domingo, 1 de novembro de 2020

8 anos

 



Porque é que não há comida azul? Porque é que os chás e o atum vêm em latas e as salsichas e o grão em frascos? Os búzios namoram com as conchas? Porque é que os famosos querem ser famosos se depois não gostam que os reconheçam e falem com eles? Porque é que os homens baixos não usam sapatos de salto alto? Os nervais têm poderes mágicos debaixo de água? Porque é que há queijo de vaca, cabra, ovelha e não há de porco? Porque é que o Japão que é uma ilha inventou o sushi para conservar o peixe e os Açores inventaram pacotes de leite e queijo? Porque é que há quem ache que o mundo não é redondo e embirram é com as crianças que acreditam em fadas? Se me dizem que as fadas não existem porque nunca as viram porque é que acreditam em Deus se também nunca o viram? Há países onde não há quatro estações do ano: como será a quinta estação do ano? Primaveral ou outoverno? Porque é que não há uma dança típica portuguesa para um casal dançar como o tango na Argentina e o flamenco em Espanha? Se há bonsais, não deveria também haver animaisais? Porque é que põem actores sem deficiência numa cadeira de rodas a fingir que têm deficiência se isso é tão estupido como pintar um actor branco para fingir que ele é castanho? Porque há um dia da igualdade se toda a gente sabe que devíamos era ter um dia da diferença? O papa é o CEO da igreja? Porque é que não há flores com as pétalas verdes? Porque é que há países onde o cabelo das mulheres tem que ser tapado por causa dos olhos dos homens: não deviam eram tapar os olhos deles? Porque é que se nasce a chorar em vez de a rir? Não devíamos aprender língua gestual na escola? Porque é que os cozinheiros mal criados é que têm programas na televisão em vez de serem os simpáticos e gentis? As fadas, os unicórnios e o Pai Natal vivem todos no mesmo Bairro? Como é que os meninos cegos constroem puzzles e fazem legos? Se os filhos nascem da barriga das mães, as mães quando têm que morrer não deviam murchar na barriga dos filhos?

Ana: há oito anos a abanar o meu Mundo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

De vez em quando, quando preciso mesmo, volto aqui

O Mundo divide-se...

... entre as pessoas que, em criança, fizeram visitas de estudo à Central de Cervejas e os outros.

Regresso às aulas da Ana: uma análise histórico-estatística

 


Fazendo uma análise regressiva onde se pode verificar que no primeiro ano me enganei na data (era 2018, btw), no segundo fiz tudo certinho, agora no terceiro não reparei que ela só levava uma meia, estou em crer que, tendo em conta a análise das probabilidades, para o ano volto a acertar. 

Menos mal, que é o último ano da primária e dava-me jeito acabar em bem. 

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

O INCRÍVEL SENTIDO DE HUMOR DA MINHA FILHA - IV acto

A Ana deita-se ao meu lado, enquanto lhe faço cafuné. Falamos do dia, eça conta-me sobre a nova professora, que adorou a professora de inglês, que andou a brincar com os amigos no intervalo, as regras novas da escola, o amigo que demora sempre muito tempo a acabar de almoçar e do tempo que todos têm que esperar por ele, rimos, e pomos toda a conversa em dia. 
 Remato, eu, fofa que sou: "Então, de 1 a 10, quando darias ao teu dia?" 

Ela: "9" 

Eu, curiosa: " Nooove? O que faltou para dares dez?" 

Ela: "Xarope de ácer. Faltou xarope de ácer, que o que mandaste no frasquinho não chegou à última panqueca..." 


[Desisto]

Eu, sempre que alguém me diz que o facto dos miúdos usarem máscara é causador de traumas de infância...

 


O INCRÍVEL SENTIDO DE HUMOR DA MINHA FILHA - III acto


Eu: Repete lá os procedimentos sobre idas à casa de banho na escola, para ver se percebeste tudo, Ana?

Ela (enfadada): "Não toco na maçaneta da porta com as mãos, borrifo alcóol gel para o tampo, limpo o tampo com papel higiénico sem lhe tocar, atiro o papel higienico para dentro da sanita, vou buscar papel higiénico para puxar o autoclismo e atiro esse papel higiénico para a sanita outra vez, faço xixi sem tentar tocar no tampo da sanita, limpo-me, volto a puxar o autoclismo com papel higiénico para não tocar no botão da descarga, lavo as mãos e desinfecto-as com alcool gel e saio da casa de banho sem tocar na maçaneta da porta."

Eu: "Percebeste que deves tentar tocar no mínimo de coisas, certo?"

Ela: "Posso só fazer xixi de pé como os rapazes e no fim limpar a nojeira toda que ficar com papel higiénico e álcóol gel?"

O INCRÍVEL SENTIDO DE HUMOR DA MINHA FILHA - II acto


Eu: "Vá, filha: ano lectivo molhado, ano lectivo abençoado!"
Ela: "Tens noção de que "covidado" também rima, mãe?"
...

O INCRÍVEL SENTIDO DE HUMOR DA MINHA FILHA - I acto


Vamos a correr para o carro com a mochila a abarrotar e ainda um saco de pano todo eco-cenas cheio de material extra de artes, mais papel de lustro e uma cartolina, que também estava na lista.
Chove a potes.
Vamos todas desengonçadas, carregadíssimas, entramos no carro, ela olha para o saco de pano e constata, olhando para a cartolina toda molhada, num estado miserável:
- "Já viste, mãe? O terceiro ano é mesmo fixe! Ainda nem cheguei à escola e já aprendi a matéria de como fazer pasta de papel, han?"

terça-feira, 15 de setembro de 2020

O Mundo divide-se...

O Mundo divide-se entre os pais que forram os livros, mamam com as bolhas de ar, furam com agulhas, dizem palavrões e fica uma porcaria por demais e os outros.




 [Também há os que compram aquelas capinhas mas toda a gente sabe que isso não é parentalidade sofrida e com sacrifício, pré-requisitos essenciais nisto de se ser pai...]
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