sexta-feira, 12 de julho de 2019

Quais as vossaas melhores memórias de Verão de infância?



Acabava a escola e eu chegava a casa. A primeira coisa a fazer, nessa tarde do último dia de aulas, eram os trabalhos de casa. Todos. De enfiada. E eram muitos.
Quando não havia tempo útil para os terminar, completava a tarefa no dia seguinte. Era a minha forma de me ver livre das tarefas escolares até Setembro. A minha mãe educou-me para não gostar de tarefas chatas pendentes.
A seguir era a rainha do quintal.
Tínhamos um baloiço grande de jardim e eu sentava-me a ler nos finais da manhã, as gémeas no colégio de santa Clara e no das Quatro Torres eram minhas companheiras de aventura e cheguei a desejar ir viver num internato.
Depois a minha avó chamava-me para ir almoçar, não sem antes esperarmos pelo meu avô ao portão, para se juntar a nós. O meu avô cortava-me os bifes, esmagava-me as batas com o peixe e regava tudo com azeite e vinagre e não me ralhava quando eu fazia bolhinhas no sumo com a palhinha. A minha avó ria-se, mas era às escondidas.
À tarde ir brincar com a Cláudia e a Rita à cirumba, eu não era boa a correr, as botas com aparelhos estorvavam as asas da minha cabeça e agrilhoavam-me as pernas mas elas não se importavam. Muitas vezes jogávamos ao elástico ou ao sete com uma bola de ténis contra uma parede. Às vezes a avó Maria, a avó da Cláudia, chamava-nos para lanchar pão com o melhor doce de tomate de que tenho memória. Outras voltávamos a perder-nos no quintal, a fingir quer fazíamos bolinhos, com farinha e água da mangueira e ríamos muito. Vivíamos no tempo em que havia estações do ano e o Verão era mesmo Verão.
Às vezes, aos fins-de-semana íamos à praia da Conceição e andava de gaivota com as minhas primas que, Agosto após Agosto, vinham de avião visitar-nos.
À noite, pelo menos uma vez em cada Verão, ia nas cavalitas do meu pai até à Feira de Artesanato do Estoril e a minha mãe pedia sempre a uma fotógrafa que lá andava para me tirar uma fotografia que depois imprimia a preto e branco e que registava a minha evolução, Verão após Verão.
Os Verões felizes da nossa meninice servem para plantar memórias e sementes boas que nos preparam para os outonos e invernos da idade adulta e não só nos ajudam a estruturar: constroem-nos cheios de flores e de sol.

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