quinta-feira, 30 de setembro de 2021

O Mundo divide-se...

... entre as pessoas que, mal espreita o Outono, ainda andam de chinelos e as que passam logo a andar de calçado fechado/botas

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Ana explica à avó como dá a volta ao pai...

"Sabes, avó, não pode ser asim à bruta. tem que ser assim tipo jazz..."
A minha mãe: "Como assim tipo jazz?!"

"Começa assim devagarinho, sem darmos por nada e quando avança é que ganha ritmo, entendes? 

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Ana com febre*

Eu para mámen: "o pediatra mandou intercalar Benuron com Brufen: começamos com qual?"
Ana, em modo drama Queen: "misturem os dois na Bimby, velocidade dez e façam um cocktail..."




*É uma gastroenterite. 

"Do que gostaste mais do fim-de-semana fantástico, Ana?"

Da música que tu e a tia cantaram da Tieta daquela parte "Tieta do agreste, lua cheia de tesão, é lua, estrela, nuvem, carregada de paixão"
(faz uma pausa)

O que é tesão, mamã?" #anaamaior 

Gostava de morrer velha.




Gostava de morrer velha. Velha, velhinha. Ainda melhor, gostava de morrer velha e de velhice. Como se a vida quisesse pedir a conta final e fechar a despesa, satisfeita e de papo cheio, pronta a levantar o rabo da mesa e sair de mansinho, olhos fechados, memórias arrumadas, papo cheio, sensação de fecho da loja.

Contas feitas, fecharia os olhos, papudos e enrugados, com aquele esverdeado que todos os olhos dos velhos ficam, verde árvore para se poder regressar à terra com a copa a tocar no céu e largariam a VT, acho que se diz assim nos programas de televisão, com os momentos mais felizes que acumulei.

Nesse pequeno trecho, de uma vida longa, apareceriam os burros do @moinhodomaneio, as ondas do mar negro do cabelo da Anabela sem mariquice nem nhonhozice a darem-nos as boas vindas de verdade, o ribeiro que desbravamos com a canoa azul e gargalhadas amarelas de sol, os saltos da minha filha no trampolim e os risos a chegarem bem alto no espaço, caudas de sereia na piscina, agora a Eillen e eu a gargalharmos, à ceia, enquanto cantamos a banda sonora da Tieta do Roque Santeiro depois de jogarmos Remmy a beber chá de caramelo e a comer broas de mel e estas manhãs preguiçosas em que quero sair para o pequeno almoço e a Ana dorme no meio de nós, as persianas de madeira azul a rebentarem para nós deixarmos entrar o sol e a vida que é vivida no presente, que deve ser vivida como um presente. Uma cauda de sereia a secar à porta, no fim.

Queria morrer velhinha agarrada ao papel colorido da vida que desembrulhei, contemplando o passado que foi um presente, mete-lo debaixo do braço e dizer adeus, estava tudo óptimo, obrigada, sim?

domingo, 26 de setembro de 2021

O Mundo divide-se...

 ...... entre as pessoas que acordam com o humor certo e não querem conversa de manhã e as outras.

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Merdas que vocês fazem aos vossos filhos para serem nomeadas para ganharem a "grã ordem de mérito da maternidade abnegada, sacrificada, carmelita descalça, cheia de culpa judaico-cristão, freudiana" e que nunca pensaram que um dia descessem tão baixo ao inferno-maternal de tal modo que batessem no fundo.


Começo eu: maçãs, cortadas e presas com um elástico, não vá a menina não ter dentes para morder uma porra de uma peça de fruta e fruta oxidada é que nem por sombras. Ali, taco a taco, com palitos de cenoura magistralmente cortados para o lanche. Repito: palitos de cenoura.

Agora vocês.
[Sem julgamentos, tá? It's my daughter and eu estrago if I want it...]

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Apartas o cabelo ao meio

"Apartas o cabelo ao meio, agarras um pedaço de cada vez e penteias devagar. Depois das duas partes penteadas, juntas tudo e penteias por inteiro, de uma só vez". Sempre que me vejo em frente do espelho da casa de banho, a pentear o cabelo, sempre sem excepção, oiço a voz da minha avó nesta ladainha: "apartas o cabelo ao meio...".

Eu era adolescente e as hormonas tinham tomado conta do meu cabelo, outrora liso, agora cheio de jeitos e rebelde, muito fino e muito basto, sempre a enriçar e a fazer nós. Às vezes pensava em cortá-lo para me poupar ao trabalho de o desembaraçar todas as manhãs, enervava-me, irritava-me, apetecia-me escová-lo à bruta, partir os nós e o cabelo com ele mas depois a voz, paciente, da minha avó: " apartas o cabelo ao meio...".

A minha avó sempre me pediu que não cortasse o cabelo e sempre que eu desesperava em frente do espelho vinha por trás e tirava-me a escova da mão impaciente e começava a pentear-me: "apartas o cabelo ao meio".

Um dia, era eu universitária e numa manhã de bad hair matinal a minha avó penteava-me, sem pressa e dizia-me a ladainha "apartas o cabelo ao meio..." e eu sorri e atirei "esse conselho dos cabelos aplica-se a todos os problemas, 'vó: temos sempre que os apartar e desembaraçar aos poucos, pedaço a pedaço e depois, com tudo com menos nós e embaraços, dar uma escovadela final, né?" E a minha avó riu e disse "nos cabelos e na bida, tem que ser sempre assim: apartar sempre ao meio, agarrar um pedaço de cada vez e desembaraçar cada pedaço para depois juntar tudo e passar uma escovadela no fim e ficar tudo certinho".

Tenho saudades das mãos da minha avó na escova, da escova no cabelo, da expressão "apartar" e da vida ser dita com "b" de bela e de boa. E talvez seja por isso que eu nunca corto o cabelo: para nunca me esquecer como se resolvem os problemas na vida ou talvez apenas para, sempre que me olho ao espelho, nunca deixar de ouvir a voz da minha avó pela manhã. 

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Primeiro dia de aulas do 4º ano





Podia fazer quarenta graus à sombra, haver uma parada de camelos e todo um desfile cénico de cactos, podia haver uma escola de samba com bailarinos desnudados e sensação térmica de deserto do Sahara que ela hoje levaria, sob qualquer circunstância, o vestido novo dos corações.
Quatro anos para conseguir uma fotografia de primeiro dia de aulas irrepreensível com data certa e todas as peças de roupa vestidas e nos livramos de unicórnios na mochila but... aqui está ela!

Quarto ano da Ana! Desejem-lhe boa sorte!  

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

As fitas


Ele perguntou "também lá estiveste internada?" e eu disse que sim, confusa. É uma névoa na minha cabeça todo o tempo em que lá estive internada, uma névoa sobreposta pelo que a minha mãe me conta, as memórias felizes que ela assistiu, o dia em que a RTP lá foi e me filmou e os domingos em que as irmãs incluiam sempre batatas fritas no menu e a Lai, a educadora, única memória de afecto que guardo. Tinha na minha memória as memórias da minha mãe a ocuparem o lugar das minhas, não sabia para onde teriam elas voado. 

Mas depois ele continuou "e as fitas? Lembras-te das fitas?" e um portal de memórias recalcadas se abriu, como se fosse uma epifania do passado, uma visão de dor que enterrei num poço da minha memória- a psicologia explica- acabava a hora da visita a seguir ao jantar que era dado demasiado cedo, acho que pelas 19h, e a minha mãe e todas as visitas iam embora e vinham as irmãs, vestidas com o hábito creme, com as fitas. 

Às vezes eu choramingava, tinha 4 anos, 5, 7, 8, era pequena, choramingava "não quero as fitas! Tenho comichão e não me consigo coçar" e elas não me respondiam, não me explicavam, não me consolavam, limitavam-se a apertar as fitas à volta do meu corpo pequen ino e prendiam com firmeza e eu ficava sem me mexer toda a noite, às vezes durante muito tempo a olhar para o tecto da enfermaria e a pensar que a comichão iria passar e que a minha mãe chegaria no outro dia e ouvir os gritos de outras meninas: "tirem-me as fitas! Tirem-me as fitas!", depois passos delas e o silêncio a calar os gritos das outras meninas. 

Eu desisti de pedir, percebi que não me ouviam, não queria que os passos se aproximassem e se pedisse apertavam com mais firmeza, nem uma palavra, às vezes eu enchia o peito de ar para ficar com mais folga e poder mexer-me melhor até mas tirarem de manhã, muito cedo, acordavam-nos as sete para lavarem o chão com lixívia e umas máquinas que aspiravam e enceravam, tudo tinha que cheirar a limpo, a doença cheira mal. 

Nunca ninguém me abraçou, consolou ou alargou as fitas, em noites apertadas e silenciosas à espera de manhãs asséticas e da minha mãe chegar outra vez. 

Ele carregou com o dedo na ferida cicatrizada em vão"lembras-te das fitas?" e eu lembrei e perguntei, agora, à minha mãe se era real ou se o sonhara. "Era para vocês não caírem das camas!" e eu sei que ela acredita nisso, as irmãs diziam e ninguém questionava as irmãs- é a memória da minha mãe sobre as fitas mas não é a realidade e eu nem me lembrava que havia esta realidade mas ele perguntou pelas fitas e agora não me consigo esquecer de dormir de colete de forças grande parte da minha infância naquele hospital, do cheiro a lixívia e de tudo o que mais queria no Mundo era a hora em que chegava a minha mãe.

domingo, 12 de setembro de 2021

Tudo o que aprendi na gravidez foi com o Lobo Antunes



"Que livros leste durante a gravidez da Ana?"- na feira do livro, lembrei-me da pergunta feita tantas vezes, por amigas grávidas e por leitoras do blog grávidas, ao longo destes anos. 

E eu sempre meio envergonhada a responder a verdade: não li nada, excepto as Crónicas do Lobo Antunes, porque estava internada e sem me poder mexer e não tinha nada que fazer. Minto, li um manual de uma enfermeira inglesa, Gina Ford, que era a guru da minha amiga Xana mas li mais por amor - para não desapontar a Xana- que por crença, que a senhora dizia que devíamos deixar os bebés dormirem sozinhos e deixarmos os putos chorarem até se calarem e se não se calassem lá poderíamos ir ao pé dos berços mas nada de acendermos as luzes para eles não nos verem e não quererem folia e voltarem a adormecer. 

Por isso digo que não li nada, mas li Gina Ford para não desapontar a Xana, por amor, nunca lhe disse que odiei a enfermeira inglesa maluca que fazia bíblias sobre bebés sem nunca ter sido mãe. 

E quando a Ana nasceu e fui fazer o primeiro biberão perguntei ao Rui "a misturar isto ponho primeiro o pó do leite ou a água?" e nenhum de nós sabia o que se punha primeiro, nem se fazia diferença a ordem com que se misturava aquilo. "Num biberão pomos primeiro o pó e depois a água e no seguinte fazemos o contrário e logo vemos se faz diferença para a miúda"- concordámos. 

Nenhum de nós leu livros e fomos fazendo sempre tentativa-erro, com a certeza, porém, que a trariamos para dormir no meio de nós, que não a deixaríamos chorar até desistir e que lhe acenderemos a luz todas as vezes que fizer escuro e ela precisar de ver o nosso rosto a dizer que tudo vai ficar bem. 

Tudo o que aprendi sobre livros na gravidez foi com o Lobo Antunes, talvez por isso ontem só tivesse comprado o seu último livro de crónicas, com a esperança que na sua arrogância para inglês ver me ensine mais sobre o mundo e sobre os afectos que enfermeiras inglesas que toda a vida trabalharam com bebés.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

E estava óptimo. Mas hoje sinto-me a lamber todas as salinas desde Aveiro a Rio Maior.

Depois do périplo do almoço vou jantar a casa dos meus amigos Ines e Bruno que fazem o quê para jantar?

Bacalhau à Brás. 

Pode ser o último post deste blog

Fui comer uma pasta ao almoço ao Basílico no Corte Inglês.

Agarrei numa daquelas cenas de metal que costumam ter queijo ralado e carreguei. Saiu um pó e achei que eram coentros. Era pimenta.

Praguejei.

Agarrei na cena ao lado, outra coisa de metal igual com os furinhos e pensei que iria carregar no queijo. Carreguei. Era sal.

Não quis dar parte fraca, sorri e comi tudo como se nada fosse.

Acho que os meus rins vão parar, a tensão disparar e sinto que a minha boca se afogou no mar salgado e não sinto a língua como da última vez que tinha nove anos e achei que devia lamber a cuvete de gelo.

Sou menina para falecer.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Materno skills aos 9 anos e um mês da miúda

Saber qual a quantia exacta que a fada dos dentes coloca debaixo da almofada quando lhe cai um dente- checked

Saber o ângulo que os olhos devem arregalar para impor respeito à miúda quando lhe abrir os olhos sem parecer que acabei de fumar umas ganzas nem que sou um carneiro mal morto- checked

Saber o tipo de bolachas e de leite que o Pai Natal come para lhe deixar na varanda na véspera de Natal- checked 

Treinar a cadência da expressão “che-gan-do a ca-sa con-ver-sa-mos”- checked

Saber sempre o nome da melhor amiga actualizado para poder usar com legitimidade a frase “não penses que falas comigo como falas com a tua amiga Joana”- checked 

Saber que ela está com febre sem usar termómetro e apenas encostando os meus lábios à sua testa- checked

Ter lenços de papel na carteira que aguentem saliva para poder limpar caras badalhocas da mesma forma que odiava que a minha mãe me limpasse a mim- checked 

Saber o tempo médio de um castigo para não ser rígida demais nem branda em demasia- checked 

Bater palmas com convicção na plateia de cada teatrinho da escola mesmo que ela tenha tanto jeito para as artes cénicas como eu- checked 

Saber exactamente o timing da contagem progressiva do "uuuuum, doooooooois...." e nunca chegar ao "trêêêês!" dando-lhe tempo para ela sair de onde está sem eu ter que me descabelar com ela- checked

Dizer com ar convicto “não te deixo comer gelados de água que isso é uma porcaria, escolhe antes um de leite”- checked 

Não me esquecer de reparar em como vai agasalhada e acrescentar, invariavelmente, um “não te esqueças do casaco, que vai fazer frio!”- checked 

 Nunca a deixar entrar no portão da escola sem lhe dizer que a amo, mesmo que às vezes, sem querer ou de propósito, a possa vir a embaraçar- checked

Conseguir abrir a puta da tampa do Ben u ron- checked



So far, so good...

It's Wednesday and I'm not in love

Bom dia a todas as pessoas menos aos patrões que decretaram o fim do tele-trabalho e que contribuem para o regresso das filas de trânsito.

Que a Nossa Senhora do IC19 ou a Santinha Padroeira da VCI vos acompanhe, sim? 

Am I alone?

 

Era eu a única criança no Mundo que pedia uma "pirâmide" na pastelaria e a minha mãe dizia que não porque era um bolo que era feito com os restos dos outros bolos e eu achava que era com os restos que as velhotas deixavam nos pratos e não com os restos da massa dos bolos?


Update 1- Acabei de perguntar a mámen e ele diz que sim: que eu era a única!


Update 2- Em boa verdade mámen diz que na ilha dele só havia Paninnis e não é uma fonte fidediga....

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Socorro!

A escola começa dia 14.
A minha filha já escolheu o vestido para o primeiro dia de aulas, as meias(!), os sapatos, os brincos, o gancho e a máscara a condizer bem como os brincos e já pendurou este carnaval todo na maçaneta do roupeiro.

Hoje é dia 7. 

O prémio do objeto escolar mais inútil vai para a borracha nova da minha filha

A minha filha tem uma borracha a pilhas. Sim, leram bem .

A minha família e amigos dividem-se entre...

 


... os que estão ansiosos para ver o outfit de primeiro dia de aulas deste ano da Ana e respetiva mochila unicorniana ( reviroojolhos) e os que estão ansiosos para ver se eu me volto a enganar a escrever no estupor no quadro meterno-fofo com datas com o regresso ao futuro (façam zoom na primeira foto: façam!) ou só lhe calce uma meia, para não enjoar (façam zoom na terceira).
FML.

sábado, 4 de setembro de 2021

S.O.S

 Já disse que a Ana está a cantar as músicas do Mamma Mia em "inglês" (cof! Cof!) em looping?

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Casamentolimpíadas: rumo à prata!

 O segredo de um casamento é, no fim do dia, da semana, da vida, no fim de vários caminhos, atalhos e desvios, no fim do tempo e do espaço arranjarmos um ponto fixo de intersecção para nos encontrarmos.

O segredo de uma relação é querermos a mesma coisa mesmo quando queremos coisas diferentes mas, no fim, querermos no limite que resulte, que fiquemos juntos, que continuemos.

O segredo de uma relação é darmos ao outro o que o outro precisa, não apenas o que queremos dar ou, aliás, o segredo é precisamente passarmos a querer dar exactamente o que o outro precisa. Não se dá ao outro o que gostaríamos que nos dessem a nós: damos ao outro exactamente o que o outro precisa e estamos predispostos a dar porque precisamos urgentemente de fazer o outro feliz. E o outro para ele somos sempre nós e queremos o mesmo. Ama-se em espelho.

O segredo de uma relação é não sermos estrangeiros nem turistas na vida do outro: é aculturararmo-nos, aprendermos uma língua comum, termos um visto, uma autorização de residência, depois nacionalizarmo-nos e podermos finalmente fazer casa no peito do outro.




O segredo de uma relação é amar o outro como ele é. Não como o romantizamos, não como queríamos que ele fosse, não como o projectamos: amá-lo exactamente como ele é.
Este ponto de encontro entre o que queremos e o outro quer, o que precisamos e o outro precisa e entre amar o que o outro é, real e cru, este ponto de encontro é a solução do teorema de Pitágoras do amor.

Há 15 anos que, às vezes, tentamos perceber o que o outro quer e precisa. Há 15 anos que, especialmente, nos amamos tal e qual como somos. Há 15 anos que tentamos muito, com vontade, energia, investimento, intuição. Consistência e coerência. Persistência e constância. E por isso resulta ou tem resultado, diz-me tu: porque sou eu e tu e o plural que se encontra neste cruzamento com coordenadas GPS que temos marcadas na pele, na alma, no bem querer.

O segredo de um casamento é não fazer puto de ideia de qual é o segredo e ir com impulso, intuição e fé.

Feliz 15º aniversário de casamento, Rui. Amar-te é simples, fácil e natural. Ser amada por ti é tudo o que quero e preciso. Ser uma pessoa melhor para tu amares orienta a bússola dos meus dias.

Norte. Sul. Este. Oeste.

O meu ponto de encontro és sempre tu.

Casamentolímpicos: rumo à prata

 


O segredo de um casamento é, no fim do dia, da semana, da vida, no fim de vários caminhos, atalhos e desvios, no fim do tempo e do espaço arranjarmos um ponto fixo de intersecção para nos encontrarmos.
O segredo de uma relação é querermos a mesma coisa mesmo quando queremos coisas diferentes mas, no fim, querermos no limite que resulte, que fiquemos juntos, que continuemos.
O segredo de uma relação é darmos ao outro o que o outro precisa, não apenas o que queremos dar ou, aliás, o segredo é precisamente passarmos a querer dar exactamente o que o outro precisa. Não se dá ao outro o que gostaríamos que nos dessem a nós: damos ao outro exactamente o que o outro precisa e estamos predispostos a dar porque precisamos urgentemente de fazer o outro feliz. E o outro para ele somos sempre nós e queremos o mesmo. Ama-se em espelho.
O segredo de uma relação é não sermos estrangeiros nem turistas na vida do outro: é aculturararmo-nos, aprendermos uma língua comum, termos um visto, uma autorização de residência, depois nacionalizarmo-nos e podermos finalmente fazer casa no peito do outro.
O segredo de uma relação é amar o outro como ele é. Não como o romantizamos, não como queríamos que ele fosse, não como o projectamos: amá-lo exactamente como ele é.
Este ponto de encontro entre o que queremos e o outro quer, o que precisamos e o outro precisa e entre amar o que o outro é, real e cru, este ponto de encontro é a solução do teorema de Pitágoras do amor.
Há 15 anos que, às vezes, tentamos perceber o que o outro quer e precisa. Há 15 anos que, especialmente, nos amamos tal e qual como somos. Há 15 anos que tentamos muito, com vontade, energia, investimento, intuição. Consistência e coerência. Persistência e constância. E por isso resulta ou tem resultado, diz-me tu: porque sou eu e tu e o plural que se encontra neste cruzamento com coordenadas GPS que temos marcadas na pele, na alma, no bem querer.
O segredo de um casamento é não fazer puto de ideia de qual é o segredo e ir com impulso, intuição e fé.
Feliz 15 aniversário de casamento, Rui. Amar-te é simples, fácil e natural. Ser amada por ti é tudo o que quero e preciso. Ser uma pessoa melhor para tu amares orienta a bússola dos meus dias.
Norte. Sul. Este. Oeste. O meu ponto de encontro és sempre tu.

sábado, 28 de agosto de 2021

Saturday night lalalalala



Que comece a desgraça!

[Primeira vez em 9 anos que vai beber Pepsi ao jantar: não me julguem! É a noite da loucura, pá!]

terça-feira, 24 de agosto de 2021

O meu blog não deu um programa de rádio...

Mas tive um convite para publicar um livro com o best of do Quadripolaridades. 

Ando há meses a empurrar com a barriga a decisão. 

Alguém ainda lê livros de blogs? Qual a vantagem de ter tudo compilado num livro? Não é um bocado arrogante achar que estes textos trapalhões todos podem tornar-se num livro? É que um livro é uma coisa séria. Qual a motivação para se escrever um livro? O ego? O meu ego precisa disto? Eu até já plantei uma árvore, escrevi um livro em miúda e fiz uma filha. Motivações de dinheiro? Eu trabalho, nunca quis viver de dividendos do blog. Anyway, entre o que fica para a editora e o distribuidor, compensa mais fazer macramés com a miúda e vender online. E depois tenho que ir aos programas da manhã divulgar o livro e toda a gente sabe que eu curto tanto eventos televisivos como arrancar as unhas devagarinho, uma a uma. Ou injeções nos olhos. E... e...

Por outro lado, o Prezado mandou-me um draft da capa e... 





Digam-me lá coisas. Vocês: os que vêm aqui, não os que só vão às redes sociais. Que esses contentam-se com os bonecos do meu instagram. 

domingo, 8 de agosto de 2021

Aos 9 de Agosto de 2021, à Ana por ocasião do seu 9º aniversário

Há nove anos era sobre mim. 

 Sabia que este era o último dia em que não seria mãe, o último dia em que seríamos dois, o último dia em que a minha vida seria diferente, não sabia eu do quê, mas diferente de certeza. 
Não me enganei. Mas não sabia nada, ainda assim. Porque quem está grávida de primeira viagem nunca consegue sequer imaginar um ínfimo com o que vai contar. 

Neste dia, há nove anos, eu não sabia. Achava que deveria ser bom. Nunca conheci nenhuma mãe com saúde mental não ser extraordinariamente feliz nesse papel. Portanto, iria ser bom, de certeza. Fosse lá isso da maternidade o que viesse a ser. Mas depois foi. Ou melhor, fui. Fui mãe, fomos três, foi a vida a dar a maior cambalhota de sempre. 

E essa foi a grande mudança: deixei de conjugar o verbo ser no singular e passei a fazê-lo num plural, apertado e simbiótico, do qual nunca deixarei de fazer parte. Nunca mais serei uma. Nunca mais serei só eu. Porque todas as células do meu corpo respiram para proteger e amar aquele ser pequenino, neste dia há nove anos, ainda mais pequeno, escudado pela minha carne, sangue, ventre, útero, entranhas. 

Amanhã finalmente cá fora, exposta ao Mundo mas, ainda assim, desde então, todos os dias engolida pelo meu amor, cuidado, preocupação e afecto. Protecção. 

 Há nove anos eu achava que já era mãe. E era. Mas nisto da maternidade todos os dias contam, todos os dias somo amor, instinto e a essência duma existência maior, mais robusta, mais fibrosa que só nasceu quando te pari, Ana. 

Amanhã fazes 9 anos mas hoje celebro eu 9 anos desde a minha despedida de ser uma, desde que deixei de existir só. Ser mãe é deixar de ser singular. Que passaste a ser o meu plural.

 Há nove anos que já não é sobre mim. E ainda bem, Ana. 

quinta-feira, 1 de julho de 2021

quinta-feira, 17 de junho de 2021

sexta-feira, 11 de junho de 2021

ABC da NATUREZA

 


A Ana ficou com febre ontem à noite, depois de vir da praia com a minha mãe. Dei-lhe paracetamol e fui monitorizando. Hoje de manhã ainda estava murchinha e liberámo-la de ir à escola. Depois de almoço estava melhor e queria sair de casa. Eu tinha que passar no trabalho e parámos na Gulbenkian onde, com todo o tempo do Mundo, acabámos a tarde a apanhar tesouros do chão dos jardins e a construir este abecedário, sob o olhar atento dos patos.

Há beleza, mesmo nos dias febris. Há beleza porque ela nasceu e a vida com ela é sempre, mas sempre, mais bonita. Mais feliz. Melhor.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Feliz ano novo, queridos Quadripolares!




Não fiz linha nem bingo, não consegui comprar as avenidas mais caras e fiquei em banca rota, perdi no vírus e no game of Thrones, perdi-me nas passas com os segundos regressivos e a partir da sexta marchou tudo pela goela abaixo mas vesti o cuecão azul e por isso acredito que isto vai rockar. 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Acredita piamente no Pai Natal (e não lhe mente)

 “Mas às vezes gosto de um bom drama”

Como não amar a honestidade da Ana na carta ao pai Natal aos 8 anos?!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

O day after

“A sério, mãe? A sério? Opá e se a Luz* me quer fazer a folha?! A sério, mãe? Que se lixe a Luz! Vou desmaiaaaarrrrr!”




[*a Luz é a namorada da Carlos Manuel na série...]

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Isto acontece sempre quando a miúda já me está a dormir

 



Amanhã de manhã tem um micro-AVC.

Não me queixo de monotonia

"Olha sabes com quem eu gostava de casar quando fosse crescida?"
Não, Ana. Com quem?
"Com o Carlos Manuel. "- e arreda para o quarto deixando-me na ignorância, a pensar quem raio no ano de 2012 botou o nome de Carlos Manuel ao filho e a rever mentalmente todos os meninos da escola.
De repente faz-se-me luz.
Carlos Manuel:





sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Nossa senhora da gataria me proteja

 Comprámos duas guppies fémeas e introduzimos no aquário que estava com imensos guppies. De repente começam a ser dizimados e eu "ai caraças, queres lá ver que as putas das peixas me estão a comer os outros todos e o camandro!"

Ontem à noite olho para o aquário e se isto não é uma aparição da Nossa Senhora da gataria, acho que ...






...

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

O Mundo divide-se entre...

... quem anda a googlar cenas da monarquia britânica e os outros.


[Amantes de "The Crown" unidos!]

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

domingo, 1 de novembro de 2020

8 anos

 



Porque é que não há comida azul? Porque é que os chás e o atum vêm em latas e as salsichas e o grão em frascos? Os búzios namoram com as conchas? Porque é que os famosos querem ser famosos se depois não gostam que os reconheçam e falem com eles? Porque é que os homens baixos não usam sapatos de salto alto? Os nervais têm poderes mágicos debaixo de água? Porque é que há queijo de vaca, cabra, ovelha e não há de porco? Porque é que o Japão que é uma ilha inventou o sushi para conservar o peixe e os Açores inventaram pacotes de leite e queijo? Porque é que há quem ache que o mundo não é redondo e embirram é com as crianças que acreditam em fadas? Se me dizem que as fadas não existem porque nunca as viram porque é que acreditam em Deus se também nunca o viram? Há países onde não há quatro estações do ano: como será a quinta estação do ano? Primaveral ou outoverno? Porque é que não há uma dança típica portuguesa para um casal dançar como o tango na Argentina e o flamenco em Espanha? Se há bonsais, não deveria também haver animaisais? Porque é que põem actores sem deficiência numa cadeira de rodas a fingir que têm deficiência se isso é tão estupido como pintar um actor branco para fingir que ele é castanho? Porque há um dia da igualdade se toda a gente sabe que devíamos era ter um dia da diferença? O papa é o CEO da igreja? Porque é que não há flores com as pétalas verdes? Porque é que há países onde o cabelo das mulheres tem que ser tapado por causa dos olhos dos homens: não deviam eram tapar os olhos deles? Porque é que se nasce a chorar em vez de a rir? Não devíamos aprender língua gestual na escola? Porque é que os cozinheiros mal criados é que têm programas na televisão em vez de serem os simpáticos e gentis? As fadas, os unicórnios e o Pai Natal vivem todos no mesmo Bairro? Como é que os meninos cegos constroem puzzles e fazem legos? Se os filhos nascem da barriga das mães, as mães quando têm que morrer não deviam murchar na barriga dos filhos?

Ana: há oito anos a abanar o meu Mundo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

De vez em quando, quando preciso mesmo, volto aqui

O Mundo divide-se...

... entre as pessoas que, em criança, fizeram visitas de estudo à Central de Cervejas e os outros.

Regresso às aulas da Ana: uma análise histórico-estatística

 


Fazendo uma análise regressiva onde se pode verificar que no primeiro ano me enganei na data (era 2018, btw), no segundo fiz tudo certinho, agora no terceiro não reparei que ela só levava uma meia, estou em crer que, tendo em conta a análise das probabilidades, para o ano volto a acertar. 

Menos mal, que é o último ano da primária e dava-me jeito acabar em bem. 

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Eu, sempre que alguém me diz que o facto dos miúdos usarem máscara é causador de traumas de infância...

 


O INCRÍVEL SENTIDO DE HUMOR DA MINHA FILHA - II acto


Eu: "Vá, filha: ano lectivo molhado, ano lectivo abençoado!"
Ela: "Tens noção de que "covidado" também rima, mãe?"
...

O INCRÍVEL SENTIDO DE HUMOR DA MINHA FILHA - I acto


Vamos a correr para o carro com a mochila a abarrotar e ainda um saco de pano todo eco-cenas cheio de material extra de artes, mais papel de lustro e uma cartolina, que também estava na lista.
Chove a potes.
Vamos todas desengonçadas, carregadíssimas, entramos no carro, ela olha para o saco de pano e constata, olhando para a cartolina toda molhada, num estado miserável:
- "Já viste, mãe? O terceiro ano é mesmo fixe! Ainda nem cheguei à escola e já aprendi a matéria de como fazer pasta de papel, han?"

terça-feira, 15 de setembro de 2020

O Mundo divide-se...

O Mundo divide-se entre os pais que forram os livros, mamam com as bolhas de ar, furam com agulhas, dizem palavrões e fica uma porcaria por demais e os outros.




 [Também há os que compram aquelas capinhas mas toda a gente sabe que isso não é parentalidade sofrida e com sacrifício, pré-requisitos essenciais nisto de se ser pai...]

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

A Primavera em nós

 As pessoas perguntam como fazemos para isto durar há uma vida. 

As pessoas não sabem que isto não é uma vida são várias como nos jogos de computador que para passares de nível tens que correr, cair, descobrir truques para passares à próxima etapa, morreres às vezes e não frustrares e desligares a porra toda, insistires e recomeçares tudo certinho para avançares. 

As pessoas não sabem que isto não é uma vida são três: a minha, a tua e a nossa e as três desdobram-se em todas as vidas que já vivemos e as que estão por viver, tudo o que e quem já fomos, o que somos e o que mudamos, quem seremos e a incógnita do que está por vir. 

As pessoas não sabem que o desafio é acompanhar o ritmo da mudança um do outro e de nós e das circunstâncias (e de não as conseguirmos controlar tantas vezes) e no fim crescermos para o mesmo lado e não nos desencontrarmos nos patamares, na direção em que andamos e às vezes eu abrando e tu apressas-te, outras tu paras para eu te conseguir apanhar, às vezes tomamos balanço e avançamos muito e é incrível e se estamos os dois exaustos ou quase a perder-nos sentamo-nos a conversar à sombra da árvore do bem querer, caem folhas de cansaços e chove mas nunca deixámos de ter esperança que a Primavera é cíclica e volta sempre e que devemos esperar pelas flores. 

As pessoas perguntam-nos como fazemos para isto durar há uma vida e não sabemos explicar que nunca pensámos ou decidimos que ia durar todas estas vidas, limitámo-nos a viver, a errar, a falhar e a desejar e querer insistentemente acertar e a descobrir que é na companhia um do outro que as cegonhas fazem ninho no Mundo, as andorinhas regressam sempre e o amor é um pedaço perfeito de sol. 

As vidas mudam, nós mudamos mas, ano após ano, a Primavera nunca deixa de regressar

A mámen, por ocasião do nosso 14º aniversário de casamento, esperando continuar a nunca ter que lhe pedir




"No te voy a pedir que me des un beso. Ni que me pidas perdón cuando creo que lo has hecho mal o que te has equivocado. Tampoco voy a pedirte que me abraces cuando más lo necesito, o que me invites a cenar el día de nuestro aniversario. 

 No te voy a pedir que nos vayamos a recorrer el mundo, a vivir nuevas experiencias, y mucho menos te voy a pedir que me des la mano cuando estemos en mitad de esa ciudad.

 No te voy a pedir que me digas lo guapa que voy, aunque sea mentira, ni que me escribas nada bonito. Tampoco te voy a pedir que me llames para contarme qué tal fue en el día, ni que me digas que me echas de menos. 

 No te voy a pedir que me des las gracias por todo lo que hago por ti, ni que te preocupes por mi cuando mis ánimos están por los suelos, y por supuesto, no te pediré que me apoyes en mis decisiones. Tampoco te voy a pedir que me escuches cuando tengo mil historias que contarte. 

No te voy a pedir que hagas nada, ni siquiera que te quedes a mi lado para siempre. 

 Porque si tengo que pedírtelo, ya no lo quiero. "

Frida Khalo

 Frida Kahlo

sábado, 29 de agosto de 2020

É um avião?

É um unicórnio morto e esculachado? É um arco-íris com problemas hormonais? É uma farfalota pimpinela que nunca se depilou depois de ter corrido naquelas corridas que atiram tintas para o trombil dos participantes?


Não: é a mochila da minha filha.


Ponho água fresca numa jarra


Antigamente odiava todas as rotinas: eram chatas, aborrecidas, previsíveis e enfadonhas. Eu sou feita do imprevisível, do flexível, do não planeado, da surpresa da vida, do improviso. 

 Depois, tal como uma criança que vê um infindável número de vezes o mesmo filme de desenhos animados, comecei, devagarinho,a apreciar saber o que vai acontecer. Gosto de saber que regra geral encontro pessoas civilizadas que usam máscara e não põem em risco a saúde pública, de comprar legumes sempre numa banca e fruta noutras duas, de visitar as peixeiras que acham que eu tenho sempre cara de quem compra sardinhas (e, na verdade, eu prefiro carapaus), que o senhor dos ovos dê sempre um ovo à Ana e o das flores a tente corromper com uma geribera para mudar de clube de futebol, de beber um café da Luísa e no inverno de comer pão com chouriço. 

Em psicologia chama-se “segurança do previsível” e eu gosto muito de chamar mercado a este mercado e saber que para a Ana é e será sempre o “mercado das flores”. 

 Há uma felicidade segura em viver aqui e uma previsibilidade encantadora em ter flores frescas em jarras espalhadas pela casa todos os fins de sábados de manhã.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

#deusétuga: prelúdio

 

                   


Etapa 1 | Lisboa- Évora- Santarém- Portalegre- Castelo Branco- Guarda- Bragança- Vila Real- Viana do Castelo-Braga- Porto- Aveiro- Coimbra e Leiria (os outros quatro serão picados antes do final do ano)


Havia muitos planos para as férias deste ano: eu faria 40 anos, a festa seria de arromba, estaria obviamente mais magra porque estaria focada na dieta, na Páscoa teríamos ido à feira de Sevilha com a Ana e agora em Julho receberia o subsídio de férias depois de quase um ano num trabalho tranquilo e do qual gosto muito e partiríamos- os três- para Nova Iorque abraçar a minha soul sister Eileen. Depois road 66 e seria um Verão inesquecível. 

Mas veio a pandemia e lá se foram os planos. 

Eu tenho muita resistência à frustração (aliás, frustro pouco porque nunca dou nada por certo e garantido: sou das que nunca compra bilhete de ida e volta) e não planeei mais nada. Logo se vê. 

Então ele propôs-me, até ao final do ano, darmos um giro quadripolar, uma espécie de volta a portugal de bólide e mostrarmos todos os distritos do país à miúda, uma road trip como adoramos, com improviso e aventura mas em Portugal. Começaríamos em força agora no Verão a cumprir 14 distritos do total de 18 (a esta hora, de certeza que estão a dizer baixinho o nome de todos).

Pensei que era fixe a título de prémio de consolação mas, afinal, a ideia pareceu-me cada vez mais emocionante. 

No instagram do Quadripolaridades criei umas stories com o esqueleto do percurso que planeávamos percorrer e fomos pedindo e anotando as centenas (foram mesmo centenas) de sugestões que as pessoas que vivem ou conhecem bem cada sítio por onde iríamos passar nos iam dando. Ou seja, a excitação começou ainda antes de apertarmos os cintos. 

Planear uma viagem é sonhar no plural. Eu recolhi todas recomendações, ele anotou e organizou e a Ana projectou tudo no mapa, que lhe comprámos na Bertrand. Mapa em papel: a loucura. Eu ouvi pessoas, ele estruturou os dias, ela tornou tudo realidade.

E, logo após o meu aniversário partimos. Foram um quase 2000 Km percorridos, muitos dias na estrada, muitas aventuras, muitas stories, diretos e posts de partilha no instagram e agora, na recta final da road trip e já a curtir o descanso dos guerreiros, arranjo tempo para deixar aqui tudo registado. Para quem quiser aproveitar algumas das dicas mas, sobretudo, para que eu não me esqueça. 

Para a Ana construímos um diário de bordo com o roteiro detalhado, as histórias todas, com aguarelas dos sítios pintadas pelo pai e cartas escritas à mão por mim. Acho que lhe oferecemos um pequeno tesouro que resume a herança maior que lhe queremos deixar: mundo vivido. 

Apertem os cintos: a saga quadripolar #deusétuga vai começar. 

[É escusado dizer que custeámos esta viagem porque, como sempre, a nossa opinião não está à venda. Assim sendo, estamos à vontade para dizer o que gostámos e o que nem por isso, sítios mesmo imperdíveis e outros que benza-a-Deus. Agora não é uma realidade absoluta: é a nossa opinião. Mas, como sempre, é uma opinião livre. ]

domingo, 9 de agosto de 2020

Aos 9 de Agosto de 2020, à Ana por ocasião do seu 8º aniversário

Sabes, Ana, este era um aniversário que eu ansiava. Oito anos é uma idade importante para mim e não é pelos melhores motivos. Mas sabes que te conto sempre a verdade do Mundo, mesmo que a verdade doa. Tinha 8 anos quando eles se separaram. Sei que não me ouves falar do meu pai mas eu gostava muito dele antes de desgostar isto tudo que desgosto. É estranho desgostarmos de um pai, não é? Percebo-te bem na medida em que tens o melhor e mais dedicado pai do Mundo. Dizia-te eu que tenho gravados os meus 8 anos como o ano em que os meus pais se separaram mas, na verdade, o que conta é que esse foi o ano em que me senti desamada pela primeira vez. Talvez por isso ansiava que chegassem os teus 8 anos, felizes e tranquilos, seguros e, especialmente, amados, cuidados e queridos incondicionalmente, por todos. Como se pudesse, através de ti, dar colo à menina de 8 anos que fui, dar-lhe beijinhos nas esfoladelas da alma, apagar o desamor sentido à estreia. A psicologia explica e um dia posso-te explicar tudo, vantagem de quem tem pais psicólogos, né? Crescer dói sempre, filha. Porque implica escolher e aceitar escolhas circunstanciais que a vida nos atira sem que peçamos. E todas as escolhas implicam um ganho do que se escolheu mas também uma perda do que se deixou por escolher. Aceitar e viver bem com isto é o maior desafio da nossa existência. Assim que perceberes que é assim que funciona tudo será mais fácil. Não te posso spoilar a vida, Ana, porque isto é absolutamente imprevisível e dinâmico. Essa também é a parte que tem graça. Desejo que cresças forte e segura. Não segura de ideias, que elas evoluem. Nem de dogmas ou convicções. Nem sequer de quem tu és porque vamos sendo diferentes pessoas ao longo da vida. Mas segura incondicionalmente de que és amada por nós e que nunca sairemos de perto de ti. Nunca será o último aniversário que, por nossa escolha, passaremos contigo. Como foi o meu oitavo, o último em que desconheci o desamor. Não aches que isto não é um final feliz porque sou tua mãe e tu consertaste, célula a célula da minha vida, a forma como vivo o amor. Como amo e sou amada. Eu ensino-te a verdade do Mundo mas tu retribuis-me com toda a verdade sobre o amor.

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