Há uma tradição na minha "família de acolhimento". A minha "família de acolhimento" foi aquela que me escolheu, aquela que permanece, aquela que soma elementos e que faz de mim tia, irmã, amiga do coração.
Mas, dizia eu, há uma tradição na minha "família de acolhimento" e que se proporcionou pelo facto de cada uma das três mosqueteiras morarem em três países distintos: sempre que nos encontramos tornamos real a máxima "o Natal é quando o homem quiser". Neste caso, quando três amigas-irmãs querem é sempre que conseguimos estar (fisicamente) juntas.
Calha que o "nosso Natal" acaba por acontecer, invariavelmente, em Agosto. Quem vir as janelas da casa onde se celebra o Natal pintalgadas de neve artificial, pinheiro montado e iluminado e prendas debaixo da árvore vai achar que está diante de três loucas. Sabemos disso e não queremos saber. É o "nosso" Natal.
Com a família a aumentar por todo o lado, este ano instituímos nova tradição: "o aniversário colectivo". Tendo dois dos sete elementos e meio já celebrado aniversário e na oportunidade de estarmos todas juntas no final deste mês, agendou-se o dia 31 de Março como o dia em que se fará a primeira "grande festa de anos de todos".
Começou por se encomendar o bolo à ex-colega de faculdade de todos: a Violet. Decididas as figuras e a decoração, foi a vez de escolher a massa e o recheio.
As opções de massa e recheio eram muitas: cenoura com avelã e nutella; cenoura com chocolate negro; chocolate (qualquer um) com morangos/frutos silvestres; limão com limão; limão com frutos silvestres; iogurte com doce de fruta; iogurte com chocolate; chocolate com limão; nata com qualquer recheio; laranja com chocolate; chocolate com ovos moles... Coube à Catarina- porque mora na Guiné e tem menos oportunidade de comer bolos mais elaborados- tomar a decisão.
E decidiu: bolo de iogurte com nutella e... passas. Torcemos o nariz, propusemos alternativas (um bolo bom para todos e um cupcake daquela mistela para a Catarina), fizemos cara de vómito mas a Catarina manteve-se firme: se queríamos a opinião dela, ela queria iogurte com nutella e passas. Preciosismos gastronómicos à parte, o argumento era irrefutável: "se o ser humano se ficasse pelo habitual e rotineiro não estaríamos onde estamos".
Bolo encomendado. Lição (re)aprendida. E mente aberta. Afinal, não somos nós que comemoramos o Natal em Agosto e que o ano passado, já com o perú assado no forno e à falta de vasos, montámos um pinheiro dentro de uma caixa de brinquedos da sobrinha mais velha?!
2 comentários:
E logo a seguir mudas a foto para um urso a vomitar. A tua subtileza e sentido de oportunidades continuam TOP!
Que tradição maravilhosa!
E quem sabe não vão ter uma fantástica surpresa com esse bolo?
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