sábado, 26 de novembro de 2016
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Ana: a fashionista
A Ana e a minha mãe às compras:
Minha mãe: "Ana, escolhe lá quais as botas que queres que a avó te compre!"
Ana (apontando para umas botas de cano alto): "Avó, quero aquelas!
Minha mãe: " Essas não,essas são para meninas crescidas!"
Ana (insistindo): "Avó, mas eu gosto tanto!"
Minha mãe: "Ana, tem paciência, mas não. Escolhe umas destas pequeninas. Quando fores mais crescida a avó dá -te umas dessas... "
Ana (frustrada): "Avó, mas eu já tenho muitas botas de MANGA CURTA e gostava tanto de ter umas de MANGA COMPRIDA... "
Minha mãe: "Ana, escolhe lá quais as botas que queres que a avó te compre!"
Ana (apontando para umas botas de cano alto): "Avó, quero aquelas!
Minha mãe: " Essas não,essas são para meninas crescidas!"
Ana (insistindo): "Avó, mas eu gosto tanto!"
Minha mãe: "Ana, tem paciência, mas não. Escolhe umas destas pequeninas. Quando fores mais crescida a avó dá -te umas dessas... "
Ana (frustrada): "Avó, mas eu já tenho muitas botas de MANGA CURTA e gostava tanto de ter umas de MANGA COMPRIDA... "
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
Esta coisa do Thanksgiving
Agradeceria à minha mãe em primeiro e último, como se o ciclo fosse todo dentro dela (porque o é). Ao meu pai pelo contributo genético que me deu e que, de quando em vez, muito me dá jeito. Aos meus avós pela sabedoria da humildade, pela bondade, pela generosidade, pelo Minho nas veias, pelo amor sem contrapartidas nem regras. À minha tia pelo amor diferente, materno-fraternal, uma coisa de cromossoma X, de mãe sem exigência, de cumplicidade fraternal. Aos meus tios pela testosterona que o meu pai me privou, pela protecção, pelo sentir de pertença. À minha prima, por existir, não precisa de fazer mais nada, a existência dez anos depois de mim perdoam-lhe tudo, justificam-lhe tudo, dão-lhe charme em tudo.
Ao Rui pelo plural que me trouxe e do qual não quero abdicar, pela família que somos agora, pela Ana, pelo amor que se escolhe e se deixa ser escolhido. À Ana por fazer com que tudo faça sentido, por ser o meu amor de sempre e para sempre, fechada no ciclo que desenhou em mim.
Aos amigos, os que partiram e os que ficaram, aos que resistem e os que insistem por darem recheio a tudo isto, que são o tijolo e o cimento desta estrutura maior, isolamento térmico das paredes da minha vida.
Sempre a pessoas. Porque a minha vida são as pessoas.
À minha mãe, outra vez, por tudo o que me fez e que me permite ser hoje grata por quem sou e saber agradecer.
Ao meu pai, outra vez, por tudo o que não me fez e que me permite hoje ser grata por quem me tornei e, por isso, ter necessidade de a tantos agradecer.
Ao Rui e à Ana, amores da minha vida.
[Tanta merda que copiam, halloweens e coisos e isto que até é bonito assobiam para o lado. Ide cagar à mata, pá!]
How to save a life?
Tive uma insónia. Vim para a sala fazer zapping. Nada de jeito na televisão. Vim para o instagram. Aborreci-me passada meia hora. Apeteceu-me escrever no blog mas tive preguiça de me levantar do sofá para ir bucar o portátil. Parei o zapping na Anatomia de Grey. Não via um episódio desde a terceira série para aí. Já não há homens bonitos na Anatomia de Grey nem a barbie loura em cujo corpo eu desejava ter nascido e da chinesa nem sombra. Passou demasiado tempo desde que eu tinha tempo para seguir séries, passou demasiada energia desde que eu tinha energia para me levantar e alcançar o portátil para blogar, passaram-me demasiados interesses pela frente desde que eu tinha interesse em ver o TLC em noites de insónias.
Acho que virei adulta.
Ou se calhar já o era há muito tempo mas só agora me caiu a ficha. Estou muito chata numa série de coisas, muito pragmática noutras, as vezes acho que são sinónimos: pragmatismo e chatice. Não sei bem. Cada vez tenho menos certezas e cada vez vivo melhor com esse facto.
Ontem limpei o guarda fatos e assumi que há roupa que não vou voltar a usar. Ou porque provavelmente não voltarei a ter 50 kg ou, na maioria dos casos, porque já não tenho idade para usar t-shirts do Planet Hollywood ou camisolas com frases de afirmação tipo "I'm the boss". "Ah, a idade é um estado de espírito!" O caralhinho. Avisem as minhas costas dessa do espírito quando muda o tempo e alertem a minha incapacidade para lidar com ressacas de que afinal tem 20 anos de humor. Só que não. (Não me sinto bem como t-shirts que realcem a minha necessidade de afirmação. Cada vez preciso menos de me afirmar. Cada vez sei mais quem sou. Despida. De quaisquer artefactos, t-shirts incluídas). Desfazeres-te de roupa emocional é como te despedires de quem já foste e sabes que não voltarás a ser e assumires que não voltaras a ter 50 kg nem sequer é a parte mais dolorosa.
Não consegui ver a parva da Meredith até ao fim mais os seus dramas de primeiro mundo (eu disse que ser pragmática era uma chatice, não disse?) e depois, ainda por cima, metia ao barulho uma criança às portas da morte e já se sabe que depois de ser mãe projecto a Ana em todas as crianças do mundo, o que é uma espécie de "maternóia" (paranóia maternal) da qual provavelmente nunca me verei livre.
Tenho saudades da minha avó que acordava a cada insónia minha e em silêncio se enroscava ao meu lado e me embalava, mesmo adulta, até me sentir adormecida novamente. "Mesmo adulta" é um jeito de dizer porque, na verdade, só me senti adulta depois deles morrerem e de eu já não ser a menina de ninguém. E depois de hoje, depois de me ter despedido das minhas roupas tamanho "S" coloridas e cheias de certezas, para ficar com um guarda roupa de "adulta".
Guardei a camisola roxa com uma estrela ao peito. Ele olha para mim e sorri.
"É para, um dia, a Ana a usar"- justifico-me em voz alta.
(Ninguém acredita. Especialmente eu. Até porque a Ana nem gosta de roxo).
terça-feira, 8 de novembro de 2016
Ana, a raínha do equídeo-gado
A nova tara da Ana são unicórnios. A Elsa já se reformou (e nem quero pensar na quantidade de coisas frozenianas que tenho cá por casa), a Rapunzel não chegou a ficar velha e andamos numa fase pouco virada para personagens de filmes de animação.
Não sei como aterrou a tara dos unicórnios cá em casa mas já não suporto os poneys mono-cornos e já vomito os bichos por todos os poros.
Como se está a aproximar o Natal e porque a Ana fala de unicórnios com tooooda a gente achei por bem deixar um aviso público a toda a minha rede. Qualquer coisa como um status de facebook a suplicar a pedir: "Amigos queridos, POR FAVOR, não dêem todo um Mundo de unicórnios à miúda pelo Natal sob pena dela passar a ser a raínha do equídeo-gado!"
Claro que os meus amigos são uns estupores fofinhos e a minha amiga Sandra, feliz proprietária da Babyblue e estupora fofa que só ela, decidiu que não ia esperar pelo Natal para me desafiar dar um miminho à Ana e cá vai disto:
Estou preocupada com esta nova paixão da petiza e vou escrever baixinho o porquê:
A avaliar pela mochila, temo que a miúda me consiga unicórnio-evangelizar fácil, fácil. Humpft!
Labels:
Mãegyver
O Mundo divide-se entre...
... a possível vitória de Hillary Clinton nas eleições de hoje e a possibilidade do Mundo deixar de se dividir no quer que seja.
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Neste momento ele está dentro de um avião..
... e eu estou ansiosa como uma adolescente a esperá-lo.
Um companheiro de uma vida acaba por se tornar em família, quer queiremos quer não, como se a vida antes dele chegar fosse embrionária nestas coisas do amor passional, do amor da conchinha na cama, do amor do cafuné no sofá, do amor da canja levada à cama quando estamos doentes e do amor do ADN misturado num filho a dois.
Há muito tempo que não estávamos separados tantos dias seguidos e é bom perceber que somos independentes, que o curso do dia segue fluido independentemente da presença um do outro, que não precisamos funcionalmente um do outro e que é isso tudo que faz com que termos decidido ficar um com o outro, que faz sabermos que estarmos juntos é sempre melhor que estarmos sós, que termos decidido ser um plural sem precisarmos um do outro mas por gostarmos tanto um do outro, torna tudo mais mágico e especial.
Um companheiro de uma vida acaba por ser parte de nós, ter lugar nos espaços que percorremos todos os dias e ter timings certos nas horas dos nossos dias.
E o bom disto das saudades é que são provisórias e não tarda muito ele está aqui a contar-me como foram os seus dias, o que aprendeu, o que me quer ensinar e todas as histórias que viveu na ausência de nós enquanto plural que somos. E o bom disto das saudades é que a distância não muda nada e não tarda nada eu conto-lhe como foram os meus dias, o que vivi, o que memorizei para não me esquecer de lhe contar e todas as pequenas histórias que vivi na ausência de nós como plural que somos. E o bom disto das saudades é lembrarmo-nos, por força da separação dos dias, da bifurcação provisória dos caminhos, que somos seres individuais e que essa individualidade se mantém e se pode transportar até ao reencontro do plural que somos.
Neste momento ele está dentro do avião. "Coração ao ar!"- assim está o meu. O bandido conquistou-me para todo o sempre.
E, sim, o bom disto das saudades é que estão quase a terminar. Um companheiro de uma vida faz parte de nós mesmo quando não estamos nós. Sim, estamos. Porque nós, independentemente de onde cada um de nós estiver no tempo ou no espaço, somos sempre um nós.
Um plural mesmo bom.
Um plural mesmo bom.
Labels:
Dia 13
domingo, 30 de outubro de 2016
A fé que as minhas amigas têm em mim
De repente, aparece a sugestão de fazermos um cookbook club (a ideia é que um grupo de amigas fazem receitas todas do mesmo livro e se juntem para partilhar os resultados e... comer).
Adivinhem lá a quem foi dirigido o seguinte comentário:
"Tu levas bebidas!"
...
...
...
Labels:
Ah 'migos
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Quadripolarização durante despedida de solteira? Done!
"Olá Pólo,
Finalmente segue a quadripolarização de Maastricht, na Holanda.
Tirei a foto na minha despedida de solteira, daí aquele belo ovo a adornar a paisagem, com que tive de andar todo o dia!
Coloquei "we ❤ pólo norte!" Porque efectivamente é assim, eu e 4 amigas, tudo emigrado na Holanda, somos tuas leitoras assíduas! (Ana M., Ana R., Liliana, Magda e Joana).
Espero que gostes!
Bjinhos
Ana M"
Adorei, querida Ana! Que cuides dos tempos de casada que aí vêm como cuidaste desse ovo: com cuidado e zelo.
Beijinhos enormes para ti e para a outra Ana (vivam as Anas), a minha xará Lilas, a Magda e a Joana
sábado, 3 de setembro de 2016
Para os meninos ursos, muitos anos de amor
"Quando acordaram de manhã, na mesma cama, ela disse-lhe que queria ter um passado com ele. Não era um futuro, que é uma coisa incerta, mas um passado, que é isso que têm dois velhos depois de passarem uma vida juntos. Quando disse que queria ter um passado com alguém, queria dizer tudo. Não desejava uma incerteza, mas a História, a verdade."
Afonso Cruz in "Jesus Cristo Bebia Cerveja" (Alfaguara)
Estamos de partida para assinalar a data em que assumimos perante o Deus em que ele acredita e as pessoas em que eu mais acreditei e acredito na vida que, sim senhor, queríamos tentar ser o final feliz um do outro.
Muitas vezes temo-lo conseguido.
Hoje também.
Hoje também.
Labels:
Dia 13
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
Só por causa das tosses...
![]() |
| Lombok(Indonésia)-Kuta, Selong Balanak Beach |
![]() |
| Lombok(Indonésia) -Sengigi Beach |
Os amigos das outras pessoas trazem-lhes ímans, canecas e t-shirts deprimentes como recuerdos das férias.
As minhas quadripolarizam-me os sítios como se espetassem uma bandeira de amizade quadripolar pelos sítios por onde passam.
Obrigada, querida Marta.
[Todos os países quadripolarizados aqui]
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
"Eu não quero ser bonita, eu quero ser respeitada."
E assim começa Setembro...
E Singapura- pelas mãos da querida Marta na infinity pool do Marina Bay Sands- está quadripolarizada!
Obrigada, Martinha!
[Todos os países quadripolarizados aqui]
terça-feira, 30 de agosto de 2016
We’re The Superhumans!
“We’re The Superhumans” é a campanha de apoio do Channel 4 à equipa Paralímpica Inglesa nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro.
Ao som de " I Can” assistimos a garra, superação, espírito de sacrifício, esforço, trabalho, disciplina, talento e, feito de tudo isto, desporto.
Brilhante!
Ao som de " I Can” assistimos a garra, superação, espírito de sacrifício, esforço, trabalho, disciplina, talento e, feito de tudo isto, desporto.
Brilhante!
sábado, 13 de agosto de 2016
MÃEGYVER| Festa das sereias
Quando a Maria João me apresentou os serviços da Party Lovers, numa fase em que me apetecia tudo menos pensar em festas, preparativos, lanche, decoração da mesa, pude finalmente suspirar.
Adoro organizar as festas da Ana, adoro a excitação que antecede o grande dia, o entusiasmo da Ana, a escolha do tema, o facto das minhas grandes amigas, entre as quais a madrinha da Ana, se envolverem e participarem na organização de tudo mas este ano não tinha energia nem ânimo, motivação ou disponibilidade mental para o fazer.
E se, por um lado, gosto de acompanhar tudo, de controlar todos os detalhes, de pôr o meu amor em cada pormenor, este ano tive que me resignar à minha incapacidade para o fazer com a atenção e dedicação que a minha filha merece e confiar em alguém que fizesse a minha vez. E não me arrependi pois a Maria João percebeu o que a Ana queria e concretizou cada ideia, cada desejo, cada detalhe e organizou a festa com um ingrediente essencial, o único segredo que garantia que não se notasse a minha ausência de todo este processo: amor.
E assim foi. O tema estava escolhido desde há meses e era Rapunzel mas, como é apanágio da minha filha, a duas semanas antes do dia, decidiu alterar a temática e andava a suspirar por uma festa com sereias. Sabíamos que queríamos um lanche de final do dia para respeitarmos as sestas de quem ainda faz sesta, para evitarmos as horas de maior calor e para conseguirmos que quem trabalha pudesse juntar-se a nós no final do expediente e foi a melhor ideia de sempre.
Convite: Ditongo
Quanto ao espaço - e devido a todas as circunstâncias familiares- andámos à procura de um espaço que não a nossa casa (embora tenhamos espaço exterior) e, num instante, a escolha recaiu na Quinta do Marquês, mesmo ao lado de casa, um sítio que conheço desde sempre, onde brinquei muito em criança e fui muito feliz e que é, agora, também um local maravilhoso para festas, com um espaço exterior fresco e cheio de sombras, espaçoso e ideal para as correrias das crianças, a instalação de insufláveis e trampolins e com sombras onde os crescidos podem usufruir sentados em poufs fofos e confortáveis. Em suma: perfeito!
Espaço: Quinta do Marquês
Tivemos sorte com a tarde e uma brisa refrescou-nos durante toda a festa. Percebi este ano, pela primeira vez, que havendo um insuflável e um trampolim, a festa está feita para os mais pequenos e nunca mais abdicarei destes. Os miúdos puderam correr e saltar à vontade, tiveram espaço para gastar energias e sentirem-se livres e não passaram a vida "em cima" dos adultos, que puderam usufruir da festa, descansados, uma fez que o espaço estava resguardado e exclusivo para usufruto dos convidados da Ana, sentindo todos uma liberdade, uma descontracção e uma sensação de segurança partilhada. Obrigada à querida Vera da Quinta do Marquês por todo o apoio que nos deu, pela simpatia e disponibilidade constantes e parabéns pelo projecto que tem tudo, tudo, para continuar a ser o maior sucesso!
Depois? Depois aconteceu magia pelas mãos da Maria João da Party Lovers que decorou todo o espaço interior e exterior de uma forma querida e criativa que fez as delícias de todos mas, em especial, da Ana: afinal, havia sereias! Sereias por toda a parte!
sexta-feira, 12 de agosto de 2016
Aos 9 de Agosto de 2016: à Ana por ocasião do seu 4º aniversário
És o meu maior amor e amar-te faz parte de mim como respirar, ter pulsação ou sorrir involuntariamente quando estou feliz.
Amo-te pelo que és e somos tão diferentes em tantas coisas. Amo-te pelas novidades que me trazes todos os dias, pela pessoa que te revelas a cada momento como um tesouro no fundo do mar, que se descobre devagarinho, quando mais fundo se mergulha, quanto mais abertos conseguimos manter os olhos debaixo de água, quanto mais crescemos juntas, tu e eu.
Amo-te em todas as nossas diferenças de personalidade, de gostos, de reacções ou formas de estar. Amo-te em cada reacção, em cada acção, em cada gesto, em cada obstáculo ultrapassado, em cada conquista, em cada resposta, em cada "amo-te, mamã!" que me dizes de repente, em cada birra, em cada pedaço de ti.
Nasceste dia 9 e eu sei que não foi por acaso. Trouxeste às nossas vida esta prova dos nove e alertaste-nos para cada erro, acertaste todas as contas das nossas vidas, puseste cada coisa, cada emoção, cada afecto, cada pedacinho do coração no sítio certo, sem margem de erro, sem subtracções nem divisões, só somas e multiplicações. E exponenciais.
Somos maus de matemática, nós os teus pais das letras e dos desenhos, das histórias e das cantigas, dos colos e das cavalitas, dos abraços de família. Tu trouxeste-nos a magia dos números que amas, das contas que te desafiam, dos dedos estendidos a fazerem cálculos, da prova dos nove e deste quatro que fazes hoje, como um teste de equilíbrio que trouxeste às nossas vidas.
Um teste de equilíbrio superado.
Fazes quatro, querida Ana, com o equilíbrio das 4 estações do ano, com a precisão das pontas dos compassos e com a plenitude dos quatro elementos. Com o espanto de um trevo de quatro folhas.
Quatro anos, querida filha: olhos de água, cabelo de terra, coração de fogo e sorriso do ar que faz todo o céu.
Feliz Ano Novo, meu amor. Para sempre.
[Texto escrito a 09-08-2016]
E na véspera do seu aniversário, à noite, ela abraçou-me...
"Quando voltas a ficar feliz, mamã?"
[Sim, consegue-se dar um intervalo à tristeza demorada, à tristeza resignada, à tristeza que veio para ficar.
Um filho consegue dar-nos motivos para dar intervalo à tristeza quando precisa da nossa alegria para ser feliz.
No dia 9 não fingi nem me esforcei. Estive feliz por ela. Para ela.
No dia 9 dei um intervalo à tristeza porque o amor é mais forte que a morte.]
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
Festa do 4º aniversário da Ana: preparativos
"Então Ana, como vamos fazer a tua festa este ano?"
"Eu queria uma festa da Pequena Sereia, mãe!"
"Hummm, boa! Deixa a mãe pensar..."
"É fácil: tu mascaras-te de Athena, o pai de Tritão e alugamos o fundo do mar, que achas?"
...
...
...
terça-feira, 2 de agosto de 2016
Estou um bocadinho mais pesada...
Bem-vinda ao Mundo, querida sobrinha L!
Labels:
Ah 'migos
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Agosto, o tempo e as ideias a pousarem
Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo.
Tenho os anos em que os sonhos começam a acariciar com os dedos e as ilusões se convertem em esperança.
Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama intensa, ansiosa por consumir-se no fogo de uma paixão desejada.
E outras vezes é uma ressaca de paz, como o entardecer em uma praia.
Quantos anos tenho?
Não preciso de um número para marcar, pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho ao ver minhas ilusões despedaçadas…
Valem muito mais que isso
O que importa se faço vinte, quarenta ou sessenta?!
O que importa é a idade que sinto.
Tenho os anos que necessito para viver livre e sem medos.
Para seguir sem temor pela trilha, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios.
Quantos anos tenho? Isso a quem importa?
Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e o que sinto."
(estou á procura do autor)
sábado, 23 de julho de 2016
Para a Vanda e para o Paulo...
Conheço-vos há dez anos e tínhamos tudo para não dar certo. As diferenças (de idade, de geração, de gostos, de vidas, de horários e de dinâmicas familiares) eram tão grandes- à data que nos conhecemos- que nunca pensei que se viesse algum dia a tornar esta amizade boa que se tornou.
Em dez anos anos aprendi muito convosco, mesmo quando a vida, os tempos, os calendários, os telefones e as disponibilidades andaram desencontrados.
Aprendi que o amor e a vida podem ser a mesma coisa. Que um casal não deixa de ser um casal quando passa a ser uma família. Que o segredo para um casamento duradouro e feliz é a tolerância, a persistência, a resiliência. E um certo desequilíbrio como se nisto de "dar certo" seja requisito uma certa homeostasia Que para um amor chegar longe deve-se correr ao mesmo ritmo, ao mesmo compasso, dois a dois, cabendo a cada um empurrar ou puxar o outro- cansado- conforme as suas pernas tenham mais força, cabendo a cada um gritar palavras de encorajamento e ânimo quando as metas parecem ficar mais longe, cabendo a cada um partilhar água e ensinar como se respira melhor quando os tempos são difíceis. Que uma relação duradoura não é um sprint nem sequer uma maratona: é um pentatlo, cheio de desafios e provas, meios adversos e força necessária em todos os músculos dos nossos corpos. Em todos, sem excepção, mas em especial no músculo cardíaco.
Convosco aprendi que nem sempre se pode ser feliz sempre mas, feitas as contas, se pode aprender a ser feliz para sempre.
Feliz bodas de naftalina, miúdos: venham mais 25!
sábado, 25 de junho de 2016
quarta-feira, 15 de junho de 2016
O Mundo divide-se...
... entre as pessoas que preferem areia e as que preferem as rochas.
[Mámen: esta é para ti!]
[Mámen: esta é para ti!]
Gabão? Eh lá!
"Olá Polo Norte.
Tarda mas não falha.
Podes juntar o Gabão à lista.
E resume-se a isto: plataformas, petróleo, calor, água quentinha, pé na areia e muita praia. Bisous.
Andreia Silva"
Conheça todos os países já quadripolarizados aqui.
terça-feira, 14 de junho de 2016
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Barómetro da amizade
Passar férias em conjunto com outras famílias: pernoitar, partilhar refeições e despesas, respeitar ritmos, negociar, celebrar diferenças, experimentar rotinas alheias e permitir que experimentem as nossas, ser flexível e acabar os dias em comum desejando que se repita a experiência.
Não basta ser-se amigo para se fazer férias em conjunto. Até na amizade é preciso haver compatibilidade.
[Paulo e Margarida: obrigada.]
quarta-feira, 8 de junho de 2016
Georgia on my Mind
"Querida Pólo,
Sou leitora quase diária do blog e adoro a cruzada quadripolar!
Este ano contribuí com a Geórgia e a Arménia!!! Espero que seja a primeira!
A primeira foto é do lago Sevan, na Arménia (destaque para as montanhas com neve lá atrás!) e a segunda é uma vista da capital da Geórgia, Tbilisi. Viajei um pouco por estes países, de norte a sul.
A viagem foi óptima e recomendo, as montanhas do Cáucaso são lindas mesmo!
Um grande beijinho,
Matilde"
Obrigada, querida Matilde! Graças ao teu duplo contributo, na Europa só nos restam, agora, 17 países por quadripolarizar! Yey!
- Conheça todos os países já quadripolarizados aqui.
terça-feira, 7 de junho de 2016
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Come a papa (da) Joana, come a papa!
A Joana é, indubitavelmente, a melhor blogger de culinária portuguesa. E a minha preferida. Calha também ser minha amiga e eu gostar muito, muito dela.
A Joana na culinária (tal como a Mónica na moda) é minha contemporânea nos primórdios da blogosfera, quando as pessoas tinham blogs mas não tinham pretensões de ser bloggers, escreviam para comunicar e para partilhar e não para receber borlas, fazer parcerias ou fazer negócio com os blogs. Era um tempo diferente na blogosfera e acredito que os que resistem dessa altura são verdadeiramente resilientes, genuínos e originais. A Joana é uma delas: a rainha da culinária da blogosfera, uma cozinheira de mão cheia, mais preocupada com o sabor que com a fotografia, mais implicada na comida de conforto, na comida que junta pessoas à volta da mesa, que remete aos afectos, às histórias das famílias que nos pratos e nos ingredientes da moda.
E o blog "As minhas receitas" da Joana comemorou, por estes dias, 10 anos e só me resta desejar-lhe, para os próximos dez, o mesmo que conseguiu reunir nesta última década: originalidade, genuinidade, talento, audácia, seriedade e inovação. E manter-se fiel ao que sempre tem sido porque a Joana é tudo de bom.
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Quer fazer uma criança feliz? Não atrapalhe!
A maioria das pessoas olhará e tenderá a lamentar a minha infância, a questionar até que ponto terá sido feliz.
As crianças têm uma propensão inata para serem felizes: chateia-as a condição de doentes, aborrecem-se com a tristeza, entedia-as a infelicidade. Eu não fui excepção.
Da criança que fui, entre muitas outras coisas, guardo isso: um instinto inato e inconsciente para ser feliz. Para procurar coisas positivas na adversidade: aprender a ler aos 4 anos porque tinha que estar, durante meses, deitada numa maca de barriga para baixo e nada mais me restava senão aprender a ler; lembrar-me do meu pai assim, presente e brincalhão, mesmo depois dos anos imensos de escuridão que se seguiram; fechar os olhos e recordar-me dos sapatos de verniz ou das sabrinas douradas de purpurinas que a minha mãe me comprou, depois de anos seguidos a usar botas ortopédicas, ali no largo do Rato.
Onde as pessoas vêem doença e dor eu vejo reabilitação e vitória, onde as pessoas vêem abandono e ausência eu vejo reforço na vinculação com a minha mãe e com a minha família materna, onde as pessoas vêem cadeira de rodas eu lembro-me do dia em que aprendi a fazer cavalinhos.
Da criança que fui resta muito. Tantas coisas que não vos passa pela cabeça: a impulsividade, a alegria, o coração aberto a quem passa, a crença no ser humano, a fé num futuro melhor. Mas, acima de tudo conservo, assumidamente sem medo de ser ingénua, este impulso para procurar ser feliz. E ua espécie de preguiça: é que ser triste, macambúzio, pessimista dá muito, mas mesmo muito, trabalho.
Para se fazer uma criança feliz e criar memórias felizes na infância dos nossos filhos acredito que não seja preciso muito: acho que basta que os adultos não atrapalhem.
Não atrapalhemos, então.
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Isto é bonito, caramba! (e tenho, finalmente, o pc arranjado!)
Sérgio Godinho actuou ontem, num festival, em Belgrado. Alunos sérvios, estudantes de Português surpreenderam-no assim. Isto é maravilhoso, caramba!
"Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir"
Labels:
PolarTube
sexta-feira, 13 de maio de 2016
Abençoada foccacia!
"Olá querida Ursa!
Envio-te esta quadripolarização diretamente de Cinque Terre em Itália.
Estou a fazer Erasmus em Bolonha e fui visitar esta belíssima terra. Passei os dias anteriores à viagem a pensar " Tenho que quadripolarizar Cinque Terre!". Acontece que me esqueci de levar um papel e uma caneta e só me lembrei desta quadripolarização uma hora antes de regressar. Sem recursos, quase sem tempo e prestes a desistir, tive que me desenrascar como boa portuguesa que sou! Lá tive que ir a um estaminé da zona comprar uma bela foccacia só para pedir um papel e uma caneta, com toda a gente a olhar para mim com cara de interrogação escrevi "I Love Polo Norte" neste belíssimo papel com cor de pastel! Foi uma quadripolarização feita com muita dedicação, espero que gostes! um beijinho :)
--
terça-feira, 10 de maio de 2016
A Tunísia já não cheira a jasmim
[De repente estou no tribunal com o meu pai. Não nos falamos nem sequer nos olhamos. Acuso a sua 17ª mulher de stalking e a mulher é uma leitora deste blog que entretanto se tornou uma amiga e me ajudou numa fase difícil da minha vida. Saio do tribunal e estou na Tunísia. Faz aquele calor húmido e o grupo separa-se para visitar diferentes pontos turísticos de interesse. A minha mãe vai para um lado com os meus tios e eu sigo na direcção oposta com Mámen e chegamos a Sidi Bou Said e começam a chover granadas e eu corro muito mal. Pessoas em meu redor espancam-se e fecho os olhos com força e sou puxada por Mámen numa correria para a qual não tenho fôlego. A mulher do meu pai está numa gruta a vender ouro e a minha mãe está às compras lá. Entro e pergunto pela Ana, não existe ainda a Ana, nós só temos 26 anos e acabámos de nos casar. As paredes de Sidi Bou Said estão manchadas de sangue e eu entro e estou na sala de espera da consulta de Oncologia com o meu tio. A minha mãe liga-me a dizer-me que voltaram para o hotel e que para eu me apressar que temos que ir embora, que é perigoso, que temos que voltar para casa.
Acordo, sobressaltada, e troveja e chove com força nas telhas e nas vidraças desta casa. Ele dorme, profundamente, a meu lado. Digo, baixinho, "A Tunísia já não cheira a jasmism", ainda meio embriagada entre o sono e o despertar. Levanto-me e vou ao quarto dela: dorme profundamente. O bocadinho de cheiro a jasmim que consigo cheirar na minha vida neste momento. Não volto a adormecer.]
Labels:
Entre parêntesis
quinta-feira, 5 de maio de 2016
terça-feira, 3 de maio de 2016
O Mundo divide-se entre...
... as pessoas que após ouvirem alguém espirrar dizem "santinho" e as pessoas que dizem"saúde".
sábado, 30 de abril de 2016
sexta-feira, 29 de abril de 2016
segunda-feira, 11 de abril de 2016
Abril, quadripolarizações mil# 11
"Olá!
Envio duas quadripolarizações da Jordânia (mar morto e deserto em Wadi Rum) (...)Eu gosto de ver as quadripolarizações, mas não faz muito a minha cena mandar fotos minhas para a net. Neste caso, decidi fazê-lo por duas razões. Primeiro, por carinho para com o blogue, o bairro e a ursa. Segundo, por amor à Jordânia.
Conforme contei na minha mensagem, o pessoal de lá é bom demais... e a Jordânia constitui-se hoje em dia como um oásis de paz para as gentes que vivem os conflitos nas redondezas. A Jordânia não tem petróleo, vive essencialmente do turismo. Como as pessoas sabem que a situação na região é perigosa, julgam que a Jordânia é afetada, mas não é. É dos sítios mais seguros para onde tenho viajado. Eu gostava de contribuir para a divulgação deste destino. Gostaria que ao menos a Jordânia se aguentasse nas canetas lá para aqueles lados, e que seja um porto seguro para os que fogem. E fomos tão bem recebidos pelos jordanos, que são dos povos que ainda sabem o que é dar boa hospitabilidade (nós aqui já fomos mais hospitaleiros do que somos, acho eu).
Obrigada, querida India. Fiquei cheia de vontade de visitar a Jordânia. Quem sabe em breve? ;)
- Conheça todos os países já quadripolarizados aqui.
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Abril, quadripolarizações mil #6
"Quadripolarizar a Cidade do Cabo e os seus pinguins: checked. Vera"
Beijinhos gigantes, Veríssima! :P
- Conheça todos os países já quadripolarizados aqui.
O Natal é quando três amigas quiserem
Gosto de tradições.
Gosto de criar rituais com as minhas pessoas. As tradições ajudam-nos a criar um código comum, a acertarmos os relógios para um determinado tempo e espaço partilhados, a reforçar ligações emocionais, a criar memórias colectivas partilhadas, uma identidade comum.
Gosto que no Natal comamos sempre bacalhau com batatas cozidas e couves, mesmo que tenhamos que ter aberto a tradição a quem chega (e viva o polvo dos Açores!) como se cada elemento que entrasse reforçasse as memórias e as solidificasse, sem nunca deixar cair o que já existia (e às vezes a permeabilização a estímulos vindos do exterior é enorme). Gosto de bacalhau e aletria e mexidos no Natal, de saber que a árvore de Natal conta sempre com um enfeite novo todos os anos, gosto de saber que, o que quer que aconteça, no dia 08 de Fevereiro estarei sempre perto da minha mãe para juntas comemorarmos o seu aniversário, gosto de saber que todos os dias que jantamos em casa o fazemos à mesa da sala e sempre com a televisão desligada, gosto de incentivar a minha filha a ir ao "Pão por Deus" a cada primeiro de Novembro e beber um Mojito partilhado sempre que me consigo reunir com as minhas duas melhores que vivem fora de Portugal.
As tradições trazem-nos um sentir comum, um sentimento de unidade, de respeito e esforço para que as pessoas sintam todas que fazem parte da mesma história, que estão comprometidas em criar laços comuns, que são leais, sentindo-se imprescindíveis na sua presença em cada tradição, precisas e insubstituíveis, que o todo só é todo com o alinhamento de cada um.
As tradições transmitem estabilidade e segurança, a segurança de sabermos que, no matter wahat, naquele tempo e naquele espaço estaremos juntos, a unidade de que somos um todo, a exclusividade de pertença aquele núcleo, a sensação boa de pertencermos e de estarmos ligados uns aos outros, do passado ao presente, desde sempre e para sempre. A reforçar laços e a sentimo-nos comprometidos com os outros.
É por isso que, desde que a Catarina voltou ao seu país Natal e a Xana emigrou em 2007 deixámos de trocar presentes no Natal e de enviar lembranças umas para as outras nos respectivos aniversários. Porque sabemos que, a cada reunião das três, a cada altura in usitada em que os relógios, os calendários e os meredianos se conjugarem e nos fizerem estar juntas no mesmo espaço e fuso horário, no mesmo sítio... comemoraremos o Natal. Mesmo que em Agosto no Luxemburgo, em Abril em Paris, em Março no Porto ou, agora, em Maio... em Famões. E comemoraremos sempre com um bolo de aniversário porque é Natal partilhado, é aniversário colectivo, é festa em nós.
Ontem foi Natal para nós.
Feliz Natal e Feliz Ano novo, miúdas!
(Reclamação pública aos senhores de "O Baloiço": bem sei que vos causou estranheza escreverem Feliz Natal no bolo mas a Xana sentiu-se defraudada quando percebeu que a cobertura não era de massapão mas sim de pasta de açúcar. Não se pode mudar assim as memórias de infância de bolos de uma lisboeta emigrada, senhores! Não há direito!)
Labels:
Ah 'migos
Os meus amigos podem não ser melhores que os vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 35
Na segunda-feira jantámos no restaurante libanês com os nosso melhores amigos.
Ontem Mámen almoçou Joshua Shoarma.
Após o almoço, confidenciou à nossa amiga Maria que estava a sentir um peso no estômago.
Resposta pronta da espirituosa: "Tens noção que tens dentro de ti um conflito israeló-árabe?"
...
...
...
Ontem Mámen almoçou Joshua Shoarma.
Após o almoço, confidenciou à nossa amiga Maria que estava a sentir um peso no estômago.
Resposta pronta da espirituosa: "Tens noção que tens dentro de ti um conflito israeló-árabe?"
...
...
...
terça-feira, 5 de abril de 2016
Abril, quadripolarizações mil #5
"Provavelmente ja recebeste uma quadripolarizaçao de Luanda. Mas aqui vai uma do Mussulo, Luanda. Porque hoje esta um dia fantastico de praia. Sandra Ferreira."
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Abril, quadripolarizações mil #4
"Olá Ursa! Tu queres, tu tens, sul de Luanda quadripolarizado! Não deu para ir à ilha, marginal e afins porque foi dia de peregrinação dominical à praia de sangano, a caminho parámos no Miradouro da Lua e pronto, é como se também lá tivesses estado! A Banda loves you! Beijinhos "
Mantenhas para a banda, querida Ana!
domingo, 3 de abril de 2016
Abril, quadripolarizações mil #3
"E como o prometido é devido, já comecei a quadripolar o México! Começo com San Pedro Garza Garcia, onde vivo.... Segue-se Monterrey...."
Beijinhos, guapa Carina Machado!
sábado, 2 de abril de 2016
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Com a verdade m'enganas (ou a apologia às verdades inacreditáveis)
Fui a Virgem Maria, quatro anos seguidos, no presépio vivo da escola primária (sim, no meu tempo era verosímil que a Virgem fosse loira e com botas ortopédicas) | Encontrei um ex-namorado numa prisão (ele estava preso, não eu). | Já vi à venda numa montra um sabor de gelado "Pólo Norte" em honra à minha personagem blogosférica (obrigada Gelados do Chef Nino!). | Casei uma vez e recasei outra.. com o mesmo homem (tem um lugar no céu garantido, é limpinho!) | Sobrevivi a cinco paragens cardíacas com direito a reanimação e tudo e ainda a 18 anestesias gerais (sobrevivi mas fiquei com a cuca afectada, não há cá milagres!). | Fui Miss Vagueira há vinte anos e quarenta quilos atrás (agora imaginem como era a concorrência...). | Fui militante de um partido de direita (e entretanto vi a luz!) | Sei sacar cavalinhos e dançar em cadeira de rodas. | Já me apaixonei pelo meu melhor amigo (post it mental: lembrar a Ana, quando for tempo disso, para não fazer a mesma cagada!) | Assisti ao "Frozen" (seguramente) mais de 100 vezes, E não, não é hipérbole! | No liceu era marrona e chata. | Fui convidada a sair de uma tuna (na faculdade não era marrona nem era chata!) | Fui a um casamento de pessoas que conhecera, três dias antes, num bar no Bairro Alto (e foi bem giro o casamento!) | Já tive aulas meses seguidos deitada numa maca no hospital (e deviam ver a dificuldade que é manter o estado de vigília a aprender tabuada deitada e tapadinha...) | Assisti a um espectáculo de dança do varão | Já comi bifes de golfinho (e pensei que era atum e soube-me mesmo bem, glup!) | A minha casa foi assaltada e fiquei sem nada, quando a minha filha tinha apenas 1 mês de vida (até o frigorífico me roubaram, foi uma festa!) | Já recebi largas centenas de postais de Natal | Organizei uma festa de aniversário para centenas de convidados | Sobrevivi a um tremor de terra (sim, açorianos, chamem-me fraquinha mas aquilo foi quase 6 na escala de Richter) | Ser mãe foi a melhor coisa que me aconteceu na vida | I don't give a fuck, ou seja, estou-me a borrifar para a maioria das coisas que não interessam para nada, o que significa que me interesso por muito poucas coisas |Se a minha mãe não lesse este blog este post seria beeem diferente| Estou de bem com a vida.
quarta-feira, 30 de março de 2016
O mundo divide-se entre...
... as pessoas que têm códigos PIN dos cartões mutibanco com a combinação de dia/mês ou dia/ano de uma data especial e as outras.
terça-feira, 29 de março de 2016
Os filhos dos meus amigos podem não ser melhores que os dos vossos, mas terão certamente um sentido de humor mais peculiar # 5
Fomos ao workshop de ilustração de Dia do Pai com duas amigas queridas: a Margarida e a Rita.
Chegados ao colégio, já sentados e prontos para dar início aos trabalhos, a Margarida chama a filha Laura (da mesma idade e grande amiga da Ana):
Margarida: "Vá Laura, vamos lá desenhar o pai!"
Laura: "Mãe, podemos antes desenhar o John Lennon?"
...
...
...
sábado, 19 de março de 2016
O espaço vazio
Passei, exactamente, vinte e quatro dias do Pai neste vazio. O último que comemorei tinha oito anos e era um dia bonito de Primavera, lembro-me bem, ou talvez seja esta fotografia- em que, sentada numa cadeira de rodas, carrego o último presente de dia do Pai que teve destinatário- que mo lembre.
A partir daí sempre o mesmo suplício quando Março trazia este dia, sem ninguém que o fizesse ganhar sentido ou forma, sem ninguém que fosse a razão de o celebrarmos, este dia, o dia em que o calendário ficava vazio de mim, espectadora da celebração.
Não é fácil crescer assim, fugindo à norma e à maioria, não nos juntando ao sentimento colectivo, não tendo razão para fazer trabalhos bonitos na escola primária, não tendo mãos para receber presentes à chegada a casa, não tendo, já adulta, compromissos de almoços ou jantares com o pai. Fica, assim, uma espécie de vazio que, no meu caso, durante anos tentei preencher avidamente com quem estava disponível e o mais preparado possível para "fazer a vez".
O meu avô foi, de facto, o melhor avô do Mundo mas nunca conseguiu ser o meu pai. Não é possível que um avô seja pai, não acredito nisso. Um avô pode amar até ao infinito, pode ser uma referência masculina, pode exercer um modelo parental mas um avô é um avô, tem um tempo e um espaço geracional que o separa de nós e isso não é mau- na maioria das vezes é até o que faz os avós mais doces e pachorrentos, mais apaziguadores com os modelos de educação e mais flexíveis, mais amorosos e emocionais, a saber amar com a intuição e o empirismo seguro que não está acessível aos pais. Não me interpretem, por isso, mal nem me vejam como ingrata: o meu avô foi o melhor avô do Mundo mas não podia, nunca, ter feito a vez do meu pai ou aspirado a substituí-lo.
A minha mãe foi, igualmente, a melhor mãe do Mundo. Às vezes oiço mulheres como a minha mãe dizerem que "foram mãe e pai", também já cheguei a pensar isso da minha, assumo. Hoje não creio nisso. A minha mãe nunca fez a vez do meu pai nem nunca "foi mãe e pai" pela única razão de que essa responsabilidade, essa tarefa, esse papel, o de pai- o de meu pai- só poderia ter sido desempenhado por uma única pessoa, aquele homem que se foi embora e desistiu da parentalidade, a confundiu com conjugalidade, que entregou a gestão da minha vida, da minha educação, da rega do meu amor à minha mãe, que é, de facto, a melhor mãe do Mundo mas que, por motivos óbvios, nunca poderia ter tido a responsabilidade, a ousadia, a pretensão de ser pai. O meu pai. Aquele pai.
Durante anos tentei preencher este espaço vazio ora com o meu avô ora com a minha mãe, numa tarefa inglória e injusta, conturbada e frustrante.
A verdade é uma: o meu pai não soube ser pai e constato-o hoje, sem mágoas nem rancores, sem recalcamentos ou raiva. Com algum lamento e pesar pela filha do pai que eu gostaria de ter experimentado ser (e alguma curiosidade de como teria sido) e pelo pai que ele poderia ter sido se as vontades, a motivação, a predisposição e as circunstâncias o tivessem permitido. Só que não.
Não tenho o melhor pai do Mundo, nunca o terei. Aprendi a viver bem com esse facto como uma árvore que cresce amputada mas que cresce, que ganha troncos e flores, que vê assistir, com espanto e serenidade, aos primeiros frutos.
Hoje, muitos anos depois, e após de ter escolhido o melhor pai do Mundo para a minha filha, estou em paz. Em paz porque, não foi minha culpa, não foi minha responsabilidade, em nada contribuí para o falhanço do meu pai como pai. Em paz porque me tornei em alguém que fez as pazes com o passado e todos os dias gosta mais do presente em que se tornou o presente e sente esperança e alegria no futuro em que acredita, Em paz porque não tenta encaixar nada nem ninguém no espaço vazio que ele deixou. Já não é preciso. Sei quem sou e porque sou.
Celebro, hoje, o dia do Pai em mim. Celebro, hoje, este espaço vazio que o meu pai deixou. E a segurança de que não preciso que ninguém o preencha. E a certeza de que ele ficará vazio para sempre, sem tristeza nem lamento. Porque este espaço vazio lembra-me quem sou, no que me tornei, recorda-me do melhor avô que nunca aqui conseguiria encaixar por ter outra forma, ser outra figura geométrica do meu amor. Lembra-me da melhor mãe do Mundo que é tão grande que neste espaço nunca poderia caber.
E lembra-me da serenidade do tempo, dos 24 anos passados a tentar preenchê-lo em vão e da aceitação de que há espaços vazios que assim têm que permanecer, com todas as memórias não concretizadas do que poderiam ter sido, com todo o vazio e silêncio que sempre ficou. Não é preciso preenchê-lo. Já não.
Este espaço vazio construiu a minha identidade, trouxe-me certezas e reconciliações, aceitação e paz. Este espaço vazio está cheio de mim. Este espaço vazio lembra-me como cheguei aqui, quem sou e porque o sou. Talvez tivesse sido uma pessoa diferente se o espaço tivesse preenchido, talvez com mais memórias positivas, com mais âncoras positivas, acredito que feliz. Mais feliz? Não sei. Diferentemente feliz.
Este espaço vazio lembra-me o que me custou chegar aqui a este ponto cardeal da minha vida. Hoje resolvida e feliz. Mesmo feliz.
E lembra-me da serenidade do tempo, dos 24 anos passados a tentar preenchê-lo em vão e da aceitação de que há espaços vazios que assim têm que permanecer, com todas as memórias não concretizadas do que poderiam ter sido, com todo o vazio e silêncio que sempre ficou. Não é preciso preenchê-lo. Já não.
Este espaço vazio construiu a minha identidade, trouxe-me certezas e reconciliações, aceitação e paz. Este espaço vazio está cheio de mim. Este espaço vazio lembra-me como cheguei aqui, quem sou e porque o sou. Talvez tivesse sido uma pessoa diferente se o espaço tivesse preenchido, talvez com mais memórias positivas, com mais âncoras positivas, acredito que feliz. Mais feliz? Não sei. Diferentemente feliz.
Este espaço vazio lembra-me o que me custou chegar aqui a este ponto cardeal da minha vida. Hoje resolvida e feliz. Mesmo feliz.
Subscrever:
Mensagens (Atom)









































