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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Gravidez: o fecho do ciclo

A Dra. Guilhermina não me conhecia de parte alguma. 
Depois de ter sido mal atendida na CUF Descobertas fui ao Centro de Saúde, de onde me reencaminharam para a consulta de alto risco do Hospital de Cascais.
Gostei da Dra. Guilhermina desde o primeiro olhar, ainda que não seja do tipo de médica fofinha e kiducha, que se desfaz em risos e simpática até mais não. A Dra. Guilhermina é, num primeiro contacto, um pouco seca, até. Hoje, dez meses depois, sei que é tímida.
Sem muitas conversas fomos-nos vendo semana após semana. Conhecendo melhor. Adivinhei-lhe cada pausa no discurso, cada silêncio, cada olhar perscrutador. Ela tranquilizou cada expressão ansiosa no meu olhar, cada nó na garganta, lágrima de desconforto e dor. A Dra. Guilhermina revelou-me o ser mulher da minha filha, as boas notícias após cada rastreio genético e ecografia morfológica. Sorriu quando me viu comovida a ouvir, pela primeira vez, o coração da Ana e quando me mostrou a primeira imagem mais humana da bebé.
A Dra. Guilhermina apaziguou-me as angústias, os medos, as preocupações. Recusou-se a acompanhar-me, em paralelo, no consultório privado onde também dá consultas, acolheu-me com disponibilidade em cada banco de urgência, escreveu no meu livro verde o seu número de telemóvel e insistiu que estava à minha disposição. A Dra. Guilhermina trabalha num hospital público e é o exemplo perfeito de que a humanidade com que se trata um doente, a defesa do seu bem-estar e conforto não é exclusiva dos hospitais particulares.
A Dra. Guilhermina chamou a Dra. Cecília de cada vez que fui internada, para substitui-la quando estava ausente. E a Dra. Cecília deu continuidade ao trabalho da colega, sempre atenta e sensível, profissional e humana.
No dia 9 de Agosto a Dra. Guilhermina interrompeu as suas férias para comandar a cesariana que trouxe a Ana ao mundo. Calada e discreta abriu-me a barriga, olhar doce e meigo, e puxou a minha filha das minhas entranhas, assistiu ao seu primeiro fôlego, ao som novo do seu respirar. E sorriu de uma forma diferente da que me tinha habituado ao longo dos últimos sete meses e meio. Um sorriso feliz, genuinamente feliz pela vitória acabada de acontecer. 
Pegou na Ana ao colo e deu-lhe o primeiro colo, abraço, mimo. 
Por isso e, por tudo o mais, quando hoje fui consultada pela última vez por ela para fechar o ciclo da gravidez e pós-parto deu-me uma nostalgia, uma saudade dela já. E precisei de agradecer. 

Dra. Guilhermina a pegar a mão da Ana pela primeira vez.
 Quadro com inputs meus e fabricado pela querida Maria Mariquitas do "Amor ao Quadrado"

Dra. Cecília com o seu coração ligado ao da Ana através do cordão umbilical.
Quadro com inputs meus e fabricado pela querida Maria Mariquitas do "Amor ao Quadrado"

A Joana fez acompanhar a minha encomenda por este quadro maravilhoso, oferta para a Ana.
Nele consto eu, a bebé e, claro... a ursa Pólo Norte, só para contextualizar. 

(Para conhecerem o trabalho da Maria Mariquitas espreitem o blog e o facebook.
 Garanto que não há como resistir...)

domingo, 7 de outubro de 2012

A minha médica dá consultas ao domingo

Hoje tenho a consulta de revisão do parto. Wtf? Muda-me o óleo do cérebro (esteve desoleado, sim!)? As pastilhas dos travões do superego (andava a patinar)? Ter-se-ão queimado fusíveis? Será que preciso de uma embraiagem nova?

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Checked?


Wishlist de pós-parto 

Coisas que me podem dizer:

 - "A menina, apesar de nascer antes do termo, é super saudável e nem precisou de ir para a incubadora. Que sorte, han?"- CHECKED
- "Já que não vais amamentar, trouxe-te uma Angelica para brindarmos à Ana"- NOT
- "Estás com um ar menos quinado, pá!"-CHECKED
- "Era para te trazer chocolates ou bombons mas olha lembrei-me de te trazer uma caixinha de sushi!"-CHECKED
- "É para a semana, depois de retirares os pontos, que vais tirar uma tarde para irmos fazer uma massagem violenta e depois um circuitinho de spa? Queres que inclua umas drenagens linfáticas?"- CHECKED
- "A tua mãe está incrivelmente tranquila e a respeitar o vosso espaço. Quem diria?"- NOT
- "A miúda é fofinha"-CHECKED
- "Já marquei cabeleireiro para irmos juntas fazer o alisamento japonês e pintar o cabelo"- CHECKED
- "Já que não vais amamentar, trouxe-te um vinho verde fresquinho para brindarmos"-CHECKED
- "Wow, a Ana tem os olhos do pai!"CHECKED
- "Filha, podes marcar a tarde de spa com mámen que eu fico-te a tomar conta da menina"- CHECKED
- "Olha, e a mariscada, marcamos quando?"- NOT (YET)
- "Já agendaste o regresso às sessões de depilação definitiva?"- NOT (YET)
- "Que sorte que tiveram! A menina é tão boazinha: é só come e dorme!"- CHECKED
- "Finalmente vamos poder beber uma sangriazinha fresquinha!"-CHECKED

Coisas que não me podem dizer (entenda-se por "CHECKED" o facto de se ter verificado que ninguém se atreveu a dizer-mo): 

- "Mas se já pariste, porque é que ainda tens pança?"-CHECKED
- "A menina é linda! Nunca vi um recém-nascido tão bonito..."- NOT (É oficial, as famílias tornam-se hiperbólicas!)
- "Que pena não teres conseguido ter parto normal. Parir é amor..." - CHECKED
- "Quantos pontos levaste? Olha que quando fui eu isso infectou tudo, rebentaram e eu fiquei com uma cicatriz tenebrosa"- NOT (bardamerda, sim?)
- "Tens ali para te visitarem pessoas que não querias que te viessem visitar à maternidade, mando-as entrar?"- CHECKED
- "Mas não vais MESMO dar mama?"- NOT (enfermeiras do camandro, pá!)
- "Tem cuidado, que tens ar de quem vai ficar com uma depressão pós-parto!" CHECKED
- "Credo, que miúda cabeluda!"- CHECKED
- "Devias ter retocado as raízes do cabelo antes do parto!"- CHECKED
- "Nem o colostro????"- NOT
- "Já a registaste? Ficou mesmo Ana sem segundo nome próprio?"- CHECKED 
- "Posso ver o teu penso?"-  CHECKED
- "Olá mamã! Que agora deixas de ser a Pólo Norte e passamos a chamar-te de mamã!"- NOT (tenho amigos tão engraçadinhos!)
- "Estás com um aspecto terrivel!"- CHECKED 
- "Afinal os teus sogros, depois de terem garantido que não vinham agora visitar-vos mas antes no Natal, decidiram aparecer de surpresa e vão ficar hospedados em tua casa!"- CHECKED 
- "Posso ver como ficou a tua cicatriz da cesariana?"- CHECKED 
- "Mas ela é assim tão chorona? Ui, estás feita. Agora é que vais ver como elas mordem!"- CHECKED 
- "Devias aproveitar 9 meses de abstinência, adoptar uma vida saudável e nunca mais beberes álcool" - CHECKED 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Queres ser mais papista que o papa? Nem por cima das minhas hormonas...

O médico giro ( e , claro, o único dos 23237349 médicos que me viram em episódio de urgência e me apanhou com a depilação por fazer, Murphy vai cagar à mata!) já conhece as minhas piadas. Hoje, enquanto me via a fazer o CTG, não me deixou largar a piada da antena e adiantou-se:

Médico giro ( a piscar-me o olho em tom de provocação, tipo"já não me apanhas na curva")- Então, vamos lá ver se a Ana está sintonizada...

Pólo Norte- Ah, hoje o Dr.até já dá com o sinal de wireless...



Pólo Norte- 1 Médico giro- 0

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Tudo sobre a preservação de células do cordão umbilical

Hoje, com o devido consentimento, publico a resposta que a querida Dra. Muxy-Muxy me deu a um e-mail chato e cheio de perguntas parvas de pré-mãe e que acho importante partilhar com toda a gente. Porque é claro e transpoarente e pode contribuir para mais pessoas ponderarem optar pelo Banco Público ao invés dos Bancos Privados, como será o nosso caso.

"Para que servem as células do cordão? Fundamentalmente para dois grandes grupos de doenças: as genéticas e as neoplasias do sangue ( linfomas e leucemias)
Ora para as primeiras o cordão do próprio interessará pouco uma vez que transportará a mesma doença.
Para as segundas existe nalguns casos um fundo genético, nestes o cordão do próprio volta a ser inútil, mas noutras não. Ok pareceria então lógico que se tu tens um cancro das células do sangue que são produzidas na medula, destróis a medula doente e usas as células do cordão para fazer uma medula nova. Se as células forem do próprio não existe rejeição logo o sucesso seria, teoricamente, muito maior que o transplante de dador " estranho". O que se passa é que nao foi isto que ocorreu. Os transplantes do próprio têm por múltiplas razoes menos sucesso que os outros, estando documentados, até ao momento dois ou três casos apenas.
Neste contexto o que parece interessar é aumentar até infinitos mil o pool de dadores de um banco de acesso universal para ue todos os meninos que um dia precisem tenham um dador disponível.
Fui clara?
Mais dois exemplos:
Tu podias dizer então e se eu depois der um irmão à Ana e ele precisar de um cordão e tiverem usado o dela? Bom primeiro nao podes ter a certeza que a Ana seria compatível com o irmão e neste caso mais uma vez quantos mais dadores houver no publico maior a possibilidade,segundo ela poderia sempre doar medula ao irmão se fosse preciso.
E no caso do jogador do Benfica. O Carlos Martins. O que se passou com o Gustavo foi que o seu sistema imunitário destruiu a sua medula, ora se pusesses lá uma medula igual corrias o risco que o sistema imunitário voltasse a fazer o mesmo.
Espero ter ajudado. "

Sobre a diferença entre as células do cordão e o tecido, respondeu-me ainda a pediatra mais fixe da blogosfera:

"A diferença é a seguinte: o sangue do cordão permite a recuperação de células pluripotenciais do sistema hematopoietico ( pumba, palavrão médico), o que em português quer dizer células fantásticas com capacidade de se transformar em qualquer tipo de célula do sistema sanguíneo. Isto limita a utilização do cordão às doenças do sangue. O tecido do cordão permitiria a recuperação de células pluripotenciais mesenquimatosas, lá está a gaja armada em parva outra vez, pensas tu, verdade mas só um nadinha, que são células que podem transformar-se em qualquer célula do tecido conjuntivo: ossos, músculo, ligamentos. O que, em rigor, acontece é que isto é ainda do domínio da ficção cientifica. Teoricamente é uma boa ideia mas na pratica não se sabe se vai resultar ou não. É ainda do planeta do se cá nevasse fazia-se cá ski. Mas de facto não neva."


Mais posts bons sobre esta matéria aqui, aqui e aqui. E aqui.
Porque quem sabe, sabe.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A melhor parte da minha gravidez

A minha prima, a que vai casar em Setembro, está grávida de semanas.

Prima (entusiasmada)- Então, conta-me lá tu, que já estás veterana na matéria: qual é a melhor parte da gravidez?

Pólo Norte- O princípio de tudo.

Prima- O primeiro trimestre?

Pólo Norte- Não: a concepção.

domingo, 5 de agosto de 2012

"Dita-me lá a mensagem de anúncio do nascimento da Ana que queres que envie para os amigos quando chegar a hora, se fazes favor!"- pede-me mámen.

"Nasceu Ana Norte-Mámen, recém-nascida igual a todos os outros, nem mais bonita nem feia, com cara de joelho e de quem prometemos não vir a dizer, no futuro, que é sobredotada ou hiperactiva. O peso e a altura não vos interessa para nada, por isso, poupamos-vos a detalhes. Visitas em casa sob marcação. Beijinhos e abraços."


(Acho que ele irá censurar esta versão também...)

sábado, 4 de agosto de 2012

Já pariste, Pólo Norte?

Resposta

Wishlist de pós-parto (aos meus amigos que estão autorizados e notificados para me irem visitar à maternidade*)

Coisas que me podem dizer:

 - "A menina, apesar de nascer antes do termo, é super saudável e nem precisou de ir para a incubadora. Que sorte, han?"
- "Já que não vais amamentar, trouxe-te uma Angelica para brindarmos à Ana"
- "Estás com um ar menos quinado, pá!"
- "Era para te trazer chocolates ou bombons mas olha lembrei-me de te trazer uma caixinha de sushi!"
- "É para a semana, depois de retirares os pontos, que vais tirar uma tarde para irmos fazer uma massagem violenta e depois um circuitinho de spa? Queres que inclua umas drenagens linfáticas?"
- "A tua mãe está incrivelmente tranquila e a respeitar o vosso espaço. Quem diria?"
- "A miúda é fofinha"
- "Já marquei cabeleireiro para irmos juntas fazer o alisamento japonês e pintar o cabelo"
- "Já que não vais amamentar, trouxe-te um vinho verde fresquinho para brindarmos"
- "Wow, a Ana tem os olhos do pai!"
- "Filha, podes marcar a tarde de spa com mámen que eu fico-te a tomar conta da menina"
- "Olha, e a mariscada, marcamos quando?"
- "Já agendaste o regresso às sessões de depilação definitiva?"
- "Que sorte que tiveram! A menina é tão boazinha: é só come e dorme!"
- "Finalmente vamos poder beber uma sangriazinha fresquinha!"

Coisas que não me podem dizer:

- "Mas se já pariste, porque é que ainda tens pança?"
- "A menina é linda! Nunca vi um recém-nascido tão bonito..."
- "Que pena não teres conseguido ter parto normal. Parir é amor..."
- "Quantos pontos levaste? Olha que quando fui eu isso infectou tudo, rebentaram e eu fiquei com uma cicatriz tenebrosa"
- "Tens ali para te visitarem pessoas que não querias que te viessem visitar à maternidade, mando-as entrar?"
- "Mas não vais MESMO dar mama?"
- "Tem cuidado, que tens ar de quem vai ficar com uma depressão pós-parto!"
- "Credo, que miúda cabeluda!"
- "Devias ter retocado as raízes do cabelo antes do parto!"
- "Nem o colostro????"
- "Já a registaste? Ficou mesmo Ana sem segundo nome próprio?"
- "Posso ver o teu penso?"
- "Olá mamã! Que agora deixas de ser a Pólo Norte e passamos a chamar-te de mamã!"
- "Estás com um aspecto terrivel!"
- "Afinal os teus sogros, depois de terem garantido que não vinham agora visitar-vos mas antes no Natal, decidiram aparecer de surpresa e vão ficar hospedados em tua casa!"
- "Posso ver como ficou a tua cicatriz da cesariana?"
- "Mas ela é assim tão chorona? Ui, estás feita. Agora é que vais ver como elas mordem!"
- "Devias aproveitar 9 meses de abstinência, adoptar uma vida saudável e nunca mais beberes álcool".


(* Se estás a ler, és meu amigo pessoal e a pensar "ela não me falou nada acerca disto" é porque não estás notificado e eu depois combino um dia, FORA DO HOSPITAL, onde terei todo o gosto de te apresentar a baby bear e me possas ver novamente a espalhar magia, em vez de vestida de camisa de noite com o logótipo do hospital e toda esculachada da cesariana, ok?)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Agora a versão pedagógica (só porque a Jonas pediu)

Diz a Jonas: "Este post é pouco pedagógico..... só dizes o que não queres ouvir. Devias ser mais pedagógica e escrever, ponto por ponto, tudo o que queres que as pessoas te digam nesta altura do campeonato."

Portanto cá vai o que quero que me digam nesta altura do campeonato:






































(Ah, o silêncio!)

Não querendo parecer nervosinha (mas já estando)

Pessoas que me rodeiam, por favor:

- Não me perguntem "estás grávida?" com ar de grande admiração quando tenho uma barriga que me chega à boca e estou prestes a bolsar a miúda;
- Parem de me desejar "uma hora pequenina"quando estão carecas de saber que estou de cesariana programada e que a mesma dura um período de tempo fixo e determinado;
- Calem-se com o "está quase!" porque não me confortam nada, nesta fase.Cada dia parece que tem 100 horas e o tempo nunca demorou tanto a passar, ok?;
- Não tentem animar-me com "nunca tiveste a pele tão boa!" ou "estás com uma cara tão bonita!" quando já ando toda "descadeirada", a uma velocidade de 1 Km/hora e não durmo uma noite inteira há mais de  mês;
- Não me contem, tim-tim por tim-tim, as vossas histórias de rebentamento de águas enquanto pinavam às 42 semanas nem as entradas em trabalho de parto com contracções depois de 72 horas a ganir. Para além de ir parir via cesariana, honestamente, nesta fase estou-me a cagar para vocês. I don't care, ok?;
- Não me mostrem as vossas barrigas estriadas, as cicatrizes das vossas cesarianas e as banhas com que ficaram depois da gravidez. Deprimir por antecipação não me vai fazer bem, boa?;
- Não me consolem com "o teu umbigo não saltou para fora" ou "já viste a tua sorte, não tens a risca preta!", quando estou de baixa desde Maio. Antes o pipo de fora, carago!;
- Não partilhem as mudanças biológicas que permaneceram após a gravidez., a sério. Não quero saber se depois da gravidez ficaram  a cagar de semana a semana, com hérnias discais ou frígidas.;
- Não me digam "ah, quando ela vier cá para fora é que vão ser elas. O pior ainda está para vir". Vocês não sabem, MESMO, o pior que foi esta gravidez. Vão por mim e calem-se, por favor!;
 - Não me repitam 60 vezes por dia "quando ela estiver cá fora, esqueces tudo o que passaste". Vão bardamerda, sim? Nove meses doente não se esquecem com um pós-parto. Só com Alzheimer, mesmo. 

Agradecida. Sempre vossa,

Pólo Norte

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Humor leitoso

Fomos à mega-store da Pré Natal: eu e a minha futura ex-caçula (prima).
Quando reparámos que, dentro da loja, há um espaço com esplanada e máquina de vending de bebidas gratuitas, como pelintras que somos, montámos arraial.
Pólo Norte tira o seu café.
Pólo Norte tira o segundo café para ela.

Pólo Norte (olhando em redor e vendo uma mãe a amamentar um bebé ali ao lado)- Vê lá se queres um café pingado...

terça-feira, 24 de julho de 2012

Sabes que estás "grávidobcessiva" quando...

... vês este anúncio e pensas automaticamente na resposta "universalmente" óbvia:



 - "PARIR"?

Nunca mais serei apelidada de pé de chumbo

Com as cãibras que estou a ter ponho-me, estática, de pé e num instante serei uma guru de breakdance.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Pólo Norte prepara o plano de dieta pós-parto (e eu quero lá sentir-me blogoexcluída?!)

O que deve ingerir para recuperar a forma



Inspire-se nesta dieta, que deve ser iniciada após o nascimento da criança e seguida durante o período de amamentação (ou abiberonção, vá!)

Jantar
Preparar 1 sopa de legumes 60 g de carne magra ou peixe ou 1 ovo
Sintonizar a televisão no TLC no programa "Hoarding: Buried Alive"
Ver antes de jantar
Guardar a sopa inteirinha no frigorífico
Preparar um chá
Ceia
1 água das Pedras
Contar carneirinhos baratinhas para adormecer

Pequeno-almoço
Lembrança da casa badalhoca que se viu na véspera à noite no TLC
Eno digestivo
1 copo de água para acompanhar
Meio da manhã
Tentar sintonizar novamente o TLC
Perceber o que é o stress pós-traumático lembrando-se do esterco do programa da noite anterior
1 chávena de chá para a azia


Almoço
Arriscar comer 1 sopa de legumes
Lembrar-se das ratazanas a passear em cima do lixo na casa porca da noite anterior
Correr para o wc e vomitar
Arriscar nos sais de fruta


1º lanche
1 água com gás
1 sessão de ioga para tentar apagar da cabeça as imagens da véspera
2º lanche
1 dose de fluoxetina
coragem q.b. para voltar a sintonizar o TLC novamente ao jantar

sábado, 21 de julho de 2012

Idiotice em três actos

Encontrei uma ex-colega de escola na padaria.

Acto I

Colega- Então, novidades?

Pólo Norte (neste momento portadora de uma barriga imponente) - Nada de especial, tirando estar à espera do grande dia.

Colega- Vais casar?

...





Acto II

Colega- E planos para as férias de Verão?

Pólo Norte (olhando chocada para a imponente barriga)

Colega- Vais ter o bebé, né?

Pólo Norte- Não, vou pedir um clister de hélio para reforçar o perímetro abdominal e transformar-me num balão...





Acto III

Colega- Onde vais ter o bebé? Vais levar epidural ou vai ser tudo ao natural?

Pólo Norte- Vai ser cesariana com anestesia geral.

Colega- Então, vá. Gosto em ver-te. Uma hora pequenina e desfruta o momento.

...

...

...

domingo, 15 de julho de 2012

"Os livros da Anita"- by mámen

Hoje, estendi a toalha no areal. Antes disso, escavei um fosso onde encaixar a barriga e dois pequeninos para as minhas "wonderland boobies".  Deitei-me de barriga para baixo e comecei a babar.

Mámen (com voz de apresentador de circo): "Ainda antes de Anita no ballet ou Anita vai à quinta, apresento-vos a minha filha: Aaaaanita vai ao bunker".


....

...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Mamonas assassinas

Este post tem sido adiado sucessivamente. Primeiro, porque sei que vai gerar polémica, em segundo lugar porque as minhas hormonas já não são o que eram e corro o risco de ser gratuitamente mal-educada e, em terceiro, porque escrever sobre isto implica alguma pachorra e bom senso. Mas eis que chegou o dia. 
Tema: amamentação.
Preparados? Eu não faço intenções de dar mama à minha filha. Pronto, já disse.
Poupem-se as pessoas que estão já de dedos no teclado a quererem-me esclarecer sobre a cartilha de benefícios da amamentação que eu já a conheço de cor: o poderoso factor imunológico do leite materno, a vinculação (discutível a meu ver e olhem que eu sou psicóloga e o pai da cria pedopsicólogo, tá?) afectiva que se cria nos momentos de amamentação, a portabilidade e acessibilidade das mamas no que diz respeito ao transporte do leite, a melhoria do desenvolvimento neuro-psicomotor infantil e cognitivo, o possível aumento do QI (ainda bem que a minha mãe não me amamentou senão imaginem a sobredotada incompreendida que eu seria?!), a promoção de um melhor padrão cardio-respiratório durante a alimentação, a diminuição mais rápida do volume do útero e consequente emagrecimento por parte da mãe, o menor risco de hemorragia no pós-parto e, claro, o factor anticoncepcional da coisa. Para não falar do factor economicista da coisa. 
Pronto, agora que vos provei que conheço, de cor, as vantagens da amamentação vou repetir: não pretendo dar de mamar à Ana e é por opção. E só mudarei de ideias caso a obstetra me diga, peremptoriamente, que a vida da minha filha ficará comprometida se não o fizer. O que, até ver, não será o caso. 
E, sim, poderia disfarçar e dizer que "não posso amamentar" e que tenho muito desgosto por isso. Que, assim que parir, terei que tomar um antibiótico fortíssimo para curar a puta da infecção que me persegue há meses e que, devido à gravidez, não posso tomar. E que não o poderia tomar também se estivesse a amamentar. E esse argumento até é verdadeiro. 
Mas a verdade, a verdadinha, é que nunca fiz intenções de amamentar. Por inúmeras razões que vão desde as fúteis e estéticas às de comodismo. Às de egocentrismo e incapacidade de abnegação total. Às de necessidade de não anular o meu bem estar emocional em troca de leite directamente vindo da fonte para a minha filha. E, porque, fundamentalmente, é uma decisão passiva de ser uma escolha e há alternativas em que eu acredito. E escolho-as, conscientemente. 
E, meus amigos, eu própria não fui alimentada a mama (secou o leite à minha mãe) e sobrevivi à prematuridade, a 1600 Kg de peso à nascença, a uma doença gravíssima, a uma cirurgia com 15 dias de idade no Hospital Pediátrico de Coimbra (salvé, Dr. Torrado da Silva!) porque na Estefânia se recusaram a operar-me e a uma meningite no pós-operatório. Tirando as sequelas que ficaram (ortopédicas e urológicas) eu sou aquela que nunca ficou constipada, nunca teve uma dor de ouvidos ou garganta. Sou a pessoa mais resistente que possam imaginar! Quanto ao QI? Epá, sempre fui uma excelente aluna, nunca chumbei a uma cadeira que fosse, quanto mais um ano? Sou perspicaz e espertíssima! Quanto à vinculação com a minha mãe? Esta dispensa explicações.
Resumindo: eu sou a prova provada que, embora o leite materno seja a situação ideal, o leite adaptado não compromete o desenvolvimento de uma criança e o seu sucesso enquanto adulta. 
E, quanto mais a gravidez avança, mais certezas eu tenho quanto a este ponto: a Ana será alimentada a leite adaptado. Não dependerá de mim de duas em duas horas mas sim de ambos os pais. Porque, depois da gravidez, passamos a ser uma equipa. E criará uma relação igualmente vinculativa com ambos os progenitores e não uma privilegiada comigo. E, sabem que mais, para mim a parentalidade só assim faz sentido. 
O plano é, fundamentalmente, eu poder aliviar os 9 meses de exaustão que estou a carregar nos ombros e não perpetuá-los com a amamentação. Poder dormir quando for a vez do pai dar o biberão. E serão vezes igualmente repartidas porque, nesta família, o bebé não será da mãe e ao pai não caberá apenas a tarefa de "ajudar". O plano é não correr o risco de stressar com possíveis dores, encaroçamentos e frustrações do bebé não "pegar" nas ditas cujas. Não ter que fazer algo que encaro como sacrifício e não como prazer. Ou, como escreveu alguém numa caixa de comentários mais abaixo: "mais vale um biberão com amor do que uma mama com sacrifício".
Não condeno as escolhas de nenhuma mãe. Por mim, tirem fotografias às barrigas cheias de estrias, tenham partos em casa, dispensem médicas e contratem doulas, comam placenta, tenham partos debaixo de água, façam cesariana por opção, dispensem epidurais, amamentem até à adolescência, usem leite materno para fazer bolos, coloquem as fotografias dos vossos filhos na Internet. Cada um sabe o que é melhor para si e o que eu valorizo não tem que ser o que os outros valorizam. Não temos que nos reger todos sob a mesma batuta. Importante é que as escolhas que cada um toma sirvam a cada um, que lhes proporcionem bem estar e felicidade. Portanto, quando alguém me perguntar porque não amamento a resposta é simples: "PORQUE NÃO QUERO!". 
O que eu quero é usufruir, com a alegria que as escolha que faço (fazemos) me irão proporcionar, a maternidade. Neste caso, porque nas minhas mamas mando eu.
E eu é que decido. 

terça-feira, 10 de julho de 2012

O pânico da escritora grávida: a folha do álbum em branco (depois da versão censurada não sei mesmo o que escreva)


Para a maternidade quero:


- anestesia geral para estar inconsciente
- que ninguém me deseje uma "hora pequenina" porque a cesariana está marcada e a duração é a mesma para todas as cesarianas
- que quando acordar estejas mega saudável, operacional, lavadinha, limpinha, pouco vermelha e enrugada e que te pareças o menos possível com o joelho de uma velha gorda pintada por Rubens
- que sejas parecida comigo mas com os olhos, as pestanas e a pele do teu pai
- que não sejas muito chorona porque, depois desta gravidez, eu não mereço
- que ninguém me minta e diga que és linda. Toda a gente sabe que os recém-nascidos não devem nada à beleza e tu não serás excepção
- conseguir ter bom senso para aturar as tuas avós que vão estar impossíveis que só elas sem ser mal-educada
- resistir a perguntar à tua avó dos Açores para quando está marcado o voo de regresso
- não ter que responder à pergunta "porque é que não dás de mamar?" sem ser bruta como a potassa
- não ter visitas na maternidade sem ser da família mais próxima e não ter que fazer sala acabada de parir, provavelmente inchada, descadeirada e com as hormonas em centrifugação
- uma garrafinha de qualquer bebida alcóolica para brindar ao fim da gravidez
- uma pratada de sushi para celebrar o teu nascimento
- a promessa do teu pai me pagar uma abdominoplastia.


(Mámen: a censurar textos escritos com honestidade para a filha desde 2012)

Os homens aprendem depressa

(Mámen a ressacar ser blogger por um dia)

Mámen- Quando a bebé nascer dás-me a nova password do blog para eu anunciar o seu nascimento?

Pólo Norte- Logo se vê. Se eu te deixar, o que me dás em troca?

Mámen- Uma cesariana?




(Oh fuck, o gajo é esperto!)
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