Dei por mim a estabelecer como regra no instagram exactamente a mesma que firmei para as questões da minha amizade: nem muitos, nem poucos: os suficientes.
Estabeleci um número que nunca ultrapasso de páginas a seguir: 500. Na amizade menos, infinitamente menos, sem número preciso mas talvez use como medida os dedos exactos da minha mão.
As pessoas que sigo, como os amigos que guardo, merecem a minha atenção e tempo. Ora, toda a gente sabe que o tempo varia na proporção inversa da idade das pessoas porque é a mesma medida: quanto mais tempo se acumula nos ossos menos tempo externo se tem. Com a atenção varia na mesma proporção: quanto mais idade mais necessidade tem de se olhar a fundo, de não se dispersar, de perceber cada detalhe na pétala de um girassol, cada tonalidade de amarelo ao invés de um simples click num campo de girassóis para mostrarmos que “i’ve been there”. Estar é cada vez mais uma coisa demorada e lenta.
Daí que desde que tenho instagram já tenha seguido e deixado de seguir dezenas de contas. Também tem que ver com fases da minha vida e necessidade de me inspirar: já deixei de seguir páginas de decoração nórdica, de maternidade perfeita, de minimalismo e organização pessoal. Não tem que ver com ter deixado de gostar ou não gostar das pessoas que as têm mas dos interesses que me despertam quem são, o que fazem e, especialmente, do que pensam e da forma como o transmitem. Inspiram-me cada vez mais pessoas serenas e que estão num processo contínuo de compreensão da vida, da arte, da música ou da poesia. Que serão talvez tudo a mesmíssima coisa.
Às vezes procuro semelhanças: coloco um hashtag com um assunto ou pessoa que me interesse e começo a seguir quem fala sobre esse tema, na expectativa de encontrar mais pontas soltas que nos unam, de aprender coisas novas da vida. Percebo e não levo a peito quem deixa de seguir a minha pagina e no fundo só desejo mesmo que 500 pessoas me sigam com o mesmo tempo e atenção com que sigo as minhas 500. Pontas soltas ao quadrado.
Na vida como no instagram é preciso tempo e atenção para encontrar almas que se interessem pela vida da mesma forma que nós.
Aos quase quarenta, na vida já não dá para ver bonecos.
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