Para se ser um bom profissional são precisas muitas coisas: formação, experiência, dedicação, interesse, motivação, disciplina, competência, brio, capacidade de entrega, inspiração. Acredito que para todas as profissões mas em particular para os médicos.
Não se trata de ser a profissão mais nobre, que isto não é uma competição de ego e estatuto mas, especialmente, de ser a profissão que segura as vidas de todos nós, com cuidado, nas mãos.
Conheci dezenas de médicos ao longo da minha vida: sou uma paciente com doutoramento. Talvez por isso, na óptica muito experiente do utilizador, consiga perceber o que faz de um bom médico um médico excepcional. Seja em que especialidade for.
Quando entrei pelas urgências do Santa Maria com a minha mãe tive o pior dia da minha vida. Para além das notícias e do prognóstico difícil , sair dum hospital distrital como acabávamos de sair (onde conhecemos os cantos à casa e profissionais lá dentro) para um central, gigante e labirinto, assusta e desorienta.
Foi esta médica que me acolheu. À minha mãe mas especialmente a mim, em pânico e desvairada, cheia de medo e de tristeza e me deu tempo para falar, para perguntar, me esclareceu todas as dúvidas, me apazigoou, me permitiu acompanhar a minha mãe, não fez nenhum juízo de valor, nunca deixou de encontrar um espaço para vir falar comigo e me orientar. E percebi que é isto e só isto que faz um médico excepcional: o serviço às pessoas, a sensibilidade, a atenção e, sobretudo, a humanidade.
Diz-se que quem nossos filhos beija, nossa boca adoça. Eu acrescento que quem nossas mães trata com respeito e humanidade, aos nossos corações dá colo.
Chama-se Mariana Caetano, é médica otorrinolaringologista do Hospital de Santa Maria e, por mais vidas que viva, nunca lhe conseguirei agradecer.
Talvez este texto nunca lhe chegue às mãos mas fica aqui para que todos decorem o seu nome: Mariana Caetano. Mariana Caetano: médica mas, sobretudo, pessoa.
Obrigada pelo amor. É sempre de amor ao outro que se trata.

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