Comprei-lhe tops. O corpo está a mudar e quero proporcionar-lhe conforto e suporte, quero fazer tudo certo, agora que eu já estava veterana em ser mãe de uma criança, tenho que aprender de novo a ser mãe. Duma pré -adolescente.
Sinto-me insegura mas quero tentar fazer tudo certo como quando comprei os biberões mais anatómicos, a cadeirinha do carro mais segura. Mas não há lojas @babyblue_pt para mães de pré -adolescentes, não há cursos de preparação para a adolescência, não há livros que nos guiem e eu só quero tentar fazer tudo certo.
Comprei-lhe tops e isso foi um gatilho de irritabilidade: começou a escalar, a embirrar com coisas triviais, a chorar, estava confusa e zangada e não sabia explicar o que sentia nem porque se sentia assim. Eu abracei-a: "foi por causa dos tops, Ana? Não tens que os vestir já, ficam só ali na gaveta para um dia que te apeteça vestir, quando te apetecer, sem pressão, pode ser no tempo que quiseres". Ela choramingava sem motivo aparente. Abracei-a com mais força: "És o meu bebé, serás sempre o meu bebé..." e ela ia desarmando, parando de choramingar progressivamente, rendida no meu colo.
"Mas tem algum mal usar um top?" - perguntava o pai em surdina, confuso no meio de tanto estrogéneo. Não era o top.
Fui capaz de conhecer o choro da minha filha e diferenciá-lo quando parecia apenas guinchos aos ouvidos dos outros: havia o da fome, o do sono, o da fralda suja e o das dores, o mais aflitivo. Aprendi sozinha a conhecê-la. Agora tenho que fazer de novo. Perceber cada emoção, cada gatilho emocional, o que está por detrás de cada explosão, o não querer crescer, o querer continuar a ser pequena. Aprender a reconhecê-la enquanto cresce.
Não era o top. Eu percebi este choro, agora também.
Por isso, tal como quando era pequena, dei-lhe o meu colo, o meu regaço e embalei-a: "és o meu bebé, serás sempre o meu bebé..."
E o coração dela serenou. E com ele o meu, o desta mãe.
Os tops esperam na gaveta.
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