sexta-feira, 17 de abril de 2015

O Mundo divide-se entre quem gosta de ler Lobo Antunes e os outros

"Em primeiro lugar quero dizer que estou farto de ser orfão, eu que, em criança, tantas vezes desejei a vossa morte, durante umas horas, quando ralhavam comigo ou não me deixavam fazer o que me apetecia e obrigavam-me a actos desnecessários tais como lavar os dentes, comer sopa ou pegar nos talheres como deve ser. A ordem
- Pega nos talheres como deve ser
ainda ecoa, horrível, dentro de mim, tal como a sinistra pergunta
- Não lavaste as mãos antes de vir para a mesa?
ou a resposta
- Um dia falamos sobre isso
quando calhava interessar-me pelo modo como as crianças apareciam dentro da barriga das mães. Apesar de tudo eu tinha alguma cultura: sabia, claro, que os rapazes faziam chichi pela pilinha, que as meninas por um buraquinho mas um dia vi uma mulher de cócoras no pinhal em Nelas e fiquei banzo: fazia por uma escova. Naturalmente interessei-me:
 - Porque é que as mulheres fazem por uma escova?
e os meus pais primeiro banzos também e depois a lutarem para ficar sérios. Não me explicaram nada e vários mistérios subsistiram durante muito tempo. Primeiro, porque é que as mulheres têm uma escova ali. Segundo, porque é que as escovas, que passei a olhar com desconfiança, fazem chichi. Terceiro, isto acontecerá ao conjunto das meninas, ao crescerem, ou só àquela? Quarto, o exame minucioso a que submeti todas as escovas que encontrei em casa não me deu nenhum resultado esclarecedor: não havia uma que não estivesse seca. As de escovar a roupa, as de escovar o cabelo, as de esfregar o chão. E os meus pais sem responderem. A minha mãe ainda abriu a boca mas não chegou a falar, embaraçadíssima. O meu pai não abriu a boca mas qualquer parte dele parecia divertir-se às escondidas, quando qualquer parte dele parecia divertir-se às escondidas a minha mãe a censurá-lo
- João
e ele logo sério, ausente, a interessar-se pelos meus estudos que, em geral, o desgostavam porque os meus resultados escolares costumavam roçar o trágico e constituíam uma preocupação constante para a família. O facto de eu ser escritor
(sempre fui escritor desde que me conheço e a minha mãe previa-me um futuro de miséria negra)
não desagradava inteiramente ao meu pai, que tinha um respeito sagrado pelos artistas, mas os meus resultados escolares preocupavam-no, queria que eu tivesse uma profissão sólida que me amparasse as veleidades criativas. Para ele, a única profissão sólida e digna era ser médico
 - E depois, nos intervalos, escreves
como Júlio Dinis ou Duhamel. Acabei por lhe fazer a vontade, pai, tornei-me médico, mas o meu curso foi um tormento para ele: reprovações, notas baixíssimas, os seus colegas, professores também, lá me iam deixando passar por amizade. Lembro-me que no fim da prova de Medicina Operatória o catedrático me disse com bonomia, diante do anfiteatro cheio:
- Olha, filho, tens treze e diz lá ao pai que não pôde ser mais.
Isto para além de cartas que ele me mostrava com desgosto, género
O seu rapaz esteve aqui e não sabia nada
ou, comparando-me com o meu irmão
- O Lobo Antunes tem dois filhos, um é bom, o outro é uma nódoa.
Ainda me espanta a razão pela qual o meu pai não me matou. Mas sei que lia às escondidas o que eu escrevia e tinha muitas esperanças literárias no filho, embora nunca me tivesse falado nisso, porque não era dado a confidências ou elogios. A mim não me disse nada mas dizia aos meus irmãos
- O António tem faísca, o António tem faísca
e que, quando comecei a publicar, se orgulhava dos meus produtos. Eu acho que os meus irmãos e eu tivemos muita sorte com os nossos pais, que eram pessoas de uma honestidade irrepreensível, inteligentes, cultas, complexas, rigorosas, com qualidades muito superiores aos defeitos que obviamente também possuíam. Tivemos muita sorte, manos. Agora somos orfãos e não tenho jeito para orfão. Eles também não. E depois perdemos há pouco o Pedro que será sempre uma ferida aberta para nós. E depois da morte do Pedro a nossa mãe informou que não tinha o direito de estar viva com um filho morto. E morreu de puro desgosto, sem doença. Somos orfãos do Pedro também. Sobramos cinco e eu não quero que nenhum deles morra antes de mim. Gostamos uns dos outros sem palavras, com o imenso pudor que herdámos dos nossos pais. Não suporto a ideia da morte do João, do Miguel, do Nuno, do Manuel, como continuo a não suportar a ideia da morte do Pedro. Vou dizer uma coisa. Não devia dizer mas vou dizer. Quando fomos contar à nossa mãe que o Pedro se tinha ido embora ela pronunciou só uma frase:
- Tenham misericórdia de mim.
Sentada na sua cadeira, na sua sala:
- Tenham misericórdia de mim.
Agora está com o nosso pai, a contar, entre muitos outros episódios
- Lembras-te daquela história da escova?
e o meu pai a responder
- Ah
que, no seu caso, às vezes, era um discurso muito comprido. Esta crónica saiu toda descosida e mal feita. Não importa, de que outra forma podia fazê-la? É a minha maneira aselha de pedir que tenham misericórdia de mim, porque não sou o adulto que pensam. Peguem-me ao colo. Às vezes tenho tão poucos anos nos meus anos todos e fico tão leve nessas alturas."

quinta-feira, 9 de abril de 2015

É oficial: as minhas amigas são melhores que as vossas!

Chegámos ao restaurante. Na mesa ao lado da nossa uma folha manuscrita a dizer "Reservado: Nuno".  Começámos a jantar- eu e a minha amiga Rita- a mais destrambelhada de todas. 
Chega o suposto Nuno com uma babe toda ela cheia de "não me toques".  O Nuno a bater, claramente, o couro à rapariga. A rapariga com um ar enjoado, cheio de mania. 
A minha amiga Rita levanta-se para ir à casa-de-banho, passa pela mesa do Nuno, olha-o e cumprimenta-o efusivamente. Com um entusiasmo excitado, até. Pergunta-lhe se ele tem o número de telefone certo dela pois ficou à espera da chamada e nada...
O Nuno faz um ar confuso, um sorriso amarelo e não se desmancha. A "não me toques" fica de trombas o resto do jantar. 
A minha amiga acaba de jantar e antes de sairmos acena ao Nuno e pisca-lhe o olho. Faz-lhe mímica que indicia telefonemas posteriores. 

Saímos. 

- "Conheces o Nuno?"
- "Não. Mas aderi aquela merda dos 21 dias sem açúcar e se alguém tem que levar com o meu mau humor provocado pela falta de açúcar no sangue que sejam gajas com a puta da mania e garanhões com a mania que são engatatões... "

...

...

...


É isto a minha vida.

terça-feira, 17 de março de 2015

Se isto não é poesia, então a poesia não vale nada

O meu amigo Paulo diz  que quando era pequeno (citando) "saber se os berlindes iam para o céu ou não quando se partiam atormentava-me"...

Portuenses do it better!

Eu peço um sítio BBB (bom, bonito e barato) para jantar.
Elas acrescentam outro B e dizem que me vão levar a um sítio BBBB (som, bonito, barato e "baitudopelosares").
(Bai ser bonito, bai...)

quinta-feira, 12 de março de 2015

domingo, 8 de março de 2015

Eu queria mesmo era provar um a 2 dimensões, pá!

Ontem, no final de um repasto de sushi com os meus amigos Catarino, o Luis pergunta o que têm de sobremesa.

Resposta do empregado:

"Temos um pudim a três versões que eu não me lembro do nome e um pudim de queijada de Sintra a três dimensões, sabem?"


...


...


...

Eu achava que este dia não era para mim



Eu achava que este dia não era para mim. Mas é. Este dia, afinal, é para mim. 
E é para mim e para todas as mulheres que, fora do meu etnocentrismo, continuam a precisar de um dia que as lembre da luta pela igualdade. É para mim e para Jyoti Singhque, a rapariga de 23 anos que, na Índia, foi violada por um grupo de homens, às nove da noite, num autocarro depois de ter ido assistir à "Vida de Pi". É para mim e para as meninas que, todos os dias, na Guiné Bissau são vítimas de mutilação genital feminina à sombra de crenças e de Deuses que acreditam que não merecem sentir prazer. É para mim e para todas as mulheres que têm que usar burka. É para mim e para todas as mulheres que são vendidas como escravas sexuais neste mundo fora. É para mim e para todas as mulheres na Arábia Saudita que ainda não podem conduzir, mas que, em 2016, quando se realizarem eleições autárquicas, vão poder candidatar-se e votar. É para mim e para as mulheres da Nigéria, para quem a violência “vinda do marido com o objectivo de corrigir a sua mulher” está prevista na lei. É para mim e paras a mulheres de Madagáscar que não podem trabalhar em fábricas à noite, a não ser que estas pertençam à sua família. É para mim e para as mulheres da República Democrática do Congo, que são obrigadas a casar e a viver com os marido e a estar com eles onde quer que "o homem decida viver”, não podem assinar qualquer contrato, escolher um emprego ou ter um negócio sem a autorização do cônjuge. É para mim e para as mulheres da Tunísia e dos Emiratos Árabes Unidos que recebem apenas metade da herança em relação aos irmãos do sexo masculino. É para mim e para uma em cada 4 que, em Portugal, se encontra desempregada. É para mim e para as mulheres que em Portugal, em 2015, continuam a sofrer uma disparidade salarial de 13% face aos homens que ocupam iguais cargos. É para mim e para as mulheres de todos os 319 homens que usam, neste momento, pulseira electrónica no âmbito de casos de violência doméstica. É para mim e para as 47 mulheres que o ano passado morreram vítimas de violência doméstica. É para mim e para as mulheres que são assediadas no local de trabalho, para as mulheres que são dispensadas dos empregos grávidas ou em licença de maternidade. É para mim e para as mulheres que têm maridos que as "ajudam" nas tarefas domésticas como se fossem actores secundários da gestão doméstica. É para mim e para as minhas antepassadas que não votaram, não trabalharam sem ser confinadas ao lar e ao trabalho de campo, que não tiveram acesso à escola, ao alfabetismo, que foram damas de companhia de pais e avós, que casaram por combinação dos pais, que nunca beijaram de língua, que fizeram filhos "sem ser por gosto", que morreram sem saber o sabor da liberdade e da igualdade. 
Eu achava que este dia não era para mim. Mas é. Este dia, afinal, é, sobretudo, para mim. Para me lembrar de sair do meu etnocentismo, de perceber que a luta continua, que as desigualdades continuam e da utopia de este dia, um dia, não ser preciso para mim. Nem para mais ninguém.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Uma das minhas pessoas preferidas no Mundo também celebra 35 anos

"Na minha forma displicente de encarar a minha vida, tive uma primeira tentação de dizer que desde os 25 pouco tinha mudado e havia pouco a acrescentar, mas não é verdade. Tanta coisa aconteceu. Perdi a minha mãe e com ela o meu colo e uma parte de mim. Fiz um cruzeiro na Russia entre São Petersburgo e Moscovo com o meu pai. Tirei um mestrado. Fui viver para os Estados Unidos e voltei à cidade onde nasci. Conheci São Francisco, o Big Sur, Yosemite, Lake Tahoe, o Grand Canyon, Las Vegas, Miami e o Hawaii. Fui ao México e passei a passagem de ano com uma família mexicana a convite de pessoas que conhecemos num bar dias antes. Fui fazer doutoramento para a Holanda. Vivi um mês num complexo de apartamentos para idosos. Fui viver com um francês. Passei um aniversário sozinha a jantar pizza congelada de pijama na cozinha, e não foi bom. Fui viver sozinha. Comemorei os 30 anos e fiz uma house warming party. Fiz grandes amigos para a vida. Fui a um casamento na Alemanha e outro na República Checa. Fui a Londres, New York, Budapeste, Praga, Munique, Madrid e Copenhaga. Fiz férias na Croácia e em Ibiza (grande merda). O doutoramento correu mal e demorei 3 anos a ter os primeiros bons resultados. Ganhei uma poster presentation para surpresa geral. Publiquei o primeiro paper. Tive uma sobrinha linda. O meu contrato de doutoramento acabou. Com resultados para dois papers pendentes e dependentes de outras pessoas. Fiquei deprimida. Tive entrevistas de trabalho em Lausanne e Cambridge que não deram em nada. Numa delas fui entrevistada pelo francês. Voltei para casa. Iniciei uma espécie de semestre sabático. Apaixonei-me. Fui a um casamento nos Açores. Voltei a trabalhar na tese. Mas ainda faltavam os resultados para um paper. Fiz uma viagem de carro de Portugal à Holanda, passando pela Bretanha e Normandia. Trouxe as minhas coisas da Holanda. Entrei em conflito com o meu orientador e vi o meu doutoramento por um fio. Recorri. Ganhei. Juntei os trapinhos. Publiquei mais um paper. Chegaram os resultados para o último paper. Ainda não acabei a tese. Mas está quase. Continuo sem certezas quanto ao futuro e sem estabilidade profissional. Mas estou mais feliz. Fiz 35 anos hoje. Fim."



Não é fim. The best is yet to come para as pessoas de 35 anos, miúdas, raparigas da nossa idade, enfim...

Feliz ano novo, Luna!

Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 28


sábado, 7 de fevereiro de 2015

O meu amor celebrou 35 anos



"Eu quero a sorte de um cartoon
Nas manhãs da RTP1
És o meu Tom Sawyer
E o meu Huckleberry Finn
E vens de mascarilha e espadachim
Lá em cima, há planetas sem fim
Tu és o meu super-herói
Sem tirar o chapéu de Cowboy
Com o teu galeão e uma garrafa de rum
Eu era tua e de mais nenhum
Um por todos e todos por um

Nos desenhos animados
Eu já conheço o fim
O bem abre caminho
A golpe de espadachim
E o príncipe encantado
Volta sempre para mim


Eu sou a Jane e tu Tarzan
A Julieta do meu Dartagnan
Se o teu cavalo falasse
Tinha tanto para contar
Há fantasmas debaixo dos meus lençois
Dos tesouros que escondemos dos espanhóis

Nos desenhos animados
Eu já conheço o fim
O bem abre caminho
A golpe de espadachim
E o príncipe encantado
Volta semrpe para mim

Quando chegar o final
Já podemos mudar de canal
Nos desenhos animados
É raro chover
E nunca, quase nunca acaba mal"


Os Azeitonas

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Majestosa quadripolarização!




"Bom dia Pólo Norte, aqui vai a quadripolarização do Sri Lanka. um beijinho. Ana Matia"

AMEI, ANA!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Já fui tão feliz em Bratislava













"Olá,
Sinceramente, não sei se estes locais já foram quadripolarizados (Budapeste e Brastilava), mas para veres como levei a sério a missão é possível constatar que vários locais, de ambas as cidades, foram quadripolarizados.
 
De salientar que não vi morcego nenhum. Em Budapeste, a malta foi do mais antipático que alguma vez já vi - e olha que eu já fui a alguns sítios - mais parecia que estavam todos (homens incluídos) com TPM. Em Bratislava foi o oposto!
 
Um beijinho,
K."


Obrigada e um beijinho com o devido atraso!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Bélgica quadrisushipolarizada


 

"Olá Pólo,

Ando há anos para quadripolarizar uma cidade e finalmente quadripolarizei uma. Bruxelas, que é onde estou a viver agora . Aqui vão duas fotos. Para a Square Ambiorix (espero quadripolarizar lá fora também mas o fim de semana presenteou-me com um friozinho muito pouco convidativo e chuva intermitente como é hábito por estas terras) e uma com o kit de sushi. E não é que é possível fazer sushi em casa?

Beijinhos, Luisa". 

Beijinhos muito atrasados, Luisa! Por onde andas tu, agora?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Tinha esta quadripolarização esquecida, pá!


"Olá Pólo, 
Conforme prometido, também quadripolarizei a Malásia. Mais concretamente Kuala Lumpur.
Em anexo, podes ver a fotografia para depois pores no blog. Já falta menos um!
Espero que esteja tudo bem com Mámen e com a Ana.
Beijinhos"


Obrigada, grande Mário e desculpa o atraso imperdoável na publicação desta quadripolarização, que adorei!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Quando uma quadripolarização te faz vontade de ter um vestido



Desta feita, a minha Anabela quadripolarizou-me Moçambique mas o vestido Muipiti é que é a estrela das fotografias. 

Conheçam os vestidos feitos de capulanas mais bonitos do Mundo aqui

sábado, 24 de janeiro de 2015

A quase-quadripolarização


"Pista de gelo em frente à Câmara Municipal (Rathaus) de Viena, na Áustria. Tinha uma Ursa Polar no meio e lembrei-me logo do Quadripolaridades, não tive foi tempo para o papel nem para a caneta, que o pessoal ali é louco e não esperavam por ninguém. Espero que dê para passar :)
                                                               Rafael Rodrigues"

iMPERDOÁVEL, não teres arriscado ser atropelado para rabiscares num papel, Rafael!  ;) Beijinhos e obrigada!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A maior apóstola quadripolar de todos os tempos



"Minha querida Pólo,mais uma na Colombia, em Cali (terceira cidade).
Um beijinho grande!"


Um beijinho gigante, minha querida Anabela!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O Mundo divide-se entre...

... quem mete primeiro na tigela o leite e quem prefere meter primeiro os cereais.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O Mundo divide-se... (edição lamechas)

... entre as pessoas que encontraram o seu "para sempre" e as outras.

És o meu "para sempre"



Era Janeiro e estava frio. Tínhamos 18 anos e não queríamos saber das temperaturas. No terraço da faculdade sentámo-nos à volta da mesa de café. Tu desenhavas, eu fofocava com a Tânia (que será feito dela?) e, de repente, começaste a desenhar-me. Não sei como foi, foi demasiado rápido, mas consigo descrever aquele momento em câmara lenta, como se hoje fosse 13 de Janeiro de 1999, todos os contornos dos teus lábios a tocarem, pela primeira vez, nos meus. 
Nunca mais nos largámos. Mesmo quando nos largámos. Sei que tu compreendes bem. 
O tempo podia ter estragado tudo, bem que tentou, mas nós não deixámos porque somos do contra. Lembra-te que não tínhamos frio naquele primeiro 13 de Janeiro. O segredo do nosso amor nem é bem reinventarmo-nos todos os dias. É lembrarmo-nos sempre, dia após dia. do que nos fez apaixonarmo-nos um pelo outro: da tua sensibilidade, do meu sentido de humor, de nos rirmos das mesmas coisas, de apreciarmos os mesmos sítios e sabermos de cor as mesmas músicas, de não encontramos no Mundo companheiros de viagem mais compatíveis. E do que nos fez, dia após dia, renovar este amor: eu tratar de ti e tu de mim, eu puxar-te e dar-te incentivo quando tens receio de arriscar, tu puxares-me à terra sempre que começo com os meus delírios, eu a arrancar o carro em quinta, tu a verificares o espelho, o banco e o cinto antes de meteres a chave na ignição, os teus braços a levantarem o meu avô da cama articulada fazendo o meu lugar, substituindo a força de braços que eu não tenho, eu a atirar-me de dentes cerrados a tudo o que te aborrece, a tua serenidade, a minha energia, tu a cuidares de mim, sempre, eu a cuidar de ti, sempre. 
Não fomos felizes sempre, todos os dias, ao longo destes dezasseis anos. Mas tu ficaste, eu resgatei-te quando aqui não estavas, o oceano nunca foi capaz de nos separar, nem o tempo, nem ninguém. Porque eu sei que és tu o único que é capaz de me fazer feliz assim, até que a morte nos separe. 
Porque és o meu "para sempre". 

Colômbia quadripolarizada!



"Olá!... Again.Em Colombia, Buenaventura, cidade portuária. Beijinhos! Anabela"

Anabela, leva-me na mala!!! <3

domingo, 11 de janeiro de 2015

Esta imagem continua a deslumbrar-me

"Olá Pólo! 
Os famosos chapéus de chuva de Águeda já foram Quadripolarizados? Se não, já os estão :P 
Beijinhos, beijinhos, beijinhos!! Ana Águas"

Beijinhos de chuva, Ana!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Por patagonices nunca dantes navegadas



"Na Patagónia ou em Lisboa, sempre contigo em pensamento... espero que gostes :)
As paisagens são lindas e impressionantes. Um beijo muito grande e saudoso, extensivo à família.
Anabela"


Um beijo gigante, querida Anabela! Quero ir à Patagónia meeeeesmo!

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A Bárbara- com quem partilho a data de aniversário- define-nos tão bem...

"O Sol mandou um encontrão a Saturno, que mandou uma bufa em Vénus, que se vingou em Mercúrio... e nascemos nós! Do Big Bang!"


Caranguejolas rulam, pá!

Podes meter no pause?

Querida Ana, 

Tens dois anos e quatro meses (quase cinco). Um dia quando tiveres a idade das mães perceberás a lógica de medirmos o tempo assim, em meses, em semanas, fracções mais pequeninas, como se houvesse uma qualquer necessidade de fragmentarmos o tempo em unidades minúsculas e isoladas para o encaixotarmos melhor nas memórias. 
Decoro-te todos os dias: quando acordas, quando brincas, quando fazes expressões que me lembram antepassados meus e teus e inventas novas- só tuas!- quando me estendes os braços a pedir "coio", quando te encostas a mim no sofá, de mansinho, como que a pedir abrigo, quando adormeces nos meus braços. 
Estás pesada mas nunca te senti tão leve como quando te carrego ao descermos as escadas de casa para que não tropeces, quando te encaixas nos meus quadris para que te ajude a descansar as pernas velozes e traquinas, quando adormeces no meu colo. Estamos a crescer juntas, filha, e à medida que tu te tornas mais pesada para o Mundo mais o meu Mundo se adapta a ti, mais força ganho nos braços, mais super poderes ganham os meus lábios quando me apontas os dói-dóis para eu beijar, menos pesada me pareces, meu amor, calibrados que estão os nossos corpos. 
Às vezes apetecia-me ter um comando e colocar esta tua idade no "pause", ficares assim para sempre, já não bebé mas ainda não uma menina crescida, comunicando com palavras atrapalhadas, dançando com gestos descoordenados, dormindo sem pressas nem compromissos no dia seguinte e sorrindo sem razão, só porque sim, porque és feliz. 
Dizem-me que o melhor está para vir e eu acredito porque, connosco, o amor e e encanto do teu crescimento tem tido uma magia crescente, o melhor esteve sempre para vir. 
Mas agora está tão bom e queria meter o "pause", ficarmos assim para sempre: tu pequenina e feliz, a encaixares-te nos meus quadris quando te sentas ao meu colo, a caberes na perfeição na curva do meu pescoço quando adormeces com a cabeça pousada nos meus ombros, a olhares-me com olhos de amor sem fim, sem cobranças nem cansaços, a dizeres-me com voz de bebé crescida como gostas de mim. 

(E pudesse eu um dia fazer-te sentir, em medidas fraccionadas- como as do tempo- o quanto eu de ti...)

Arrrrrriba!

"Exma. Senhora Dona "Ursa",

No seu mapa quadripolar reparei que o México ainda não estava quadripolarizado, pelo que, aproveitando a minha ida recente a esse país para festejar o meu 10º Aniversário de Casamento, decidi dar a minha contribuição.
Em anexo segue a prova do "crime".

Chichén Itzá - México: Quadripolarizado!

Beijinhos da Margarida e do Óscar"


Beijinhos aos namorados! E parabéns atrasados!!! 

sábado, 3 de janeiro de 2015

A minh'Anabela é, oficialmente, a melhor quadripolarizadora de todos os tempos


"Olá! Aqui vai mais uma quadripolarizacao, acabadinha de tirar, "fresquinha, "fresquinha"!
Beijinhos muitos! Anabela"

Anabela ézamaior! <3

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Pólo Norte quadripolarizado






O Francisco e o Afonso  foram à Lapónia (Finlândia) e quaadripolarizaram tuuuuudo o que havia para quadripolarizar: a casa do pai Natal, o círculo polar ártico (na linha que o define)  e tudo e tudo. 

Pólo Norte (finalmente!) quadripolarizado na melhor quadripolarização de 2014!


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O Mundo divide-se entre...

... as pessoas que, na ceia de Natal, comem bacalhau com batatas e couves e as que comem peru.

Gente feliz com lágrimas

Filho de uma família humilde, Joe conseguiu ascender através do trabalho e das oportunidades de desenvolvimento académico e profissional proporcionadas pelo esforço dos pais. 

Este Natal retribuiu-lhes entregando-lhes um envelope com uma folha escrita à mão: 
"A vossa casa está paga. Feliz Natal, Joe". 

E eu lacrimejei, caraças!

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

As minhas amigas são mais eficazes na resolução de problemas que eu...

Aparentemente, para além do meu, todos os maridos das minhas amigas usam a mesma desculpa se queixam do efeito lacrimejante da cebola quando chega a hora de ficarem a cheirar a refogado cozinhar. 


A minha amiga Bé não deu abébias resolveu de forma hábil o problema ao marido:


Mámen manda um abraço solidário, querido Henrique!

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

domingo, 16 de novembro de 2014

Dos amigos que nos escolhem

Quando nos mudámos para esta casa, há dois anos, vínhamos um bocadinho na penúria, depois de nos terem assaltado a casa anterior e levado (quase) tudo. Levaram-nos todos os aparelhos eléctricos, partiram-nos mobília à procura de bens valiosos, estragaram-nos praticamente todo o recheio de maldita casa.
Quando chegámos a esta, fomos, aos poucos, repondo nas várias divisões tudo aquilo que tínhamos vindo a comprar ao longo dos vários anos e que, de repente, tanta falta nos fazia: a cama, os computadores, a televisão, o dvd, os aparelhos da cozinha, o colchão, praticamente tudo. 
Foi ficando para o fim a mesa da sala de jantar, razão pela qual, há praticamente dois anos temos vindo a evitar grandes jantaradas cá em casa, pois a mesa da cozinha não tem muita lotação. 
O nosso amigo Nuno, quando cá esteve em casa a jantar, percebeu essa história da lotação da mesa da cozinha e a forma como uma coisa tão insignificante inibe a socialização indoor desta família. Dissemos-lhe que iríamos, só agora, depois de muitas outras compras prioritárias, procurar no OLX uma mesa gira e barata. 
Ele, de uma forma que tanto nos comoveu, disse que ia resolver o assunto. E está a pôr, literalmente, mãos à obra:

                              

Quantos de vocês têm amigos assim, han?
Não há assaltante que nos roube este sentimento tão bom, tumbas!


sábado, 15 de novembro de 2014

Afinal, caraças, temos uma música! (Obrigada, Spotify!)


Conhecemo-nos em 1998. Começámos a namorar em 1999. Namorámos muitos anos. Casamos. Descasámos. Recasámos. Tivemos a Ana. A Ana e o pai tem uma música na banda sonora das suas vidas. Eu e a Ana temos uma música na nossa relação umbilical. Mas, quando nos perguntavam, a mim e a ele qual era a nossa música perdíamos num sem número de músicas que se ouviam no final dos anos 90, início de 2000 e não chegávamos a qualquer conclusão.
Hoje, a ouvirmos o Spotify lembrámo-nos de procurar álbuns cujos CDs tínhamos quando começámos a namorar, E esta música, enterrada nas catacumbas da nossa memória, começou a tocar nas colunas do computador, tão longe das colunas da minha aparelhagem gigantone no meu quarto de solteira, tão longe do auscultador do meu telefone de disco para onde ele me ligava dos Açores antes de dormirmos, mas tão nossa.
E olhámos um para o outro, enquanto arrumávamos a cozinha a ouvir a música, aquela música, e a letra saia-nos dos lábios, tão fresca, tão presente, tão perto, tão nosso. E dançámos agarrados, entre loiça no escorredor, pão a fazer na máquina e a Ana a dormir a sesta. Tão longe da vida dos tempos de namorados. Tão mais felizes.
Hoje reencontramo-nos com a nossa música.
Aguentem a fofi-melosó-parolice!



A che serve piangere
Rinunciare a vivere
Resta qua se ti va
Non pensare, abbracciami
Lasciami sognare
La tua pelle morbida
Voglio accarezzare
E finche non avro
Anche l'anima
Io saro sempe
Sulla tua scia
Non puoi fuggire
Perche sei mia
Perche ti voglio
Perche mi vuoi
Un mondo si apre
Intorno a noi
E se vorrai crederlo
Io saro l'angelo
Che non ti abbandonera
Quando sul tuo viso
Non vedra risplendere
Dolce il tuo sorriso
E finche non avro
Anche l'anima
Io saro sempre
Sulla tua scia
Non puoi fuggire
Perche sei mia
Perche ti voglio
Perche mi vuoi
Tutto sarai per me
Perche ti voglio
Perche mi vuoi
Un mondo si apre intorno a noi
Un mondo si apre intorno a noi

Querida Ana, algumas dicas da tua mãe para lidar com os gatos (e, daqui a uns anos, com os homens)

1- Ignora-os. Se andares a persegui-los vão fugir sempre de ti. Finge que não lhes estás a passar cartão nenhum e, devagarinho, começarão a sentir curiosidade acerca de ti, a chegar-se mais perto e a quererem festinhas.
2- Não os sufoques. Não os estrafegues, não os apertes em demasia, não lhes tires o ar à força de tanto os quereres. Sê meiga, acarinha-os quando estiverem pousados mas aprecia a ligeireza com que andam à solta. Se assim fizeres, voltarão sempre para fazer ninho no teu colo.
3- Dá-lhes comida, bebida, afecto e calor e tens-nos felizes da vida. Não precisam de muito mais para querer ficar.
4- Na maior parte das vezes preocupas-te apenas com os parasitas externos. Mas lembra-te que expurgar os internos é mil vezes mais importante.
5- Podes comprar algo para eles arranharem mas irão sempre dar cabo dos teus sítios preferidos com as unhas É a maneira de mostrarem que gostam de ti.
6- Adoram coisas que mexem e fazem barulho. Diverte-te com o chinfrim!
7- Se eles se portarem mal dá-lhes um grito. Bater não faz nada. Eles detestam barulho. Cedem sempre com resmunguice. 
8- Estes seres não têm dono. Têm mates.
9- Nunca tenhas a prepotência de achar que os escolhestes. Eles é que te escolhem, sempre, a ti.
10- Aparentemente não são a melhor companhia, a mais leal, a de amor mais condicional. São mais independentes, desligados, cheios de personalidade e, até, um bocadinho snobs. E é, exactamente por isso, que tu nunca lhes vais conseguir resistir.

Uma pessoa acorda com um cenário parecido com este



(A Ana quer comer de beijos a Maria Emília)

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Uh lá lá!


"Minha querida Polo, mais um pontinho para a Cruzada Quadripolar. É o Castelo de Villandry no Vale do Loire em França Gosto bues de ti beijokas. Teresa"

Bisous, querida Teresa!

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Por falar em legionellas

O mundo divide-se entre as pessoas que dizem bactéria e as que dizem báctéria.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Os meus amigos são demasiado literais...

Post it mental: nunca mais escrever como status no facebook pessoal - "A Ana está doente. Já papei 5 vezes o Aladino".

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

100 Quadripolares que vale a pena conhecer # Paulo (21)

Estava à espera do Paulo no aeroporto.
Nunca vira o Paulo antes mas já gostava dele há muito como se a presença fossse um mero acessório na nossa história. De facto, é.
A primeira vez que ouvi falar do Paulo foi em 2012 numa das iniciativas mais gira já promovidas a propósito deste blog: a organização de recolha de possíveis dadores de medula óssea em todos os Distritos do País. Foi overwhelming!
O Paulo ficou responsável por dinamizar um determinado distrito do país e foi o maior sucesso. E foi logo ali que fiquei fã da sua proactividade, generosidade, capacidade de acção e dinamismo.
Ao longo deste tempo fomos conversando amiúde, comentando status um do outro, picando-nos com o mesmo tipo de humor “fininho” e corrosivo, politicamente incorrecto e despreocupado. Há uma certa excentricidade que me une ao Paulo, um certo "i don't care" caprichoso, uma atitude anti-herói que nos une.
Depois o Paulo ajudou uma das pessoas para quem eu pedi ajuda. E há uns tempos desafiou-me para avançarmos com a associação. E agora, quando lhe disse que gostava de ajudar a Mariana, retirando o valor necessário para a cadeira do montante que ele me tinha disponibilizado para o arranque da associação surpreendeu-me com a oferta desse valor para a compra da cadeira da Mariana.
O Paulo é o herói mais anti-herói que eu já conheci. Tem o coração do tamanho do Universo mas diz palavrões. Ajuda sem olhar a meios e não é bonzinho. Tem uma generosidade ímpar mas reclama muito. E não quis fazer discursos, nem tirar fotografias nem nada. Só abraçar, assim meio sem jeito, a Mariana.
Viajar para os Açores com o Paulo, recém-conhecido em carne e osso ali, no terminal de partidas do aeroporto, foi um privilégio. "Mas tu vais viajar para os Açores quase num blind date?"- perguntaram os meus amigos.
É difícil explicar que, mesmo sem ter visto o Paulo antes, já o conhecia muito bem.
O Paulo é um herói anti-herói, uma das melhores pessoas que já conheci e, por isso, provavelmente a única pessoa com quem eu poderia embarcar numa aventura como a que aí vem.
Obrigada, "Mr. Fantastic"!


[Obrigada Paulo por esta amizade que começámos agora e que promete muitas e boas aventuras.
Vou apertar o cinto! E treinar as gargalhadas.]

domingo, 2 de novembro de 2014

Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 24

Comenta uma das minhas melhores amigas numa determinada imagem de facebook:

"Olha, eu quero um funeral com guest list.

Entrada permitida apenas a pessoas importantes na minha vida: nada de primos em 5º grau, tios ñ vistos há mais de 10 anos, beatas, carpideiras e afins!

Tenho dito!"

O Mundo divide-se entre...

... quem gosta de canja feita com arroz e quem a prefere confecionada com massa de pevide.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...