terça-feira, 6 de junho de 2017

Coisas bonitas em Junho: Ariana, (a) Grande



"What's wrong with the world?"

E penso na minha máxima da idade adulta: ""When injustice becomes law, resistance becomes duty."

Bravo, Ariana (a) Grande!



Letra para a comunidade surda:

[What's wrong with the world, mama
People livin' like they ain't got no mamas
I think the whole world addicted to the drama
Only attracted to things that'll bring you trauma
Overseas, yeah, we try to stop terrorism
But we still got terrorists here livin'
In the USA, the big CIA
The Bloods and The Crips and the KKK
But if you only have love for your own race
Then you only leave space to discriminate
And to discriminate only generates hate
And when you hate then you're bound to get irate, yeah
Madness is what you demonstrate
And that's exactly how anger works and operates
Man, you gotta have love just to set it straight
Take control of your mind and meditate
Let your soul gravitate to the love, y'all, y'all
People killin', people dyin'
Children hurt and you hear them cryin'
Can you practice what you preach?
Or would you turn the other cheek?
Father, Father, Father help us
Send some guidance from above
'Cause people got me, got me questionin'
Where is the love (Love)
Where is the love (The love) [2x]
Where is the love, the love, the love
It just ain't the same, old ways have changed
New days are strange, is the world insane?
If love and peace are so strong
Why are there pieces of love that don't belong?
Nations droppin' bombs
Chemical gasses fillin' lungs of little ones
With ongoin' sufferin' as the youth die young
So ask yourself is the lovin' really gone
So I could ask myself really what is goin' wrong
In this world that we livin' in people keep on givin' in
Makin' wrong decisions, only visions of them dividends
Not respectin' each other, deny thy brother
A war is goin' on but the reason's undercover
The truth is kept secret, it's swept under the rug
If you never know truth then you never know love
Where's the love, y'all, come on (I don't know)
Where's the truth, y'all, come on (I don't know)
Where's the love, y'all
People killin', people dyin'
Children hurt and you hear them cryin'
Can you practice what you preach?
Or would you turn the other cheek?
Father, Father, Father help us
Send some guidance from above
'Cause people got me, got me questionin'
Where is the love (Love)
Where is the love (The love)? [6x]
Where is the love, the love, the love?
I feel the weight of the world on my shoulder
As I'm gettin' older, y'all, people gets colder
Most of us only care about money makin'
Selfishness got us followin' the wrong direction
Wrong information always shown by the media
Negative images is the main criteria
Infecting the young minds faster than bacteria
Kids wanna act like what they see in the cinema
Yo', whatever happened to the values of humanity
Whatever happened to the fairness and equality
Instead of spreading love we're spreading animosity
Lack of understanding, leading us away from unity
That's the reason why sometimes I'm feelin' under
That's the reason why sometimes I'm feelin' down
There's no wonder why sometimes I'm feelin' under
Gotta keep my faith alive 'til love is found
Now ask yourself
Where is the love? [4x]
Father, Father, Father, help us
Send some guidance from above
'Cause people got me, got me questionin'
Where is the love?
Sing with me y'all:
One world, one world (We only got)
One world, one world (That's all we got)
One world, one world
And something's wrong with it (Yeah)
Something's wrong with it (Yeah)
Something's wrong with the wo-wo-world, yeah
We only got
(One world, one world)
That's all we got
(One world, one world)]

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Luísa

Foto de Liliana (Pólo Norte) Caridade.



Na sala de espera deste hospital penso em ti. Ataco por todas as frentes: oro, desejo coisas boas, projecto energias positivas, penso pensamentos bonitos. 
Nascer ao entardecer é bonito e poético como se a vida se anunciasse tranquila e doce, serena e dolente. 
 Na banca do mercado vi-as. A senhora que mas vendeu garantiu-me que eram as primeiras e as mais frescas, pronúncio de um novo dia que começa em vós, da frescura do Verão que a tua vinda anuncia, inaugura e celebra. 
 Que a tua vida seja assim: simples, bela, meiga e doce. Perfumada. ~

Um beijo da tia moura

domingo, 7 de maio de 2017

Feliz dia da Ana Maria


Nasci de 32 semanas. Antes do tempo, para lá do que se tinha desejado, longe do que se tinha projectado. 
Ela tinha 20 anos e quando pariu levaram-lhe o bebé para longe do colo, perto dos médicos, das máquinas e das incubadoras. Ela não sorriu no dia em que foi mãe, antes do tempo, para lá do ideal que se tinha desejado, longe do que tinha projectado, sonhado, construído na sua cabeça e nos seus planos. Ela não recebeu os parabéns no dia em que se tornou mãe, só o choque, o medo, as lágrimas. Ela não pode ser mãe de colo, de mama, de toque, de cheiro até que dois meses depois me trouxe para casa. Para o seu regaço. Para o lugar onde sempre pertenci e não pude logo morar. 
Ela foi mãe (é mãe) todos os dias da sua vida desde então. Eu passei todos os dias da minha vida a tentar recuperar-lhe o sorriso, a tentar dar-lhe motivos para se sentir orgulhosa e parabenizada pela pessoa em que me tornou, para ser a melhor filha que eu consigo ser. 
Nós crescemos uma com a outra, acertámos os relógios e passámos a estar no tempo certo, a sermos aquilo que desejamos ser (livres, sempre livres), a projectarmos coisas simples: colo, presença, amor. Nós somos uma da outra, desde aquele primeiro dia que percebemos que nada nos poderia apartar, nem o tempo, nem os sonhos ou anseios e muito menos os planos. 
Para a minha mãe só quero sorrisos. 
Parabéns mãe, não os que não te deram no dia em que te tornaste mãe mas os que mereces pela mãe que és desde então: a melhor. 
Feliz dia da Ana Maria. Porque MÃE só há uma. A minha.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

O Mundo divide-se (edição "fuck my life")

O Mundo divide-se entre as pessoas que já enviaram um email com a frase "junto envio-lhe um peido" ao invés de "junto envio-lhe um pedido" e as outras. 

Selecção natural das espécies aplicada ao Facebook em 3 passos

1- Eliminem-se todos os contactos que partilham notícias da cnnotícias.net ou posts que apregoam "TAP Portugal está oferecendo gratuitamente dois bilhetes para todos em seu aniversário", pessoas que partilham as crónicas do Henrique Raposo,  pessoas que escrevem "Boa noite minha jente linda do facebook, kero comentários!", gente que posta fotografias de uma imagem de uma santa acrescentando "SE TENS FÉ PARTILHA ! Esta foto deve correr o mundo, para ver se o Mundo fica melhor. Obrigado a Nossa Senhora de FÁTIMA #amém", gente que escreve status anti-vacinas, anti-acolhimento de refugiados, e anti coisas que são tão básicas que dói, pessoas que alinham em "Desafio amor próprio, aceito! Se você não foi marcada, não fique brava, pois eu só marquei quem eu acho que realmente vai topar desafio! Poste 1 foto sua em que você esteja sozinha e marque 25 ou mais mulheres do seu facebook. E se marquei você, é por que eu acho vc linda e poderosa.", pessoas que partilham telediscos de kizomba (sim, eu digo telediscos, não me chateiem!), senhoras que postam frases como "em cima da cadeira" ou "na gaiola do canário" para sensibilizarem para o flagelo do cancro da mama e afins. 

2- Depare-se com uma sensação de paz profunda.

3- Curta a solidão.

Bom dia!



Quando o nosso filho crescer
Eu vou-lhe dizer
Que te conheci num dia de sol
Que o teu olhar me prendeu
E eu vi o céu
E tudo o que estava ao meu redor
Que pegaste na minha mão
Naquele fim de verão
E me levaste a jantar
Ficaste com o meu coração
E como numa canção
Fizeste-me corar

Ali
Eu soube que era amor para a vida toda
Que era contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda. (bis)

Quando ele ficar maior
E quiser saber melhor
Como é que veio ao mundo
Eu vou lhe dizer com amor
Que sonhei ao pormenor
E que era o meu desejo profundo
Que tinhas os olhos em água
Quando cheguei a casa
E te dei a boa nova
E que já era bom ganhou asas
E eu soube de caras
Que era pra vida toda

Ali
Dissemos que era amor para a vida toda
Que era contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda. (bis)

Quando ele sair e tiver
A sua mulher
E quiser dividir um tecto
Vamos poder vê-lo crescer
Ser o que quiser
E tomar conta dos nossos netos
Um dia já velhinhos cansados
Sempre lado a lado
Ele vai poder contar
Que os pais tiveram sempre casados
Eternos namorados
E vieram provar

Que ali
Vivemos um amor para a vida toda
Que foi contigo a minha vida toda
Que foi contigo a minha vida toda

Que ali
Vivemos um amor para a vida toda
Que foi contigo a minha vida toda
Foi um amor para a vida toda

Foi um amor para a vida toda

Carolina Deslandes

quarta-feira, 3 de maio de 2017

A CONHECER | Histórias por metro quadrado



                            

É sobejamente conhecido o meu amor por Aveiro. Se Cascais é a minha vila porque nasci a amá-la, Aveiro é a cidade que o meu coração escolheu para amar, assim,conscientemente e racionalmente, sem deixar de ser pela paixão arrebatadora que se renova de cada vez que volto. 

Aveiro tem luz e pessoas luminosas, tem ria e mar, tem bicicletas com gente de todas as idades penduradas como se fossem feitas de nuvens em vez de matéria orgânica, tem tripas de ovos moles e bolachas americanas e tem o Casablanca e a Vagueira de todas as memórias felizes da minha infância, palco do meu primeiro beijo. 

Usualmente presa ao passado, desta vez decidi que era altura de conhecer as novidades, de me render ao novo e desconhecido, de me embrenhar nesta Aveiro cosmopolita e urbana para lá das casas riscadas da Costa Nova do Prado e do meu coração.

O Histórias por metro quadrado não é um hotel nem um hostel: fica ali no meio, entre o luxo e o design instalado e o pitoresco e o caseiro improvisado. Diria que é um boutique hotel de charme e design, pequeno em número de quartos mas grande em comodidades, com uma equipa de colaboradores feliz e bem disposta e que se nota que lá gosta de trabalhar, o que é indício de que fizemos a escolha certa para pernoitar. 

A localização, a 5 minutos dos canais e a 1 minuto a pé da Praça do Peixe, é soberba. O edifício- um antigo armazém da alfândega restaurado- com personalidade e ADN. Os quartos pequenos e elegantes, diferentes e clean, responderam o minha resistente onda hygge. 



À noite ainda tivemos tempo para ir beber um chá à charmosa Casa de Chá Arte Nova, numa noite de Primavera que parecia de Verão ou talvez o sol estivesse em mim, tão feliz que sou sempre que ali volto. E antes de dormir ainda cedi ao capricho de uma tripa de ovos molos, ali na Praça do Peixe. Tudo isto sem andar mais que 100 metros, caramba, que delícia!

                       

Mas a surpresa estava reservada para o pequeno almoço caseirinho e pouco tradicional no retaurante com uns murais maravilhosos e um ambiente colorido e energético e que foi o factor "wow" da estadia. Mais não conto, deixo-vos com as imagens. 

                      

   

Um beijinho para todo o staff que tão bem nos recebeu, em especial para a Maria João e para a Flávia- distinta pólete que me falou do espaço- e que poderão conhecer caso se desloquem à Histórias por metro quadrado e pedirem um arroz árabe à moda quadripolar. 

Ela saberá o que vos responder.

[Querem saber mais? Aqui.]

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O Mundo divide-se entre...

... quem perante alguém a espirrar diz "santinho" e entre quem diz "saúde".

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Maldito algoritmo do facebook

Uma pessoa anda a discutir com gente new age anti-vacinas e fadinhas e floribelas e logo o facebook faz das suas e sugere likes em páginas coiso:


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Tenho um casal amigo...

Era uma vez um casal que foi almoçar a dois num restaurante bonito, perto do rio, e para além de uma excelente feijoada de marisco, decidiu beber dois jarros de vinho frisante de pressão fresquíssimo.
A ideia era regressarem à quinta onde sogros e filha estavam e fazerem uma sesta para curar o alegretto.
Assim que chegaram, a família empurrou-os para dentro do carro para irem all together lanchar a Viseu.
Passados 10 minutos, o membro masculino do casal -sem saber como- deu por si a patinar numa pista de gelo com a filha.


O resto deixo para a vossa imaginação.

terça-feira, 14 de março de 2017

14 de Março de 2017: à minha avó Ana




Eu era feliz mas não sabia muito bem o que era isto de ser feliz. Talvez, quando somos pequenos, acreditemos tanto na sobredimensão das coisas que achamos que o que sentimos ainda não é aquilo, não é bem o auge, falta sempre um bocadinho. Talvez por sermos pequenos e, mesmo assim, já termos tudo o que é importante desconfiemos que a vida não pode ser só aquilo, que tem que haver mais para a frente, mais e melhor,
Talvez seja esta a magia da felicidade, quando a temos no expoente máximo: não a intectualizarmos, não a trazermos à razão e ao pensamento, vivermos naturalmente como se aquilo fosse a norma, como se viver, assim, feliz e tranquilo, fosse tão natural como respirar. 
Acordar espreguiçando-nos, comer papa com remelas nos olhos, ver desenhos animados na televisão, chegar à escola com alegria por reencontrar os amigos, aprender coisas novas que vão de encontro à nossa curiosidade, ter a sensação de que hoje se sabe mais que ontem, brincar e fingir que podemos ser o que quisermos, sendo-o, efectivamente, transformar um galho num cavalo, flores de amoreiras em pequeninas jóias, sentir alegria genuína quando o meu avô, montado na sua bicicleta, me ia apanhar à escola e me dava boleia na parte de trás, chegar a casa e comer o pão com manteiga aquecido no bico do fogão, o cheiro da minha avó, o beijo na sua pele enrugada e macia, esperar a minha mãe chegar do trabalho, fazermos juntas os trabalhos de casa, jantarmos todos- apertados- na mesa redonda que ocupava mais de metade da sala, adormecer sempre com alguém preocupado em dar-me um beijo de boas noites e garantir que estava tapada. 
Depois, talvez pela adolescência, estraga-se tudo numa partida inglória de hormonas, leitura de maus escritores e questões filosóficas que nos atormentam a moleirinha e pagamos a factura- bem cara- o resto das nossas vidas, à procura da felicidade que se teve sem fazer nada, de mão beijada, sem qualquer mérito próprio, só porque tivemos a sorte de nascer rodeados de afecto e termos por perto uma data de pessoas para quem somos prioridade, que se importam connosco, que nos amam incondicionalmente só porque fazemos parte delas, porque lhes pertencemos, porque somos todos primeira pessoa do mesmo plural. Nós. 
Passei grande parte da minha idade adulta a gerir hormonas, a preterir escritores e a seleccionar outros novos, a ler gente melhor e a domar todas os meus fantasmas kafkianos Acho que o resto da minha vida vai ser passado a recuperar o que já tive. Não são coisas complicadas, talvez seja isso que aprendemos o resto da vida e que desconfiamos por serem todo um cliché: a felicidade está mesmo nas pequenas coisas- o prazer de acordar com tempo para me espreguiçar, ver televisão sem preocupações na cabeça, só a curtir o programa, manter a curiosidade para aprender afastando a presunção de que já se sabe tudo, brincar sem receio do ridículo, experimentar ser o que quisermos e pudermos ser sem medo de mudar, de falhar, de tentar de novo, encontrar amigos com genuína alegria por estarmos juntos, olhar para a natureza como se cada ramo pudesse ser o que nos dita a nossa imaginação.
Talvez seja essa a tristeza de sermos adultos: a sensação de que não se podem recuperar pessoas. De que nunca mais estaremos completos. Que fomos, algures, felizes porque tínhamos junto de nós todas as pessoas que amávamos. Todas, sem excepção, sem lugares por preencher na mesa de Natal, sem datas no calendário por celebrar à força das pessoas que partiram, de não faltar, absolutamente, ninguém para termos o coração cheio desse afecto bom de quem nasceu connosco, de quem sempre lá esteve. Nós.
A angústia de sermos adultos é este entalamento de não conseguirmos que coexistam no tempo quem nos fez"nós" e quem criámos enquanto "nós", passado e futuro, felicidade completa do afecto de quem nos protege, de quem nos quer acima de todas as coisas, de quem nos ensinou o que é ser amado com o afecto de quem nos cabe a nós proteger, de quem queremos acima de todas as coisas, de quem nasceu para nos fazer aprender a arte de sermos nós a ensinar o amor. 

88 anos.
Hoje a minha avó celebraria 88 anos.

E a sua ausência nunca permitirá que eu volte a sentir uma felicidade completa, uma felicidade de fechar os olhos e sentir que alguém me beija a fronte e me tapa o corpo, aconchegando-me e fazendo-me acreditar que não me falta absolutamente nada.
A minha avó faz-me falta todos os dias. Até que a morte não nos separe. A nós. 

terça-feira, 7 de março de 2017

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que contam os dias que tem cada mês socorrendo-se dos nós dos dedos e as outras.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Sabem aquela coisa de ser tão mau e dar a volta e ficar muito bom?



É isto.

New facebook page on the the block

É uma brilhante ideia do MC Somsen para poupar os incautos frequentadores das redes sociais do lixo noticioso cibernáutico. 
Sabem aqueles links para notícias apelativos e "misteriosos" que nos impelem a clicar para ler mais? E que, regra geral, resultam em lame news, notícias decepcionantes, irrelevantes, publicidade ou spam camuflados de notícias? 
MC Somsen dispõe-se a poupar a malta na sua página de facebook "Anti Clickbait Portugal". Portanto, a partir de agora no more clicks a notícias parvas só por causa das tosse porque "é bem feita porque o cão tem a mania que é espertalhão".

Do que estão à espera? Espreitam-na aqui. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O meu hotel de luxo preferido tem 3 estrelas



No outro dia, numa conversa de amigas, falávamos nos nossos hotéis preferidos. Já se sabe que o que umas privilegiam outras não dão importância e isto dos critérios pelos quais se gosta muito de ficar num sítio é uma escolha muito pessoal.

Cá em casa passeamos muito. Somos uns verdadeiros "galdeirões" e nada preconceituosos: gostamos de hotéis de charme, pousadas de Portugal, turismo de habitação, montes alentejanos e turismo rural, auto-caravanas, glamping, eco-resorts, cabanas na serra de Candeeiros e bolhas na serra da Malcata, hostéis que são sempre uma incógnita, enfim... somos uma galdeirões aventureiros e sem medos.
O Hotel Golf-Mar fica ali numa arriba perto de Santa Cruz e da Ericeira. É um hotel antigo mas que não perdeu um pingo do seu charme, um hotel despretensioso e familiar, sem luxos mas com conforto, perfeito para famílias.

Fomos convidados a  lá passar um primeiro fim-de-semana e adorámos. Fomos lá passar um segundo e confirmámos. Depois escolhi-o para passar o meu aniversário. E foi, meses depois,  o Golf-Mar que acolheu crianças e jovens com deficiência e famílias com quem trabalhamos para um fim-de-semana inesquecível, onde se formaram cuidadores e se capacitaram pessoas com deficiência, deixando-os experimentar, cair, frustrar e conseguir.

Este ano, para o aniversário de mámen, não tínhamos nada planeado. A minha sogra estava cá (correu muito bem: nada a declarar, infelizmente para o conteúdo do blog, felizmente para nós) e atrasámos-nos de manhã. Fomos para a estrada com a ideia de que queríamos ir para Oeste mas já eram praticamente horas de lanche quando estávamos avançados na A8.

Mámen lembrou-se que bom, bom era almoçarmos no maravilhoso buffet do Hotel Golf-Mar (são 20€ por pessoa e a variedade é excelente para além de deliciosa!) e eu liguei para lá, justificando que era o aniversário do rapaz e que lhe tinham dado golf-mar desejos de última hora, mas sem fé, na expectativa de me mandarem dar uma volta ao bilhar grande, tendo em conta o adiantado da hora (o restaurante fecharia dentro de meia hora). Atenderam-me com a simpatia de sempre e garantiram-nos que esperariam por nós, mesmo que chegássemos em cima da hora de fecho do restaurante.

O que seguiu foi um luxo tão grande, tão grande que nenhum hotel de 6 estrelas do Dubai ou resort em ilhas paradisíacas conseguiria superar:

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

"Já fui ao Brasil, Praia e Bissau, Angola, Moçambique, Goa e Macau, ai fui até Timor num peniiiico voaaaador!"

A expectativa era grande.
Toda a gente já sabe que eu sou uma festivaleira popularucha. Jantámos cedo e fizemos morangos com chantilly para mim e pipocas para eles: já se sabe que Festival da Canção pede doces.
Sentámo-nos e começámos a assistir, na esperança que um novo fôlego viesse com este convite a compositores portugueses mais ou menos conhecidos e com cantores paridos por concursos de talentos.
Torci logo o nariz à coisa estar organizada em duas eliminatórias. A ideia, provavelmente, será rentabilizar o espectáculo em dois domingos seguidos mas perde o encanto uma pessoa ter que acompanhar um espectáculo às prestações, sem saber realmente qual a canção vencedora para nos representar na Eurovisão. Mas siga.
O formato do espectáculo era mais ou menos o mesmo que o de uma gala dos tais concursos de talentos. O Festival da Canção merecia um espectáculo à séria, numa sala de espectáculos icónica, com uma plateia cheia e vestida a rigor, com um Eládio Clímaco e uma Ana Zanatti dos tempos modernos, vestidos a rigor e por detrás de um palanque com um microfone. E não- lamento!- a Sónia Araújo e o Malato não estão nem lá perto...
A ideia do painel de jurados foi assim, como hei-de explicar: meh. Foi giro rever a Gabriela Schaaf  do "Hoje há Conquilhas, amanhã não sabemos" e do "Ai quem me dera ter um homem muito brasa pra pegar na mala e levar pra casa" (de quem eu já escrevi aqui), a Dora, o Tozé Brito e o Ramón Galarza e uma pessoa comenta que está tudo envelhecido e meio gasto (menos a Dora. Dora filha: quero o segredo da marca dos teus cremes,milher!) mas depois não percebe porque chamam o Nuno Markl para estas coisas (se for por causa da "Caderneta de Cromos" que até já acabou há duas décadas na rádio assumam de vez o convite e encaixem-nos na RTP Memória) nem a Inês Lopes Gonçalves, de quem até aprecio o estilo no "5 para a meia-noite" mas que tinha tanta lógica estar ali no meio como o Macaco Adriano. Devolvam-me um juri de Bragança e outro na Região Autónoma da Madeira e um de Portalegre e nem o Júlio Isidro salva a honra a este convento.
É nestas alturas que penso que estou uma conservadora cheia de bafio, uma saudosista pior que o Markl e os morangos já nem me caiem bem no goto. E tento concentrar-me no mais importante: as músicas. As músicas!
Eu adoro a Márcia- este é já um disclaimer. Mas achei-a tão desconfortável naquele papel como estava dentro daquele vestidinho branco. Foi assim uma facadinha no meu coração marciano. Next!
Depois vieram umas meninas vestidas à anos 70, todas elas folhos, todas elas revivalismo, com uma melodia que não ficava no ouvido e eu comecei a ficar pessimista. 
Não sei quem é o Fernando Daniel mas mámen garante que é o irmão mais novo que o Miguel e o André. Eu não faço puto ideia de quem é o Miguel e o André mas acenei que sim com a cabeça, que o homem punha música na Rádio Lumena há 30 anos. Outro que não me convenceu. 
Deolinda Kinzimba tem aquela voz de soul que promete mas não há milagres e a música também não era espectacular. Que Santa Rosa Lobato de Faria nos proteja, senhores!
O Rui Drummond é um mistério para mim. O homem canta bem, é giro que é, tem um ar querido como tudo e eu até voltei a lembrar-me da Schaaf ("para pegar na mala e levar para casa, lalalala") mas... não pega. Nunca resulta. 
A seguir veio uma senhora igual à senhora que me fez o piercing em 1998 a cantar um "ingalês" e eu estava quase a cortar os pulsos e já disposta a enfardar o mega fail do meu bolo de grelos. 
Finalmente, a noite estava salva: Luísa Sobral- despretensiosa e honesta- estava em cena. Uma melodia maravilhosa e uma letra linda, como sempre nos habituou, muito ao estilo Luísa Sobral (é preciso muita pinta para se criar um estilo próprio) e se ignorar que o Salvador Sobral tinha uma farpela 5 números acima do dele e uns trejeitos a cantar que parecia que lhe estava a dar uma travadinha e pequenos acidentes isquémicos cerebrais em catadupa, tenho que dizer que fiquei mega fã da canção. Só que... não era uma música festivaleira. Era uma bela balada mas faltava-lhe orquestra, ritmo, refrão que ficasse no ouvido ("Chamar a música, música, tê-la aqui tão peeeeerto") e uma apoteose final ("Há sempre um sonho, até ser diiiiiiiiiiiiiia"). 
A noite foi salva pela Kika e dois muchachos IL Divo luso-brasileiros numa música com uma letra muito Giftiana mas- finalmente!- uma música festivaleira. Claramente, a melhor das oito que assistimos mas, ainda assim, não perfeita, longe do ideal. 
O Festival da Canção não serve para muito nem sequer é um evento que nos eleve a auto-estima por aí além quando vamos lá fora à Eurovisão. Mas deu-nos, ano após ano, alegria e memórias musicais, forneceu-nos temas para karaokes até ao ano 2080, letras que interpretamos vigorosamente em viagens longas com amigos, sorrisos de cada vez que nos lembramos delas. 
Para este Festival da Canção tinha a mesma expectativa. Não espero ganhar nada numa Eurovisão que tem um concorrente romeno deste calibre.

        

Maaaaaassss ("não condeno esta paixão!")... ao menos, criem músicas que venham a fazer parte do imaginário da minha filha, tá?





sábado, 18 de fevereiro de 2017

Não me merecem


Mámen sobre os meus queques de grelos: "Parece que tenho velcro nos dentes. Arranha-me os dentes, é isso! Tirando isso não desgosto.
(pausa a passar a língua nos dentes)
Mas também não gosto."

Por falar em bolos deliciosos..*

Não posso deixar aqui de registar que, a propósito do aniversário da minha mãe, provei o bolo mais delicioso de sempre com a conjugação de ingredientes mais saborosa ever e que- a partir de agora- vou querer repetir em cada festa de aniversário cá de casa.

O seu a seu dono:







Bolo de pistachios, framboesas e mousse da Sofia do Les Gourmandises de Sophie




(*é a chamada "saída de fininho" do tema dos bolos)

São grelos, senhor: são grelos!


Nham. Nham 


Isto é capaz de ser sintomático de como as coisas acontecem na minha vida

Era uma vez uma miúda que viu num status da sua amiga Joana Roque um crumble de maçã.
 Vai daí e foi procurar a receita ao seu blog e enquanto vagueava por lá deu de caras com um bolo de agrião com muito bom aspecto. 
 Foi ao frigorífico e seguiu a receitinha todinha. Nos entretantos, já com o bolo no forno, entra o seu marido na cozinha e exclama:

- "Ena, pá! Bolo! É de quê?

- "De agrião"- exclamou a miúda orgulhosa.

- "Mas nós não tínhamos agriões em casa..-"- constatou o espertinho da hortaliça

"Temos, sim! Comprámos esta manhã no mercado de Cascais"

- "Hum... comprámos grelos, lembras-te?"

- "Vamos comer e vamos gostar, ok?! E nem um piu sobre o assunto, bale?"


...



(No forno ainda. Rezem por mim.)


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

100 Quadripolares que vale a pena conhecer- Luciano (34)- post póstumo

Com 2016 findado restou em nós (em mim?) a secreta esperança do fim da chacina dos que nos são queridos. 
Morreu esta madrugada uma das minha almas gémeas e são tão poucas- agora- cada vez menos. Luciano era um artista em todas as facetas que o sentir artista encerra. Não era artista de substantivo, era artista de adjectivo e nenhuma palavra o adjectivava melhor, à excepção de, talvez, poeta. 
Era poeta dos trapos, alfaiate de palavras, génio do vernáculo e alquimista das palavras directas e sem duplos sentidos, das verdades nuas e expostas sem pudores, das coisas a ser como exactamente são, sem paninhos quentes nem metáforas, sem eufemismos nem justificações delicodoces. 
Luciano era único como somos todos mas mais único que quase todos, no seu destemor de ser quem é sem medos, de abraçar a sua vulnerabilidade, de cabeça erguida pelo percurso percorrido e pelas vértebras muito direitas de quem tem um espinha dorsal do caraças e uma verticalidade ímpares. 
Luciano dos fados, Luciano dos poemas à moda de Bocage, Luciano Montijense de alma e coração, Lisboeta por opção. Luciano das agulhas, Luciano do activismo contra as hipocrisias, Luciano das politiquices, Luciano das verdades. 
Luciano rir-se-ia se hoje visse o mural do seu facebook cheio de RIPs e palavras fofas. Pudesse ele e apontaria o dedo a quem hoje o chora publicamente, enfrentando-os nos olhos, perguntando porque chora se não quiseram saber durante meses à força das agendas cheias e dos dia-a-dias ocupados. Pudesse ele e chamaria os bois pelos nomes e as cabras pelos epítetos. E poria a mão na anca e bateria o pé e discutiria sem medos. Luciano comover-se-ia se hoje visse alguns silêncios no seu mural de facebook e pudesse ler algumas mensagens privadas a perguntar que merda de brincadeira de mau gosto vinha a ser esta, mensagens de quem não acredita nisto, de quem a julga uma partida do Luce e responderia a sorrir, meio pueril, o artista. 
"Vícios públicos, virtudes privadas"- pudesse eu dizer-to outra vez, querido Luce, estupor da minha vida, era tão fácil entendermo-nos, rirmo-nos das mesmas coisas, troçarmos da mesma hipocrisia, termos fé nas mesmas descrenças. 
E a puta da morte, indiferente aos anos civis, efectivamente, não morre. Morres assim e a vida tem cada vez menos força. 
Menos arte e poesia. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O Mundo divide-se entre...

... quem diz carrapito e entre quem diz puxo.

Pólo Norte descobre um dos segredos mais bem guardados da Humanidade*

Uma pessoa penteia-se bem penteada. Uma pessoa maquilha-se. Uma pessoa até põe uns pózinhos na cara para parecer mais rosadinha e com um ar bem saudável. Uma pessoa veste uma camisa com um decote bonito para o colo ficar apresentável.  Uma pessoa treina o seu melhor sorriso sem mostrar os dentes ao espelho. Uma pessoa sai de casa confiante. 

Uma pessoa  chega e tira uma senha. Uma pessoa percebe que tem 30 pessoas à espera de serem atendidas antes de si. Uma pessoa senta-se. Uma pessoa levanta-se. Uma pessoa vai beber um café e esborrata o batom que tinha posto de manhã. Uma pessoa compra uma revista. Uma pessoa coça a cabeça (e despenteia os cabelos) enquanto lê as fofocas. Uma pessoa começa a marcar pastilha elástica para se entreter. Uma pessoa mete conversa com a pessoa do lado. Uma pessoa começa a ficar cansada. Uma pessoa recosta-se à cadeira desconfortável. Uma pessoa esfrega os olhos e bezunta a fronha toda de rímel. Uma pessoa encosta o braço ao apoio da cadeira, leva a mão à bochecha outrora pintada com os pózinhos saudáveis para segurar a cabeça. Uma pessoa tem vontade de fazer xixi mas não há wc no serviço. Uma pessoa está desesperada, descabelada, desmaquilhada, desmiolada e destrambelhada quando, finalmente, é chamada. 

Uma pessoa está tão exaurida que o único consolo é que descobriu, finalmente, um dos segredos mais guardados da Humanidade. 




[*Está assim desvendado porque é impossível alguém ficar decente nas fotografias do cartão de cidadão.]

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Adivinhem a reacção do hygge-herege cá de casa...


Foi um hygge que se nos deu!

      Resultado de imagem para hygge decor funny





Com a mudança de casa tentámos decidimo-nos a destralhar.

Muito convicta- depois de mil contas do instagram visitadas e revisitadas, depois de imagens e imagens do pinterest percorridas, de me deliciar com o ar relaxado, zen e pacífico das bloggers/instagrammers/pinteresters e senhoras com ar de quem não dá um pum com canecas de chá nas mãos e mantas brancas/cinza/bege de lãs XL de ovelhas felizes da Escócia profunda em cima dos joelhos, a viver em casas brancas, com móveis brancos, sofás brancos, tudo alinhado, tudo arrumado, filhos imaculados, quartos das crianças sem brinquedos que parecem capas de revista de decoração, cozinhas de bancadas livres, paredes sem furos nem quadros (a tendência é poucos quadros e todos em cima de móveis baixinhos e encostados às paredes) e casas de banho com sabonetes naturais e orgânicos sem corantes nem conservantes fabricados em casa por mulheres no seu décimo primeiro dia de ovulação em noites de lua cheia- eu queria uma casa hygge.

Eu queria uma casa hygge, minimalista, sem ruído visual/sonoro/auditivo/sensorial, imaculada e zen para ficar com aquele semblante feliz e pacífico das senhoras dos blogs/ instagram/pinterest com ar de quem não dá um pum.

A casa nova era o melhor pretexto para destralhar. Comecei por partilhar com mámen a ideia e de lhe mostrar alguns exemplos de ambientes que gostaria de reproduzir.

Começou logo a complicar: "mas essa gente não vê televisão? Onde é que eles enfiam a televisão? Num armário fechado?". Revirei os olhos e expliquei-lhe que poderíamos viver sem televisão e tal, que até era bom e ele lembrou-me as vezes em que precisamos de limpar a casa/trabalhar em silêncio/estar concentrados a fazer uma tarefa e que somos salvos pelo Disney Channel a hipnotizar entreter a miúda. Ok, concedo na televisão. "Mas olha lá: e os livros? Essa gente com cara de quem não come para não fazer migalhas não lê? Onde é que eles enfiam os livros?" Pronto, estragou tudo que se há coisa que eu levo a  sério são os meus ricos livrinhos e sim, tínhamos que comprar estantes q.b. que livros são mais de mil. "E se forrássemos os livros todos de brancos para ficar visualmente clean?"- atrevi-me, num delírio. Lançou-me um olhar gélido e disse-me que poderia deixar essa tarefa para a reforma, pois que era um excelente passatempo para esperar a morte.

A ver as casas de banho dos ambientes por mim seleccionados no pinterest dei por ele a rir às gargalhadas: "Tu estás a gozar comigo? Esta gente não tem papel higiénico à vista! Não têm caixote do lixo para meter papel nem piaçabas? Ou não limpam os rabos ou têm problemas de canalização e lá se vai o hygge deles cá com uma pinta..." Respirei fundo., Respirei muito fundo.

Fomos ao quarto da Ana e começámos a olhar com o filtro do hygge para aquilo. O hygge reforça a ideia de desapego e minimalismo e o quarto da Ana é um souk de Pinipons, Barbies, Nenucos e Legos. Um atentando a qualquer hygge que se preze, portanto. "Bem, poderíamos reduzir o número do brinquedos, não achas?" "Sim, sim. Tiras a TV da sala, gamas-lhe brinquedos e depois é melhor tapares as tomadas de casa e preparares-te para uma dolorosa e hygge conta de pedopsiquiatra, boa ideia, sim senhora". Estúpido, a boicotar o meu hygge!

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que se queixam do frio e as pessoas que se queixam das pessoas que se queixam do frio.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Eu sabia que, para além do fétiche das meias de berloquinhos, isto ainda haveria de me servir para alguma coisa

Ando a querer aprender a fazer aquelas coisas tipo caçadores de sonhos com aquela corda branca, tudo zen e trendy*.

Andei a pesquisar tutoriais no youtube, a procurar onde se fazem workshops e perguntar a conhecidos onde posso aprender.

Encontro um workshop jeitoso em Lisboa e partilho com ele que me vou inscrever.

Olha para mim com um ar super ofendido:

-"´Tás a gozar comigo?! Vais pagar para aprender a dar nós quando EU sou escuteiro?!"




[update: sussurraram-me aqui ao microfone de ouvido que se chama "macramé"]

Filha de psicólogos? Pois.

Resultado de imagem para rorschach soup
Imagem da campanha publicitária "Restaurant Freud"
  




Estava a passar a sopa com a varinha mágica e caguei  sujei os azulejos todos por detrás do fogão.

Mámen começou-se a rir do cagaço que apanhei e eu, para desviar a conversa, olhei para os azulejos  com um ar muito entendido e comecei a interpretá-los como quem olha para uma prancha de rorschach:

- Hum, parece mesmo folhagem da selva amazónica.

Mámen alinhou na palhaçada. Esfregou o nariz, mudou de voz e disse:

- Ah, eu vejo manchas de um felino.

Nisto entra a Ana na cozinha e olha muito séria para nós. Explicamos-lhe o jogo e perguntamos-lhe o que vê ela.

Resposta pronta:

- Porcaria.

...

...

...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Há algoritmos inteligentes. E depois há os meus...


[Vide post anterior.]

De noite todos os gatos são pardos. E de dia também, granda porra!

cat crazy wow kitten spinning


Disclaimer número 1- não sou uma animal lover. Não sou, pronto, já disse. Não que seja uma animal hater, credo, que horror! Mas não sou aquele tipo de pessoa que se derrete com bichinhos, que pára na rua para fazer festinhas a gatos vadios nem que têm um impulso imediato para resgatar todos os cães abandonados com que se cruza. Também gosto demasiado de chicha para um dia ponderar vir a ser vegetariana e nem me passa pela cabeça deixar de comer carne (Aliás, de cada vez que penso na alcatra dos Açores salivo. Pavlov explicará.) Em minha defesa, também vos afianço que não consigo fazer mal nem a um insecto. E se vir um animal em apuros sou incapaz de não o socorrer, que não sendo uma animal lover, sou sensível. E desde que pari que deixei de comer leitão à conta disto

Disclaimer número 2- Depois da minha cadela Laica ter morrido fiquei com dificuldade em afeiçoar-me a animais de estimação (a Psicologia também explicará.) E só cedi aos gatos porque a minha filha adoooora bichos e sei as vantagens de crianças e animais coabitarem.




Tenho azar com os bichos. Com gatos, mais propriamente. O Freud de Mámen morreu de velhice e deixou-o num pranto. A seguir tivemos a Tuvy que morreu de uma doença manhosa e eu jurei que nunca mais queria gatos.
A Mimi foi a minha primeira excepção. Maria Emília era uma gata distinta que o pessoal da empresa resgatou da rua e me empandeirou. Eu disse que não, que não era uma "animal lover" mas ninguém me ligou. Um dia, mámen e Ana foram buscar-me ao trabalho e a Ana apaixonou-se pela gata. Trouxemo-la para casa. Mimi tinha problemas: atirava-se contra os vidros das janelas, miava muito, esgravatava a porta e todas as janelas da casa. Queria, desesperadamente, sair. Ora eu não percebia aquela fixação da ingrata: tinha cama, comida (da húmida!) e roupa lavada lá em casa. A Ana adorava-a de paixão. Nas férias levavamo-la connosco e acompanhava-nos para todo o lado para onde íamos. Mas o que a gata mais queria na vida era bazar. A veterinária disse-nos que parecia que ela tinha uma psicopatologia qualquer (claro, com tantas gatas no Mundo a gata maluca tinha que me calhar a mim!) e aconselhou-nos a colocá-la num quintal com outros animais. Foi assim que tivemos que a colocar na casa de uma pessoa da família, onde vive feliz desde então e não nos liga peva quando estamos lá de visita. A Ana continua a ficar desgostosa com tanta ingratidão. E eu voltei à minha conviccão: acabaram-se os animais cá em casa.
Mas depois abandonaram o gato à minha porta. Literalmente. E a senhora da loja de animais estava a passar na rua nesse preciso momento e "Óóoo, fica lá com ele! Eu amadrinho-a! É tão bom para a Ana e mimimimi". Ficámos. Baptizámo-lo de Papo-Seco (baptizou a Ana, honra lhe seja feita).
Papo-Seco era um lord na minha casa. O gato mais lord que possam imaginar.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Aos 13 de Janeiro de 2017 por ocasião da comemoração do nosso 18º aniversário de namoro




18 anos.
Pode, finalmente, sair à rua em traje de festa.
Pode disfarçar os restos de acne que acusam a sua recente adolescência, colocar maquilhagem para parecer mais adulto e sorrir com o sorriso de sempre, feliz por existir. Por resistir.
Pode não se arrepender dos erros, pode lembrar-se de cada aprendizagem, pode colecionar memórias de dias solarengos e chuvosos, pode sentir nos ossos e nas rugas a passagem do tempo. E sentir-se confiante por tudo o que viveu e o que tem para viver,
Pode assinar os seus papéis, ser encarregado da própria educação, gerir a sua vida sozinho.
Pode beber para comemorar, ter porte de arma para matar intrusos, militar-se no partido do felizes para sempre.
Pode fazer uma tatuagem na pele com a certeza que nunca se vai arrepender, fazer um piercing só por rebeldia, sentir-se crescido, adulto e confiante.
Pode votar nas suas opções, conduzir em todos os seus caminhos, ser responsabilizado pelas suas decisões.
Pode, este amor, ser independente, decisor, livre.
Pode ser o amor de sempre. Desde o primeiro dia. Com todas as suas perfeições e imperfeições. Toda a vida vivida. Toda a essência que o fez chegar aqui.
Pode fazer tudo o que lhe der na real gana.

Amor Maior.
Pode ser, exactamente, como sempre foi.

[Parabéns a nós.]

domingo, 8 de janeiro de 2017

A CONHECER| Stone Óbidos Hostel


A Cristina lê este blog há imenso tempo mas há uma coisa, mais importante que isso, que me unirá à Cristina para sempre: no dia 9 de Agosto de 2012 ambos fomos, pela primeira vez, mães. A Ana e o Dinis nasceram exactamente no mesmo dia e isso cria aquela sensação de empatia para sempre.

Ora, a Cristina é uma mulher audaciosa e sem medo de arriscar e eu desejo- mesmo muito- que a sorte proteja os audazes.

E que bafeje a Cristina e o seu Stone Óbidos Hostel, um hostel muito querido às portas das muralhas de uma das vilas mais bonitas de Portugal.



Image may contain: indoor

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A propósito ou não dos festivais do chocolate, da vila natal e das feiras medievais , é indiferente, Óbidos é maravilhoso durante o ano inteiro.

Conheçam este projecto tão querido aqui.

sábado, 7 de janeiro de 2017

A ASSISTIR | Histórias de Papelão - Edição Super-Heróis

Fomos, em família, a uma das edições e ficámos fãs.
O cenário é simples e faz-se com meia dúzia de adereços de cartão que são o mote para o desenrolar da história, feita de improviso, numa maravilhosa estratégia de interação com o público pequenino.
A Ana gritou sugestões, foi ao palco, vibrou e bateu palmas razão pela qual não perderá esta edição que, puxando o tema dos super-heróis, promete valentes gargalhadas!

Encontramo-nos por lá?


´
Pôr à prova a imaginação dos mais pequenos numa peça de teatro de improviso

Quem? Peça de teatro "Histórias de Papelão"
Onde? Teatro Turim- Benfica
Quando? 6 a 29 de Janeiro aos sábados às 16h e aos domingos às 11h

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Uma quadripolarização especial



Esta é a minha melhor amiga.
Quando percebi que ela estava apaixonada por um muçulmano torci o nariz, desconfiei muito, e só não agoirei porque gosto tanto dela que não podia torcer para que desse errado uma coisa que ela queria tanto que desse tanto certo.
Não acolhi o novo membro do clã como ele merecia. Deixei o meu preconceito, os meus estereótipos, o meu etnocentrismo dominar-me durante muito tempo, mais do que o razoável, demais o suficiente para me envergonhar.
Foi um processo moroso o de dar hipótese à pessoa em detrimento da sua religião, dos seus costumes, dos seus hábitos.
Hoje gosto muito dele. Mais do que alguma vez imaginava. Senti-o verdadeiramente quando, passados muitos anos, no último Verão nos abraçámos na maternidade. Ela não viu o abraço. Mas foi um abraço muito bonito e sincero, muito sentido.
Partilhei com ele um dos dias mais bonitos das suas vidas. Talvez o mais bonito de todos. Estava lá, não só testemunha de uma sobrinha especial, como a participar naquela bênção.
A minha sobrinha é filha de uma judia e de um muçulmano como se fosse um prenúncio do entendimento israelo-árabe, mais do que tolerância: de celebração da diversidade.
Esta quadripolarização do Líbano aconchega-me mais do que todas as outras. É a quadripolarização de uma amizade sem fronteiras. Que derruba todos os preconceitos, estereótipos, intolerância e sentimentos que, hoje, muito me envergonham.
À sua maneira, é uma quadripolarização de amor.


 [Líbano quadripolarizado. Todos os países quadripolarizados aqui]

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

100 Quadripolares que vale a pena conhecer # Calinhas (33) - post póstumo



Conheço muitas pessoas fantásticas mas assim épicas só conhecia uma: Clara.
Clara era (muito) mais que a avó da minha melhor amiga. Filha de judeus, o pai engenheiro de minas de origem polaca perdeu-se de amores pela mãe e vieram formar família em Portugal onde Clara, filha única e amantíssima, aprendeu a tocar piano e a falar francês. E mais seis idiomas. E a exercer a sua capacidade de pensamento crítico, analítico e decisor ate ao ultimo dia de sua vida.
Clara chegou até a mim num encontro que só a generosidade da sua neta Catarina tornou possível. Clara não era Clara para nós: era Calinhas. Sem dona, senhora, doutora ou qualquer epíteto merecido e sempre insuficiente. Era Calinhas, petit nom de afecto e respeito, de jovialidade e proximidade como se não nos separassem exactamente 66 anos de vida.
Calinhas viveu tudo em 102 anos de vida e podia viver outros tantos que estaria pronta para tudo. Mas Calinhas também viveu mais do que o seu coração merecia e foi a morte prematura do filho que ditou o princípio do fim. Calinhas sobreviveu a duas grandes guerras, a perseguições aos judeus, aos novos cristãos, ao colonialismo, a uma nova vida na Guiné-Bissau, ao amor de uma vida com o homem da sua vida, a nascimentos de filhos, netos e bisnetos, à prisão do marido pela PIDE, a ser impedida de voltar a casa, à diáspora vivida por cada filho, a partidas e regressos, a verões ventosos na casa de São Martinho, a Invernos chuvosos na de Paço de Arcos, Calinhas era eterna e nós acreditávamos que imortal. Calinhas só nao sobreviveu à morte do filho e passou a viver mortiça e triste, prematuramente velha aos 100 anos, morta por dentro.
Calinhas foi a mulher mais excepcional que conheci.
Uma mulher progressista que me mostrou um livro autografado pelo seu amigo Pessoa. Uma mulher que aos 90 anos quis retirar sinais inesteticos do rosto porque a dignidade não envelhece. Uma mulher de extremo bom gosto e cultura. Uma mulher que adorava comida indiana e que não recusava experimentar qualquer alimento do Mundo. Uma mulher que dançou, aos 92 anos, no meu casamento. Uma mulher que, quando decidiu recrutar uma empregada, lembrou-se de que iria dar preferência a uma de nacionalidade russa porque tinha o seu russo muito "destreinado". Uma mulher que aos 100 anos fazia chamadas de Skype, enviava emails, comentava a actualidade, tinha conta de facebook, lia blogs.
Calinhas morreu. Não foi bem morrer: não quis viver mais. Porque "did it her way" até ao fim. Como só fazem as árvores que morrem de pé.
Lá dentro, do crematório, soava a música russa que ela escolhera. Cá fora, no céu do crematório desenhou-se um arco-íris. 
Clara- Calinhas para nós-  existirá para sempre naquelas sete cores. ♡

Eu avisei que em 2017 ia rebentar com o rácio de quadripolarizações por mês


"Quadripolarizámos o Japão!
Achei que o castelo Himeji, o "cisne branco", ficava bem na tua colecção. "

Beijo enorme com uma pontinha de inveja, querida Luisa.
Mil obrigadas com sabor a sushi!

 [Todos os países quadripolarizados aqui]

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Pai Natal kinky

O primo lá de casa prontificou-se.
Fizemos o plano: ele ausentar-se-ia, discretamente, por altura das sobremesas. O fato de Pai Natal estava no meu quarto para onde ele se escapuliria. Saia pela janela do meu quarto e aparecia a passear pelo quintal, fazendo algum ruído, até que a Ana o vislumbrasse e começasse a euforia.
Dir-lhe-ia um adeus, corria até à janela do quarto da Ana onde dava cabo do leite do copo e mordiscava a bolacha e roubava a cenoura e deixava lá toooodas os presentes que nós, convenientemente, levaríamos para a sala, onde a pequena os abriria.
Correu tudo como planeado, foi o êxtase e correu tudo perfeitamente.

Ontem ao jantarmos, nós os dois sozinhos e a fazermos o debriefing das festas:

Eu: "Epá, o Hugo foi brilhante!"

Mámen: "Por acaso, foi. Foi perfeito. Até do sino ele não se esqueceu..."

Eu: "Ele trazia sino? Eu estive a tirar o fato e as botas de Pai Natal do saco dele e não vi sino nenhum..."

Mámen: "Trazia, pois. Foi com o sino que a Ana deu sinal da presença dele..."

Eu: "Estranho... Onde é que ele desencantou o sino?"

(Mando um sms ao primo a perguntar onde é que o tipo foi desencantar o sino"

Resposta: "Ah, estava um no teu quarto..."


...

...

...



segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O Mundo divide-se entre...

... quem passa TODAS as refeições dos primeiros dias do ano novo a morfar os restos das Festas e os outros.


E a estrear o ano quadripolar


... Israel finalmente quadripolarizado pela querida Andreia!

<3


 [Todos os países quadripolarizados aqui]

A LER | "Às 9 no meu livro"





Chegou às minhas mãos, ainda em 2016,  o livro mais bonito do ano. Simples e despretensioso como é a vida mais que vista, vivida, pela minha querida amiga Sofia. É um livro de sol. Para dias de chuva. É um livro de arco-íris. Para dias de névoa. É um livro de chuva bonita a bater nas vidraças. Para dias em que a alma precisa de um aconchego de lareira de afectos. Mas é, sobretudo, um livro de fotossíntese . Para dias em que é preciso libertar o dioxido de carbono dos dias e inspirar ar puro. E depois? Florir.

Às 9 no meu livro. Marcador.

[ Quem não comprar é uma banana podre. ]

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Loucas são as noites que passo sem dormir

Duas noites seguidas. Duas insónias.
Um pensamento recorrente: que será feito da Pomba Gira?



(Freud explicará?)

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Finalmente o Mundo tridivide-se entre...

... Hillary Clinton, Donald Trump e... Pedro Dias.

O Mundo divide-se entre...

... a possível vitória de Hillary Clinton nas eleições de hoje e a possibilidade do Mundo deixar de se dividir no quer que seja.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Chamada quadripolar ao pessoal do Norte!



Depois do sucesso do ano passado com a Children Street Store que deu frutos tão bonitos que a parceria se estendeu para além do evento (sim, tenho um post em atraso desde Julho, mas prometo que o recupero tão breve quanto possível) o Bairro do Amor este ano arranca com "A Loja do Bairro do Amor."

E o que vem a ser isto, Pólo Norte?- perguntam-me vocês, com muita pertinência.

A Loja Do Bairro do Amor é um evento destinado a crianças provenientes de contextos desfavorecidos, residentes na região metropolitana do Porto, com idades compreendidas entre os 3 aos 18 anos de idade.

Porquê fazer compras ao invés de simplesmente encaminhar roupa doada para as instituições que acolhem estas crianças e jovens? Porque o processo de fazer compras implica liberdade de escolha, capacidade de selecção e de decisão, ao invés do habitual processo de recepção do que é doado, em que cada criança simplesmente recebe o que lhe é dado, numa lógica mais funcional do que de gosto pessoal, numa lógica de recepção sem critério e nunca de escolha. 

As crianças poderão percorrer a loja e experienciar a o processo de escolha de produtos, onde, mesmo sem troca de dinheiro, podem “comprar” roupa, brinquedos, calçado e material escolar ao seu gosto, bem como usufruírem do serviço de cabeleireiro, animação e lanche. 

Em 2015 participaram na nossa loja cerca de 120 crianças que se encontravam institucionalizadas. Toda a reportagem desse dia com imagens maravilhosas pode ser vista aqui.

E este ano, a loja acontecerá quando?

Assim, este ano, no dia 3 de dezembro apenas estarão presentes na Loja do Bairro do Amor os “clientes” e os voluntários lojistas do Bairro que se inscrevam para o efeito, de forma a preservar a privacidade dos que participam, não os expondo mas recebendo-os num ambiente contentor. 

Quem pode participar?

Todos podem participar, contribuindo para o stock da loja através de donativos de roupa, calçado, material escolar e brinquedos, entregando-os num dos pontos de recolha que disponibilizamos para o efeito e que se encontram indicados no evento. 

Onde posso entregar os meus donativos, Pólo Norte?

Nos variados pontos de recolha.A saber:

LAR NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO
Rua Santos Pousada, n.º 182 | 4000-478, Bonfim, Porto
De Segunda a Quinta feira, das 9:00h às 11 horas

CAFÉ INOVADOR
Travessa da Mouta n.º 150 | 4470-089 Maia
Das 7:00 às 22:00 horas, de Segunda-feira a Sábado.

CLÍNICA DR. FERNANDO PÓVOAS - PORTO
Av. Fernão Magalhães n.º 1585 | 4350-170 Porto
De segunda a sexta feira das 9:00 às 19:00 horas.

CLÍNICA DR. FERNANDO PÓVOAS - LISBOA
Estrada da Luz, 90 - 11ª - Sala E
1600-160 Lisboa
De segunda a sexta feiras, das 9:00 às 19 horas.

INDOOR KARTING CALDAS DA RAINHA |
CALDAS DA RAINHA
Rua João Reis, Zona Industrial
De Terça feira a Domingo, das 16:00h às 00:00horas

CINTA, LDA. - SINTRA
A/C: ROSA SANTOS
Terrugem
2705-869 Terrugem | Sintra
De segunda a sexta feira, das 8:30 às 17:30h.

Dúvidas, questões, ansiedades?

Contactem-nos para: porto@bairrodoamor.com

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Neste momento ele está dentro de um avião..

 
 
... e eu estou ansiosa como uma adolescente a esperá-lo.
Um companheiro de uma vida acaba por se tornar em família, quer queiremos quer não, como se a vida antes dele chegar fosse embrionária nestas coisas do amor passional, do amor da conchinha na cama, do amor do cafuné no sofá, do amor da canja levada à cama quando estamos doentes e do amor do ADN misturado num filho a dois.
Há muito tempo que não estávamos separados tantos dias seguidos e é bom perceber que somos independentes, que o curso do dia segue fluido independentemente da presença um do outro, que não precisamos funcionalmente um do outro e que é isso tudo que faz com que termos decidido ficar um com o outro, que faz sabermos que estarmos juntos é sempre melhor que estarmos sós, que termos decidido ser um plural sem precisarmos um do outro mas por gostarmos tanto um do outro, torna tudo mais mágico e especial.
Um companheiro de uma vida acaba por ser parte de nós, ter lugar nos espaços que percorremos todos os dias e ter timings certos nas horas dos nossos dias.
E o bom disto das saudades é que são provisórias e não tarda muito ele está aqui a contar-me como foram os seus dias, o que aprendeu, o que me quer ensinar e todas as histórias que viveu na ausência de nós enquanto plural que somos. E o bom disto das saudades é que a distância não muda nada e não tarda nada eu conto-lhe como foram os meus dias, o que vivi, o que memorizei para não me esquecer de lhe contar e todas as pequenas histórias que vivi na ausência de nós como plural que somos. E o bom disto das saudades é lembrarmo-nos, por força da separação dos dias, da bifurcação provisória dos caminhos, que somos seres individuais e que essa individualidade se mantém e se pode transportar até ao reencontro do plural que somos.
Neste momento ele está dentro do avião. "Coração ao ar!"- assim está o meu. O bandido conquistou-me para todo o sempre.
E, sim, o bom disto das saudades é que estão quase a terminar. Um companheiro de uma vida faz parte de nós mesmo quando não estamos nós. Sim, estamos. Porque nós, independentemente de onde cada um de nós estiver no tempo ou no espaço, somos sempre um nós.
Um plural mesmo bom.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Faz tudo parte do sistema respiratório, right?

Mámen trouxe-me uma caixa de gelado. Diz que faz bem à garganta.

 Estou mal  é dos brônquios mas quem sou eu para o contrariar...

Bronquite: definição

Bronquite-  nome feminino inflamação e/ou infeção da membrana mucosa da árvore brônquica

(quadripolarês)-  brônquios copulados, sensação de cuspir os pulmões, tosse de cão cheia de gosma, sintoma de quem se está quase a finar.
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