagógica e de mimo da minha família. Pudemos comprovar que a Ana nos prefere (mais a mim que a ti, bem sei...) e que já nos reconhece. Tivemos tempo a dois (ok, a acartar porras mas ainda assim a recomeçar a dois e somos bons em recomeços!).
 12. Vamos arranjar umas espectaculares paletes e construir o sommier ecoklógico que queríamos construir há séculos. Agora temos desculpa porque estamos depenados! 
 13. Somos felizes, pá!.

Quadripolarize a sua praia- Praia da Morena


Beijinho bom à Ana Horatio e à Margarida tremoceira.

O Mundo divide-se entre...# 83

... as pessoas que fazem refeições na mesa da sala e as pessoas que almoçam/jantam na mesa da cozinha.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Querido, todllerizei a baby bear!

'

Divirtam-se aqui! Quem é amiga, quem é?

A enfermeira e a maminha

Embora tenhamos uma pediatra fixe que só ela não dispensamos a ida ao Centro de Saúde. Invariavelmente somos atendidos por uma enfermeira demoníaca que faz a proeza de, cada vez que mede a Ana, lhe retirar 2 centímetros à pála do seu rigor profissional. Acaba sempre por acertar a altura dela tendo em conta as medidas que constam no boletim de saúde da miúda registadas, anteriormente, pela pediatra. Um must. 
Das 5 ou 6 vezes que já nos atendeu pergunta-me sempre " E maminha, mãe? Ela está satisfeita?". Como, geralmente, sou educada, respondo sempre que não dou mama à minha filha mas sim leite artificial. 
Ontem, depois de ter medido a Ana e de ter constatado que a miúda, passados quase dois meses, media o mesmo que quando nasceu, depois de eu lhe ter explicado que os bebés até podem emagrecer mas não mingam, olha para mim e faz a pergunta sacramental: "E maminha, mãe? Ela está satisfeita?". 
Não resisti: "Ela não sei mas o pai não se tem queixado". 

Toma, embrulha e leva para casa. 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A casa

A casa albergava-me há sete anos. Quando sai de casa dos meus avós foi directamente para lá. Lembro-me de subir as escadas naquele 31 de Outubro, meter as chaves à porta e dizer como no anuncio do banco "Aqui vou ser feliz". E fui.
Foi naquela casa que me tornei adulta. Mulher. Que passei a pagar contas, a ir ao supermercado, que aprendi a cozinhar. Que ofereci o primeiro pão por Deus a um bando de miúdos. Que organizei o primeiro Natal fora de casa dos meus avós para toda a família. E, a partir dai, todos os seguintes. Foi nesta casa que organizei os preparativos do casamento. E foi a esta casa que regressei de lua de mel, que assisti ao filme da cerimónia vezes sem conta. Que comemorei o primeiro aniversário de casada. Que discuti muito. E foi nesta casa que chorei quando me separei.
Foi aqui que fiz as pazes. Que me reconciliei. Que tocaram a campainha em duas noites distintas para me avisarem da morte de cada um dos meus avós. Foi aqui que chorei de uma dor sem fim debaixo do chuveiro.
Foi nesta casa que tomei decisões importantes. Que queimei bolos no forno. Que recebi animais de estimação. E acolhi amigas vindas de longe. Que fiz jantaradas regadas a muita gargalhadas. Que fiz malas para partir em viagens e desfiz malas no regresso cheia de experiências novas nos ossos.
Foi nesta casa que fui tia. Que recebi facadas no ego directamente da caixa do correio. Que repensei na minha vida. Que me tornei mais humilde.
Foi nesta casa que contei aventuras de novos desafios profissionais. Que criei o meu blog. Que recebi chouriças da Manelinha. Broa de Avintes da Isabelinha. Um saco para o pão da Inês. E prendas mais de leitoras do blog. Postais de Natal foram centenas, envelopes abertos e sorrisos rasgados sentada neste sofá.
Foi nesta casa que soube que estava gravida. Que pulei de alegria no hall. Que esvaziei um escritório e o transformamos em quarto de bebé. Que fiquei horas a fio a vegetar, gravida até ao pescoço. Que escrevi cartas à minha filha ainda aninhada no meu útero.
Foi desta casa que parti para a maternidade. E a ela que regressei com uma Ana pelos braços. Que aconteceu a primeira noite a três, o primeiro banho da minha filha.
E é, hoje, a porta desta casa que fecho para sempre, como um passado que se tranca e se transforma apenas em memórias.
O essencial trago comigo para a nova casa: as pessoas que farão de quaisquer paredes a nossa casa, seja ela como e onde for.
Afinal... home is where my people are.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O Mundo divide-se entre... # 82

... as pessoas que não eram nascidas no tempo da "Gabriela" original e as outras.

Quadripolar do dia: Marta Luísa


Já não me ria tanto desde a Vanda Lisa. 

Quadlipolalização de pôr qualquer um de olhos em bico


"Olá!
Antes de mais parabéns pela nova "aquisição" familiar! ;) Muitas felicidades para todos e rápida recuperação para a recém-mamã :)
E agora para o que é realmente importante ;) estive na China nas últimas semanas e tentei quadripolarizar a muralha da China... a foto não ficou nada de especial (pelo que peço as minhas sinceras desculpas) mas foi boa a intenção :)

Bjs
Cláudia"

Cláudia chao mins de beijos para ti, milheri!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O Mundo divide-se entre... # 81

... as pessoas que acreditam na veracidade dos acontecimentos do 11 de Setembro e as que acreditam em teorias da conspiração.

domingo, 9 de setembro de 2012

À Ana, porque hoje é dia 9



It's a little bit funny, this feeling inside
I'm not one of those who can easily hide
I don't have much money, but boy if I did
I'd buy a big house where we both could live

If I was a sculptor, but then again, no
Or a man who makes potions in a traveling show
I know it's not much, but it's the best I can do
My gift is my song, and this one's for you

And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple, but now that it's done
I hope you don't mind, I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is while you're in the world

I sat on the roof and kicked off the moss
Well, a few of the verses, well, they've got me quite cross
But the sun's been quite kind while I wrote this song
It's for people like you that keep it turned on

So excuse me forgetting, but these things I do
You see I've forgotten if they're green or they're blue
Anyway the thing is what I really mean
Yours are the sweetest eyes I've ever seen

And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple, but now that it's done
I hope you don't mind, I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is while you're in the world

I hope you don't mind, I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is while you're in the world!

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