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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

AçoriANA

 “O Pico continua a ser a minha ilha preferida, mãe!”

 “Porquê, Ana?” 

“São Jorge cheira a casa, a Terceira cheira a mel, São Miguel cheira a àgua mas, ó mãe, o Pico cheira a nuvens!”

sábado, 1 de setembro de 2018

Hoje choveu

Hoje choveu pela primeira vez desde que cá estamos. Não se avista o Pico no horizonte tal é a neblina. Ficámos por casa a jogar marralhinha em família. Comemos massa sovada com doce de Figo que sobrou dos mais de 2 quilos que um senhor roubou numa figueira alheia e nos veio vender à porta. Fingimos que não desconfiamos. Tenho aftas de tanto queijo ilha comido e acho que esgotei o Stock de kimas de maracujá de toda a ilha! Amanhã há festa na Caldeira e a vila vai ficar mais sossegada e vazia. Estamos preguiçosos e só cozinhámos ovos fingidos para o jantar. Andei a ver mantas tricotadas pela minha sogra e acabei por herdar uma linda, linda. Os cagarros sobrevoam o nosso telhado e ouvimo-los cantar em coro com as gaivotas que anunciam tempestade no mar. Está um calor insuportável e uma humidade típica de que já não me lembrava. Podia ser um dia chato mas não. É um dos melhores dias das férias. Sem pressas nem destinos para onde ir, sem relógios nem rotas. Vir por muitos dia permite desfrutarmos do dia-a-dia, provar esta rotina boa. Ele põe no rádio velho o CD de uma banda da terra que já não existe. No ar ouve-se a minha música açoriana preferida. Está perfeito. Ninguém mexa. 




[Ainda sinto os pés no terreiro
Onde os meus avós bailavam o pézinho
A bela Aurora e a Sapateia
É que nas veias corre-me basalto negro
E na lembrança vulcões e terramotos

Por isso é que eu sou das ilhas de bruma
Onde as gaivotas vão beijar a terra

Se no olhar trago a dolência das ondas
O olhar é a doçura das lagoas
É que trago a ternura das hortênsias
No coração a ardência das caldeiras.

Por isso é que eu sou das ilhas de bruma
Onde as gaivotas vão beijar a terra

É que nas veias corre-me basalto negro
No coração a ardência das caldeiras
O mar imenso me enche a alma
E tenho verde, tanto verde a indicar-me a esperança.] 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

A tia Conceição



O meu sogro tinha-nos dado as coordenadas por alto. A casa da tia Conceição, única tia bisavó da Ana do lado do avô paterno, fica numa parte longínqua e alta da ilha, mergulhada em nevoeiro. 

Não avisámos que íamos (eu contrariada que não me parece bem aparecer em casa alheia sem me fazer anunciar) mas a tia Conceição, mais deoito décadas sobre os ossos rijos, recebeu-nos como se nos esperasse há uma vida. Tirou uma cerveja do frigorífico e começou a desfilar histórias de netos, sobrinhos-netos, novas gerações frescas que prometem a continuidade desta linhagem de mulheres de olhos cor de mar. 

Fitou a Ana, trisneta da sua mãe, e marejaram-se os olhos de lágrimas: “são iguaizinhas: os cabelos loirinhos e os olhos. Ah , os olhos! Azuis enormes. Faz impressão, são iguaizinhas!” Limpou as lágrimas com o antebraço e nós estremecemos e sorrimos, comovidos com as memórias a brotarem como as hortenses férteis ali ao lado no quintal. 

Quis-nos mostrar a casa, rebocada rusticamente, pouca mobília, tudo arrumado magistralmente, fotografias de toda a gente nos poucos móveis e nas paredes despidas de acessórios. Casamentos, baptizados, coroações, primeiras comunhões e queimas das fitas da última geração: histórias de sangue numa exposição única que é também a história da minha filha. Um museu de memórias. 

Fitei o quadro com os olhos, sem os conseguir desviar. 

A coroa do Espírito Santo presente em todas as casas açorianas, símbolo de uma fé partilhada e coletiva. Sorri e pensei que um dia teria que levar uma coroa para nossa casa e voltei, atenta, à conversa que se desenrolava, vagarosa e cheia de afectos, na sala de estar com chão de linóleo. 

À saída a tia diz que não tem nenhuma notinha para dar à Ana [ó tia, por amor de Deus, não queremos dinheiro! Só a vimos abraçar!] e vêm-lhe as lágrimas aos olhos enquanto diz que provavelmente já não nos volta a ver. 

Soa a despedida e ele mascara a conversa com um abraço demorado. Vai buscar uma aguardente caseira que oferece ao sobrinho neto. 

Olha para a moldura da coroa e diz-me:”Gostas, não gostas?!” 

Sorrio e aceno, sem nenhuma intenção senão a gentileza do elogio. Tira-a da parede e dá-ma, sem me deixar reclamar: “lembrem-se de mim”. 

Lembraremos, tia!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Os Açores... na festa da Ana!

Quando comecei a organizar a festa da Ana, queria ter o condão te poder trazer a Lisboa todos os leitores queridos do meu blog. 

Impossibilitada de o fazer alegrei-me quando percebi que a Marisa Barroca e a Isabel Coimbra faziam diligências para encontrar um autocarro que me trouxesse as gentes do Norte. Percebi que a Fatima Agostinho podia fazer um car sharing trazendo a Daniela Braz do Algarve. Vem uma menina do Alentejo, outra de Coimbra, a Daniela Ferreira de Bragança. A Luz vem do Funchal!

No entanto, porque tenho um tipo dos Açores cá em casa, conheço o peso da insularidade. E sabia que era quase impossível trazer leitoras dos Açores para nos ajudarem a apagar a vela! 

 No entanto, tal como fiz para muitos lados, tentei fazer alguma coisa. E eis que me chegou esta resposta: 

"Cara Pólo Norte, 

 nome do Grupo SATA, acuso a receção da sua mensagem de e-mail e agradeço o seu pedido que mereceu a nossa melhor atenção. 

 Gostaria de lhe transmitir que o seu pedido se enquadra na ativa postura de responsabilidade social que assumimos, pelo que estaremos em condições de oferecer o nosso apoio com a cedência das duas viagens solicitadas no percurso Ponta Delgada/Lisboa/Ponta Delgada. " 



A Corisca Ruim e a Carlinha vêm à festa da Ana!

Obrigada, SATA! Ficámos de coração cheio!
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