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domingo, 8 de maio de 2022

Bella Esmeralda

 

Agora que o Cristiano Ronaldo e a Georgina perceberam a originalidade dos nomes encantados da Disney eu atrevo-me a apostar que o bebê seguinte será o Príncipe Aladino.
Go, Ronaldo!

terça-feira, 5 de abril de 2022

Precisamos de reflectir urgentemente sobre o assédio, a comunicação social e a forma como tudo anda prevertido

 

Lisboa. Março de 2022. Uma diretora de serviço de um hospital de referência demite-se depois de ter sido acusada, por dezenas de enfermeiros, enfermeiras e assistentes operacionais, de alegado assédio moral e laboral. Dezenas. Que apresentaram, em bloco, uma carta à Administração do Hospital afirmando que se não fosse aberto um inquérito interno e uma averiguação, avançariam para a barra dos tribunais.
Face a isto a Administração decidiu abrir o inquérito, ouvir as dezenas de pessoas e, na sequência disto, suspender a profissional da suas funções que, segundo as notícias de orgãos de comunicação social mais sérios, se viu forçada a apresentar demissão neste contexto. E que o fez.
Jornal Expresso. Abril de 2022. Sai uma notícia que avança que "Em declarações ao Expresso, a médica disse que foi uma decisão pessoal e apontou como motivo a forma como se gerem as pessoas no Serviço Nacional de Saúde".
O Expresso, um jornal que sempre considerei sério, isento e de referencia, escreve exactamente esta notícia a propósito do caso:
"Sem adiantar em concreto o que a fez abandonar o SNS depois de uma carreira dedicada à prestação de cuidados na rede pública, a pediatra acrescentou apenas: “Não estou zangada com o SNS, que sempre servi com lealdade e com o melhor do meu conhecimento técnico. Este ciclo está encerrado.” (...)
Acrescenta a notícia "O fim de funções da responsável pela Infeciologia do Dona Estefânia é conhecido na mesma semana em que o hospital deixou de conseguir assegurar exames de imagiologia, como ecografias, no período noturno (a partir das 20 horas) por falta de profissionais."
Remata, ainda, com "Ao Expresso, a administração garante que tenta encontrar uma solução: “Há uma efetiva falta de radiologistas no SNS, cenário que complica a gestão das escalas. Estamos a procurar uma solução definitiva a contar a partir de 1 de abril, pois até esta data tudo está assegurado. Reforçamos que nenhuma criança deixa de ser vista ou fica sem cuidados.”
Temos, portando, uma culpabilização encapotada do SNS face à saída de profissionais especialistas e aparentemente com elevada competência técnica dos hospitais, por não lhes serem garantidas condições mínimas de trabalho.
Zero referências às acusações de alegado bullying, denunciado por DEZENAS de profissionais. Zero referências ao inquérito que foi aberto, à suspensão da profissional que daí resultou. Zero voz às DEZENAS de profissionais que alegadamente foram vítimas de assédio por parte desta senhora.
A caixa de comentários é inanarrável: as pessoas são facilmente manipuladas porque não procuram mais informação, porque lhes comem o que lhes põem à frente. Não as culpo. Houve tempos em que, se lesse no Expresso, não precisaria de procurar em mais lado nenhum. Não são estes os tempos.
Um profissional, especialmente, um médico faz-se de "humanidade" e amor às pessoas". Escrevi-o há dias a propósito da sorte que tenho em encontrar médicos incríveis no meu caminho. E enfermeiros e enfermeiras. E assistentes operacionais. Também nesse hospital de que se fala nas notícias, onde nasci, onde fui seguida e onde já colaborei como profissional.
Lisboa. Abril de 2022. Um abraço para todas as vítimas que são esquecidas nas notícias, que são duplamente violentadas com o desprezo da comunicação social e a falta de um espaço onde possam ter voz, onde possam denunciar abusos, onde possam alertar outros pares do que não é aceitável. Um abraço a todas as vítimas que, dão corpo, sangue e suor por um serviço público frágil mas cheio de gente com valor e que têm que ler que o SNS não presta e que por isso deixa sair "os melhores", os "especialistas", os "diretores".
O SNS está vivo graças a estas pessoas. A estas vítimas também. E graças à valentia e coragem de enfermeiros, enfermeiras e assistentes pessoais que, em bloco, não aceitam menos que o respeito que merecem e não permitem que o SNS perpetue desumanidade. Saibam que vos escuto e que muito gostaria de ouvir bem alto a vossa voz.
Para vocês: o meu mais profundo obrigada.

segunda-feira, 4 de abril de 2022

O melhor da pandemia


Começo eu: não ter que enfrentar a perda de tempo imposta pelo trânsito.


sexta-feira, 18 de março de 2022

Não há forma certa de lidar com a guerra, porque fomos feitos de paz

Primeiro não conseguia dormir, remexia-me na cama, levantava-me, ia à cozinha beber água, via notícias no telemóvel, ia ao Twitter, ia ao quarto da Ana olhar para ela, imaginava se fossemos nós, abandonar tudo de material, no limite só nós temos uns aos outros, tudo o resto é matéria, mas a matéria dá conforto, calor, dá afecto, somos feitos de amor, por isso não sabemos lidar com a Guerra, porque fomos feitos para a Paz.

Doia-me a cabeça, as notícias na televisão sempre ligada, as actualizações pop up no telemóvel, as crianças nas imagens, a Ana em cada uma delas, é sempre sobre nós, nós nos outros, a empatia é sempre egoísta, o trabalho mais pesado, eu mais lenta, a cabeça a doer.

Decidi abrandar os estímulos, ver só televisão o fim do dia, desligar as actualizações do telemóvel, estaria a ser covarde? Estaria a fazer evitamento? A entrar em negação?

A guerra existia para além do que eu decidia, do que eu controlava- o que posso fazer para acrescentar sem me doer a cabeça, sem querer que a guerra me dê cabo da saúde mental?
Experimento diferentes estratégias, tento encontrar uma forma de lidar com isto, ponho mãos à obra, percebo como sempre que não consigo mudar o Mundo mas consigo ajudar devagarinho, uma pessoa de cada vez, coisas práticas, não preciso de fazer nada grandioso, pequenas coisas, pequenas ajudas, uma de cada vez, fazer o dia a dia de algumas pessoas avançar, já não me dói a cabeça, não vale de nada- bem sei...- a Guerra não acaba mas ao menos não me mato por dentro, isso não salva ninguém mas salva-me a mim, nos aviões ensinam-nos sempre que antes de metermos uma máscara de oxigénio às crianças que estão ao nosso lado temos que as metermos primeiro a nós.

Não há forma certa de lidar com a Guerra porque fomos feitos para a paz.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Sim, mostrámos a Casa de Papel à miúda

 

Ana ouve na televisão comentário político onde se diz que "Rio afirma-se nos debates eleitorais"
Esbugalha os olhos e pergunta-nos, incrédula:
"O Rio vai-se candidatar às eleições?"
Sim? (Nós, confusos)
Suspira, com os seus botões: "A Lisboa é que dava uma boa presidenta..."
...

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Inventámos o nome de uma síndrome

Tenho uma amiga cujo ex-namorado, ressabiado, passa os dias no Speaker's Corner do seu mural de facebook a destilar ódio, indirectas e bocas que dão um bocadinho de pena para ver se a atingem ou se ela se pica.
O engraçado é que ela não o bloqueou no facebook mas fez-lhe aquilo de não aparecerem no seu mural os status dele e prossegue a sua vidinha, sem curiosidade nenhuma sobre o que ele escreve e sem sequer lá ir, fresca e fofa na sua vida.
Ele- attention seeker- continua a esbracejar muito, acreditando que chega até ela- mas só somos mesmo nós, azamigas dela, a assistir de camarote àquele triste desempenho.

Referimo-nos agora, entre nós, àquela verborrea como a "Síndrome Alexandreeo". Estamos "assim" de a registar e pedirmos que a incluiam no DSM-V 

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Silly season# 1

Genes de Sophia de Mello Breyner desperdiçados assim ao desbarato...

 

segunda-feira, 30 de março de 2020

Covifado

Depois do incrível samba da quarentena do Brasil e da fabulosa ópera da quarentena de Itália, temo o faduncho colectivo de homenagem à luta pela Covid-19.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Coping em tempos de cólera


Há pessoas que quando estão assustadas, com medo, ansiosas ou frágeis congelam. Ficam ali a cismar, sem conseguir agir, enterradas nas preocupações, com insónias e falta de apetite. A maioria das pessoas que conheço ficam assim e acho que, por serem a maioria, se considera que esta é a forma socialmente desejável de se sentir (mostrar?) sofrimento. 

Já eu quando estou triste, angustiada, preocupada, perdida ou ansiosa tenho duas respostas: primeiro começo a ser hiperactiva e exploro todas as opções que consigo controlar de forma desenfreada até as esgotar; segundo não dispenso nenhuma gota extra de energia sobre coisas que não controlo. E durmo, muito, como se o meu cérebro se quisesse poupar, numa espécie de reboot e armazenar energia para quando ela for mesmo útil. As pessoas não são muito empáticas por quem não se mostra down, na merda e - muito menos- por quem dorme durante o caos. 

Eu durmo. 

Pensei que seria essa a minha resposta a este stress que o vírus trouxe à vida de todos mas, Maslow existe, e fiquei doente ( e não foi somático: fiquei mesmo doente). E por isso (e por ser grupo de risco) estou em isolamento e numa serenidade que complica a maioria das pessoas que conheço. As estratégias de coping são as respostas de cada pessoa para lidar com situações extremas de stress externas ou internas. 

Não há estratégias padrão ou universais para lidar com o stress. Tal como há diferentes formas para se fazer bolos. 

Não julguemos quem se orienta para a regulação da emoção como não julguemos quem adopta estratégias de resolução do problema. É, mais que nunca, a altura de aproveitarmos o período de isolamento para nos conhecermos melhor uns aos outros, com o tempo que o dia a dia, o trânsito, os relógios e o que fazemos para jantar, não nos permite. 

Mas, sobretudo, aproveitemos este tempo para nos conhecermos melhor. A nós próprios. 

E seja qual for a forma que tenhamos disponível para nos auto-regularmos e pormos o bolo no forno. Há poucas coisas melhoras na vida que o cheirinho a bolo quente a sair do forno. E a certeza de que somos capazes de ultrapassar o stress e sairmos ilesos disto. E comermos o bolo sem culpa. Com o prazer de estar vivos. 

Estaremos.

terça-feira, 17 de março de 2020

Nobody sait it was easy but caralho, men!






Há uma semana fomos almoçar ovos rotos ao rubro e eu ofereci às minhas amigas os presentes de Natal  atrasados:  umas canecas tolas feitas por mim. Adiamos encontros, andamos sempre de agendas desencontradas e damos por garantidas novas oportunidades de estarmos juntas, de nos abraçarmos, de partilharmos comida na mesma mesa, de rirmos cara a cara. 

No dia seguinte voltámos a estar juntas num momento tristíssimo de uma de nós e mais uma vez suspendemos todos os planos e priorizámo-nos. 

Eu, que não acredito em premonições, olho para as mensagens toscas que escolhi para cada uma delas. e para o facto de uma fatalidade nos ter juntado um dia depois, como um prenúncio dos tempos que, hoje, vivemos. Vai passar.

 Nobody said it was easy (But caralho, men), vamos ter que gritar namastoda-se muitas vezes, mas enfim, sobreviveremos porque, no fim de contas, somos todos paleolitic survivers. Não vai ser fácil mas vamos superar. Vamos ter que viver dentro de casa, experimentar big brothers familiares duros e vamos ficar insuportáveis. Mas vivos, que é o que se quer. 

Enquanto escrevo este post olho para a caneca que ficou por entregar à querida MEP e sorrio. A caneca que reza assim “Jesus ama-te porque não convive contigo”. Que com este convívio não nos deixemos de amar. Pelo contrário: que sobrevivamos com mais amor, mais sentido de urgência no amor, menos adiamentos de planos, de afectos, de beijos, abraços, olhos nos olhos e gargalhadas ao vivo que nunca mais daremos por garantidas. 

A vida dá-nos sempre hipóteses de fazermos melhor. 
Faremos.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Ana, a literal

 A professora da miúda reuniu a turma e fez uma brilhante e apaziguadora explicação sobre o Coronovirus, terminando com a recomendação mais inteligente de todas: o importante é lavar as mãos e bem e sem ser a despachar. 

Para ilustrar isto, deu como referência que eles devem lavar as mãos enquanto cantam duas vezes a canção dos "Parabéns a você". 

A modos que cheira-me que não há coronovirus que se cole à Ana pois, para além dela cantar desde a primeira estrofe do "Parabéns a você" até à última "uma salva de palmas", continua sempre com o "Obrigada, meus amigos, do fundo do coração, por me terem cantado esta linda canção", faz a onomatopeia dos aplausos, do sopro da vela olhando- se no espelho e no, fim, já a secar as mãos, reclama sempre com um "devíamos pôr uma vela aqui ao pé do lavatório para pedir um desejo quando acabo de lavar as mãos, não achas, mãe?"

São só 27538 minutos a lavar as mãos, coisa pouca. 

...

terça-feira, 3 de março de 2020

Sistema de senhas prioritárias para o Coronovirus atribuídas a...


  • Pessoas que escrevem "-mos" em verbos conjugados na primeira pessoal do plural 
  • Pessoas que escrevem "estives-te" 
  • Pessoas que dizem "as alterações climáticas são uma treta, é tudo para ganhar dinheiro" e depois queixam-se que chove muito no verão ou que faz calor no inverno 
  • Machistas, racistas, xenófobos, fanáticos religiosos, políticos e clubisticos.
  • Pessoas que não distinguem o “à” do “há” 
  • Malta que cutuca no nosso braço enquanto falamos 
  • Pessoas que dizem "ha-des" e eles "idem"
  • Pessoas que dizem 'colocar' em vez de 'pôr' 
  • Pessoas que escrevem "fodasse" 
  • Gente que partilha imagens motivacionais da treta 
  • AVentesma
  • Pessoas que dizem ouvistes, falastes, Hades, Tufone, Pugrama... 
  • Pessoas que estacionam no lugar reservado a pessoas de mobilidade condicionada 
  • Homens que dizem “a minha Maria” quando se referem às mulheres 
  • Locutores de rádio super bem dispostos e felizes e a rir imenso logo às 8 da manhã. 
  • Malta que escreve "voçês" 
  • Toureiros e todos os que contribuem para isso 
  • Gente que diz "prontos" 
  • Pessoas que dizem “eu não sou racista mas"
  •  Pessoas que ainda têm jerricans cheios em casa
  • Fachos 
  • Mulheres que usam unhas de gel pontiagudas 
  • Terraplanistas 
  • Pessoas que começam a frase por "- Epá, estás mais gordo..." 
  • Pessoas que frequentaram a “universidade da vida” 
  • Pessoas que embarcam no medo e espalham rumores e fake news sem sequer tentar verificar idoneidade da informação 
  • Anti-vaxs
  •  Pessoas que lêem Pedro Chagas Freitas e Margarida Rebelo Pinto
  • Pessoas que usam 's como plural e desconhecem o uso do genitivo 
  •  Malta que diz sande e téni 
  • Pessoas que atendem o telemóvel durante espetáculos ou no cinema 
  •  Coachs da vida 
  •  Pessoas que mandam indirectas no Facebook 
  • Pessoas que tentam meter-se na frente dos outros na fila do supermercado 
  • Condutores de fim-de-semana 
  • Aquele youtuber que acabou com a namorada num vídeo 
  •  Homofóbicos e misóginos 
  • Pessoas que publicam fotos suas, acompanhadas de grandes pensamentos filosóficos (#sóquenão) e terminam os textos com "e mais não digo..." 
  • Os "arquitectos" que projectam WC públicos com menos de 1 m2, onde tens que encostar as pernas à sanita para conseguir entrar e fechar a porta! Ah!! E quem se lembra de instalar os sensores de luz, como se tivéssemos todos uma antena de meio metro na cabeça, para fazer aquilo disparar e não ficarmos de rabo para o ar a esbracejar! 
  • Homens que fazer mansplaining 
  • Pessoas que têm tanta pressa de entrar no elevador que bloqueiam a passagem de quem tem de sair para lhes dar lugar
  •  Gente de claques de futebol 
  • Pessoas que dizem "ele até diz umas verdades!" e esquecem as barbaridades políticas associadas 
  • Pessoas que compraram todas as máscaras e deixaram os imunodeprimidos a ver navios 
  • Quem diz "Amarei-te" e afins! 
  •  Epidemiologistas de sofá.

 (aceito mais sugestões na caixa de comentários)
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