Rui aos 39 anos: será sempre loiro mas está cada vez mais grisalho, gosta de vinho tinto às refeições, não perde um livro ou uma série histórica, sabe tudo sobre Reis e rainhas e arte, gosta de viver em Cascais mas será açoriano com orgulho até morrer, adora crianças em geral e é louco pela Ana em particular, se pudesse tinha mais dez filhas, acorda todos os dias antes de todos para ir à padaria comprar pão fresco para nós, se fosse uma cor seria azul, já não fuma e às vezes não sabe o que há-de fazer com os dedos enquanto bebe uma bica, acredita muito no seu Deus, lê sempre antes de dormir, adora passar a ferro e diz mesa de passar, chócolate e caixinha de leite, tem uma gargalhada alta mas é discreto e low profile, despreza dinheiro e bens materiais, pinta bem, canta bem, adora séries de detectives, é desconfiado e não é facilmente conquistado, conduz mal, é refém da Electra e quando se refere a mim diz sempre “a minha loira”, chama-me Lilica e grunguinha, ressona mas dorme em conchinha como ninguém, tem o melhor abraço do Mundo e é o farol desta casa.
Celebra hoje o seu aniversário e nunca saberá o quanto o amamos a ele por tudo o que ele é.
- "Precisas de alguma coisa?"- pergunta-me ao telefone uma das minhas melhores amigas, que me ligou para se inteirar do meu estado de saúde.
. "Assim de repente de ir arranjar as sobrancelhas para não parecer o Álvaro Cunhal, de pintar o cabelo que está igualzinho ao da Madonna e que não me receitem mais nenhuma injecção de cortisona sob pena de no meu aniversário me confundirem com o Fernando Mendes..."
"Bom dia Ursa!
Estive de férias na Zâmbia com o meu marido, que trabalha lá, e não
podia deixar de contribuir para a cruzada.
Aqui vai uma foto das cataratas Vitória, na fronteira com o Zimbabué.
Beijinhos,
Maria João"
Obrigada, querida Maria João para ti e marido! <3
O planisfério está actualizado aqui e é- prometo!- este ano que eu ponho as quadripolarizações tooooodas em dia.
Se alguém me enviou quadripolarizações que não foram publicadas, a razão tem que ver com a minha falta de organização a gerir a conta de email do blog (que- juro-vos!- é uma coisa impossível). Assim, peço-vos que mas reenviem, please, please, para o email euquadripolarizo@gmail.com.
Tinha enviado esta foto através do instagram, mas reparei agora que pede para enviar por e-mail. Assim, aqui está o Egipto quadripolarizado (Agosto de 2017) pelas irmãs Carla e Cláudia Oliveira, no Templo de Hatshepsut."
Obrigada, manas! O planisfério está actualizado aqui e é- prometo!- este ano que eu ponho as quadripolarizações tooooodas em dia.
Se alguém me enviou quadripolarizações que não foram publicadas, a razão tem que ver com a minha falta de organização a gerir a conta de email do blog (que- juro-vos!- é uma coisa impossível). Assim, peço-vos que mas reenviem, please, please, para o email euquadripolarizo@gmail.com. Muitas desculpas e renovadas gracias, sim?!
"Olá Pólo Norte,
quadripolarizei o Chipre, mais um país para acrescentares à tua lista!
As fotos são da Petra tou Romiou ou Rocha de Afrodite. Segundo a mitologia é o local de nascimento da deusa Afrodite!
M."
Quando tens um jantar marcado há meses e a tua filha adoece e tu tens que fazer o que tem que ser feito e ficas naquela ambivalência de "tem que ser" mas "Oh que merda", de "paciência" mas" fosga-se que timing do camandro" e resignas-te e pensas "cabrão de azar: pão de pobre cai sempre com a manteiga para baixo..."
Mas eis que as tuas amigas, lá a jantar, mostram que não tens azar nenhum: o melhor do mundo são as tuas pessoas. E isso é sorte. Melhor sorte no mundo não há.
Já penso na minha própria morte (durante mais de duas décadas não pensei nela), na minha mortalidade e finitude.
O futuro está sempre na sombra e no encalço do presente. Li um dia que somos velhos quando temos mais memórias que sonhos, mais recordações do que projectos e planos, mais lá atrás, caminhos e estradas velhos conhecidos que atalhos desconhecidos por explorar. Estou cheia de sonhos simples e concretizáveis e guardo com alfazema num canto do meu coração todas as memórias de afectos e amor. Tudo o resto não tem espaço em mim, nem o rancor nem o ódio, nem coisas tóxicas nem nada que não me tenha acrescentado. O meu coração tem apenas memória RAM para o passado bom e o futuro de paz e leveza, que é isso que espero enquanto for envelhecendo. Dizem aos mortos "que a terra te seja leve" mas eu acho que deviam dizer aos vivos que o ar lhes seja leve para que o pensamento, os sonhos e os planos voem livres como o vento. Um céu leve.
Deixei de saber só o que não quero e passei a ter uma clara e nítida noção do que quero. Quero a saúde minha e dos que amo, quero quem me quer bem por perto, a intimidade reservada para as gargalhadas de quem me ama na mesma proporção do que eu os amo. Quero reciprocidade e merecimento. Quero relações fáceis e simples, sem cobranças nem julgamentos, sem truques na manga nem agendas secretas, sem cerimônias nem formalidades. Quero ser eu, sem pensar no que dizem os outros. E quero só quem me quer assim, quem goste de mim como sou e não me queira, projecte ou fantasie diferente ou à sua medida. O meu molde é torto e único e nunca me conseguirei encaixar.
Quero sentar-me com as pernas à chinês no passeio se estiver cansada, não me importar com maneiras socialmente impostas, dizer vernáculos e rir alto, usar decotes e não fazer fretes e quando me disserem que já não tenho idade para isto, poder fazer um pirete e cagar-me para o facto da idade não me perdoar.
A vida não é um juiz do certo ou do errado, não traz reguada incorporada e no fim morremos todos. Quero fazer o que sempre fiz: o que me dá na real telha, o que me faz sentir-me fiel aos meus valores e leal às minhas crenças.
E não gosto grande coisa disto dos 30, se vos disserem que, sim senhora, a maturidade e o auto-conhecimento e que nos sentimos mais seguras e confiantes pois que pr'ó caralhinho.
Tenho saudades- muitas!- da frescura dos vinte, da impulsividade e de me borrifar para as consequências, de não ter medo de arriscar e avançar, de não ter a sombra do dever e da obrigação de ter juizinho que tenho filhos para criar- não gosto de ter juizinho nem de ser crescida nem de ser adulta nem do papel social da mãe de família.
Já vi(vi) demasiadas coisas na vida, já conheço de cor alguns guiões e como acabam uma data de histórias, sinto enfado mais vezes do que gostaria e só não reviro mais vezes os olhos porque já não sou adolescente e tenho auto-percepção e auto-consciência e um super ego de 37 anos que me manda sorrir e acenar, desligar o cérebro enquanto os outros beca beca e blá blá. Às vezes pareço exausta e cansada e distraída e esquecida mas, na maioria das vezes, desligo porque estou fartinha de clichés em geral e de muitas pessoas em particular. Já consigo adivinhar o perfil das pessoas com que me cruzo, compará-las a outras, saber o que vem a seguir. Poucas coisas me surpreendem, até a mim própria já conheço de cor e salteado e há dias em que mal me aturo e não me consigo desatarrachar.
A vida é muitas vezes a mesma coisa e uma pessoa habitua-se mas fica sempre na expectativa de que um dia se surpreenderá mas já ninguém se casa com 37 anos, já não há bodas nem copos d'água, o romantismo está pela hora da morte, as crianças não se batizam, os festivais de Verão afiguram-se a muitas máquina de roupa a lavar peças com pó e a conta da electricidade a bombar, praia só nas horas kids friendly, saídas nocturnas ahahahahah e bom bom, mas mesmo bom, é dormir a sesta a seguir às refeições e comer uma refeição quente seguida sem interrupções, sem ajeitar ganchos, sem "come de boca fechada", "vá, a fruta tem mesmo que ser!" e tudo e tudo.
Estou uma beca esmagada com tantos estímulos visuais e sonoros, e redes sociais por todo o lado e gente a tentar comunicar ao telefone, ao telemóvel, ao whatsapp, por email, sms, mensagens de facebook e directs no instagram e eu bloqueio e não respondo a ninguém, não porque seja antipática- que sou muitas vezes- nem snob nem com a mania mas apenas desorganizada e bloqueada com tantos estímulos vindos de tantos canais e tendo como único alvo receptora eu.
E chamam-me cidadã, filha, mulher, mãe, doutora, psicóloga, contribuinte, eleitora, utente, participante, cliente, artista da cassete pirata e tenho bué saudades de ser só a Liliana e de poder escrever poesia sem me sentir tontinha e pueril e poder dizer bué em voz alta sem parecer ridícula como os trintões da idade da minha mãe que insistiam em dizer muita nice, és um borrachinho e vais à boite.
Não me apetece ir para o Lux de saltos altos e sair à noite com frio é um convite infame- ai que quentinha e feliz que estou no recato do lar, pés confortáveis em meias de lã no Inverno, amigos em casa e conversas noite dentro ao invés de discotecas ruidosas e roles plays de diversão porque é suposto, porque tem que ser, porque é sábado à noite- mas que alegre e eufórica que eu era quando sair à noite com os dedos dos pés num farrapo e música em decibéis ofensivos me parecia o melhor programa de sempre.
Não me apetecem novos amigos nem relações em que tenha que me esforçar, para me esforçar e forçar já basta a vida, anseio por coisas básicas, pessoas básicas, diálogos básicos, piadas básicas, já percebo as donas-de-casa de meia idade que curtem o Goucha, os cotas que arranjam miúdas com metade da idade deles e os velhos que jogam dominó e curtem anedotas à Malucos do Riso que para pesada já é a vida, as pessoas a morrerem, a minha mãe que não deixa de fumar, a miúda que anda chateada com o regresso às aulas, a quantidade de trabalho que não vê despacho, o corpo que já não funciona como nos tempos áureos e as estrias na barriga.
Entretanto fiz 37 anos e os 30 não são os novos 20: são os novos 60.
[Sim, sou capaz de estar cansada. Ou de estar mesmo a precisar de enfardar sushi]
No dia em que fizeste 5 anos não consegui tirar os olhos de cima de ti.
Antecipo-te cada gesto, cada mordiscar de lábio quando estas nervosa, cada arregalar de olho quando estas excitada, cada gargalhada quando estás pronta a fazer um disparate. Ando neste namoro há cinco anos, de te (re)conhecer, de aprender quem és e como devemos gerir a nossa relação e o nosso afecto, de como te educar e amar, de como viver contigo aqui. Nem sempre tem sido fácil, não te minto. As maiores dificuldades tem sido gerir as minhas expectativas e projeções, fazer o luto da filha que idealizei e passar a amar a filha que tu és e eu gosto tanto de ti assim tão diferente de tudo o que eu estava habituada a lidar. Não és uma Mini me e hoje sei que ainda bem. Não és uma extensão de mim nem sequer temos traços de personalidade semelhantes. Somos diferentes e complementares e todos os dias aprendemos a vida uma com a outra. E ainda bem. Aprendi a observar a tua segurança de seres quem és e a incentivar a exploração de todas as tuas características tão únicas e a não cederes só porque os outros constroem, projetam ou esperam de ti. Ninguém tem que esperar. Porque tu és nova, fresca e única. Não és extrovertida como eu, nem sociável nem eufórica. Não és tímida como o teu pai, nem loba solitária nem introvertida. Seleccionas bem tudo: a quem entregas o teu afecto, a quem dedicas a tua atenção, as piadas que merecem a tua gargalhada. Não és agradadora nem fazes nada para alimentar o ego dos adultos em teu redor. Estás demasiado ocupada a seres tu. Aprender-te tem sido melhor desafio da minha vida e fico assim-como nesta foto-como neste dia- espantada e deslumbrada por tudo o que de novo me apresentas com cinco anos: essa segurança, essa confiança, essa certeza de não te quereres dobrar pelos outros quando os outros não te importam, essa firmeza de seres quem és e de esperares- com toda a naturalidade do Mundo- que nem questionemos ou aceitemos mas que simplesmente te amemos assim. E amamos. Tal e qual assim. Com este deslumbramento no olhar. Há 5 anos que somos mais felizes por tua causa. Não por causa da filha que projetámos ou construímos mentalmente. Mas por causa de ti. Real. Assim.
A minha querida Filomena nunca me falha. Desta feita, temos a Bielorrússia quadripolarizada!
[Temos a Europa praticamente quadripolarizada. Falta apenas quadripolarizar a Albânia, o Azerbeijão, a Bósnia Herzegovina, a Croácia, o Kosovo, a Macedónia, Malta, a Moldávia, a Roménia, a Sérvia e a Ucrânia. Sintam-se à vontade para o fazer, tá? Enviem as V. fotos para quadripolaridades@hotmail.com.]
Conheça todos os países já quadripolarizados aqui.
"Liliana, tu que estás habituada a cadeirantes esclarece-me: não sei se testemunhei um milagre se uma tragédia..." - mensagem do meu amigo Paulo no chat de facebook. ... ...
...
Que a minha mãe deixe de fumar. Conseguir arranjar trabalho para todos, vá, pelo menos 4 ou 5 com elevado potencial e a quem ninguém dá emprego porque têm uma parte do corpo que não funciona bem. Um jantar lá fora, de carne no carvão e um bolo "Les gourmandises de Sophie" com velas a dizerem 30, não serão 30, serão mais 7 mas a negação é um direito que me assiste. Somersby fresquinhas para brindar. Que a minha mãe deixe de fumar. Arranjar um tatuador que alinhe pro-bono naquela ideia maluca de tatuar próteses ortopédicas. Ou uma empresa que queira personalizar pára-raios de cadeira de rodas. A saúde da Ana, sempre, mais que tudo. Um mergulho nocturno, a dois, na piscina. Uma Nikon como único presente, mesmo que seja em segunda mão (não vale a pena, Canon: não fomos feitas uma para a outra!). Se não puder ser, então um bordado da Andrea ou aquele quadro maravilhoso da Movelvivo. Ou um Manel e uma Maria feitos de crochet lá para os lados de Ponte de Lima. Abraços de quem tenho falta que me abrace. Gargalhadas no ar. Um desenho da minha filha. Uma fotografia bonita de nós os três. Que a minha mãe deixe de fumar.
... em que é véspera de Natal e a Kate tem que ser operada de urgência.
A mãe agarra num raminho de pinheiro e coloca-o na mão da filha, reforçando que "nada pode correr mal na véspera de Natal".
No dia 21 deste mês- dia do aniversário do meu avô- a minha vida podia correr muito mal, o pior que me podia acontecer e olhem que a mim já me aconteceu muita coisa manhosa...
No dia 21 de Junho- dia de aniversário do meu avô- na sala de espera de uma clínica pensei no "This is Us": nada pode correr mal no dia de aniversário do meu avô.
Não correu. Soube-o ontem, depois de uma semana de insónias, angústias e um aperto no peito nunca antes sentido.
Ainda que já acreditasse, agora sinto-o com mais força, Sim, acredito em milagres.
Ana terá que ir vestida de varina para a festa de final de ano lectivo. Chega a casa e informa-nos - a mim e à minha mãe- que tenho que lhe arranjar uma roupa de varina.
A minha mãe saca do tablet e mostra-lhe imagens do google de indumentárias de varinas.
Ana, em choque;
- "Mas não posso levar nenhum dos meus vestidos de princesa de varina?"
- "Não!"
- "Nem a saia de tule cor-de-rosa que a tia me fez?"
- "Não, Ana. temos que te arranjar uma roupa parecida com estas que a avó te está a mostrar no tablet"
Fica em silêncio, estica o dedo indicador e começa a acená-lo em sinal negativo:
"Al bailar el mundo entero comendo marisco Que es la fiesta del camarón Camarón, camarón, hay que picazón ´ Se me pone la cara roja y mi palpita el corazón"
Epá, nem sei que diga...
[Aguardo pelas faixas da ameijoa, da conquilha e do mexilhão...]
[Ainda fui ver duas vezes se não era a Ana Malhoa. Juro. ]
E penso na minha máxima da idade adulta: ""When injustice becomes law, resistance becomes duty."
Bravo, Ariana (a) Grande!
Letra para a comunidade surda:
[What's wrong with the world, mama
People livin' like they ain't got no mamas I think the whole world addicted to the drama Only attracted to things that'll bring you trauma
Overseas, yeah, we try to stop terrorism But we still got terrorists here livin' In the USA, the big CIA The Bloods and The Crips and the KKK
But if you only have love for your own race Then you only leave space to discriminate And to discriminate only generates hate And when you hate then you're bound to get irate, yeah
Madness is what you demonstrate And that's exactly how anger works and operates Man, you gotta have love just to set it straight Take control of your mind and meditate Let your soul gravitate to the love, y'all, y'all
People killin', people dyin' Children hurt and you hear them cryin' Can you practice what you preach? Or would you turn the other cheek?
Father, Father, Father help us Send some guidance from above 'Cause people got me, got me questionin' Where is the love (Love)
Where is the love (The love) [2x] Where is the love, the love, the love
It just ain't the same, old ways have changed New days are strange, is the world insane? If love and peace are so strong Why are there pieces of love that don't belong?
Nations droppin' bombs Chemical gasses fillin' lungs of little ones With ongoin' sufferin' as the youth die young So ask yourself is the lovin' really gone
So I could ask myself really what is goin' wrong In this world that we livin' in people keep on givin' in Makin' wrong decisions, only visions of them dividends Not respectin' each other, deny thy brother A war is goin' on but the reason's undercover
The truth is kept secret, it's swept under the rug If you never know truth then you never know love Where's the love, y'all, come on (I don't know) Where's the truth, y'all, come on (I don't know) Where's the love, y'all
People killin', people dyin' Children hurt and you hear them cryin' Can you practice what you preach? Or would you turn the other cheek?
Father, Father, Father help us Send some guidance from above 'Cause people got me, got me questionin' Where is the love (Love)
Where is the love (The love)? [6x] Where is the love, the love, the love?
I feel the weight of the world on my shoulder As I'm gettin' older, y'all, people gets colder Most of us only care about money makin' Selfishness got us followin' the wrong direction
Wrong information always shown by the media Negative images is the main criteria Infecting the young minds faster than bacteria Kids wanna act like what they see in the cinema
Yo', whatever happened to the values of humanity Whatever happened to the fairness and equality Instead of spreading love we're spreading animosity Lack of understanding, leading us away from unity
That's the reason why sometimes I'm feelin' under That's the reason why sometimes I'm feelin' down There's no wonder why sometimes I'm feelin' under Gotta keep my faith alive 'til love is found Now ask yourself
Where is the love? [4x]
Father, Father, Father, help us Send some guidance from above 'Cause people got me, got me questionin' Where is the love?
Sing with me y'all: One world, one world (We only got) One world, one world (That's all we got) One world, one world And something's wrong with it (Yeah) Something's wrong with it (Yeah) Something's wrong with the wo-wo-world, yeah We only got (One world, one world) That's all we got (One world, one world)]
O Mundo divide-se entre as pessoas que já enviaram um email com a frase "junto envio-lhe um peido" ao invés de "junto envio-lhe um pedido" e as outras.
Quando o nosso filho crescer Eu vou-lhe dizer Que te conheci num dia de sol Que o teu olhar me prendeu E eu vi o céu E tudo o que estava ao meu redor Que pegaste na minha mão Naquele fim de verão E me levaste a jantar Ficaste com o meu coração E como numa canção Fizeste-me corar
Ali Eu soube que era amor para a vida toda Que era contigo a minha vida toda Que era um amor para a vida toda. (bis)
Quando ele ficar maior E quiser saber melhor Como é que veio ao mundo Eu vou lhe dizer com amor Que sonhei ao pormenor E que era o meu desejo profundo Que tinhas os olhos em água Quando cheguei a casa E te dei a boa nova E que já era bom ganhou asas E eu soube de caras Que era pra vida toda
Ali Dissemos que era amor para a vida toda Que era contigo a minha vida toda Que era um amor para a vida toda. (bis)
Quando ele sair e tiver A sua mulher E quiser dividir um tecto Vamos poder vê-lo crescer Ser o que quiser E tomar conta dos nossos netos Um dia já velhinhos cansados Sempre lado a lado Ele vai poder contar Que os pais tiveram sempre casados Eternos namorados E vieram provar
Que ali Vivemos um amor para a vida toda Que foi contigo a minha vida toda Que foi contigo a minha vida toda
Que ali Vivemos um amor para a vida toda Que foi contigo a minha vida toda Foi um amor para a vida toda
Estendem-lhe um papel e pedem-lhe que desenhe a mãe caso ela fosse uma super heroína (sim, foi o mesmo no dia do Pai, avaliando pelas minhas amigas mais íntimas a pergunta é a mesma por esta data há vários anos).
Ana vira as costas com o papel para o devolver- vazio- cinco segundos depois.
"Então, Ana? Não queres desenhar?"
"Já está! Se a minha mãe fosse uma super heroína era a mulher invisível".
Ser amigo não é uma tarefa fácil. Falo quer do ponto de vista do emissor da amizade como do receptor, nesta dupla função que todos desempenhamos naquele que, a meu ver, é o único papel que implica reciprocidade.
Pode-se estar apaixonado sem ser correspondido. Pode-se ser amado ser amante. Mas amigo, não. Pode-se até gostar de pessoas quem nem estão aí para nós, ou que ignoram a nossa existência ou que- simplesmente- lhe são indiferentes. Eu, por exemplo, gosto muito do Jorge Palma e ele não está nem aí para mim. Nem sempre- aliás, na maioria das vezes- as pessoas de quem gostamos têm que ser nossas amigas, embora muita gente tenda a confundir as coisas e achem que" gosto, logo existo como amigo".
Eu não tenho vida para ter um rancho de amigos, embora a minha vontade e motivação idealista gostasse de acenar afirmativamente que, sim senhora, vamos lá a isso, all together now.
Ser amigo desgasta e cansa e é preciso força anímica para isso. Para gostar não, gosta-se como se respira, com naturalidade ou porque nos agradam os valores da pessoa, ou porque simpatizamos com os seus modos ou apreciamos a sua companhia. Ou, no meu caso patológico com o Jorge Palma , porque se admira a inteligência, a voz e a poesia. Mas isso não faz se nós amigos.
Há alturas na vida em que é difícil ser amigo. E nem é nas alturas em que dá trabalho, gasta-se energia, precisamos de dedicar tempo, paciência, ajeitar os ombros para lhos chorarem em cima, mudar as nossas vidas para estar presente ou apoiar quando nem se concorda. Ser amigo é especialmente difícil quando o amigo, do lado de lá, fica quieto e sossegado e pede um tempo.
Dar um tempo no amor é duro mas está na cartilha das relações e implica uma de duas estratégias: a célebre técnica do EAP (encostar à parede) do "ouve lá, queres tempo, compra um relógio, seu bandido! Onde já se viu? Eu dou-te um tempo, ah se dou! Queres andar aí a mijar fora do penico em reflexões do "problema-não- és-tu-sou-eu" e esperas que depois eu esteja aqui à tua espera de braços abertos, à tua mercê, era mais o que faltava, tira mazé o cavalinho da chuva, espera lá mas é sentado!"; ou a técnica do choro, crise existencial e drama melodramático que encurta o tempo para meio dia e "vamos fazer as pazes e o sexo louco e desenfreado e já passou!"
Na amizade ninguém está habituado a pedir tempos. As pessoas ficam muito confusas quando a outra pessoa diz que não lhe apetece ir ao cinema sem inventar uma desculpa que não magoe nem fazendo o sacrifício para agradar à amizade. Na amizade quase ninguém percebe que a necessidade de silêncio, de afastamento, de resguardo ou apenas de solidão não implica zanga, discórdia, mágoa ou cólera e que aquilo do "o problema não és tu, sou eu" não é a balela que se pratica no amor.
Amar é mais fácil que ser-se amigo. Amar é uma acção, um estado de espírito, uma forma de viver. Ser-se amigo é uma parte da nossa existência, é um contínuo, um bocado de ser. Por isso não se pode amar sem gostar com todos os altos e baixos que traz o amor, a paixão e os sentimentos em looping dentro de nós. Pode-se amar sem ser amado com toda a dor, raiva, zanga e revolta em looping dentro de nós. Amar é uma viagem de montanha russa. É uma corrida de obstáculos, uma prova de atletismo que se renova, um triatlo constante
Ser amigo implica gostar mas é mais restrito porque pode-se gostar de muita gente sem sermos seus amigos mas não se pode ser amigo sem que o destinatário da nossa amizade goste de nós. Ser amigo é extremamente exclusivo porque implica essa reciprocidade, essa lealdade, esse respeito pelo outro como parte integrante de nós, essa compreensão dos tempos e dos espaços, da necessidade de presença ou de afastamento, essa gestão astuta da "presência", essa certeza de que- aconteça o que acontecer- eu farei a minha parte para preservar isto que há entre nós para sempre. Mesmo que não compreenda, mesmo que não concorde, mesmo que seja difícil de aceitar. Gostar e ser gostado é o compromisso mais sério desta vida. Ser amigo é uma viagem de cruzeiro. Uma viagem em alto mar. Uma maratona.
Obrigada aos meus amigos que respeitam os meus tempos. Que não exigem. Que não cobram. Que perdoam e relevam. Que percebem a necessidade de silêncio, de afastamento, de solidão. Que sorriem face à ausência de telemóvel. Que quando me encontram sorriem como da primeira vez. Ninguém pode gostar do outro e deixar-se gostar sem ter os seus tempos acertados, os seus espaços individuais arrumados, a sua energia recarregada, Obrigada por esperarem, sempre. Por se manterem. Por continuarem aí, para mim.
Levantei-me da rede. O meu coração é vosso.
[Feliz Dia dos Amigos.
Porque o Dia dos Amigos é quando uma ursa quiser. ]
18 anos.
Pode, finalmente, sair à rua em traje de festa.
Pode disfarçar os restos de acne que acusam a sua recente adolescência, colocar maquilhagem para parecer mais adulto e sorrir com o sorriso de sempre, feliz por existir. Por resistir.
Pode não se arrepender dos erros, pode lembrar-se de cada aprendizagem, pode colecionar memórias de dias solarengos e chuvosos, pode sentir nos ossos e nas rugas a passagem do tempo. E sentir-se confiante por tudo o que viveu e o que tem para viver,
Pode assinar os seus papéis, ser encarregado da própria educação, gerir a sua vida sozinho.
Pode beber para comemorar, ter porte de arma para matar intrusos, militar-se no partido do felizes para sempre.
Pode fazer uma tatuagem na pele com a certeza que nunca se vai arrepender, fazer um piercing só por rebeldia, sentir-se crescido, adulto e confiante.
Pode votar nas suas opções, conduzir em todos os seus caminhos, ser responsabilizado pelas suas decisões.
Pode, este amor, ser independente, decisor, livre.
Pode ser o amor de sempre. Desde o primeiro dia. Com todas as suas perfeições e imperfeições. Toda a vida vivida. Toda a essência que o fez chegar aqui.
Pode fazer tudo o que lhe der na real gana.
Amor Maior.
Pode ser, exactamente, como sempre foi.
Sair de casa só a horas certas. Latas. Comer sempre na mesa da sala de jantar. Estender a roupa com as molas todas emparelhadas por cor. Caderninhos comprados compulsivamente e que nunca tenho coragem de estrear com rabiscos. Ler sempre antes de dormir. Relógios. Cantar sempre que oiço música no carro (mesmo que desconheça por completo a letra). Ter sempre água fresca no frigorífico. Conservar no roupeiro roupa que nunca mais voltará a estar na moda (e que, também, nunca mais me irá servir) por razões emocionais. Comprar frescos em quantidade suficiente que daria para alimentar um exército para os acabar por ver estragar no frigorífico. Descalçar-me assim que chego a casa. Comprar agendas e achar que este ano é que é... e escrever nelas só até fevereiro. Cheirar livros novos. Nunca lhes dobrar páginas. Contas de instagram de casas bonitas. Levar sempre para férias uma mini-farmácia na mala de viagem como se não houvesse farmácias no destino. Ler blogs só de gente de quem gosto. Mergulhar sem conseguir tirar o dedo do nariz. Óculos de sol. Dizer que não tenho qualquer mania.
Quando percebi que ela estava apaixonada por um muçulmano torci o nariz, desconfiei muito, e só não agoirei porque gosto tanto dela que não podia torcer para que desse errado uma coisa que ela queria tanto que desse tanto certo.
Não acolhi o novo membro do clã como ele merecia. Deixei o meu preconceito, os meus estereótipos, o meu etnocentrismo dominar-me durante muito tempo, mais do que o razoável, demais o suficiente para me envergonhar.
Foi um processo moroso o de dar hipótese à pessoa em detrimento da sua religião, dos seus costumes, dos seus hábitos.
Hoje gosto muito dele. Mais do que alguma vez imaginava. Senti-o verdadeiramente quando, passados muitos anos, no último Verão nos abraçámos na maternidade. Ela não viu o abraço. Mas foi um abraço muito bonito e sincero, muito sentido.
Partilhei com ele um dos dias mais bonitos das suas vidas. Talvez o mais bonito de todos. Estava lá, não só testemunha de uma sobrinha especial, como a participar naquela bênção.
A minha sobrinha é filha de uma judia e de um muçulmano como se fosse um prenúncio do entendimento israelo-árabe, mais do que tolerância: de celebração da diversidade.
Esta quadripolarização do Líbano aconchega-me mais do que todas as outras. É a quadripolarização de uma amizade sem fronteiras. Que derruba todos os preconceitos, estereótipos, intolerância e sentimentos que, hoje, muito me envergonham.
À sua maneira, é uma quadripolarização de amor.
[Líbano quadripolarizado. Todos os países quadripolarizados aqui]
Comecei o ano numa festa de garagem. Confirmei a minha paixão pela gastronomia do Médio Oriente. E do Líbano, em particular. Preocupei-me meses seguidos com a saúde da Ana. A Ana mudou de sala e deixou de ficar doente. Fui ao Porto uma vez, duas, dezenas. Rendi-me às evidências que a minha colite e a minha falta de vesícula não se coadunam com francesinhas. Com muita pena minha. Graças à Mónica Lice e a um grupo espectacular de voluntários vi a ASBIHP ser pintada e ficar com uma cara tão limpinha. Voltei à Polícia Judiciária e ajudei a tornar a sala de vítimas de pedofilia um sítio digno e de afectos. Choraminguei ao ver o resultado final. Ajudei a Ana a completar a sua primeira colecção de cromos. Mascarei a Ana de sereia. Aprendi a trabalhar com uma pistola de cola quente. E vi-a muito, muito feliz. Conheci a pessoa mais importante deste ano (a Leonela) e que, em 2016, mudou a vida da Ana Rita, suportando os custos de uma professora que, durante todo o ano, a ensinou a ler. Fui à Serra da Estrela ver neve e não vi um floco sequer. Cantei os parabéns ao meu amor rodeada de estranhos. Voltei ao Grande Hotel das Caldas das Felgueiras e senti-me, como sempre, em casa. Dancei música cubana no Carnaval. Comemorei o dia dos namorados em casa, a três, a comer uma pizza pirosa em forma de coração. Fui ao Teatro São Luiz ver um meu amigo actor no palco. Tive uma paixão platónica pela Catarina Wallenstein. Senti orgulho pela Bairro do Amor ajudar a concretizar o sonho de uma pequena bailarina. Contei com a minha grande amiga Ana Isabel e a sua Móvel Vivo para tornarem as noites da Rita e do Luis mais dignas. Vi a Segurança Social saldar contas comigo. Reuni com a Marta, a Neuza e a Rafaela em Coimbra e sonhámos juntas muitas coisas que se concretizaram no ano que passou. Apaixonei-me pelo Galerias. Parti um dente a comer um caramelo. Recusei 5 convites para ir à televisão. Disse, porém, em directo na televisão nacional que tem dias que sou um bocadinho cabra. Deixei a Marta Tex provar-me que toda a gente- mesmo a com a motricidade fina de uma foca como eu- consegue desenhar. Apanhei erva azeda com a minha filha. Rejubilei com a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República. Ostentei. orgulhosa, a minha pulseira do Bairro do Amor criada pela Fio a Pavio. Instituí, oficialmente, ao sábado de manhã, o pequeno almoço de panquecas. Reabracei os meus amigos Xana e Vitor. Jantei na melhor varanda de Lisboa a melhor comida do Mundo nos Fenícios. Voltei ao Foxtrot. Fui em trabalho aos Açores. Levei a minha filha comigo para rever os avós. Declarei, oficialmente, o Faial como a ilha que mais tem eu ver comigo nos Açores. Lambuzei-me em sopas do Espírito Santo e em alcatra com milho como se não houvesse amanhã. Fiz sempre continência a kima de maracujá. Descobri a CASA e rotulei-a como o melhor spot dos Açores. Brindei com gin no Peter's. Dei entrevistas para alguns de jornais. Ouvi do meu amigo Luis as piores notícias que alguém pode ouvir. Fui portadora das mesmas e dei-as aos meus. Trocei das prendas "úteis" do Dia da Mãe que se fazem nas escolas. Mas adorei a inutilidade que a Ana me ofereceu. Recebi o honroso convite para falar sobre a minha experiência como autora de um blog na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa. E dei o meu melhor. Emocionei-me com a corrente de amor, de Norte a Sul do país, que se traduziu na organização de tantos eventos solidários para se angariar fundos para o desafio semestral do Bairro do Amor. Dei uma folga às minhas maleitas e comi a única francesinha do ano na Francesinha Solidária, organizada pelo Bairro do Amor Porto e pela minha querida Marta. Fui sempre bem recebida pela Flávia. Assisti a um karaoke do demo num bar em frente à praia do Senhor da Pedra. Tornei a Casinha, no Porto, num dos meus spots preferidos. Provei o melhor waffle do Mundo pelas mãos do David e da Ana Águas. Fui feliz com o meu casal preferido de todos os tempos na Ericeira. Palmilhei Budapeste a pé de lés a lés, de madrugada. Atravesse a Chain Bridge a namorar. Andei de mãos dadas na Ilha Margarita. Assisti a partidas de futebol da selecção nacional no meio de muitos húngaros. Perdi um voo e desta vez não foi por culpa minha. Acompanhei a minha melhor amiga nas suas aflições de pré-mamã sempre que fui requisitada para tal. Adoptei Papo-Seco- o gato. Conheci Jesus e ele é goês. Vi Portugal consagrar-se campeão europeu de futebol. Subi ao Porto para participar numa renovação de um orfanato muito especial e isso foi, provavelmente, uma das coisas mais bonitas em que já participei na minha vida. Passei o meu aniversário com as minhas pessoas preferidas no Mundo no querido Hotel Golf-Mar. Recebi, pela última vez, uma chamada do meu tio no meu dia de aniversário a desejar-me parabéns. Abracei a minha irmã de outros pais (um xi-coração Xuxi!) e embebedei-me com ela no Jardim da Parada para comemorar os meus 36 anos de vida. Tive saudades dela muitos dias ao longo do ano. Comovi-me nas bodas de prata e na renovação de votos dos meus amigos Vanda e Paulo. O meu tio morreu comigo à sua cabeceira. Fiquei com uma dívida de gratidão eterna ao meu amigo Luis. Chorei muito, sozinha. Almocei com as minhas bloggers preferidas e senti-me minúscula ao seu lado (beijinhos Mariana, Rita Maria, Luna, São João, Joana, Izzie e Dora). Confiei a minha filha às minhas grandes amigas Rosa e Cláudia e reforcei a certeza de saber com quem posso sempre contar. Fui à Tailândia com a Paula e a São João. Conheci a minha tia Maria Francisco num encontro inesperado. Fui ao mercado todos os sábado de manhã que pude numa rotina que me é tão doce. Conheci a minha sobrinha Lara, acabada de nascer, nos Lusíadas. A Somersby foi minha grande companheira de Verão. Soltei as minhas feras. Organizei uma festa de aniversário de sereias para a Ana com a ajuda da Maria João. Todos os meus amigos acorreram para me mimar na festa de aniversário da minha filha. Fiz a minha filha muito, mas mesmo muito, feliz. Fui ao S&J fazer madeixas e saí com o cabelo todo queimado. Jurei a mim mesma nunca mais ir a um cabeleireiro de shopping. Contei com a ajuda de muitos amigos para que 30 colonos pudessem desfrutar de uma semana de férias memorável (obrigada a todos, nunca vos conseguirei agradecer o suficiente!). Trabalhámos a questão da imagem e da autoestima e defrontei-me com diferenças notáveis em cada um dos participantes (obrigada Mónica Lice, Ema, Sílvia e Ana Manana!). Mudámos a vida de muita gente. Assisti a um luau. Vi pessoas com deficiência motora andarem de Harley graças a um conjunto de amigos do meu coração (Tehur, Tiago and whole great family; love you!). Contei com os braços de amigos (Luis, Hugo, Manelita e Marta: sois os maiores!) para que alguns amigos com deficiência gozassem as únicas idas à praia e saídas nocturnas do seu ano. Contei com a ajuda preciosa e única da minhas Dé, Mep, Ziza e Diana numa semana inteira de voluntariado em versão Big Brother. Apresentei à minha filha a Aldeia José Franco. Comprei-lhe uns binóculos e deslumbrámo-nos na Tapada de Mafra. Fizemos muita praia, quase sempre seguida de pão com chouriço estaladiço ao entardecer. Ouvi as gargalhadas revigorantes da Ana e da sua melhor amiga Laura dentro de bolas gigantes no Clube Vimeiro. E nós os pais juntámo-nos. Tomámos tantos banhos de mar quanto conseguímos. Eu e mámen celebrámos 10 anos de casamento no aldeamento mais bonito de Portugal no Luz Houses. Reencontrei-me com Deus graças ao padre Cruz. Renovámos os nossos votos na igreja do Hospital dosCapuchos, no meio de uma multidão de desconhecidos e foi libertador. Fomos felizes em Tomar. Comemorei os 81 anos do meu tio-avô numa noite encantadora. Li, todas as noites, uma história à minha filha antes de dormir. Estive muito doente. Não corri nenhuma maratona. Participei num fim-de-semana memorável onde pessoas com mobilidade reduzida puderam experimentar desportos radicais. Contei com a minha amiga Sandra para formar cuidadores. Conheci a Sandra. Contei com o Fred e a fabulosa equipa do Instituto de Medicina Tradicional para que utentes e cuidadores tivessem uma experiência memorável. Tive saudades do meu marido, ausente numa viagem de trabalho. Limpei as lágrimas a uma amiga querida numa noite de copos. Avarei o meu pc e, progressivamente, fu tendo menos necessidade de escrever. Lancei as minhas fichas para que 2017 seja de crescimento profissional. Fui a sítios pela primeira vez: São João da Madeira, Arronches e Monforte. Joguei ao Tragabolas. Desejei voltar a ter uma Nikon. E um quadro bordado por uma instagramer. Reafirmei como minha causa a luta pela celebração da diversidade. Fui ao Algarve muitas vezes mas é sempre como se fosse a primeira vez. Não comecei a correr. Comi a melhor carne do alguidar do Mundo em Ponte de Sor. Deslumbrei-me com os céus carregadinhos de sonhos na 20ª edição do Festival de Balões de Ar Quente. Coleccionei brindes do LIDL para fazer a minha filha feliz. Viciei-me em açaí. Cumprimentei uma Secretária de Estado. Andei de cacilheiro. Comecei a trabalhar com uma equipa como há muito não tinha, de tão boa que é. Delirei com as primeiras frases em Inglês da Ana. Descobri a melhor tasca de sempre numa aldeia perdida da serra de Sintra graças aos meus amigos Ana Luisa e Nuno. Provei comida indonésia na estufa fria com os meus grandes amigos Ana Margarida e Paulo. Rezaram-me um desconjuro. Percorri milhares de quilómetros. Fui ao Circo. Ouvi a Ana Rita a ler em Dezembro. Fui uma fazedora. Lutei muito contra todos os preconceitos: meus e dos outros. Ministrei largas dezenas de horas de formação. Tornei-me- orgulhosa- cliente do Novo Banco. Vi passar apenas um mês entre ter visitado a casa dos meus sonhos e a escritura-la. Passei a viver numa casa nossa que adoro. Comovi-me com o dia em que eu e mámen nos vimos unidos pela propriedade de uma imóvel. Vivi mais de seis meses sem telemóvel. Continuei a perder muitos comboios. Chorei a morte de Prince. E a de David Bowie. O Bairro do Amor, os seus voluntários, as suas actividades e as pessoas que dele beneficiaram comoveram-me muitas, muitas vezes. Não aderi às dietas paleo. Não me tornei vegetariana. Não comecei a correr. Em poucas horas os meus amigos ajudaram-me a angariar dinheiro suficiente para comprar 40 colchões, 40 camas, levar 30 pessoas a uma colónia de férias e presentear com um tablet 60 pessoas que precisam que a comunicação se faça de pontes. Houve guerra na Síria e eu projectei, mil vezes, a minha filha nas crianças dos outros. Nunca deixei de me sentir grata pela vida que tenho. Dei sangue. Fui prelectora numas jornadas científicas. Fui ao pão por Deus com a Ana. Ainda não aprendi a dançar. Nem a fazer ponpons. Fui abraçar a Catarina ao Festival da Castanha de Marvão. Senti a falta da minha avó e do meu avô todos os dias. Todos. Fiquei chocada quando o Donald Trump ganhou as eleições americanas.A minha Bimby continua avariada (o preço do arranjo é pornográfico!) e já me ajeito minimamente com os tachos e as panelas. Passei a fazer parte de um cooking club. Levámos o Bairro do Amor à televisão. Senti um orgulho imenso e um amor enorme pelo facto do meu marido ter deixado de fumar. Tive medo que a minha mãe morresse. Todos os dias tive medo. Vi o Bairro do Amor organizar o evento mais espetacular do ano: a Loja do Bairro. Assisti à festa de Natal da minha filha. Comovi-me por a Ana acreditar no Pai Natal. Vi a Calinhas entrar num crematório ao som da música russa que tocava quando ela nasceu. Percebi que o essencial é a saúde e que isso não é um clichê. Disse "amo-te" à Ana todos os dias. Sem excepção. Senti-me bem na minha pele. Numa tremenda paz. Fui feliz.