"Eu quero muito crescer para depois mandar em mim e já ninguém me obrigar a usar chapéu."
*Suspiro*
terça-feira, 17 de outubro de 2017
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
Uma 'ssoa escreve um post de japoneses...
... e logo um leitor deste blog consegue provar que as coisas podem sempre piorar:
[Obrigada, Marco, sim?]
[Obrigada, Marco, sim?]
Ana, a colocadora de dedos nas feridas
Ana: "Mãe, o que quer dizer "maluquinha de Arroios?"
Eu: "Quer dizer que a pessoa é doidinha de todo, muito maluca mesmo."
Ana: "Ah. Onde é que é Arroios, mamã?"
Eu (engolindo em seco): "É o bairro de Lisboa onde a mãe nasceu!"
Ana (com ar esclarecido): "Ahhhhhhh!"
...
...
...
Eu: "Quer dizer que a pessoa é doidinha de todo, muito maluca mesmo."
Ana: "Ah. Onde é que é Arroios, mamã?"
Eu (engolindo em seco): "É o bairro de Lisboa onde a mãe nasceu!"
Ana (com ar esclarecido): "Ahhhhhhh!"
...
...
...
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Mas no dia seguinte ao meu 37º aniversário escrevi assim..
Já penso na minha própria morte (durante mais de duas décadas não pensei nela), na minha mortalidade e finitude.
O futuro está sempre na sombra e no encalço do presente. Li um dia que somos velhos quando temos mais memórias que sonhos, mais recordações do que projectos e planos, mais lá atrás, caminhos e estradas velhos conhecidos que atalhos desconhecidos por explorar. Estou cheia de sonhos simples e concretizáveis e guardo com alfazema num canto do meu coração todas as memórias de afectos e amor. Tudo o resto não tem espaço em mim, nem o rancor nem o ódio, nem coisas tóxicas nem nada que não me tenha acrescentado. O meu coração tem apenas memória RAM para o passado bom e o futuro de paz e leveza, que é isso que espero enquanto for envelhecendo. Dizem aos mortos "que a terra te seja leve" mas eu acho que deviam dizer aos vivos que o ar lhes seja leve para que o pensamento, os sonhos e os planos voem livres como o vento. Um céu leve.
Deixei de saber só o que não quero e passei a ter uma clara e nítida noção do que quero. Quero a saúde minha e dos que amo, quero quem me quer bem por perto, a intimidade reservada para as gargalhadas de quem me ama na mesma proporção do que eu os amo. Quero reciprocidade e merecimento. Quero relações fáceis e simples, sem cobranças nem julgamentos, sem truques na manga nem agendas secretas, sem cerimônias nem formalidades. Quero ser eu, sem pensar no que dizem os outros. E quero só quem me quer assim, quem goste de mim como sou e não me queira, projecte ou fantasie diferente ou à sua medida. O meu molde é torto e único e nunca me conseguirei encaixar.
Quero sentar-me com as pernas à chinês no passeio se estiver cansada, não me importar com maneiras socialmente impostas, dizer vernáculos e rir alto, usar decotes e não fazer fretes e quando me disserem que já não tenho idade para isto, poder fazer um pirete e cagar-me para o facto da idade não me perdoar.
A vida não é um juiz do certo ou do errado, não traz reguada incorporada e no fim morremos todos. Quero fazer o que sempre fiz: o que me dá na real telha, o que me faz sentir-me fiel aos meus valores e leal às minhas crenças.
Quero morrer livre. Sempre livre.]
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
Entretanto fiz 37 anos
E não gosto grande coisa disto dos 30, se vos disserem que, sim senhora, a maturidade e o auto-conhecimento e que nos sentimos mais seguras e confiantes pois que pr'ó caralhinho.
Tenho saudades- muitas!- da frescura dos vinte, da impulsividade e de me borrifar para as consequências, de não ter medo de arriscar e avançar, de não ter a sombra do dever e da obrigação de ter juizinho que tenho filhos para criar- não gosto de ter juizinho nem de ser crescida nem de ser adulta nem do papel social da mãe de família.
Já vi(vi) demasiadas coisas na vida, já conheço de cor alguns guiões e como acabam uma data de histórias, sinto enfado mais vezes do que gostaria e só não reviro mais vezes os olhos porque já não sou adolescente e tenho auto-percepção e auto-consciência e um super ego de 37 anos que me manda sorrir e acenar, desligar o cérebro enquanto os outros beca beca e blá blá. Às vezes pareço exausta e cansada e distraída e esquecida mas, na maioria das vezes, desligo porque estou fartinha de clichés em geral e de muitas pessoas em particular. Já consigo adivinhar o perfil das pessoas com que me cruzo, compará-las a outras, saber o que vem a seguir. Poucas coisas me surpreendem, até a mim própria já conheço de cor e salteado e há dias em que mal me aturo e não me consigo desatarrachar.
A vida é muitas vezes a mesma coisa e uma pessoa habitua-se mas fica sempre na expectativa de que um dia se surpreenderá mas já ninguém se casa com 37 anos, já não há bodas nem copos d'água, o romantismo está pela hora da morte, as crianças não se batizam, os festivais de Verão afiguram-se a muitas máquina de roupa a lavar peças com pó e a conta da electricidade a bombar, praia só nas horas kids friendly, saídas nocturnas ahahahahah e bom bom, mas mesmo bom, é dormir a sesta a seguir às refeições e comer uma refeição quente seguida sem interrupções, sem ajeitar ganchos, sem "come de boca fechada", "vá, a fruta tem mesmo que ser!" e tudo e tudo.
Estou uma beca esmagada com tantos estímulos visuais e sonoros, e redes sociais por todo o lado e gente a tentar comunicar ao telefone, ao telemóvel, ao whatsapp, por email, sms, mensagens de facebook e directs no instagram e eu bloqueio e não respondo a ninguém, não porque seja antipática- que sou muitas vezes- nem snob nem com a mania mas apenas desorganizada e bloqueada com tantos estímulos vindos de tantos canais e tendo como único alvo receptora eu.
E chamam-me cidadã, filha, mulher, mãe, doutora, psicóloga, contribuinte, eleitora, utente, participante, cliente, artista da cassete pirata e tenho bué saudades de ser só a Liliana e de poder escrever poesia sem me sentir tontinha e pueril e poder dizer bué em voz alta sem parecer ridícula como os trintões da idade da minha mãe que insistiam em dizer muita nice, és um borrachinho e vais à boite.
Não me apetece ir para o Lux de saltos altos e sair à noite com frio é um convite infame- ai que quentinha e feliz que estou no recato do lar, pés confortáveis em meias de lã no Inverno, amigos em casa e conversas noite dentro ao invés de discotecas ruidosas e roles plays de diversão porque é suposto, porque tem que ser, porque é sábado à noite- mas que alegre e eufórica que eu era quando sair à noite com os dedos dos pés num farrapo e música em decibéis ofensivos me parecia o melhor programa de sempre.
E chamam-me cidadã, filha, mulher, mãe, doutora, psicóloga, contribuinte, eleitora, utente, participante, cliente, artista da cassete pirata e tenho bué saudades de ser só a Liliana e de poder escrever poesia sem me sentir tontinha e pueril e poder dizer bué em voz alta sem parecer ridícula como os trintões da idade da minha mãe que insistiam em dizer muita nice, és um borrachinho e vais à boite.
Não me apetece ir para o Lux de saltos altos e sair à noite com frio é um convite infame- ai que quentinha e feliz que estou no recato do lar, pés confortáveis em meias de lã no Inverno, amigos em casa e conversas noite dentro ao invés de discotecas ruidosas e roles plays de diversão porque é suposto, porque tem que ser, porque é sábado à noite- mas que alegre e eufórica que eu era quando sair à noite com os dedos dos pés num farrapo e música em decibéis ofensivos me parecia o melhor programa de sempre.
Não me apetecem novos amigos nem relações em que tenha que me esforçar, para me esforçar e forçar já basta a vida, anseio por coisas básicas, pessoas básicas, diálogos básicos, piadas básicas, já percebo as donas-de-casa de meia idade que curtem o Goucha, os cotas que arranjam miúdas com metade da idade deles e os velhos que jogam dominó e curtem anedotas à Malucos do Riso que para pesada já é a vida, as pessoas a morrerem, a minha mãe que não deixa de fumar, a miúda que anda chateada com o regresso às aulas, a quantidade de trabalho que não vê despacho, o corpo que já não funciona como nos tempos áureos e as estrias na barriga.
Entretanto fiz 37 anos e os 30 não são os novos 20: são os novos 60.
[Sim, sou capaz de estar cansada. Ou de estar mesmo a precisar de enfardar sushi]
sábado, 2 de setembro de 2017
Ana, a filósofa
Ana a fazer ginástica em cima da prancha de bodyboard no chão da sala.
- "Que estás a fazer, Ana?"
- "Reflexões..."
[No instagram do blog podem ver a cena in loco]
- "Que estás a fazer, Ana?"
- "Reflexões..."
[No instagram do blog podem ver a cena in loco]
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
Aos 9 de Agosto de 2017, à Ana por ocasião do seu 5º aniversário
No dia em que fizeste 5 anos não consegui tirar os olhos de cima de ti.
Antecipo-te cada gesto, cada mordiscar de lábio quando estas nervosa, cada arregalar de olho quando estas excitada, cada gargalhada quando estás pronta a fazer um disparate.Ando neste namoro há cinco anos, de te (re)conhecer, de aprender quem és e como devemos gerir a nossa relação e o nosso afecto, de como te educar e amar, de como viver contigo aqui.
Nem sempre tem sido fácil, não te minto. As maiores dificuldades tem sido gerir as minhas expectativas e projeções, fazer o luto da filha que idealizei e passar a amar a filha que tu és e eu gosto tanto de ti assim tão diferente de tudo o que eu estava habituada a lidar. Não és uma Mini me e hoje sei que ainda bem. Não és uma extensão de mim nem sequer temos traços de personalidade semelhantes. Somos diferentes e complementares e todos os dias aprendemos a vida uma com a outra. E ainda bem.
Aprendi a observar a tua segurança de seres quem és e a incentivar a exploração de todas as tuas características tão únicas e a não cederes só porque os outros constroem, projetam ou esperam de ti. Ninguém tem que esperar. Porque tu és nova, fresca e única.
Não és extrovertida como eu, nem sociável nem eufórica. Não és tímida como o teu pai, nem loba solitária nem introvertida.
Seleccionas bem tudo: a quem entregas o teu afecto, a quem dedicas a tua atenção, as piadas que merecem a tua gargalhada. Não és agradadora nem fazes nada para alimentar o ego dos adultos em teu redor. Estás demasiado ocupada a seres tu.
Aprender-te tem sido melhor desafio da minha vida e fico assim-como nesta foto-como neste dia- espantada e deslumbrada por tudo o que de novo me apresentas com cinco anos: essa segurança, essa confiança, essa certeza de não te quereres dobrar pelos outros quando os outros não te importam, essa firmeza de seres quem és e de esperares- com toda a naturalidade do Mundo- que nem questionemos ou aceitemos mas que simplesmente te amemos assim. E amamos. Tal e qual assim.
Com este deslumbramento no olhar. Há 5 anos que somos mais felizes por tua causa. Não por causa da filha que projetámos ou construímos mentalmente. Mas por causa de ti. Real. Assim.
sábado, 15 de julho de 2017
Olh'á Croácia fresquinha!
"Aqui vai a Croácia quadripolarizada.
Mais concretamente, as cascatas do parque natural de plitvice.
Beijinhos "
Filipa Guimarães
Obrigada, Filipa! Adorei!
sexta-feira, 14 de julho de 2017
Ana, a bacon lover
Ana a trautear a música do AGIR:
- "Ela é linda sem bacon, yeahhh!"
...
...
...
Labels:
Mãegyver
quinta-feira, 13 de julho de 2017
Ana, a anatómica
Ana está com uma entorse. O médico mandou-a repousar o pé e ir colocando gelo.
"Mãããããe, podes-me trazer outra bolsinha azul gelada para eu pôr na maminha* do pé?"
...
...
...
(*peito do pé)
"Mãããããe, podes-me trazer outra bolsinha azul gelada para eu pôr na maminha* do pé?"
...
...
...
(*peito do pé)
Subscrever:
Mensagens (Atom)

