quinta-feira, 21 de março de 2019
sábado, 2 de março de 2019
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
Ana, a mercenária
Estamos a caminho da consulta com o pediatra e reparo que carrega a pasta com as receitas do bolo de cenoura que anda a vender:
“Que é que foi? Pensavas que o Dr. Mário ia escapar-se a comprar-me uma?!”
...
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
Ana, a valente
A Ana veio trabalhar comigo no sábado. Estava chocha desde a véspera e quando lhe toquei ardia em febre. A tosse tinha dado lugar à febre e eu tinha a certeza que vinha aí a terceira amigdalite do último ano e arranquei para o hospital.
Falo sempre com ela de igual para igual “Ana: és capaz de ter uma amigdalite e os bichos que moram na tua garganta têm que morrer de vez. “ Ela começou a chorar baixinho e a murmurar que não queria outra injecção de penincilina.
Eu abracei-a e olhei-a nos olhos: ”se se confirmar a amigdalite e havendo a alternativa do antibiótico durante uma semana e no pressuposto que ficas boa de uma maneira ou de outra, tu podes decidir, Ana”
Que decidirias tu, mãe?
“A injeccao porque nunca tive medo de agulhas e porque sempre tive pressa de deixar de estar doente. Mas tu é que sabes de ti, Ana. Tu é que decides, mesmo. “
E quando entrámos nas urgências o médico simpático fez uma zaragatoa e confirmou a amigdalite.
“Agora vem a pergunta chata, mãe...” e eu pedi-lhe que perguntasse à Ana e ele olhou-me com desdém “por amor de Deus, mãe, a criança ainda não tem maturidade para decidir” e a Ana interrompeu-o e disse “a injeccao de penincilina!”
E ele ficou com os olhos muito grandes de espanto e admiração. “Tem que ser para passar rápido! Dói muito mas é o melhor” e a enfermeira disse que nunca tinha visto nada assim, e o médico colou-lhe um autocolante na camisola e deu-lhe uma luva cheia a imitar um balão em forma de pica-pau e eu dei-lhe a mão enquanto ela chorava com a agulha a entrar-lhe na pele e no fim ela aterrou no meu colo quieta e cansada e deu-me um dos momentos mais orgulhosos da minha existência como mãe.
Isto de ser mãe também dói muito e muitas vezes mas é sempre o melhor.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019
Desistir nem sempre é fracassar
A Ana falava das suas aulas de música no conservatório. Estava entusiasmada a falar desta nova linguagem que eu não domino: breve, semibreve, mínima, colcheia. Eu sorria, enternecida, quando a minha amiga que partilhava a conversa connosco acrescentou “Oh, Ana, tu começas tão entusiasmada nas actividades. Vê lá se desta vez não desistes!”
E eu fiquei ali a pensar nessa conversa de toda uma vida que insiste, persiste e não desiste e esse filho da puta de otimismo tóxico que me enoja horrores de tu vais conseguir, só energia positiva e de insiste, persiste e não desiste. Eu não quero que a minha filha se sinta obrigada a não desistir.
Se o desporto a faz sentir frustrada, não lhe dá prazer, lhe baixa a auto-estima ela pode e deve desistir. E procurar outro onde se sinta confortável e feliz. Ou parar e não procurar nada.
Se escolher uma área académica no décimo ano que perceba que não é afinal a praia dela, em que tenha que aprender disciplinas que não lhe digam nada, que a orientem para um caminho que não é o que ela espera, que desista. Que volte atrás e recomece. Ou só que páre.
Se um dia tiver um trabalho em que se sinta miserável, em que não lhe apeteça levantar-se de manhã para ir trabalhar, então, que se foda e desista.
Se um dia tiver um namorado ou um marido que não a trate condignamente, que não preste, então que ganhe coragem e desista.
Desistir não é covardia. Desistir não é falhar. Desistir é decidir.
Decidir que chega, que não se quer, que se quer melhor ou apenas diferente. Decidir que se quer mudar.
Decidir o curso da nossa vida.
Portanto se a Ana achar que as breves e semicolcheias não lhe dizem nada e que não respondem à sua curiosidade e à necessidade de conhecer e compreender o Mundo, então que desista. E recomece. Ou só pare. Pare apenas. Todas as vezes que for preciso.
O encanto da vida passa por começar, experimentar, desistir, recomeçar, continuar. Parar.
E decidir sempre com a alma e o coração. Com coragem e bravura. Mesmo que seja decidir que desiste.
Que desista, pois então.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019
No fim morremos todos
38 anos e sete meses menos dois dias.
Já penso na minha própria morte (durante mais de duas décadas não pensei nela), na minha mortalidade e finitude.
O futuro está sempre na sombra e no encalço do presente. Li um dia que somos velhos quando temos mais memórias que sonhos, mais recordações do que projectos e planos, mais lá atrás, caminhos e estradas velhos conhecidos que atalhos desconhecidos por explorar. Estou cheia de sonhos simples e concretizáveis e guardo com alfazema num canto do meu coração todas as memórias de afectos e amor. Tudo o resto não tem espaço em mim, nem o rancor nem o ódio, nem coisas tóxicas nem nada que não me tenha acrescentado. O meu coração tem apenas memória RAM para o passado bom e o futuro de paz e leveza, que é isso que espero enquanto for envelhecendo. Dizem aos mortos "que a terra te seja leve" mas eu acho que deviam dizer aos vivos que o ar lhes seja leve para que o pensamento, os sonhos e os planos voem livres como o vento. Um céu leve.
Deixei de saber só o que não quero e passei a ter uma clara noção do que quero. Quero a saúde minha e dos que amo, quero quem me quer bem por perto, a intimidade reservada para as gargalhadas de quem me ama na mesma proporção do que eu os amo. Quero reciprocidade e merecimento. Quero relações fáceis e simples, sem cobranças nem julgamentos,sem truques na manga nem agendas secretas,sem cerimônias nem formalidades.Quero ser eu,sem pensar no que dizem os outros. E quero só quem me quer assim, quem goste de mim como sou e não me queira, projecte ou fantasie diferente ou à sua medida. O meu molde é torto, único e nunca me conseguirei encaixar.
Quero sentar-me com as pernas à chinês no passeio se estiver cansada, não me importar com maneiras socialmente impostas, dizer vernáculos e rir alto, usar decotes e não fazer fretes e quando me disserem que já não tenho idade para isto, poder fazer um pirete e cagar-me para o facto da idade não me perdoar.
A vida não é um juiz do certo ou do errado, não traz reguada incorporada e no fim morremos todos. Quero fazer o que sempre fiz: o que me dá na real gana, o que me faz sentir-me fiel aos meus valores e leal às minhas crenças.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
A minha vontade sempre que alguém me pede uma bio
Liliana: ursa, palhaça, blogostar do borboto, influencer da Bobadela, unicórnia wanna be e artista da cassete pirata
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 28 de janeiro de 2019
sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
O amor que fica
No outro dia, a propósito dos 20 anos de namoro com o Rui, perguntaram-me se eu acreditava em almas gêmeas.
Não acredito.
Amei 3 homens na vida: um demasiado platonicamente, um demasiado carnalmente e fiquei com o que amei na medida certa e no equilíbrio entre as duas margens.
Poderia ter tido uma relação duradoura e feliz com qualquer um dos outros 2 com quem não fiquei, tivessem as circunstâncias e os tempos sido diferentes, e eu ter sido diferente nesses tempos.
Não se esquecem os grandes amores: arrumam-se nas gavetas recônditas do coração, mete-se cheirinho de alfazema para prevenir maus cheiros e bolor, dobra-se bem dobrado e, em alguns casos, fez-se como com as toalhas de linho e embrulham-se em turcos antes de arrumar, para garantir que ficam acondicionados e preservados. Que não se estragam. Mesmo que saibamos que não os voltaremos a usar.
Antes achava que não: que os amores passados eram roupa usada, velha, descartável. Mas depois o tempo passou e eu passei pelo tempo e vislumbrei claramente quem eram os amores da minha vida e o quanto lhes quereria bem para sempre, mesmo que já não os tivesse a eles nem eles a mim.
O amor é uma sorte bestial para a qual não basta encontrar a pessoa certa: é preciso haver o timing das vidas, as circunstâncias do destino e a predisposição certa, porque o amor dá um trabalho danado! MEC escreveu “o amor é uma coisa, a vida é outra porque a vida dura a vida inteira, o amor não” e eu não acredito nisso nem nas almas gêmeas mas acredito que o amor pode durar uma vida inteira, mesmo que não resulte em relações ou em romance.
O respeito pela pessoa que se amou, o carinho e o bem querer mesmo à distância, os sorrisos que involuntariamente esboçamos quando nos vêm memórias à cabeça e o bem que nos fez aquele amor cá dentro, no motor do coração, são sinais inequívocos que o amor não se esgota quando encontramos o nosso final feliz.
Amei 3 homens na vida: um eu deixei, o outro deixou-me e fiquei com o terceiro. A vida corre: feliz. O amor a geminar não derruba o amor que já murchou e voltou à terra, fertilizando-a para alimentar melhor o amor que floresce.
Não há almas gêmeas.
Todo o amor fica mesmo que fiquemos num só amor.
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