sábado, 30 de novembro de 2013

Matar a morte

A minha avó morreu faz no próximo dia 23 de Dezembro dois anos. A minha avo morreu e a seguir sobrevivi a um Natal com a prenda que lhe tinha comprado, intocável durante dias, debaixo da árvore. Um Natal triste, tão triste, um não Natal.  
A minha avó morreu e a seguir soube que estava grávida, fui comemorar o amor a Nova Iorque, a barriga começou a crescer, fiquei de baixa médica, o bebé começou a dar pontapés, soube-a menina como se a vida se tivesse encarregue de repor os níveis de estrogéno na família, dei-lhe o nome de Ana, ainda in útero, o nome da minha avó. 
A minha avo morreu e a seguir fui mãe, conheci a (nova) Ana que, loira e de olhos azuis, é por vezes tão igual à minha avó Ana, cabelos pretos minhotos e olhos verdes-azeitona. Talvez à força de um amor tão imensurável, tão matrioska, revejo o mesmo olhar, o mesmo baixar de olhos, o mesmo espreitar, o sorriso, o ar despachado de manga arregaçada nesta minha semi-açoriana, menina do Norte, nascida em Cascais.
A minha avó morreu e a seguir tive ocupada a ver a minha filha crescer, a roupa a deixar de lhe servir, os sapatos a galoparem nos números, o andar desajeitado, os sons, as corridas, as primeiras palavras, as gargalhadas selectivas e direccionadas.
A minha avó morreu e eu sou má de mortes. Fiz da palavra luto um verbo, uma negação, um "amanhã choro", reneguei o substantivo à palavra, quis esquecer-me da dor, entreter-me com a vida.
A minha avó morreu e faz-me falta todos os dias, sem excepção. Hoje, dois anos volvidos, sonhei pela primeira vez com ela, olhando-me de frente, espingarda em punho (maldito inconsciente!) a matar a morte que a levou. Sorria daquele jeito tão dela, a minha avó de espingarda em punho, num sonho estranho e agitado e sussurrou-me baixinho que era tempo de matar aquela morte em mim e que me permitia chorar.
A minha avó morreu e matou a morte dela em mim, viva que está nos meu dias e agora, finalmente, nas minhas noites, enfim. 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Esta é de borla

O Museu do Azulejo, em Lisboa, é um sítio deveras agradável para se almoçar.




Não digam que vão daqui.

Força para quebrar o ciclo

Agradeço imenso...

... a quem teve a amabilidade de facultar o meu email do blog para um grupo que frequenta um clube de swing ao pé da Assembleia da República.

Solicito apenas que substituam o email e em vez de maegyver@sapo.pt que pertence ao meu Mãegyver coloquem quadripolaridades@hotmail.com que se refere a este blog.

É que me faz um bocado de confusão ver ali convites para uma swingada misturados com emails sobre a importância da amamentação e convites de marcas para conhecer bombas de extracção de leite.

Agradecida.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O envelopezinho

"Presentes e envelopes

por Catarina Fonseca, em 26.11.13
No ‘meu tempo’ (é preciso já se ter algum tempo para escrever no meu tempo) os presentes de natal eram uma lotaria. Era como as caixas de bombons, mas em grande. Havia sempre uma tia que nos oferecia uma camisola que nos picava. Uma mala com a qual não queríamos ser vistas nem mortas. Uma, sei lá, jarra. Ou esse grande e desaparecido clássico, uma coisinha para o enxoval (há gente que diz que essas coisinhas depois lhe fizeram imenso jeito, mas com 8 anos não me lembro de nenhuma criança que goste de receber panos da loiça).
Por caso a mim nunca me deram nada para o enxoval (lá está, anos depois fez-me falta porque tive de comprar sozinha todas as toalhas e lençóis e panos da loiça, e ninguém me avisou que neste país quem não casa não recebe ajudas de custo de ninguém para montar a sua casinha).
Bem, mas mesmo assim, havia sempre uma tia responsável por alguns míni-AVCs ao desembrulhar o presente: com que horror iria ela presentear-nos’ verdade seja dita, nunca nos desapontou. A cada ano que passava, as camisolas eram mais requintadamente investíveis e eventualmente o horror escalou de tal forma que a minha mãe conseguiu negociar com ela um pacto de não agressão, embora pouco natalício: ninguém dava presentes a ninguém.
Isto vem a propósito de uma conversa que ouvi no ginásio: algumas senhoras, já avós, queixavam-se de que os netos já só queriam dinheiro. Uma delas dizia mesmo que as suas prendas de natal eram ‘17 envelopes’, mesmo para os mais pequeninos.
Por um lado, percebo. Quem me dera a mim que todas as minhas tias me tivessem dado dinheiro em vez de camisolas. Que feliz que eu teria sido. Por outro, não sei, parece-me que desvirtua um bocado o espírito da coisa. Não é suposto a ideia do natal ser pensarmos nos outros e perdermos algum tempo a pensar no que eles querem e naquilo que lhes faz bater o coração, e perder ainda mais tempo furiosas de bofes de fora a percorrer centros comerciais infestados de moléculas de stresse e de outras criaturas no mesmo estado, para lhes comprar os ditos cujos e assim provar o nossos amor por eles?
Dar assim uns envelopezitos com dinheiro, mesmo aos mais novos, é natalício? E depois a troca de presentes transforma-se numa troca de envelopes?
Olhem, não sei. Esta crónica não tem nenhuma opinião. Podem protestar à vontade e pedir o vossos dinheiro de volta. Não me peçam é em envelopezinhos, please. "

Da espertíssima Catarina Fonseca aqui

A todas as pessoas que me enviaram emails, mensagens, pedidos de NIB da Associação, ofertas de casa, cama e roupa lavada, de custeamento de bilhetes de transporte, de boleias e afins

OBRIGADA!

(retomo com todos, um a um, durante o dia de hoje)

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

E quando fico tão cansada de remar contra a maré, as pessoas para quem trabalho dão-me lições de persistência

Última chamada!


Amanhã, pelas 17h30 eu e esta miúda  estaremos na Lanidor de Entrecampos (Kids Corner) a recolher os últimos brinquedos no dia de encerramento da campanha. 
Póletes mekié: vão lá dar-me um abraço e, de caminho, trocam brinquedos por vales?
Espero por vós!

E depois de ontem um banho de realidade economicista e zanga. Muita zanga.

Cinco casos. São cinco os casos sinalizados em que a equipa onde trabalho tem que intervir no Algarve. 

Uma criança de três anos com uma deficiência física que não teve vaga no Jardim de Infância devido à lei das prioridades. Teria se ficasse integrado numa via de ensino especial onde, numa sala com crianças autistas e com deficiência mental, regridiria. A mãe- solteira- só o queria num Jardim de Infância "normal" onde aprendesse com os outros meninos, adquirisse competência e meios de capacitação. A mãe só queria poder ir trabalhar, não depender do RSI, para poder ter dinheiro para criar os três filhos com maior dignidade. Não há espaço para o menino, a não ser que queiramos mascarar uma deficiência física de uma mental. 
Um jovem com deficiência que, terminado o 9º ano de escolaridade, quis escolher um curso de desporto. Todos os outros rapazes da turma que o acompanharam até ao 9º ano tiveram enquadramento na nova turma de desporto. Este rapaz não, diz que "já não havia vagas". Encaminharam-no para um de informática pois "é melhor para ele, dado a sua condição física". Falar de promoção de autonomia e da não discriminação é bonito quando achamos que somos donos do destino dos outros. 

São mais três deste género, análogos, numa sociedade ignorante, cega pelos processos, pelas leis, pela rigidez de um sistema que não é para todos. A sociedade não é igualitária para quem já não nasce igual. A sociedade não é justa. 

Eu queria que dois elementos da minha equipa fossem ao Algarve (queria ir eu) mas a IPSS onde trabalho só tem budget em Janeiro. Depois desta mãe passar o Natal a cear a comida fornecida pelo banco alimentar, do seu pequeno não aprender durante mais um ano músicas de Natal como os outros meninos, depois deste rapaz concluir o primeiro período num curso de um futuro que ele não quer para si. Janeiro é longe.

Estou muito zangada. 

(Contactos na CP? Na Rede Expresso? Em pousadas de 2 estrelas no Algarve para dois elementos pernoitarem num mesmo quarto que seja? Hoje cravo meio mundo, não me chame eu Pólo Norte...)

A fronteira entre o cultural e o ético, o deontológico e a religião. E já não me lembrava que ser psicóloga é bem mais difícil do que ser CEO de uma grande empresa.

Ontem fui chamada de urgência à escola de uma criança guineense que acompanho há pouco tempo. 
A menina, que apresenta episódios de enurese, esteve ausente quinze dias da escola, sem qualquer justificação por parte da família para o absentismo. 
Ontem, no regresso percebeu-se que sangrava. Sangrava muito e suspeitaram de uma menarca (muito) precoce. O seu comportamento era de profunda ansiedade e retraimento social, algo que acontecia pela primeira vez naquele contexto escolar.
Ontem, pela primeira vez na vida, soube o que é de perto a mutilação genital feminina, numa criança pequena, demasiado pequena para ter que ser cobaia de dogmas, superstições, actos religiosos e culturais desta espécie. 
Ontem, no meio do choque, percebi que ser mãe fez de mim uma profissional diferente. Mais emotiva, outra vez.
Entre a mente aberta, o respeito pelas culturas, a tentativa de ser o menos etnocêntrica possível, a relação profissional, ontem, ao olhar para a menina, num abraço que não consegui desatar, fui apenas mãe. Ontem chorei. 

"Achar querido não chega"


Até ao dia 19 de Janeiro, o Banco do Bebé em parceria com os CTT está a realizar uma campanha a nível nacional para recolha de leite, fraldas, roupa e produtos de higiene.
Qualquer pessoa que queira doar um destes bens poderá fazê-lo levando os produtos até uma Loja dos CTT onde deverá pedir por uma Embalagem Solidária dos CTT para o Banco do Bebé. O Banco do Bebé fará chegar estes bens às cerca de 1.400 famílias com bebés e crianças entre os 0 meses e os 6 anos de idade que está a acompanhar.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Ser filha única dá cabo da minha vida profissional

Não sou uma colega fofinha. Não cumprimento todos os dias com beijinhos os colegas que vejo todos os dias. Não acompanho ninguém à janela para fazer companhia enquanto fuma um cigarro. Não faço Euromilhões em conjunto. Não digo que sim para não me chatear. Não evito o confronto. Discordo sem pesar. Quando chego levo o pequeno-almoço no bucho e começo logo a trabalhar. O que faz com que não tome o pequeno almoço em matilha. Não compro coisas da Avon nem da Oriflame à colega velha que só não vende a mãe porque não pode. Acho que ser colega não é o estádio anterior a ser-se amiga. Não faço programas com os colegas em pós-laboral. Na hora de almoço apetece-me, quase sempre, estar sossegada em silêncio a desanuviar. Dispenso conversa da treta. Não bebo nas festas de Natal e nunca perco noção dos contextos de trabalho. Odeio formações outdoor. Reciclo prendas dos amigos secretos de um ano para o outro. Não papo grupos. Não faço panelinhas. Não me apetece ter que levar com a música dos computadores dos colegas (ponham fones, caramba!). Meto sempre um dia de férias no dia do meu aniversário para dispensar nhonhices. Não falo sobre as gracinhas da minha filha e não tenho pachorra para ouvir falar das gracinhas dos filhos deles. Não troco receitas da Bimby, não dou o contacto do meu cabeleireiro e não digo onde comprei os meus sapatos. Não envio emails com correntes nem frases motivacionais e reencaminho para spam os endereços dos que me enviam. Levanto-me todos os dias para trabalhar no tempo útil do horário laboral e não para fazer 43 intervalos e depois fazer horas extra. Não vou beber café aos pares. Praguejo sozinha. Tenho pouca pachorra. Não sou uma colega fofinha.

Famílias quadripolares


Família Catarino, em Berlim, ganha o título da família mais quadripolar ever.

Love you guys!

Querido computador de bordo do meu carro: fuck you!

O carro começou a travar na segunda circular, acelerava-se e ele sempre a travar sem mais nem menos, eu a pensar que me ia despistar, muitas asneiras, palavrões cabeludos e histeria. 
O carro continuou a travar insistentemente e eu em pânico. Avistei uma Midas, saí do carro e fui beber um café (estava mesmo fucking lixada, o carro foi à revisão há uma semana e 300 euros atrás). 
Cheguei e o senhor da Midas fez a piadinha do toque de Midas. Vinte euros para me mudar uma lâmpada de um farolim. Diz que o carro é inteligente e que o motor de bordo percebeu que eu, sem a lâmpada, não estava em segurança e por isso trava automaticamente. 

Troco Volkswagen por um qualquer machibombo velho que não pare ao primeiro fanico. 

O maravilhoso mundo das manhãs numa família de três

Enquanto tomava banho ele vestia a miúda. Indiquei-lhe que vestisse o vestido azul da Zara, ele sabia qual era. A miúda já vestiu o vestido azul umas 3 ou 4 vezes, pelo que, para mim as hipóteses de conjugação de outras peças de roupa com o vestido azul eram bastante claras e do conhecimento dele. 
Quando saí do banho a Ana estava vestida com o vestido azul ... com uma camisa azul por baixo, collants azuis e um casaco de malha azul, tudo embrulhado por um sobretudo azul. 
Não sabia se havia de chorar por ter um marido sem o mínimo talento roupo-cromático, se rir por ter uma filha estrunfina.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

My kind of humour

Hoje estava tanto frio no gabinete onde trabalho que estive a tarde toda a ganir: "aiii que frio!", "ai que gelo", "estou a morrerrrrr!" e finalmente, quando saquei de um "ai que já não sinto os pés!", o meu colega que tem uma paraplegia olhou-me com ar de gozo:

"Ai filha, como te percebo. Mas aguenta-te firme, que eu também não senti os pés o dia todo..."

O melhor do meu dia em Chelas... #1

O melhor do meu dia foi acabar de passar aqui numa rua da zona J e 10 segundos depois de passar por debaixo de uma janela, atirarem de lá para baixo uma litrosa de vidro. 

Espero que aqui ninguém toque piano e se farte do instrumento, just in case. 


Sopa de tudo

Quando eram pequenos também achavam estranho que nas receitas houvesse sopas de tudo, certo?

Uma colher de "sopa de açúcar"/três colheres de "sopa de farinha" and so on...


Quadripolares chamados à recepção!

Quando eu era pequena a minha mãe obrigava-me a escolher brinquedos em segunda mão para entregar no serviço de Pediatria do Hospital de Alcoitão, onde eu permanecia internada por longos períodos, embora nunca tenha calhado que lá estivesse por alturas do Natal. 
Era fácil para mim escolher brinquedos que já não gostava, já sem interesse, demasiado infantis ou ultrapassados, gastos e usados para que outros meninos pudessem usufruir deles. Para além do mais, as minhas idas mensais às consultas naquele serviço permitiam-me matar saudades deles, como se fossem filhos que damos para adopção. Ser filha única é tramado. 
No entanto, no dia a seguir ao Natal o desafio complicava-se: de entre todos os brinquedos recebidos, todos os que constavam na carta ao pai Natal, todos novinhos em folha, tão lindos, tão desejados e tão meus, a minha mãe convidava-me a escolher um, ainda na caixa, de entre aqueles que eu gostava mesmo, mesmo, que desejava mesmo, mesmo, para entregar a um dos meninos internados. Porque isto do altruísmo é bonito- que é!- mas dar o que gostamos, o que desejamos para que outro menino experimente a emoção de desembrulhar uma prenda nova, de lhe rasgar o papel, de abrir a caixa, desapertar os elásticos e cheirar o cheirinho a novo do brinquedo que era suposto ser meu, isso é que era de valor. A minha mãe obrigava-me convidava-me a oferecer o que era bom, importante e especial para mim para que, em troca, eu recebesse a alegria de ver alguém sentir por um objecto o mesmo deslumbramento que eu sentia. A magia do desembrulhar.


De 22 a 28 de Novembro a Lanidor está a oferecer vales de roupa em troca de brinquedos em 2ª mão, brinquedos estes que serão doados às Aldeias S.O.S. e à Casa do Gaiato.
Quanto mais brinquedos dermos, mais recebemos em vales de compras na Lanidor na mesma lógica do "fazer o bem é como uma procissão: volta sempre ao local de onde partiu!"
Quinta-feira lá estarei a entregar os brinquedos da Ana, os em segunda-mão e um novo, para que algum menino possa brincar a estrear. 
A Ana irá comigo porque educar também é isto, aliás, educar é muito isto, afinal. 

Adoro os talentos desvendados pela "Casa dos Segredos"



Ou "A Daniela Pimenta é um pega-monstro e cola-se em todo o lado" ou "O fabuloso sentido rítmico da Tatiana" ou "Essas botas já não se usam desde 2011 e olhem que eu nem percebo nada de moda" ou "Onde está a Sondra?" enfim... já conhece as "Secretas e Pavorosas Poderosas"?

domingo, 24 de novembro de 2013

Oh baby Christmas tree!

Mámen e eu preparados para sair de casa para ir comprar enfeites para a árvore de Natal. Abro a porta, fico no hall, enquanto ele volta atrás para ir buscar um gorro para a Ana. Do hall oiço:
"Isso não, Ana!" 
"Buááá!" 
"Pronto, 'tá bem! Leva lá..." "Mas isso não, já chega!"
(som de beijinho da Ana"
"Já me convenceste... Leva lá..."

A Ana chega ao pé de mim com o gorro, um cachecol, uma mala, uma coelhinha numa mão e um livro na outra. 

Eu: "Bem, íamos sair mesmo de casa para què? É que acho que já não precisamos de fazer a árvore de Natal..."

A todos os meus amigos desempregados!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Vou começar a fazer desporto ( e sinto-me mais ou menos como um condenado a caminho da cadeira eléctrica)

Opções prescritas pela médica:

1. Hidroterapia

Pontos positivos:
Sociabilização inter-geracional. Já me estou a ver: eu e aquela senhoras reformadas dondocas que vão ao cabeleireiro duas vezes por semana e vão à piscina mas não molham o cabeção. Muita matéria para posts neste blog.

Pontos negativos:
Os professores destas modalidades não costumam ser os gostosões dos ginásios.
Não sei nadar.
Ter sempre a depilação impecável e em dia. (Qual é o próximo desporto mesmo?)


2. Yoga

Pontos positivos: Muita matéria para posts neste blog.

Pontos negativos: Aquelas posições com nome de flores lembram-me sempre flores e ervinhas que se fazem rir. Ou nomes de índios bebés. A ideia só em si, de mim a fazer yoga e "oooommmmmmssss", de olhos fechados sem resistir a abir a pestana, de repente, para ver se apanhava outros desertores faz-me gargalhar. Dá-me a sensação que nestas aulas são só gajas o que é um factor dissuador. Deve ser a modalidade com o mair índice de professoras bonitas, zens e magérrimas de todas (e isso dá-me cabo da auto-estima). Sou tão concentrada como um gafanhoto.

3. Pilates

Pontos positivos: Parece que é capaz de me dar cabo das banhas da barriga e ajudar nos músculos pélvicos e tudo o que daí advém (piscar de olho). Muita matéria para posts neste blog.

Pontos negativos: um elefante do circo em cima de uma bola é capaz de ter mais equilíbrio que eu. O nome da modalidade evoca-me sempre cenas fálicas. Não vai correr bem.

Catarina Beato: este repto é para ti!


Tendo por inspiração os meus dias, dá para lançares a variante de "O melhor do meu dia" versão "O mais merdoso do meu dia"?

Já tens aqui logo e tudo, vá!

A Dianja explica

Lembram-se do périplo do baptizado enguiçado da Ana, quando a uma data altura, a propósito das malas dos meus tios ficarem perdidas eu ter escrito que "À tarde as malas dos meus tios ainda não tinham chegado (por conseguinte, nem o vestido da Ana) e o comércio local em Las Velas é de bradar aos céus. Fomos aos Chineses e eu e a minha tia começámos a rir que nem maluquinhas: não havia uma porra que se aproveitasse, nem para a miúda nem para a minha tia ou o meu tio, que também precisavam de um plano B para as suas próprias indumentárias. "?

Na altura acho que ninguém ficou, realmente, consciente do potencial do comércio local das Velas, cidade de mámen. 
Graças a Deus, meses depois, a Dianja, ilustre cantora em São Jorge, decidiu comprar a roupa de gala que se vende em todas as lojas da ilha para fazer jus ao meu post. 

Deliciem-se. 

Farenses, hello?

Amanhã vou trabalhar para Faro.
Levo kispo, capa da chuva ou posso levar o bikini?

(sim, o trabalho acaba cedo)

[Soltas]

[1.Aquela história de que uma mentira repetida mil vezes se torna verdade é uma grande treta. Ou melhor, até pode ser provida de sentido quando aplicada a seres acéfalos, pouco críticos, sem capacidade de questionamento, sedentos de ideias preconcebidas, generalizações abusivas e todo o alavancar de estratégias de poupança cognitiva tão útil para os pobres de espírito. Uma mentira repetida mil vezes não se torna nada mais que uma mentira cabeluda e continuada, motivo de êxtase de mentes pequeninas, sedentas de sangue e de se focarem na vida dos outros, como factores de distracção da sua própria pequenez. Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade para quem fica, desde logo, filtrado pela crença nessa verdade e afastado, de imediato, da possibilidade de conhecer de perto a verdade real, por não ser merecedor de tal privilégio. 

2. Tão criminoso é o que aponta a arma como o cúmplice que tendo conhecimento da intenção do crime cria, favorece ou não impede as condições e os contextos para que o crime tenha lugar. Na blogosfera, como na vida, o blogger que permite difamações, calúnias, injúrias nas suas caixas de comentários, dando espaço de divulgação a ofensas que, ainda que não sejam da sua autoria, têm tempo de antena nos blogs que são da sua responsabilidade, incorrem no mesmo crime que os respectivos autores. Criticar, questionar, brincar e até troçar com personagens blogosféricas e nomes públicos de autores de blogs e suas posições públicas manifestas nos mesmos, desde que forma inteligente, é salutar. Chafurdar na vida privada dos mesmos é só nojento.

3. Sinto saudades do tempo em que os blogs eram só, verdadeiramente, blogs.]


Adenda- Nada directamente comigo mas, tratando-se dos meus, passa a ser comigo, pois com certeza.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A Maria José Valério deste blog vem lembrar que quadripolar que se preze participa no PPC



Querido Marido Natal (com o Pai não me safo...)...

Para este Natal deu-me um click e decidi que queria ser uma pessoa espiritual, o retrato de uma pessoa altruísta e nada consumista. 
Este Natal estou bucólica e olho à minha volta e olh'ó passarinho e olho as flores e os animais, e as minhas fotografias de infância e coiso e tal e o Natal é das crianças e dos seus sorrisos e smile(s). Este Natal não vou dizer que quero uma garrafa de whisssskyyyyyy, nem uma tábua de cheeeeeese nem comidas gourmets. 
Este Natal eu Nikonecia nada que me desse vontade de abandonar este estado de alma não materialistanada de especial, nenhum modelito de roupa cara igual à dos Canones de beleza que pululam pelas revistas, nenhum adereço ou jóia. Esta Natal não quero entrar na máquina do consumismo desenfreado. 
Não te sintas pressionado este ano, meu marido Natal, porque só quero mesmo paz e amor. Paz com zooom. Amor com flash

Estamos entendidos?

Contra o preconceito marchar, marchar

Aqui é tudo à grande (e a dobrar)


Raça dos miúdos, tivesse eu menos 20 anos...

Isto da crise é uma chatice...

Há uns tempos atrás, brincava com a minha amiga Xana, que todos os males do Mundo eram culpa da actual crise económica.
Tinha pedido coca-cola com gelo e limão e tinham-se esquecido da rodela de limão? A culpa era da crise. Queria comprar uma saia na Zara e não havia o meu número? A culpa era da crise. Precisava de cortar as unhas dos pés à miúda e não sabia onde tinha enfado a tesoura de pontas arredondadas? A culpa era da crise. Para bem dos meus pecados, havia finalmente um bode expiatório suficientemente abrangente para todo o mal que vinha ao Mundo. No meio da crise, a crise servia para alguma coisa, uma espécie de atribuição causal externa, muito confortável para quem não gostava de assumir responsabilidades. Afinal, a culpa de não haver o meu número da saia na Zara não era minha que estava gorda que nem uma bácorazinha e o facto de não saber da tesoura das unhas não tinha nada que ver com  o facto de eu ser uma desarrumada do catano mas era culpa única e inequívoca da crise. God save crise! Ufa!
No entanto, gasta que está a desculpa, enfadados que estamos sempre da mesma conversa, surge agora um movimento alternativo que muito me irrita: nada pode ser criticado, debatido, falado, discutido, alvo de troça porque temos a grande sombra da crise. 
Por exemplo, a questão da Pepsi ter decidido troçar com o CR7 na sua campanha tem sido alvo das mais variadas discussões em páginas de facebook, grupos de amigos, caixas de comentários de blogs e afins. Em todos estes espaços, sem excepção, ergue-se uma vozinha sábia (ou mais, tenho visto muitas vozinhas moralistas, em biquinhos de pés, imagino-lhes um "cof, cof!", um afinar de voz antes de subirem em cima do caixote de madeira no speakers corner virtual) a apontar o dedo com ar adulto e zangado: "Mas... mas com esta crise que para aí anda estão vocês, almas fúteis e toscas, a dissertar sobre a Pepsi e o futebol? Tsss, Tsss. Tende mazé vergonha! Pffff!"
A crise tornou-se uma espécie de cancro sobranceiro ao pé do qual ninguém se pode queixar de sintomas gripais. A crise tornou-se um cancro petulante e magnânimo perto do qual todas as outras doenças menores, as virais, as congénitas, as adquiridas, as outras todas que não o próprio cancro, são meras ofensas pela sua pequenez e menor importância. A crise quer silenciar as nossas chatices do dia-a-dia, as tricas, as coisas que nos chateiam, os mosquitos que nos picam à noite e que, afinal, são tão insignificantes perto dos da malária e da dengue nos países sub-desenvolvidos. A crise passou a ser o cancro mortífero e sério ao pé do qual as minhas dores de corpo porque estou com gripe, a comichão e a dor que me provoca a zona num músculo, o ardor de um fungo, o dedo mindinho do pé partido, a TPM, as pontadas de uma cólica renal não podem ser valorizadas sob pena de ofender o "senhor cancro". 
Só que para além do cancro as dores do dia-a-dia também chateiam, ora essa. A Pepsi ofender o Ronaldo aborrece-me como portuguesa que sou, e quem não se sente não é filha de boa gente. Haver meninos a morrerem todos os dias nos sítios mais recondidos do Mundo não tira importância à morte dos meus avós, que eram só duas pessoas, mas eram as minhas pessoas, caramba. Doerem-me os dentes não é atenuado pelo facto da crise existir. Doem, caraças!
Estou farta da crise. E se ao princípio o humor era alavancado pelas desculpas que a crise potenciava, chegou a altura em que a crise quer tirar a voz às pessoas, os lamentos do dia-a-dia, os queixumes costumeiros das velhinhas ao pé da igreja: " doem-me as costas, tenho artroses nas mãos, vejo cada vez pior por causa dos diabetes, esses bichos me comem"...
No que depender de mim a crise não me cala com a vergonha dos (meus) males menores.
E só por causa das tosses vou ali beber uma coca-cola. 

Mercado dos Santos



No dia 30 de Novembro (marquem na agenda), entre as 10h e as 20h irá ter lugar o Mercado dos Santos - espacial Natal!

- Neste mercado marcarão presença várias marcas associadas que venderão os seus produtos 

- O mercado associou-se à causa da Silente Sculpture. Podem visitar a página, fazer um like e perceber melhor do que se trata 

- Para esta causa, o Pedro, que tem 4 anos, teve a ideia de fazer 30.000 chocolates. O Pedro sozinho não os consegue fazer, certo? Mas se formos muitos, sim vocês também, conseguiremos criar uma mesa gigante e gulosa. E melhor: o valor angariado destes chocolates/bombons/brigadeiros/bolo de chocolate de todo o tamanho e feitio reverte totalmente para o Matthew 

- O que têm de fazer?
Se forem uma marca enviem uma mensagem dizendo que estão interessados em participar (isto é um link)

Se forem pessoas individuais que querem juntamente com toda a família e amigos dedicar uma tarde a fazer doces e doá-los deixem na página de facebook um comentário a dizer "eu vou fazer 30.000 chocolates "

- Neste evento serão ainda recolhidos roupa e brinquedos para depois distribuir por famílias extremamente carenciadas. Se tiverem roupa e brinquedos em casa que já não precisem, levem!

Onde é?

Este mercado vai ser realizado na Rua Adolfo Casais Monteiro (mesmo ao lado da Rua Miguel Bombarda), nº 59, Porto. No novo espaço da BOA - Bombarda Oficinas de Artes

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Isto é tão mas tão bom...

"Guia do animal social de caixa de comentários

  • Isto não é um debate, é um texto.
  • Se está a ler isto e considera o autor primário, você é estranho; se não lê o autor e o considera primário, você tem dons que deve aproveitar, como a Maya.
  • O autor pode debater consigo. O autor não tem que debater consigo.
  • O autor pode ter um erro formal no raciocínio – não é insultando a sua mãe que o perceberá.
  • O autor pode estar errado – você também. O autor pode estar certo – e você não.
  • Você pode assumir coisas sobre o autor baseadas no seu preconceito. Guarde-as para si.
  • Você pode ler intenções do autor apesar de não estarem no texto. Guarde-as para si.
  • Você pode achar que comentar num jornal, num blogue, no Facebook ou no Hi5 faz de si uma pessoa interessante, que até dá tareia aos autores; no entanto, talvez nunca tenha percebido exactamente o porquê dessas redes sociais e zonas de comentário serem tão populares.
  • Comentários de “não é assim que se faz” só têm interesse se seguidos da descrição de como se faz.
  • Criticar autores por falarem de diversos assuntos é um exemplo de você a falar de diversos assuntos.
  • Acusar autores de quererem um lugar no governo/na autarquia/no rancho folclórico/na cabeceira da mesa/etc. pode ser interpretado como você simpatizar com a ideia de querer um lugar num outro governo/outra autarquia/outro rancho folclórico/no lugar central da mesa/etc.
  • Cortesia e educação, tal como no mundo não-digital, pode originar maravilhas.
  • Lembre-se, o autor pode sempre remover o seu comentário num blogue, no Facebook, etc., etc. Você é o convidado, porte-se como tal.
  • Por fim, não assuma que o autor vai ler o seu comentário. Isso é só parvo."


Vitor Cunha aqui

Elas até sabem que o sonho é uma constante da vida

Estou a fazer fé no projecto "Estoril Beach House", aqui mesmo pertinho de casa. Um novo hostel no Estoril feito de e por gente empreendedora e valente.

O vídeo que deverá inspirar todos os que não têm medo de arriscar: aqui.

Boa sorte às minhas conterrâneas. Muita merda.

A volta a Portugal em PPC

Angra do Heroísmo (Açores)


Leiria

Faro

S. Jorge (Açores)

Viseu


Viana do Castelo

Évora

Mirandela

S. Miguel (Açores)
Estoril



E as inscrições no PPC continuam a chegar...




O maravilhoso mundo das crianças

Eu e mámen numa mesa de café com uma amiga e respectiva filha a falar de máquinas de café e de cápsulas e da nossa máquina que avariou e andamos a beber café solúvel do Continente (btw, é ma-ra-vi-lho-so!). 

Diz mámen: "Ah, mas eu hoje à noite vou fazer uma experiência e vou sangrar a máquina, vocês vão ver..."

Grita a Madalena, filha da amiga, quatro anos de gente, com ar de horror: "Oh mãe, o tio é um mau vai "sangrar"a máquina, coitadinha..."


Diz que o Natal já está à porta...

30 fotos | 30 minutos | 30 euros
Sábado, dia 23 de Novembro 

Inscrições e mais detalhes aqui.

Ultimamente tenho conhecido o trabalho de muitos fotógrafos. A Selma Veiros já era leitora deste blog quando se tornou minha amiga e eu gosto mesmo muito dela, especialmente pelo facto de ser quadripolar a cem por cento, não vamos cá com paninhos quentes. Mas tenho que dizer, de forma justa, isenta e leal que é a fotógrafa que melhor capta a beleza da Ana e que melhores resultados consegue, denotando uma atenção aos detalhes que faz toda a diferença no resultado das suas sessões fotográficas. 
Deve ser por ser da terra do pai da criança mas ninguém fotógrafa os olhos da Ana melhor que ela, conhecedora que é desta cor de Atlântico, tão açoriana afinal.
 Por isso, a sessão de Natal cá da família já está agendada. E a escolha é a melhor. 

"Nunca mais" é muito tempo, calma lá com os cavalos...

As pessoas que agora afirmam, muito ofendidas, que nunca mais beberão PEPSI são as mesmas que quando o Pingo Doce mudou a sede fiscal para a Holanda e impôs pagamentos com multibanco apenas em quantias superiores a 20 € juraram nunca mais lá por os pés?

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Afinal, talvez seja bom negócio voltar a ter um gato e devolver a miúda à cegonha...

Hoje na Area do Cascaishopping a Ana foi em direcção a uma árvore de Natal (a maior e a mais enfeitada, pois está claro) e gritou, em êxtase, um "boooooollllllaaaa", atirando umas cinco ou seis para o chão, começando a pontapeá-las, como faz no parque com a bola com que joga com os outros meninos. 

Cinco ou seis bolas estilhaçadas depois, um pedido de desculpas aos funcionários da Area, a miúda a fazer birra que queria jogar mais à bola, troco olhares de terror com mámen, e penso que afinal quando só tínhamos um gato não tínhamos assim tanta razão para maldizer as bolas de Natal no pinheiro...



(E agora, decoro a árvore de Natal com o quê?)

Pelos caminhos de Portugal

Porto

S. Miguel

Aveiro

7
Faro

Braga

Lisboa

Madeira

Beja


E as inscrições no PPC continuam a chegar...



No Hospital Júlio de Matos (literalmente)


"Portugal no seu melhor: snack-bar no interior do Júlio de Matos."

Obrigada, Sofia.

A cereja no topo do bolo

Ontem à noite, mámen a falar com a mãe pelo skype. Pergunta pelo pai:


Sogra- "Ah, anda a tirar um curso pós-laboral"

Mámen- "De agricultura?"

Sogra: "Não, de taxista!"


(ainda me estou a rir)

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Escavaquinhar

Mámen, na FNAC, com a Ana ao colo. Avista na zona de instrumentos musicais um cavaquinho e começa a "tocar" para a filha. Olha para mim, à laia de pedido de feedback positivo.
Sinto-me na obrigação de dizer qualquer coisa:

"Já percebi a etimologia da palavra "escavar": deriva de cavaquinho assassinado."



(O meu amor pode ser cego mas surdo nem pensar, pá!)

Relações em tempos de facebook


Nos últimos anos aconteceu-me cinco vezes. Havia amigos que tinham as páginas de facebook conectadas com a minha e, de repente, deixámos de estar ligados. A primeira vez que me aconteceu uma coisa parecida foi com um familiar próximo que, não visitando a minha avó doente durante mais de um ano antes da sua morte ficou muito ofendido quando, ao anunciar a triste notícia, o informei que não seria bem vindo nas despedidas fúnebres, que seria uma atitude hipócrita e pouco consistente com o que tinha sido a sua consideração com a minha avó nos últimos meses. Claro que na hora da conversa meteu a viola no saco e nem tuge nem muge, nada de me responder, reacção zero no momento do confronto. A reacção. veio em forma de bloqueio na página de facebook uns dias depois, à laia de valente, de virgem ofendida, de pessoa crescida que em vez de discutir o assunto, contra-argumentar, conversar, prefere mostrar a sua indignação virtualmente. Puta que o pariu.
Depois foi um amigo que me bloqueava ininterruptamente devido a várias crises existenciais, a última- julgo que definitiva- aconteceu porque faltei à sua festa de aniversário, por motivos- que até podiam ser de desculpa mas nem foram- válidos. Óbvio que faz todo o sentido uma pessoa que fazia questão da minha presença numa festa íntima declarar a sua indignação com a censura facebookina ao invés do pouco tecnológico pedido de satisfações, a cair em desuso devido à existência da opção facebookiana "remover amizade". 
Hoje ia enviar uma mensagem de facebook a uma amiga, daquelas de quem até gosto muito, que não precisa de converseta todos os dias, com quem podia estar semanas sem falar que não havia cobranças de nenhuma parte, uma relação cool, das que eu gosto e ... tumbas! Já não estávamos ligadas. Devo ter feito alguma das minhas- inadvertidamente, senão não estaria aqui a dissertar- que a ofendeu e com  pena, muita pena, não me cobrou a ofensa, não se mostrou zangada, não me puxou as orelhas, não me desancou, aquele tipo de coisas que fazem os amigos. Ou que faziam porque agora a moda é o bloqueio. Tenho pena. 
Dizia eu, no início deste texto, que nestes últimos anos a surpresa de me ver desconectada de amigos com quem estava ligada no facebook me aconteceu 5 vezes. Uma sucedeu por parte de alguém que se zangou com outrém e apagou toda a rede de amigos que tinha em comum com essa pessoa, eu incluída. Adoro amizades colectivas! Outras três- as que relatei- são a prova provada que deixou de haver a zanga de mão na anca, a ofensa de pé a bater no chão, o pedir satisfações, a vontade de ver a situação esclarecida, a possibilidade de um pedido de desculpa, as tricas de quem se importa e os arrufos que só acontecem com quem de gosta. O botão de "remover amizade" poupa chatices, poupa dores de cabeça e firma, facilmente e sem grandes "tomates", o fim das relações. É ao que chegámos...
A última das cinco apanhou-me de surpresa pelo facto de nada fazer crer que a amizade, em primeira instância ali sob a sua prova virtual, não tinha  razões para ser removida. Percebi depois, num encontro num bar, que afinal não havia zanga nenhuma, entre uma gargalhada e ofensas ao Mark Zuckerberg, a tipa tinha fechado a conta de facebook e mandado os likes, as grupetas, os amigos dos amigos, as listas e os status para o caralho. !As tantas, ela é que é capaz de ter razão...

"Eu já me inscrevi no PPC e vou receber um postal de Natal..."























Os filhos dos meus amigos podem não ser melhores que os dos vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 2

Hoje enquanto tomava banho diz a Maria, filha mais nova da minha amiga Sandra: "Tu já não cresces mais mãe?"
"Não!" - respondeu ela
"Mesmo nada?" - insiste a pequena.
"Não, já sou adulta, os adultos não crescem mais!"- conclui a minha amiga.
Resposta pronta da Inês, a filha do meio, que também está dentro da banheira: "Só os pêlos, não é mãe?" (A olhar, com repulsa, para as pernas da mãe)
...
...
....

Polar Post Crossing 2013 is coming to town!


FAQ

  • Em que consiste o Polar Postcrossing 2013?

Estão a ver o joguinho típico do amigo secreto? Em que se sorteia a quem se vai dar uma prenda? Aqui é o mesmo mas ...estão a ver os postais de Natal coloridos na caixa do correio em vez dos postais electrónicos? É isso.
Cada participante recebe uma morada e tem que enviar um postal de Natal para o seu polar secret friend até dia 15 de Dezembro. 
That's it. Simple as Nutella.

  • Como vão ser sorteados os polar secret friends?

Este ano, a par do que aconteceu o ano passado, sou eu que baralho os nomes e os distribuo (afinal eu sou a própria Pólo Norte, vale?).

  • Como posso participar?

Inscrevendo-se aqui: http://www.quadripolaridades.com/ppc/ até dia 30 de Novembro.

  • Quando vou saber o nome e a morada do meu blogger secret friend para lhe poder enviar o postal?"
No dia 1 de Dezembro coloco os V. nomes todos num saquinho (é mais num Excel, mas pronto), baralho e envio-vos um e-mail de volta com a morada do V. amigo secreto. Os emails chegar-vos-ão, o mais tardar, até 5 de Dezembro (reclamações só depois desta data, ok?)

  • Opá, a minha mulher não vai achar muita graça a esta brincadeira. Como posso fazer?

Quem não quiser divulgar a própria morada (que só será do conhecimento da ursa e do respectivo amigo secreto) pode facultar outra, nem que seja a da avó, uma caixa postal dos CTT, a do local de trabalho, a do ginásio, a do café de confiança lá do bairro que depois de avisado recebe o postal e entrega-o a seu dono, enfim.

  • Opá, eu não quero associar o meu nome ao meu blog porque vai-se a ver e encontram-me no FB e ficam a saber que eu não sou fashion blogger nenhuma e visto mal de cara e sou um homem, afinal. Como posso fazer?

Quem não se quiser identificar com o link do blog, é só dar o seu nome, endereço e distrito a que pertence a morada (afterwords a name is just a name). A vantagem de se dar o link é que a pessoa que receber a vossa morada poderá conhecer-vos melhor através do blog e escolher um postal mais personalizado, vale?

  • Opá, tenho receio que depois de uma pessoa ter a minha morada na mão, afinal seja o estripador da Bobadela, me venha bater à porta e me faça mal. Como podes prevenir isso?

Quando distribuo os polar secret friends obedeço a algumas premissas, entre as quais, pessoas da mesma cidade não escrevem umas para as outras.  Aliás, sempre que possível nem do mesmo distrito. 
As restantes premissas são: os rapazes (que são em menor número) não escrevem a outros rapazes; as pessoas que vivem no estrangeiro escrevem necessariamente para alguém de Portugal e recebem postal de alguém de Portugal também; não se repetem amigos de um ano para o outro e, finalmente, cada pessoa têm dois tipos de interacção: escreve para uma pessoa diferente da pessoa de quem recebe o postal.
Isto dá trabalho, pá (vide antepenúltimo ponto).


  • Eu só leio blogs mas não escrevo em nenhum. Isto é: não tenho blog, posso ser discriminado por isso? Ou posso participar?

Claro. Desde que leias o Quadripolaridades. 


  •  O meu amigo secreto não tem blog, como posso adequar um postal aos gostos dele?

Em caso de dúvida arranja um postal com ursos polares. É garantido que o o tipo é, claramente, quadripolar.

  • Vivo no estrangeiro, sou emigrante, estou a viver a maravilhosa experiência da diáspora, isso pode comprometer a minha participação?

Não. Desde que vivas num sítio onde haja distribuição postal, selos, papel, é na boa. Já sabemos que alguém vai gastar mais dinheiro em selos mas, em contrapartida, fica com a possibilidade de um couch nas próximas férias. :P

  • Pólo Norte, eu sou um bom português e estou a ver se deixo a minha participação para depois do dia 30 de Novembro. Abres uma excepçãozinha para mim, não abres?
Não. Têm que se decidir, a.s.a.p., se querem participar ou não. Depois de tudo sorteado e distribuído no dia 1 de Dezembro não volto a mexer no Excel, porque depois não se verificam as premissas e é o cabo dos trabalhos! 
  • Apetecia-me imenso receber um postal mas sou preguiçosa e não garanto que envie um. Posso participar?
Não. E se o fizeres ficas sujeito a um apedrejamento público no Quadripolaridades. Caso contrário, fica sossegadinho. Isto é para quem quer dar e receber. Não é esse o espírito do Natal?

(Aliás, peço a quem não recebeu postal no ano passado que me envie um e-mail - quadripolaridades@gmail.com- para que eu este ano não permita que os supostos remetentes fajutas do ano passado não voltem a participar, ok?

  • Assim que receber a morada do meu polar secret friend, o que devo fazer?

Depois? Depois é visitar o blog do V. amigo (se tiver blog), escolher um postal que tenha que ver com ele, escrever, meter selo e enviar pelo correio. E esperar que chegue um postal à V. caixa de correio, também.


  • Quando é suposto enviar o postal de Natal para a morada do meu polar blog friend?

A partir do momento em que tiveres a morada do teu polar blog friend em teu poder, podes dar cordinha aos teus sapatos. Quanto mais depressa enviares maior será a probabilidade dele receber a surpresa a tempo do Natal, que é a ideia desta brincadeira toda. E, mais, procrastinar é uma coisa feeeeia. (E não tem graça receber postais de Natal depois do ano Novo, pá!)

  • É suposto manter segredo?

Pretende-se que mantenhamos em segredo quem são os nossos polar blog friends até que os postais que lhes enviemos cheguem às suas caixas de correio. A ideia é não escarrapacharmos no blog "Ahhh, vou escrever um postal para a "Maria Peixinho" do blog "Estás aqui, estás a ser pescada" porque isso estraga a surpresa ao destinatário, tá?

  • Quem deve participar?

Quem quiser receber um postal de Natal à antiga. E quem quiser, fundamentalmente, fazer alguém  sorrir ao abrir a caixa do correio pelo menos uma vez no ano (espera-se que nesse dia a Cofidis e a EDP não decidam mandar as contas também, senão lá está tudo estragado...)
Este ano só não recebe pelo menos um postal de Natal quem não quiser, ai isso garanto-vos eu.

  •  O ano passado houve gente que perguntou: e se eu quiser enviar uma lembrancinha a acompanhar o postal? Posso?

Sim, desde que não seja Antrax. 

  •  Posso enviar um postal por e-mail em vez de via CTT?

Não. Esta é uma troca de postais físicos. Se eu achasse graça a e-postais teria feito um paintbrush postcrossing. Não foi o caso. 

  • E quem não quiser participar?

Quem não quiser participar: azarecos. Contentem-se com os e-cards ranhosos! :P

  • Como posso fazer para agradecer à ursa tão genial ideia pelo quarto ano consecutivo?

Será pedir muito que em cada envelope escrevam a frase "I <3 Pólo Norte"? É que assim-com'ássim fazia-me bem ao ego. E é Natal...

Ah, e à medida que vão recebendo os V. postais fotografem-nos e postem-nos no mural da página de facebook do Quadripolaridades.

Quem quiser superar-se em simpatia e generosidade pode também enviar um postal para a ursa. A morada é:Apartado 31, EC Alcabideche, 2646-901 Alcabideche. 

Portanto, não se sintam pressionados mas eu vou passar o meu feriado de 1 de Dezembro a enviar e-mails, garantindo que todos os participantes tenham a oportunidade de receber um postal de Natal nas suas caixas dos correios. E não, não tenho acções nos CTT.

Assim, enviem-me postais de Natal simpáticos com fotografias de ursos polares, ou mandem-me prendas- um par de cuecas de gola alta, kimas de marcujá, uma mantinha polar, chouriças de cebola, pauzinhos para comer sushi, uma posta de bacalhau, luvas de boxe, pilhas, enfeites para a árvore de Natal, couves portuguesas, leques para eu oferecer à minha mãe, perus, wahetever. Eu mereço, tá?


  • Eu não participei e não vejo qualquer utilidade nesta porra. Podes-nos dar um argumento convicto acerca da genialidade desta iniciativa, Pólo Norte?

Há dois anos a ursa recebeu um postal desta amiga secreta. Adivinhem quem me hospedou em NYC nas férias?

  • Como bons portugueses que somos, podíamos bater um record. Alinhamos na maior mesa de bacalhau com batata e couve em cima do Cristo-rei ou tens outra ideia?
O ano passado fomos mais de 1000, este ano não vamos fazer a coisa por menos, certo???
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