Não há nada mais duro que educar um filho.
Nós partilhamos experiências com outros amigos pais, lemos livros, participamos em fóruns, uns até tiram cursos de ciências do comportamento (presente!) mas nada nos prepara para os desafios de ensinarmos a vida e guiarmos o destino dos nossos filhos.
Até sabemos a teoria, conhecemos estratégias mas depois os dias engolem-nos, os impulsos atropelam-nos e o stress é um cão descontrolado e damos por nós desorientados e impulsivos, emocionais e irracionais, instintivos e irreflectidos.
Eu ainda não me habituei a isto de ser adulta e muitas vezes apetece-me pedir “coooito!” nesta correria da vida, para parar o pensamento, descansar o coração, enrolar-me sobre mim mesma e esvaziar a mente e voltar ao tempo em que a decisão mais difícil dos meus dias era escolher a roupa que ia levar no dia seguinte para o liceu.
Cresci a correr e não me habituei ainda aos papéis sociais que desempenho e em tudo o que me tornei: mulher, trabalhadora, adulta, casada, mãe. Sou tantas coisas e ainda assim desapareceu tanto do meu eu, distribuído e repartido por tantos pedacinhos de mim.
Hoje ela está triste. O pai está triste. Eu estou triste.
Educar é a tarefa mais dura dos meus dias e se eu tenho dias duros. ´
Coração de mãe não tem intervalo.
quinta-feira, 30 de maio de 2019
segunda-feira, 20 de maio de 2019
quinta-feira, 25 de abril de 2019
Sobre liberdade no dia de hoje e fugindo um bocadinho além das questões patrióticas
Quando o Papa Francisco esteve em Marrocos foi homenageado com um espetáculo em que um muçulmano canta uma oração em árabe, um judia em hebreu e uma cristã canta a Ave Maria de Caccini. Ao fim, a mistura das vozes numa sintonia perfeita, relembrando que a liberdade religiosa é possível.
Nada me parece mais perfeito para relembrar no dia de hoje.
terça-feira, 23 de abril de 2019
Ana, a confiançuda
Mámen em reunião até tarde. Eu e Ana jantamos, tomamos banho e enroscamo-nos no sofa
Ouço uma vozinha; "E agora um drinkezinho. mamã?!
Ouço uma vozinha; "E agora um drinkezinho. mamã?!
quinta-feira, 18 de abril de 2019
Anúncio do apocalipse
"Mãe quero falar-te sobre o meu aniversario."
" Xinapá, Ana, ainda falta muito : é só em Agosto. "
“A pergunta é: Vais tu fazer o meu bolo de aniversário, não vais?
#fml
" Xinapá, Ana, ainda falta muito : é só em Agosto. "
“A pergunta é: Vais tu fazer o meu bolo de aniversário, não vais?
#fml
segunda-feira, 15 de abril de 2019
sábado, 13 de abril de 2019
Ana, a sismóloga
Entrei no quarto dela e estava um caos.
Preparada para a repreender atiro: “Ana, que vem a ser isto?!”
Apanhada, riposta: “Um simulacro?
Preparada para a repreender atiro: “Ana, que vem a ser isto?!”
Apanhada, riposta: “Um simulacro?
terça-feira, 9 de abril de 2019
Quem define o que é preconceito terá que ser sempre o alvo deste
Começou no Carnaval: a mãe de uma pessoa para quem trabalho (gosto muito de ambas) queixava-se no facebook de que as pessoas estavam muito sensíveis a propósito dos comentários indignados e cheios de razão face a uma notícia de uma escola que tinha mascarado os seus alunos de negros, com peles pintadas, saias de palha e artefactos tribais.
A senhora indignava-se e quando lhe expliquei sobre apropriação cultural recusou-se a aceitar os meus argumentos, contrapondo que agora se vê “racismo em tudo”. Falei-lhe de racismo flagrante e racismo subtil com toda a boa vontade.
Continuava irredutível: que era uma forma de se mostrar a diversidade étnica e cultural, dizia a senhora e batia o pé. Contrapus para a realidade que eu e ela conhecemos: se numa escola decidissem mascarar os alunos de pessoas com deficiência, espetando-os em cadeiras de rodas ou dando-lhes canadianas, ela que é mãe de uma pessoa com deficiência, como se sentiria? Que era incomparável, que toda a vida nos mascarámos de chineses e indianos e qual era o mal. Eu continuava: porque não mascararem-se de pessoas com deficiência? Não era, pela mesma lógica, uma forma de sensibilização para a diversidade funcional?
Às vezes as pessoas têm que se remeter à sua insignificância face a temas que não as melindram, sendo humildes o suficiente para respeitarem os assuntos que melindram outrem. Não interessa se a intenção é ou não racista (normalmente é, mesmo que velada e inconsciente, é muitas vezes racismo subtil e está tão enraizada que nem damos por ela...), a questão é que se ofende, se melindra, se tem impacto generalizado na população de negros: é racismo. Mesmo que não compreendamos. Não temos que compreender (quem não consegue compreender). Temos que ser humildes e aceitar. E pedir desculpas, retratando-nos.
Isto a propósito do boneco negro que hoje jazia no iscte para gestão da raiva. “Ah, o boneco podia ser Branco”. Ah, mas não era. “Ah, mas é irrelevante, para o efeito, até podia ter sido um saco de boxe”. Mas não foi. “Ah, é apenas um ser inanimado de uma cor”. Pois mas a cor não é laranja ou roxo: representa uma figura humana negra. “Ah vocês vêem racismo em tudo!” Não está centrado no sujeito, isto do racismo, mas no objecto.
Nós podemos vê-lo ou não, desde que eles o sintam: é racismo.
Tal como seria discriminação se o boneco, de todos os bonecos que se pudessem ter escolhido para o efeito, estivesse sentado numa cadeira de rodas.
Aceitem.
Retratem-se.
domingo, 7 de abril de 2019
Português quadripolar
Gosto de viver em Portugal porque todos os outros lugares são estrangeiros e estranhos.
Com isto não quero dizer que não goste dos outros países, à excepção que eles não são casa, não têm uma caixa multibanco a cada esquina e estão carregados de estímulos, novidades e coisas para serem descobertas que se tornam cansativas porque não são conhecidas e dominadas.
Aquela brincadeira de sair da nossa zona do conforto é muito engraçada, mas assim que estamos desconfortáveis, estranhos ou estrangeiros, não procuramos outra coisa senão sentirmo-nos em casa.
O mundo é capaz de se dividir entre quem desfaz a mala de viagem nos quartos de hotel e pendura a roupa que traz no guarda-roupa bem como coloca livros em cima das estranhas mesas de cabeceira e os outros.
O pior de ser português é o ritmo do cinema, a má condução, as adaptações dos reality shows e os comentadores dos jornais online.
O melhor de ser português é, à parte do café, o ser bairrista seja dentro do nosso bairro quando estamos a ver as marchas populares, seja a defender a nossa cidade quando temos jogos de futebol ou seja a assumirmo-nos portugueses buzinando a cada camião que passa com uma bandeirinha portuguesa no espelho dianteiro quando viajamos de carro pela Europa.
Nós gostamos muito de pertencer aqui e como uma mãe relativamente a um filho, gostamos muito de nos queixar do nosso país mas ai de quem não seja daqui ou venha de fora e diga mal dele.
Meu rico Portugal: quanto mais conheço os outros, mais gosto de ti.
Somos portugueses em muitas coisas mas as mais importantes são este bairrismo e a paixão pela comida, seja ela de que província for, nisso estamos unificados, não há nenhum lado no Mundo onde se coma melhor que em Portugal.
E não tem que ver só com a comida, mas com o sol que ilumina a esplanada, o som do mar aos nossos pés, os miúdos a correrem à volta da mesa em segurança, o cheiro a maresia e aos primeiros cremes protectores e o bitoque até pode ser uma merda.
Tanto nos dá: haja pão para molharmos na gema do ovo estrelado e uma cerveja geladinha e ficamos felizes.
Eu também.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

