Há pessoas que quando estão assustadas, com medo, ansiosas ou frágeis congelam. Ficam ali a cismar, sem conseguir agir, enterradas nas preocupações, com insónias e falta de apetite. A maioria das pessoas que conheço ficam assim e acho que, por serem a maioria, se considera que esta é a forma socialmente desejável de se sentir (mostrar?) sofrimento.
Já eu quando estou triste, angustiada, preocupada, perdida ou ansiosa tenho duas respostas: primeiro começo a ser hiperactiva e exploro todas as opções que consigo controlar de forma desenfreada até as esgotar; segundo não dispenso nenhuma gota extra de energia sobre coisas que não controlo. E durmo, muito, como se o meu cérebro se quisesse poupar, numa espécie de reboot e armazenar energia para quando ela for mesmo útil. As pessoas não são muito empáticas por quem não se mostra down, na merda e - muito menos- por quem dorme durante o caos.
Eu durmo.
Pensei que seria essa a minha resposta a este stress que o vírus trouxe à vida de todos mas, Maslow existe, e fiquei doente ( e não foi somático: fiquei mesmo doente). E por isso (e por ser grupo de risco) estou em isolamento e numa serenidade que complica a maioria das pessoas que conheço. As estratégias de coping são as respostas de cada pessoa para lidar com situações extremas de stress externas ou internas.
Não há estratégias padrão ou universais para lidar com o stress. Tal como há diferentes formas para se fazer bolos.
Não julguemos quem se orienta para a regulação da emoção como não julguemos quem adopta estratégias de resolução do problema. É, mais que nunca, a altura de aproveitarmos o período de isolamento para nos conhecermos melhor uns aos outros, com o tempo que o dia a dia, o trânsito, os relógios e o que fazemos para jantar, não nos permite.
Mas, sobretudo, aproveitemos este tempo para nos conhecermos melhor. A nós próprios.
E seja qual for a forma que tenhamos disponível para nos auto-regularmos e pormos o bolo no forno. Há poucas coisas melhoras na vida que o cheirinho a bolo quente a sair do forno. E a certeza de que somos capazes de ultrapassar o stress e sairmos ilesos disto. E comermos o bolo sem culpa. Com o prazer de estar vivos.
Estaremos.
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