terça-feira, 10 de julho de 2012

O pânico da escritora grávida: a folha do álbum em branco (depois da versão censurada não sei mesmo o que escreva)


Para a maternidade quero:


- anestesia geral para estar inconsciente
- que ninguém me deseje uma "hora pequenina" porque a cesariana está marcada e a duração é a mesma para todas as cesarianas
- que quando acordar estejas mega saudável, operacional, lavadinha, limpinha, pouco vermelha e enrugada e que te pareças o menos possível com o joelho de uma velha gorda pintada por Rubens
- que sejas parecida comigo mas com os olhos, as pestanas e a pele do teu pai
- que não sejas muito chorona porque, depois desta gravidez, eu não mereço
- que ninguém me minta e diga que és linda. Toda a gente sabe que os recém-nascidos não devem nada à beleza e tu não serás excepção
- conseguir ter bom senso para aturar as tuas avós que vão estar impossíveis que só elas sem ser mal-educada
- resistir a perguntar à tua avó dos Açores para quando está marcado o voo de regresso
- não ter que responder à pergunta "porque é que não dás de mamar?" sem ser bruta como a potassa
- não ter visitas na maternidade sem ser da família mais próxima e não ter que fazer sala acabada de parir, provavelmente inchada, descadeirada e com as hormonas em centrifugação
- uma garrafinha de qualquer bebida alcóolica para brindar ao fim da gravidez
- uma pratada de sushi para celebrar o teu nascimento
- a promessa do teu pai me pagar uma abdominoplastia.


(Mámen: a censurar textos escritos com honestidade para a filha desde 2012)

36 comentários:

Maria do Mundo disse...

É a primeira filha??? É que me lembro de pensar nessas coisas todas antes de nascer a primeira, muito embora desejasse um parto natural(assisti a um uns anos antes e fiquei muito bem impressionada)...Acredites ou não a minha filha mais velha, como nasceu de cesariana, não tinha rugas nm estava vermelha, era linda, linda, linda de morrer e digo isto sem qualquer espécie de gabarolice porque ela ainda hoje o é com seis anos...só é pena sair gordinha á mãe quando tinha a idade dela. Quando ma tiraram o neonatologista disse em primeira mão "A miúda é mesmo muito gira"! Está tudo dito.
Fora com os preconceitos.

Kuski disse...

As visitas na maternidade!!! Aí como há quem nao coompreenda que deve ficar a milhas!!!! Aí!!!!!!

Kuski disse...

E que quem pode ir, nao tem de estar TODO o tempo permitido!!! Mãe e criança precisam de descanso!!!

beijo de mulata disse...

Não sejas tonta! Vai tudo correr bem.

(um) beijo de mulata

Lénia Rufino disse...

O que os hospitais públicos (também) têm de bom é limite de horas de visita e de pessoas no quarto. Claro que dá para contornar isso, mas faz de conta que não dá.

mikasha disse...

Acho que vou gostar de ler os teus posts quando a Ana nascer :)

(agora a sério... tudo o que escreves e rasuras neste post é a tua vontade AGORA. Se se mantiver assim que tiveres a tua menina nos braços, fica contente. Se sentires que tudo isto já não importa, aceita. E se quiseres, do fundo do coração, fazer e-xa-ta-men-te o contrário do que agora dizes, deixa-te ir. Estes bichinhos mudam-nos por dentro, revolvem-nos mais que qualquer bicha solitária.

Respira-te nela. Vive-te nela.

E depois, só depois, muito depois, vem contar-nos - neste estilo que é só teu - aquilo que nos quiseres dar a honra de poder ler.)

A Garota de Ipanema disse...

Oh, Pólo, vai correr tudo bem e logo logo a Ana estará cá fora, linda e saudável ;)
Beijoca!

Pólo Norte disse...

É a primeira filha. E a ultima!

calita disse...

Eu acho que,pelo menos, a da garrafinha de qualquer bebida alcoólica para brindar (uma das pequenas, vá) não devia estar riscada... :)

MGeraldes disse...

Pólo, a cesariana é rápida!!! Acredita.... a mim, demorou 2 minutos a tirarem o piolho. Começaram às 17h e às 17.02h já tava cá fora. No total não demora mais que uma hora, desde ires pra sala, levares a dita anestesia e saires.... :)

Office Judge disse...

Decididamente os recém nascidos não são bonitos. Lembro-me do meu primeiro filho que nasceu com 35 semanas e que na altura eu achei maravilhoso. Hoje, vendo as fotos, Deus me livre, coitadinho, tinha 1Kg e 80g e uma cabeça enorme!!! Era até disforme. E hoje é um miúdo lindo (opinião unânime)

masbarroca disse...

ehhhh, quase que foram as mesmas questoes que tu Polo, mas depois graças a sorte e ao meu mau feitio, o parto foi fácil, a amamentação tambem, a recuperação idem, menos o peso mas isso culpa de je, as avos, as tias e todos aqueles que opinam e opinam levavam com o meu mau feitio e não corriam mais riscos.
Sabes costumo dizer que a M é unica mas não porque nao correu bem, por isso tinha uma equipa, ui tou doida só pode, e se saiam iguais a M que esta equipada de baterias melhores que as da Apple. bjs

Ines Ribeiro disse...

LOOOOOOOOOOOOOL
Sei dizer-te que do meu pequeno pedi tudo menos a cesariana e chorei qd ao fim de 12 horas teve de ser cesariana.
não tenho o outro lado para saber mas sei que um eventual proximo voltarei a não querer a cesariana. ng merece um pos parto em convalescença de uma cirurgia.
A vantagem: cor de rosa e nada enrgado e lindo de morrer já à nascença (dentro do joelho que é o recem-nascido...)
Tb desejei que n fosse chorão mas n tive essa sorte... espero que tu a tenhas
Visitas na maternidade: POE ESSA MALTA A MEXER!!!! menos de 12horas depois tinha 15 pessoas em simultâneo no quarto... já referi o pos parto em convalescença de cirurgia e o bebe ULTR-CHORÃO??? ng merece...
Força e mantem a boa disposição

Margarida disse...

O mais giro da 1.ª gravidez é que tudo aquilo que dizemos antes nos cai em cima com uma velocidade louca... depois atualiza :)

Princesa sem Reino disse...

Pólo,

Também tive a primeira e foi a última LOL.
De cesariana não nascem tão enrugadinhos e esborrachados. A minha nasceu de cesariana mas com o nariz esborrachado porque achou que o havia de enfiar a gravidez inteira na placenta. Mas foi ao sítio :D.
Quanto às visitas... bem, nem te digo nada... Que terror!

Beijinho e que corra tudo bem

P.S. Vais ver que quando for a tua, a vais achar linda. É a natureza a salvaguardar-se!

Brandie disse...

A minha irmã dizia:
Não vou amamentar e amamentou até aos 12 meses.
Dizia que queria anestesia geral e optou por uma epidural.
Dizia que era a primeira e última filha e já está a pensar no segundo.
O bom da maternidade é mesmo isso, mesmo quando temos tantas ideias sobre como será, ela vem e surpreende-nos.
Espero que corra tudo bem.

Incógnita disse...

Então e porque é que a Pólo não vai dar de mamar? Está absolutamente autorizada a ser bruta como a potassa.

Ly* disse...

Gosto dessa sinceridade! Se todas as mulheres tivessem a coragem de admitir essas coisas, as mais inexperientes não iriam achar-se monstros por terem esse tipo de pensamentos.
A gravidez é difícil e ficamos amedrontadas. Mas sem dúvida que, depois de o bebé nascer (e crescer) tudo se torna mais fácil e as coisas mais difíceis são esquecidas e arrumadas numa gaveta ao fundo da memória...

Jonas disse...

hihihihih estás a cuspir para o ar, depois cai-te em cima :)

(recomendo vivamente a amamentação..... - quem paga uma abdominoplastia também paga uma mamoplastia -não por causa das vantagens para a criança (essa lenga lenga já deves ter ouvido) mas porque, passados os primeiros dias (que são dolorosos) é espectacular, sob TODOS os pontos de vista. Mais barato, altamente portátil, sempre à temperatura certa, sempre esterilizado, e, em cima disso, é espectacular ver a mais evoluída máuina do mundo, o corpo duma fêmea, a trabalhar :)

Mas hey..... todas as opções são respeitáveis :)

Pedaços disse...

Eu acho os recém-nascidos bonitos!

Ana disse...

eu perdi os malfadados 18kgs ganhos com a gravidez em 4 mesitos só com a amamentação. E amamentei até aos 15 meses depois por opção. E tenho o peito igual ao que era, talvez apenas um bocadito maior. Tens medo que fique partido? É que isso é daqueles mitos que não fazem sentido desde que se usem óptimos soutiens de amamentação (e mesmo antes na gravidez). Mas cada um é livre de fazer aquilo que quer. Mas eu não trocava pelas cólicas que o leite adaptado causa aos miúdos... no way! Só se não pudesse mesmo amamentar. Agora andar cheia de frascos e tralhas atrás, santa paciência. Comprei um pano de amamentação da bebe au lait e resolvi o problema quando estava fora de casa. :) e o bla bla bla da imunidade, apesar de chato, é verdadeiro e importante para as crianças, pelo menos nos primeiros meses. Mas realmente mais vale um biberão com amor do que uma mama com sacrifício...

Pólo Norte disse...

Respeito os defensores da amamentação e sei a cartilha toda.

Mas eu não QUERO dar de mamar e as maminhas ainda são minhas! Por inúmeras razões. E só mudarei de ideias de a médica me disser que a vida da minha filha ficará comprometida se não o fizer. Caso contrário, tenho uma colecção de biberãos linda que só ela à espera da Ana!

Desiludam-se comigo, vá!

Jonas disse...

Eu evitei falar de mitos e casos pessoais porque, na realidade, cada um é como cada qual, e o que é mito para uns, para outros é uma verdade absoluta, no caso, para outras.

Dependendo do tipo de pele, do tipo de mamas, da quantidade de leite, da frequência das mamadas (a palavra é esta, há que dizê-la sem medo), o peito partido pode ser mito..... ou não.

As simple as that. No meu caso, a usar os melhor soutiens de amamentação (com sustentação e reforço lateral e o raio que os parta), partiu. Temos pena :) O mito da Fi é a minha verdade absoluta :) E cada caso é um caso, e cada um sabe de si, e conheço poucos temas que sejam mais polémicos do que a amamentação (blogosfericamente falando, e não só).

E da mesma forma que eu odiava que me dissessem "tens de fazer isto, tens de fazer aquilo" quando eu estava grávida....... apenas partilho a minha experiência, respeitando as decisões dos outros (enfim..... quase sempre, pelo menos :)

Tudo isto apenas confirma a minha afirmação, que tem uns anos, mas que está sempre actual:

Eu era uma mãe excelente. Depois pari.

:)

Jonas disse...

Pólo.... lamento imenso.......


Mas não me desiludiste :)

Pólo Norte disse...

Jonas,

:)

(Um dia destes mudo mesmo para a SAPo, ando a tomar coragem porque eu só queria o V. endereço, o resto não queria mexer em nadinha... Sou resistente a grandes mudanças!)

Queen of Hearts disse...

Eu sou acérrima defensora da amamentação, estou a amamentar e pelo menos até ao ano de idade dele ou, se eu conseguir manter este sistema (hell, se eu aguentar!), até ele querer e for razoável, hei-de amamentar. Irrita-me profundamente que as pessoas não amamentem por ignorância - na era em que estamos não há margem para a ignorância. Não me irrita profundamente que as pessoas não amamentem porque não querem, porque têm motivos (pessoais, privados) para não o fazer. No meu curso de preparação, as enfermeiras (conselheiras de amamentação cetificadas) sempre nos diziam que a amamentação era uma escolha, sem criar daí um estigma. Obviamente que a defendiam, como eu hoje a defendo, mas sem criar o estigma da boa mãe/má mãe. Por isso, sempre que uma mãe escolha não amamentar, tem toda a legitimidade do MUNDO para isso. Sem que nenhum de nós possa ou deva apontar o dedo. Eu posso não achar a solução mais consentânea com o ideal (pelas razões de saúde que todas conhecemos), mas posso e devo respeitar quem queira fazer o uso do seu corpo que quer. As razões pertencem-te apenas a ti.
BTW, tenho lido muitos comentários cá e no FB de pessoas que acham o máximo e um acto de coragem tu expressares o que sentes acerca da tua gravidez. Eu acho apenas bem. No essencial, acho que devemos expressar com honestidade aquilo que sentimos acerca de tudo. No que toca à gravidez, se for a melhor coisa do mundo, a pior, indiferente, devemos dizê-lo como o sentimos. Eu acho o máximo as coisas que contas acerca da tua gravidez e a forma como a narras, porque é a tua forma. Enerva-me que as pessoas a louvem como se estivesses apenas a ser irreverente em relação ao "cor-de-rosismo" que envolve muitas gravidezes e que sim, por vezes enjoa, nomeadamente quando é porque é o "politicamente correcto". Estás apenas a ser tu. Que é o que muita gente não faz, não consegue. Mas em relação a isto da amamentação aqui sim, acho que estás a ser corajosa porque a tendência actual é nitidamente pró, sem contemplações. Por isso, kudos por te expressares sem restrições.
Beijinhos, sem desilusões. O que queremos é (que) tudo (continue) a correr bem. :)

Jonas disse...

Como é que mudamos do tema amamentação para o tema SAPO?

:)

Eu poss tratar de tudo, mas tendo em conta que dizes que não resistes a mudanças, e uma vez que vais ter de te confrontar com uma (das grandes) que vai impactar em tudo o resto, não preferes deizar a coisa para depois?

Quando te apetecer..... depois?

(eu reservo endereços de qualquer maneira)

Incógnita disse...

Hmmm... Sem censuras, sou apenas eu, que nunca fui mãe, a pensar alto... Mas estar fisiologicamente dotada de uma capacidade como a da amamentação, e depois recusar fazê-lo, para mim é difícil de compreender. Sabia que a maior parte das mães começa a libertar leite assim que ouve os bebés chorar? Talvez isto possa soar a esquisito para algumas pessoas, mas eu não quereria deixar de experimentar esta ligação "primitiva" e estritamente "fisiológica" com a cria. Sei lá, experiências são experiências, e dependendo de como as vivemos, podem fazer-nos pessoas mais ricas. Ah, e a história das defesas para a criança é mesmo verdade, já tive oportunidade de perceber isso conhecendo crianças amamentadas e outras que não o foram. Quando juntas, e apanhando as mesmas doenças, as que não eram amamentadas tinham sempre recuperações mais demoradas e difíceis. E peço perdão, mas nao consigo deixar de pensar nos seus inúmeros posts sobre sexo. O seu corpo foi uma "wonderland" para muita gente. À sua filha, que certamente é a que mais teria a ganhar com isso, vai recusá-lo. O que teria Freud a dizer sobre esta última parte? Não tem de publicar este comentário, mas pense sobre isto.

Pólo Norte disse...

Jonas= SAPO

(Associação livre de ideias. A Psicologia explica... ;) )

Pólo Norte disse...

Incógnita,

O teu comentário dá uma resposta tão longa que escreverei um post mais tarde sobre isto.

Entretanto, dou novamente a resposta que darei a quem me vem dar palpites sobre as minhas maminhas e a minha experiência de maternidade: PORQUE EU NÃO QUERO.

Sim, vou ser uma mãe daqueles que responde "PORQUE SIM" e "PORQUE EU SOU MÃE E EU É QUE MANDO".

Eu avisei que ia desiludir...

Incógnita disse...

Não tem que me responder, estava claramente a espicaçar. Eu sou bastante sensível a todas as questões em que a nossa liberdade individual toca outras pessoas. Normalmente, não opino sobre decisões pessoais - cada um sabe de si e ninguém tem nada que ver com isso. Gosto de pensar que sou uma pessoa tolerante. No entanto, quando as nossas decisões vão ter consequências directas sobre terceiros, acho que a reflexão tem de ser feita. Refeita. Feita novamente. Para não haver margem para dúvidas. E é óbvio que quem tem um blog e fala sobre as decisões que toma, está implicitamente a fazer um convite aos palpites alheios. Só lhe quis dar mais matérias para mastigar, no caso de lhe faltar alguma. Uma vez mais, não tem de me dar uma resposta - a resposta que me der terá apenas a própria Pólo e a Ana como destinatárias.

Jonas disse...

(Eu sou mãe, e respondo muitas vezes porque sim, e porque eu sou a mãe e eu é que mando, e venha de lá o mais pintado dizer que não, a ver o que lhe acontece. O que exijo para mim, dou aos outros, as simple as that).

Incógnita, o que nos separa dos animais irracionais é a nossa capacidade de escolha e de fugir ao que estamos programados fisica e fisiologicamente para fazer.

O facto do meu corpo estar preparado para parir, não me obriga a fazê-lo. O facto do meu corpo estar preparado para ter relações sexuais, não quer dizer que eu o faça, o facto do meu corpo estar preparado seja para o que for não deve obrigar-me a fazer algo que eu não escolho.

Os filhos são nossos filhos, não são nossos donos. Há vida para além dos filhos e, em última análise, o nosso equilíbrio e estabilidade são mais importantes e têm um impacto mais positivo nos nossos filhos, do que outras coisas que lhes podem fazer bem, mas que fazemos contrariadas e a contragosto, com sacrifício e resistência.

Eu adorei estar grávida, adorei amamentar. Mas fi-lo porque escolhi fazê-lo, o potencial fisiológico apenas serve para eu escolher, não para me condicionar as escolhas.

Pólo Norte disse...

Eu não me espicaço.

Estou só a treinar a resposta para o pós-parto! :D

E, como sabes, também não sinto que me tenha que justificar. Mas acho que a sua franqueza de opinião merece a minha franqueza de resposta.

Beijinhos

Pólo Norte disse...

<3 Jonas.

Incógnita disse...

Jonas, concordo com tudo o que escreveu, e não penso que colida minimamente com o que escrevi. Vou repetir o essencial da minha questão: quando há terceiros que vão ser implicados nas nossas decisões pessoais, a reflexão tem de ser mais cuidada que o habitual, ainda que a decisão final não se altere. Apenas isso. Eu não queria entrar no campo do "ah, conheço um caso em que blablabla", mas o facto é que conheço um caso sim, em que blablabla. E isto tornou-me mais sensível as esta questão. Não vou aborrecer mais.

Beijinho.

Graça disse...

"Deixai as nossas mamas e a nossas camas em paz" - tenho dito! :)

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