quinta-feira, 25 de abril de 2019

Sobre liberdade no dia de hoje e fugindo um bocadinho além das questões patrióticas




Quando o Papa Francisco esteve em Marrocos foi homenageado com um espetáculo em que um muçulmano canta uma oração em árabe, um judia em hebreu e uma cristã canta a Ave Maria de Caccini. Ao fim, a mistura das vozes numa sintonia perfeita, relembrando que a liberdade religiosa é possível. 

Nada me parece mais perfeito para relembrar no dia de hoje. 

Liberdade a correr fluída nas veias. Cravos vermelhos semeados no adn.



Nasci seis anos depois da revolução.

Sou uma filha tardia de Abril, nascida já num tempo em que a liberdade-mãe estava a amadurecer, não era jovem e inconsciente nem velha e a passar do prazo.

Herdámos a liberdade fresquinha e segura e demo-la como dado adquirido, privilégio garantido só pela sorte de termos nascido no ano em que nascemos. “Até para nascer é preciso ter sorte”- diria a minha avó que viveu mais anos em ditadura que em liberdade, quase todas os nossos avós viveram, assim, com mais grilhões do que cravos na lapela.

A minha mãe é a verdadeira filha de Abril: estava no liceu quando se deu a revolução, passou os meses seguintes a não saber gerir a liberdade, a soltura, fumar dentro das salas de aula, namorar, ser adolescente com o romper da liberdade.

Eu sou uma filha tardia, uma filha cheia de privilégios, de liberdade organizada, com mais meios e ferramentas, mimo e doçura do Mundo já mudado, mas também mais distante do princípio de tudo, das raízes, da agitação do estrear de uma identidade colectiva.

Não estive em lado nenhum no 25 de Abril mas sou a primeira geração a quem o 25 de Abril já vem inscrito no código genético. Não estive em lado nenhum no 25 de Abril mas pertenço à primeira geração em quem o 25 de Abril está desde sempre cravado na génese.

Liberdade a correr fluída nas veias. Cravos vermelhos semeados no adn.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Tenho muitas saudades do meu avô

A minha avó tinha tido um AVC e estávamos na sala de espera do hospital. 

A minha prima tinha 12 anos e tinha vindo directamente da escola para o hospital, trazendo o leitor de CDs e os respectivos phones,no tempo em que não havia cá modernices. 

Quando chegou pediu ao meu avô se lhe guardava o aparelho no bolso do casaco, ao que o meu avô assentiu. 

Entretanto, a miúda foi lanchar à cafetaria do hospital e o meu avô continuou na sala de espera, onde um senhor que nos observava há algum tempo tentou, finalmente, meter conversa referindo-se à minha avó: “Foi um AVC?!” 

O meu avô meteu a mão ao bolso e respondeu: “É, sim senhor, mas é da minha neta e não o posso emprestar”.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Anúncio do apocalipse

"Mãe quero falar-te sobre o meu aniversario."

" Xinapá, Ana, ainda falta muito : é só em Agosto. "

 “A pergunta é: Vais tu fazer o meu bolo de aniversário, não vais?

#fml

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Oh,o Pedro Lamares...


Pedro Lamares lê Sophia 

Foi hoje, no auditório do El Corte Inglês que pude confirmar a viva (e que viva!) voz e em carne, osso e potentíssimos olhos azuis e barba charmosa e tudo e tudo que este é, oficialmente,o homem mais tudo de Portugal. 

Caraças.

sábado, 13 de abril de 2019

Ana, a sismóloga

Entrei no quarto dela e estava um caos.

 Preparada para a repreender atiro: “Ana, que vem a ser isto?!” 

Apanhada, riposta: “Um simulacro?

terça-feira, 9 de abril de 2019

Quem define o que é preconceito terá que ser sempre o alvo deste

Começou no Carnaval: a mãe de uma pessoa para quem trabalho (gosto muito de ambas) queixava-se no facebook de que as pessoas estavam muito sensíveis a propósito dos comentários indignados e cheios de razão face a uma notícia de uma escola que tinha mascarado os seus alunos de negros, com peles pintadas, saias de palha e artefactos tribais. 

A senhora indignava-se e quando lhe expliquei sobre apropriação cultural recusou-se a aceitar os meus argumentos, contrapondo que agora se vê “racismo em tudo”. Falei-lhe de racismo flagrante e racismo subtil com toda a boa vontade. 

Continuava irredutível: que era uma forma de se mostrar a diversidade étnica e cultural, dizia a senhora e batia o pé. Contrapus para a realidade que eu e ela conhecemos: se numa escola decidissem mascarar os alunos de pessoas com deficiência, espetando-os em cadeiras de rodas ou dando-lhes canadianas, ela que é mãe de uma pessoa com deficiência, como se sentiria? Que era incomparável, que toda a vida nos mascarámos de chineses e indianos e qual era o mal. Eu continuava: porque não mascararem-se de pessoas com deficiência? Não era, pela mesma lógica, uma forma de sensibilização para a diversidade funcional? 

Às vezes as pessoas têm que se remeter à sua insignificância face a temas que não as melindram, sendo humildes o suficiente para respeitarem os assuntos que melindram outrem. Não interessa se a intenção é ou não racista (normalmente é, mesmo que velada e inconsciente, é muitas vezes racismo subtil e está tão enraizada que nem damos por ela...), a questão é que se ofende, se melindra, se tem impacto generalizado na população de negros: é racismo. Mesmo que não compreendamos. Não temos que compreender (quem não consegue compreender). Temos que ser humildes e aceitar. E pedir desculpas, retratando-nos. 

Isto a propósito do boneco negro que hoje jazia no iscte para gestão da raiva. “Ah, o boneco podia ser Branco”. Ah, mas não era. “Ah, mas é irrelevante, para o efeito, até podia ter sido um saco de boxe”. Mas não foi. “Ah, é apenas um ser inanimado de uma cor”. Pois mas a cor não é laranja ou roxo: representa uma figura humana negra. “Ah vocês vêem racismo em tudo!” Não está centrado no sujeito, isto do racismo, mas no objecto.

 Nós podemos vê-lo ou não, desde que eles o sintam: é racismo. 

Tal como seria discriminação se o boneco, de todos os bonecos que se pudessem ter escolhido para o efeito, estivesse sentado numa cadeira de rodas. 

Aceitem. 

Retratem-se.

Ser madrinha das marchas está sobrevalorizado



A Mercearia de Marvão lançou o concurso e fui eu a autora do nome destes bolinhos que lá se vendem.

Não têm um ar tão catita os meus bolinho-afilhados?

quarta-feira, 3 de abril de 2019

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