segunda-feira, 9 de maio de 2022

Poema da auto-comiseração

 

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
Será rinite? Será covid?
Covid não é, certamente
e a rinite não bate assim...
É talvez a PDI;
mas há pouco, há poucochinho,
fui fazer um belo xixi
a ver era infecção urinária no pipi
mas nenhum resíduo no caminho...
Quem bate, assim, fortemente,
com tão estranha espirralhada,
que mal se respira, mal se aguente?
Não é rinite, nem é covid,
nem é gripe, que maçada.
Fui ver. A pinga no nariz caía
dos confins do meu nariz,
branca e leve, a ranhoca fria...
Há quanto tempo a não via!
E tanta gosma, que infeliz!
Olho-me através do espelho.
A cara num belo degredo.
Olhos em tom de vermelho,
os pulmões num monelho
que horror, que tristeza, que medo...
Fico olhando estes sinais
desta gosmice que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
de nova mazela com pés de dança...
Que quem já é quinada
sofra tormentos... enfim!
Mas , Senhor, estou derreada
porque me dais tanta gosmada
Porque espirro tanto assim?!
E uma infinita dor de cabeça,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Odeio pólens e a natureza...
– do fundo do meu coração.

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