quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Ten years challenge

 


Há dez anos tinha sabido há dois dias que estava grávida. Estava em Nova Iorque, a comemorar 13 anos de namoro no dia 13, porque casar os anos de namoro equivale a bodas de algodão doce.
Há dez anos conheci a Eileen e o Florin, e não imaginava que ia ganhar uma amiga irmã para a vida. Percorremos a quinta avenida a cantar a concrete jungle, fizemos a rota do sexo e a cidade com cosmopolitans e tudo a que tínhamos direito e tive um jantar romântico num rooftop com a cidade que não dorme inteiramente aos nossos pés. Nevava e era mágico.
Há dez anos era eu e a minha circunstância, tudo girava em torno de mim, egocêntrica e auto-centrada, a tentar encontrar quem eu era, como funcionava o Mundo e deslumbrada com a vida, a liberdade, os trinta acabados de completar.
Hoje sou eu, aos quarenta anos, na minha sala, num subúrbio de Cascais, depois de jantar bochechas de porco cozinhadas muito lentamente em vinho tinto, aquecimento ligado, gata a fazer tropelias, a minha mãe a fotografar o melhor ângulo da neta, a Ana a brincar com pedaços de madeira presos em fitas de cetim, a Ana a beber o seu "café", depois de ter dormido com tranças porque sonha ter o cabelo aos caracóis.
Talvez isto seja uma espécie de ten years challenge mas hoje, aqui, sou mais feliz que em Nova Iorque há dez anos, especialmente porque cada vez mais é tudo menos sobre mim e mais sobre o Mundo, a incrível normalidade da vida, enfim. O amor em mim

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