O dia em que a Catarina completou trinta anos foi um marco na história das nossas vidas. Vinda da Guiné para celebrar em Portugal a passagem da década, raptou os amigos do coração e decidimos-nos refugiar numa comemoração íntima em S. Martinho do Porto. Estávamos com o coração (quase) cheio como estamos sempre que estamos juntos.
O "quase" foi abolido com a chegada surpresa da Xana que, vinda em segredo do Luxemburgo, se juntou à mesa entre guinchinhos de surpresa, gargalhadas de alegria e abraços de cumplicidade. A Xana não vinha sozinha e trazia a mini-Catarina dentro de si, dando-nos a notícia da nossa "tiedade" num dos momentos que é, até à data, um dos mais cinematográficos das nossas existências.
Nesse dia trocámos alianças de prata as três para que cada vez que olhássemos para os nossos dedos nos lembrássemos que, tal como naquele dia, o longe depressa se faz perto e Bissau, Lisboa e Luxemburgo têm fronteiras muito, muito ténues e fáceis de transpôr. "A amizade também merece alianças"- disse eu naquele dia com muita convicção.
Distraída como sou não sei onde guardei a porra da aliança de prata. Tenho-a procurado entre caixas e caixinhas e gavetas: nada! Cada vez que me lembrava do assunto começava a revirar a casa que nem louca para nada.
As férias este ano estavam a ser pensadas e a Turquia era o destino. Mas, a Catarininha comemora um ano precisamente nessa altura e... não preciso de encontrar a porra da aliança de prata para nada! As alianças estão dentro de nós.