segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

It's just another manic Monday, I wish it was Sunday

Fim de semana do caraças: sábado lá bati com os costados outra vez nas urgências, ao que parece os rins não estão a gostar muito de tantos anti-inflamatórios, uma pessoa não morre do mal, morre da cura e puta que pariu isto tudo. A miúda teve três festas de aniversário num só dia e uma pessoa fica a pensar que a vida social da pequena de 5 anos dá 10 a zero à sua, para este ano nem um casamento, logo nós, que gostamos de casamentos. Mámen diz que sabemos que ficamos velhos quando passamos Verões sem ir a nenhum casamento, já está tudo casado, divorciado, amantizado ou só cansado, agora festas é que pastel.
Mámen perdeu o cartão multibanco, finalmente a EDP se decidiu a arranjar a minha máquina de lavar loiça, pus em dia a cozinha, a semana passado foi tão intensa que nem vi o episódio do "This is us" e só dei conta disso agora de manhã. Nos últimos dias- ontem especialmente- estive rodeada das minhas amigas, nem sempre consigo estar com elas mas sempre que preciso delas- e preciso muitas vezes- elas vêm sem que as chame, cheias de vontade e risos, ferramentas e mangas arregaçadas, gargalhadas e colos não físicos que elas sabem que não sou uma pessoa de  colos apertados. Sou uma gaja de sorte.
Às vezes páro e impressiono-me com a capacidade que meia dúzia de pessoas que conheço têm de mudar o Mundo, uma espécie de esquadrão do bem e sinto-me afortunada, não fosse esta dor constante e fininha, parece que já não é da hérnia extrusa, parece que não é da ciática, tenho uma ressonância magnética para fazer e a lista de espera do SNS é de um ano e meto mais um comprimido para o bucho. Penso em alternativas: vou mudar a alimentação, cortar de vez os lacticínios, pensar antes de comer sem pensar, vou arranjar um exercício de que goste- e eu acho que não gosto de nenhum. Suspiro e colo um transact na perna.
O boicote à "Super nanny" soube-me pela vida e, às tantas, nem teve efeito nenhum nas audiências, nos sharings e nessas coisas que medem o sucesso dos programas. Teve em mim que gosto de saber que não compactuo, que não me importo de remar contra a maré, que não sou de largar os remos. Teve em muitas pessoas à minha volta e isso é o melhor de tudo: saberes que não podes limpar o oceano mas não desistires de limpar a tua praia, a praia onde se banham os teus filhos e os teus amigos e os filhos dos teus amigos, as pessoas com quem convives e com quem partilhas o areal, estares certa que contribuíste para a mudança daquele bocadinho de mar, aquele pedacinho de areia. A Corine de Farme retirou o patrocínio ao programa e a ´minha amiga Patrícia, companheira de luta e de inconformismo, diz que retirar valor ao programa é um indicador de que os protestos de quem não compactua surtem efeito.  Fazer a tua parte é sempre uma forma de mudares o Mundo.
Saio de casa de táxi e são sete da manhã. O taxista queixa-se do PS, que é tudo à larga, dão tudo a toda a gente, repuseram tudo, só não contrariaram o PSD naquilo de agora se pedir factura para tudo, queixa-se do Professor Beijinhos e do que ele já gastou em viagens, conta-me que no sábado foi a Loures fazer aquela coisa do furinho na orelha para deixar de fumar e que no domingo foi ao Pingo Doce com a  mulher e ainda não eram nove da manhã e já não se podiam ver um ao outro e vai daí, fumaram 5 cigarros, "ó doutora" - e eu nem tenho cara de doutora- "um gajo sabe que era para não fumar mais nenhum, que larguei 80 biscas naquilo mas no primeiro dia fumei cinco em vez de quarenta, até nem é mau, pois não?" e conta-me que também lhe mandaram cortar no café e álccol e "ó doutora"- e onde é que terá ele ido buscar esta coisa do doutora?- "eu e a minha mulher não dispensamos um copinho de vinho ao almoço, vá e uma amêndoa amarga para digestivo, até a minha mais pequena, a que tem 14 anos que a outra já abalou para o Porto para estudar, mas dizia eu, a que tem 14 anos também dá um golinho, a minha irmã fica danada da vida quando vê mas olhe, eu cá sou sincero, antes ela provar amêndoa amarga comigo que com os amigos e também um golinho por dia não é a morte do artista, nós nem temos genética para vícios".
Deixei o meu cartão multibanco com mámen e enquanto me vestia de manhã ele foi ao ATM levantar-me dinheiro. Chego à Estação do Oriente e percebo que tenho uma nota de cem euros, o taxista não tem troco, saio para tentar destrocar a puta da nota e não me safo em lado nenhum, a fila na bilheteira é imensa. Entro num café e peço uns 20 euros em comida, só há coisas desgraçadas à venda, trago pães de Deus mistos, coxinhas de frango, pão de queijo e ice-teas e- foda-se- hoje é segunda feira e tinha prometido começar a comer diferente. Volto ao táxi, pago a corrida e peço factura,noto uma "amarguinha " de boca e a esta hora o senhor pode passar a distribuir o ódio entre o PS e o Passos Coelho, assim com'assim distribui-se o mal pelas aldeias.
Corro para o comboio e percebo que fico sem dados nem saldo no telemóvel. O bilhete é electrónico e não consigo sacá-lo. Não tenho multibanco para carregar que deixei o cartão com o estupor do meu marido e respiro fundo. A cinco minutos de chegar ao comboio estou no apoio ao cliente e explico a situação que, sim senhor, me imprimem ali o bilhete, basta eu apresentar o meu cartão de cidadão.
Que ficou esquecido nas urgências do hospital anteontem.


Uma boa segunda para todos. Que a santa padroeira dos piretes me proteja.



quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Zâmbia e Zimbabwe? Checked.




"Bom dia Ursa! Estive de férias na Zâmbia com o meu marido, que trabalha lá, e não podia deixar de contribuir para a cruzada. Aqui vai uma foto das cataratas Vitória, na fronteira com o Zimbabué. Beijinhos, Maria João"


Obrigada, querida Maria João para ti e marido! <3



O planisfério está actualizado aqui e é- prometo!- este ano que eu ponho as quadripolarizações tooooodas em dia.


Se alguém me enviou quadripolarizações que não foram publicadas, a razão tem que ver com a minha falta de organização a gerir a conta de email do blog (que- juro-vos!- é uma coisa impossível). Assim, peço-vos que mas reenviem, please, please, para o email euquadripolarizo@gmail.com. 

Muitas desculpas e renovadas gracias, sim?!

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Sala de espera da consulta de Neurocirurgia, Hospital de São José, 15h23

No desespero, tiro o telemóvel do bolso e constato que existe wi-fi grátis no Hospital. 

Como se fosse salvar o Mundo viro-me para mámen e digo - alto e a bom som para toda a gente ouvir e apanhar a deixa: "Olha: há internet grátis no Hospital!" 

Nem uma reacção. Continuou tudo nos seus desabafos e conversas tétricas de sala de espera de hospital. 



Pérolas a porcos, é o que vos digo. Pérolas a porcos. 


[Lá na França é que é, aposto que se deviam entreter, primeiro mundistas e caladinhos, a ler blogs.]


Sala de espera da consulta de Neurocirurgia, Hospital de São José, 14h23

Entra um senhor e começa a distribuir fotocópias de uma associação que ninguém conhece:

"Boa tarde meus senhores. Estimo as vossas melhoras. Infelizmente tenho que vos dar esta notícia de que sofro de HIV, para os senhores mais velhos SIDA. Nunca me droguei, nunca fiz amor sem camisa de Vénus, foi quando estava na barriga da minha mãe, a placenta rebentou e ela transmitiu-me o vírus. Podem ler esse papel, é com a ajuda de senhores como vocês que este Natal a Associação onde eu trabalho nos pôde dar bacallhau com batatas para a ceia em vez de pescada. Agradeço o  vosso auxílio. É melhor pedir que roubar. Nunca roubei nada a ninguém, agradeço..."

Auxiliar interrompe-o: "Não se pode mendigar na sala de espera. Já estou farta de o avisar todos os dias, não queria ter que chamar o segurança..."

"Ai é? Ai é? Vou mazé roubar. E digo-lhe mais: de cantar não me podem impedir!"- e começa a sacar, de forma agressiva, as fotocópias anteriormente distribuídas das mãos das pessoas da sala de espera, enquanto trauteia em altos decibéis:

"Ai senhor doutor que me dói a testa
Ai senhor doutor lá em baixo é que é a festa
Trás, catrapás, de rabo e canela
Não há quem não conheça a história da Micaela

Ai senhor doutor que me dói a o nariz
Ai senhor doutor lá em baixo é por um triz
Trás, catrapás, de rabo e canela
Não há quem não conheça a história da Micaela

Ai senhor doutor que me dói a boca
Ai senhor doutor lá em baixo é que está louca
Trás, catrapás, de rabo e canela
Não há quem não conheça a história da Micaela

Ai senhor doutor que me dói o pescoço
Ai senhor doutor lá em baixo é que está grosso
Trás, catrapás, de rabo e canela
Não há quem não conheça a história da Micaela

Ai senhor doutor que me dói o peiro
Ai senhor doutor lá em baixo é que está a jeito
Trás, catrapás, de rabo e canela
Não há quem não conheça a história da Micaela

"Ai senhor doutor que me dói o pipi
Ai senhor doutor páre tudo que é aí
Trás, catrapás, de rabo e canela..."


Auxiliar em fúria: "Vou chamar o segurança!"



[Como não ser fã do SNS?! ]

Sala de espera da consulta de Neurocirurgia, Hospital de São José, 13h47

"Isto é que vai para aqui uma vergonha. Sabe, eu tive a sorte de estar emigrado num país como deve de ser, não era nada disto. Lá uma pessoa tem tratamento hospitalar de primeira. Desconta-se e bem mas é à séria. Aqui uma pessoa desconta uma vida toda e leva uma reforma de 240 euros, perdão, 280 euros para casa. Tá quieto, ó preto! 'Tá bem que tive uns anos ali num táxi em Chelas por minha conta e não descontei mas isso também foram meia dúzia de anos, não justifica esta miséria. Um dia encontrei o ministra ali no Chinês das Olaias, já o tinha transportado no taxi e ele disse-me "Olá Felisberto, como está?" "Como estou, doutor, estou numa miséria, descontei aqui uma vida toda e levo 280 biscas para casa, acha que estou bem?" "Olhe que não é nada mau" "Não é nada mau, estive na França meia dúzia de anos, a mais a minha Maria, e trazemos mais do que isto da reforma de lá." E ele que não era possível. Então, não vou de modas, agarrei na minha mulher e no outro dia de manhã fui ao café onde ele vai e vai de sacar os papéis para ele ver com os próprios olhos. "Ai, Felisberto tem razão, sim senhor!" E ficou com um melão que só visto. Aqui uma pessoa está de baixa ou  reforma-se e ainda por cima pode trabalhar. Em França, não. Um dia estava de baixa e apereceu um inspector e foi um ver se te avias: "Monsieur, ali toda a gente se trata com cerimónia, não é cá estas confianças aqui de Portugal, e perguntou se eu estava a trabalhar porque alguém me tinha visto a dar de comer à criação e foi dar com a língua nos dentes e eu que não, não senhor inspector, estava só a contar as cabeças, uma pessoa lá não pode pôr o pé em rama verde, não é como aqui que tive 7 meses de baixa e ainda fazia uns biscates ali na Picheleira. Lá é à séria. Lá trabalha-se de sol a sol mas vale a pena que uma pessoa tem um tratamento que é uma categoria. A minha filha é engenheira na Câmara de Lisboa e bem nos conta que são uns 7 numa obra de rua e só o pobre que escava é que trabalha e leva 500 biscas para casa, é uma vergonha. Este país nunca vai chegar a lado nenhum. Por isso é que eu tenho saudades de França, eu mais a minha mulher, só voltámos porque aqui, assim com'assim temos a vida facilitada e aqui sempre se dá para dar um jeito nas coisas, não há aquele controlo do Estado, é tudo à balda, mas quando venho aqui ao hospital e estou assim estas horas à espera, arrependo-me tanto de ter voltado como de ter vendido o táxi, mas pronto, foi um bom negócio, declarei menos que o que vendi e ainda meti algum ao bolso, o mundo é dos espertos já se sabe. Mas lá é fora é que é bom, não é nada disto que aqui se vê. Já foi a França, menina?"

"Já, sim senhor, Mas desculpe que lhe pergunte, Sr. Felisberto, se lá é melhor, o que é que está aqui a fazer a aumentar-nos a fila de espera?"

Sala de espera da consulta de Neurocirurgia, Hospital de São José, 13h06

“Despacito. Hino do Benfica cantado pelos UHF. Uma valsa. A vida toda. Outra vez despacito. Nothing else matter. Amar pelos dois. “Atende, atende. Ateeende. Atende o telefone, quarailho” (versão não musical). Pacman. Mais despacito.



Diz-me qual o teu toque de telemóvel, dir-te-ei quem és.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Como se sente uma pessoa medicada até à medula quando atende telefonemas, recebe visitas em casa, ouve o marido a falar ininterruptamente quando chega do trabalho e afins?

                 

O Mundo divide-se...

Egipto quadripolarizado




"Olá, Pólo Norte 😊

Tinha enviado esta foto através do instagram, mas reparei agora que pede para enviar por e-mail. Assim, aqui está o Egipto quadripolarizado (Agosto de 2017) pelas irmãs Carla e Cláudia Oliveira, no Templo de Hatshepsut."

Obrigada, manas! 


O planisfério está actualizado aqui e é- prometo!- este ano que eu ponho as quadripolarizações tooooodas em dia. 



Se alguém me enviou quadripolarizações que não foram publicadas, a razão tem que ver com a minha falta de organização a gerir a conta de email do blog (que- juro-vos!- é uma coisa impossível). Assim, peço-vos que mas reenviem, please, please, para o email euquadripolarizo@gmail.com. Muitas desculpas e renovadas gracias, sim?!

domingo, 7 de janeiro de 2018

Quase que juro que vi um DOT colado nas televisões




Eram sofás plastificados daqueles mesmo bons para se pôr uma colcha por cima que só se tira quando chegam as visitas que a vida não é isto e a sala tem que estar fechada para quando chegam as visitas que a malta cá de casa convive é na cozinha. Mesas de centro de vidro e com pés de mármore do equivalente a Estremoz lá em França, donde isto vem, provando que se "de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos", "de França nem bons fósseis nem bons móveis" (não faço ideia de como é a paleontologia francesa mas a rima era urgente, não me lixem o post!)

Camilhas, bares de canto, muito mogno, quartos de solteiro com alçado e luzes incrustadas. Ainda abri umas gavetas a ver se estavam forradas de papel de embrulho colorido e procurei se a música ambiente vinha de cassetes da aparelhagem. Encontrei louceiros muito jeitosos para pôr o serviço de copos de Cristal D'Arques ou a colecção de bonecas de porcelana. ´


Sentada num maple, pensei cá para mim que para ser perfeito o chão tinha que estar alcatifado e que assim com'assim faltava papel de parede e eu deveria ter trazido um blusão com chumaços e uns óculos de cartão com lentes azul e vermelha para ver "O Monstro da Lagoa Negra" naqueles futuristas écrans de televisão planos, tão modernos que destoavam. 

Não, não fiz uma viagem ao passado.



Mas foi uma tarde bem passada na Conforama. 

sábado, 6 de janeiro de 2018

Chipre





"Olá Pólo Norte, quadripolarizei o Chipre, mais um país para acrescentares à tua lista! As fotos são da Petra tou Romiou ou Rocha de Afrodite. Segundo a mitologia é o local de nascimento da deusa Afrodite! M."

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Resolução de 2018: pôr em dia as quadripolarizações desde 2015




Quando tens um jantar marcado há meses e a tua filha adoece e tu tens que fazer o que tem que ser feito e ficas naquela ambivalência de "tem que ser" mas "Oh que merda", de "paciência" mas" fosga-se que timing do camandro" e resignas-te e pensas "cabrão de azar: pão de pobre cai sempre com a manteiga para baixo..." 

Mas eis que as tuas amigas, lá a jantar, mostram que não tens azar nenhum: o melhor do mundo são as tuas pessoas. E isso é sorte. Melhor sorte no mundo não há. 

O que aprendeste em 6 semanas de dor ciática, Pólo Norte?




[Passa com frio. Passa com calor. Passa com descanso. Passa com caminhadas. Passa com osteopata. Para com quiropata. Passa com endireita. Passa com emplastros. Passa com alimentação macrobiótica. Passa com alimentação vegetariana. Passa com alimentação paleo. Passa com alimentação holística. Passa se não comeres. Passa com os pés de molho em vinagre de maçã logo de manhãzinha. Passa com ozonoterapia. Passa como messoterapia. Passa se deixares de beber leite.  Passa com reiki. Passa se comeres tudo sem glúten. Passa com shiatsu. Passa com auriculoterapia. Passa com aromoterapia. Passa com sexo. Passa se não disseres vernáculos. Passa com abstinência. Passa com massagem de relaxamento. Passa com massagem tui-na. Passa com acupunctura. Passa com moxabustão. Passa com fitoterapia. Passa com Naturopatia. Passa com homeopatia. Passa com pilates. Passa com piretes. Passa com caminhadas. Passa com ioga. Passa com uma promessa a nossa senhora de Fátima. Passa com um mergulho no mar gelado dedicado a Iemanjá. Passa com a perna esfregada com óleos essenciais, azeite quente (mas do bom, nada de azeite do LIDL) ou tang. Passa com lambidelas de cão (wtf?). Passa com um secador de cabelo a projectar calor na zona afectada. Passa com massagem ayurvédica terapêutica. Passa com plantas medicinais. Passa com chá de salva. Passa com erva. Passa com coca. Passa com reflexologia. Passa com o método das 3 agulhas do Professor Jin Rui. Passa com ventosas. Passa com epidural. Passa com dança de ventre. Passa com dança do varão. Passa com drenagens linfáticas. Passa se cortares o cabelo que parecendo que não isto está tudo ligado. Passa a entoar mantras. Passa a ouvir discursos do Donald Trump sem revirar os olhos. Passa sacrificando uma galinha velha. Passa com meia elástica. Passa com a almofada de massagens da Decathlon. Passa com rebuçados do Dr. Bayard. Passa com o bálsamo chinês da Tiger. Passa com bolas chinesas (!). Passa com mercúrio-cromo. Passa com Vicks. Passa com Voltaren. Passa com morfina. Passa com bagaço. Passa com tinto, branco, verde e jerupiga com peixe frito. Passa com botija de água quente. Passa com almofadas com caroço de cerejas aquecidos no microondas. Passa com chiclet. Passa comendo gindungo. Passa indo à Maya. Passa indo ao professor Mambo. Passa se te tirarem o quebranto. Passa se usares uma figa, um corno, uma mão de Fátima e um olho atrás da porta. Passa se leres a Bíblia. Passa se abrires a porta a testemunhas de Jeová. Passa se deixares de comer sushi. Passa se souberes de cor as músicas todas do Toni Carreira. Passa se vires um directo da Casa dos Segredos sem teres um AVC. Passa se saltares ao pé coxinho (esta é fácil, estás quinada da perna, remember?). Passa se te lavares com sal. Passa se deres um mergulho no rio Trancão. Passa se te filiares no PSD. Passa se te cruzares na rua com a Maria Vieira e não fizeres um esgar de riso. Passa se leres os livros da Rebelo Pinto. Passa se cheirares gasolina. Passa se gostares do que escreve o Chagas Freitas. Passa se usares o #deusnocomando. Passa se disseres "amen" depois de cada post partilhado contendo gatinhos. Passa se ouvires rádio Amália e um taxista ao mesmo tempo e de sorriso no rosto. Passa se não invejares os glúteos pós parto da Georgina. Passa se meteres na Bimby. Passa se receberes a conta da EDP sem vociferares. ]


Não passa com nada, quarailho. 
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