O final de 2019 foi uma espécie de auto-redenção.
Decidi deixar de procrastinar e tomar a rédea de muitas coisas pendentes e para as quais me faltava energia, motivação ou fé de que conseguiria fazer, avançar ou mesmo alcançar.
Depois voltei a ficar doente e tinha tudo para me auto-boicotar e - oh senhores!- se eu sou especialista no auto-boicote.
Mas bastou mexer uma peça para tudo se desalinhar e eu ter-me visto na obrigação de agir. Tipo dominó. Mesmo.
Foi o novo trabalho, que trouxe uma nova rotina, uma nova colega (gosto tanto dela), novos assuntos, novas aprendizagens. E, de repente, um novo eu se debruçou perante mim mesma. E vieram coisas a seguir.
Num instante (relativo) resolvi de forma assertiva o problema de saúde, sem hesitações nem pudores. Decidi que não queria gastar energia com relações difíceis e deixei gente para trás sem arrependimento nem temores mas também sem zanga nem raiva ou rancor. E decidi que ia recuperar a única amizade antiga cuja perda me feria estruturalmente e estamos num processo apaziguador e quentinho de reaproximação. Decidi que escrever me fazia mesmo falta e ressuscitar o blog, sem pressões nem auto-cobranças, com a liberdade que tanto me dá prazer. E comprar um sofá grande, enorme, onde possamos ver televisão os três aninhados e enrolados uns nos outros e jogar jogos de tabuleiro lá em cima sentados à chinês e tudo o que nos apetecer. E escolhi a forma como quero entrar nos meus 40 anos.
Falta agarrar em um ou dos temas pelos cornos, mas sinto que estou a caminho.
E agora voltei a ser loira que é como me sinto mais eu e, sendo a questão mais frívola de todas, talvez represente tudo aquilo que vos quero dizer. Fez-se assim uma espécie de luz: dentro e fora da cabeça.
Em mim.
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